Capítulo 29

O ano letivo começava de forma agitada com o quinto ano sabendo que no final do ano letivo teriam que prestar o NOM's. Anastasia não viu o menor problema nisso, já que todas as matérias estavam sendo aplicadas dos mesmos modos com teoria e prática.

Exceto uma pelo que ouviu nos corredores, Defesa Contra as Artes das Trevas. Seu primo Louis e Lúcia haviam relatado como estava as aulas, para o Bellini no seu sexto ano estava o mais completo tédio, já Lúcia, que havia tido aula junto com a turma da Grifinória, relatou o pequeno confronto de Harry com a professora Umbridge após a mulher dizer que eles não precisavam do uso prático de magia na aula e que o Lorde das Trevas não havia retornado, o que resultou no Potter indo para a detenção.

A Bellini naquele dia havia acordado atrasada, suas colegas de quarto já haviam ido e ela saiu em disparada pelos corredores da escola sem ao menos colocar sua capa ou arrumar a gravata direito.

— Merda, merda, merda — resmungou quando subia mais um lance de escadas e parou no começo delas ofegante, sentindo as pernas moles e sentando nos degraus antes que caísse de cara e algo pior acontecesse.

— Está tudo bem?

A menina se virou para o começo da escada notando que Will estava ali impecavelmente arrumado. O corvino segurava a alça da bolsa em um ombro, o uniforme e a gravata em um nó perfeito e até mesmo seus fios castanhos que naturalmente eram bagunçados pareciam, ironicamente, estar arrumados.

— A aula de DCAT, estou atrasada. Dormi demais.

— Melhor se levantar, os outros alunos estão vindo.

O Keynes estendeu a mão para a garota e ela aceitou. 

— Ainda tem cinco minutos, se arruma.

Rapidamente ela começou a arrumar a blusa dentro da saia, ajeitou a gravata e colocou a capa de modo certo.

— Vamos? — perguntou, agora arrumada.

Calmamente eles começaram a se dirigir para a sala, e assim que entraram, viram a mulher vestida completamente de roupas rosas parada com um sorriso no rosto.

— Bom dia crianças, por favor tomem seus lugares que a aula vai começar.

Anastasia sentou na terceira mesa junto com Will ao seu lado, alguns alunos da Corvinal e da Sonserina entraram segundos depois acomodando-se na sala.

Draco sentou-se na mesa do lado oposto do corredor com Pansy ao seu lado, que lhe cutucou e apontou para a corvina.

— Por que ela está tão pálida? 

O Malfoy direcionou o olhar para a menina que trançava os cabelos e concordava com alguma coisa que William Keynes havia dito, ela abaixou a cabeça logo depois apoiando a testa na mesa como se estivesse passando mal.

— Não sei — ele respondeu a Parkinson.

— Devia ver depois.

— Por que? E por que está se importando com ela?

— O que eu fiz ano passado foi muito errado, e… — ela se aproximou dele para falar sem que ninguém ouvisse — Você meio que se dedurou naquela vez se voluntariando para fazer ronda depois que ela falou.

— Começou a simpatizar com ela agora Parkinson? — o tom de voz irônico do Malfoy não afetou a garota, pelo contrário ela usou o mesmo modo para responder.

— Começou a perceber que você pode não ser o único que gosta dela Malfoy?

O loiro se calou e voltou sua atenção para a professora, pelo menos fingindo que prestava atenção, já que seus pensamentos estavam na palidez da Bellini.

Magicamente, os livros começaram a ser distribuídos e quando Anastasia viu que era praticamente um livro infantil de magia, levantou a mão.

— Professora.

— Sim, senhorita…

— Bellini. Esses livros estão certos para nosso ano? Porque, eles são quase tão básicos quanto para os que entram na escola.

A mulher sorriu de uma forma estava começando a irritar a garota.

— Esta é uma forma aprovada pelo Ministério.

— Aprender assim? Sem aulas práticas nem nada? Onde fica a parte de defesa se a gente não aprender a se defender?

Dolores andou com seus saltos rosas que faziam barulhos irritantes até a corvina, e com o mesmo sorriso que estava deixando Anastasia mais nervosa do que gostaria.

— Pelo que sei do seu histórico familiar, é uma leitora voraz e tenho a certeza de que, lendo bastante entenderá e conseguirá fazer os feitiços.

— Sinto discordar novamente, professora. Toda a matéria precisa de aulas teóricas e práticas, isso anda praticamente de mãos dadas e ir contra isso, é um método burro.

— Está chamando o método do Ministro da Magia de burro?

— Sim — ela respondeu sem pestanejar.

Os alunos começaram a cochichar, e Dolores sustentou o sorriso no rosto, embora seus olhos brilhassem de malícia pura.

— Senhorita Bellini, irei dar um desconto para a senhorita desta vez porque imagino não estar nas suas melhores faculdades mentais desde a morte triste e… — a mulher exitou antes de mudar as feições para alguém que estivesse sentida com o que falaria — explosiva de seu pai.

Toda a sala se calou quando ouviu Dolores, e antes que Will pudesse segurar a colega ou tentar impedir que alguma coisa acontecesse, ela foi mais rápida.

— O que foi que disse?

Anastasia levantou de imediato com tanta força que sua cadeira se arrastou e caiu no chão. As mãos da garota fechadas em punho tentando se conter por ser uma professora, porque se fosse um aluno ela não se importaria de brigar.

— August Bellini teve um fim trágico, e imagino que desde então, a senhorita deve ficar confusa com algumas coisas e irracional com outras.

— Está me chamando de louca?

— A senhorita que está dizendo isso.

A turma observava as duas com atenção. Dolores estava sorrindo de um lado de modo falso com um olhar maldoso, enquanto Anastasia tremia com os olhos cheios de água apertando a varinha em uma das mãos. 

— Eu não vou ficar aqui. Pode até se achar uma professora porque o Ministério a colocou nesse cargo, mas jamais será uma.

— E quem seria um bom professor? Aquele desagradável Remus Lupin?

— Melhor meu padrinho desagradável, que ensinou todos os alunos muitíssimo bem, do que uma vaca gorda falsa e rosa!

Pegando o material rapidamente, a corvina saiu correndo da sala abrindo a porta e a fechando com tanta força que o estrondo poderia ser ouvido dos outros cantos do castelo, assustando até mesmo alguns fantasmas e quadros que estavam nos andares debaixo. Dolores sorriu para os outros alunos como se nada tivesse ocorrido.

— Vamos voltar para a aula.

A turma voltou aos seus afazeres aos poucos, ainda chocados com a cena que presenciaram poucos instantes atrás.

— Vai atrás dela — Pansy sussurrou ao lado de Draco vendo-o confuso — Vai logo, aproveita que estamos no fundo da sala.

O loiro se levantou e saiu sorrateiramente sem fazer nenhum barulho indo diretamente para onde sabia que ela estaria.

ೃ *ૢ✧

No topo da Torre de Astronomia, Anastasia se apoiava na grade olhando o belo cenário que o local proporciona enquanto sentia as lágrimas caírem violentamente pelas bochechas.

— Ela não tinha o direito de falar isso de você papai, ela não tinha.

As mãos da garota apertaram com força a grade com o corpo tremendo pela raiva e tomada pela fúria, ela lançou o corpo curvado para frente e gritou a plenos pulmões para aliviar o que estava sentindo.

Raiva. Tristeza. Uma avalanche de sentimentos que ela havia sentido quando soube que seu pai havia morrido por conta de um pedido dela, por causa dela.

Braços circularam seu corpo puxando-a para trás enquanto ela ainda chorava e gritava em meio aos soluços sem forças para se debater, os sussurros no ouvido da garota que tudo ia ficar bem aos poucos fizeram efeito, e Anastasia caiu no chão com as pernas fracas.

— Calma...calma…eu tô aqui — Draco dizia ainda segurando ela em seus braços.

— Ela não podia falar isso para mim, ela não tinha o direito.

— Shiii… calma, estou aqui.

O Malfoy ficou abraçado com ela por mais tempo que podia contar. Ele nunca havia visto ela daquela forma tão vulnerável, e esperava não ver novamente porque aquilo doía seu coração e o deixava enfurecido com vontade de brigar com aquela professora, mesmo que fosse alguém importante do Ministério, ninguém podia falar assim com Anastasia.

Seu pai certamente iria saber daquilo.

Os tremores no corpo da garota foram parando assim como o choro, mas ela ainda não havia saído de perto dele, e não seria o próprio que a afastaria.

— Está melhor?

— Tô. Obrigado.

Com a cabeça baixa, a Bellini se afastou dele. Draco encostou-se na parede da torre com as pernas cruzadas, enquanto ela ficou sentada na sua frente colocando a capa que tirou antes por raiva por cima das pernas.

— Não precisa agradecer.

— Preciso sim, você perdeu algumas aulas por minha causa e provavelmente pode se encrencar.

— Nada que eu não dê um jeito depois.

— Esqueci, você é o Draco Malfoy e dá um jeito em tudo.

Ambos riram de forma fraca. 

— Posso? — ele apontou para a varinha no bolso da capa da garota e ela estendeu para ele — É do que?

— Madeira de amieiro com núcleo de corda de coração de dragão e flexibilidade ligeiramente elástica.

— Poderosa, igual a dona — ele devolveu para ela que sorriu — É ruim te ver chorar, principalmente daquele jeito.

— Ela tocou em um ponto muito sensível, eu ainda não consigo encarar muito bem esse assunto, tanto que fugi da aula sobre o bicho papão no terceiro ano, porque sabia que seria algo relacionado a isso.

O loiro observou as lágrimas querendo começar a sair novamente dos olhos da garota, e antes que ela começasse a chorar novamente, ele pegou algo que estava no bolso da sua capa e estendeu para ela.

— Toma.

A maçã verde na mão de Draco despertou a fome em Anastasia, que pegou a fruta e apreciou o cheiro antes de dar uma mordida.

— Tinha até esquecido que não comi nada no café da manhã com isso, quer?

— Pode ficar à vontade, tenho outra — ele pegou a fruta no outro bolso — Uma mania de sempre levar duas.

Ela sorriu fraco antes de dar outra mordida na fruta, terminando-a em menos de dois minutos.

— Quer a minha também? — brincou o loiro ao ver que ela havia comido mais rápido que ele.

— Tô bem, pode comer.

— Você vai voltar para a aula? — ela negou abaixando a cabeça para que ele não visse suas lágrimas voltando, mas era tarde demais — Quer companhia?

— Não quero atrapalhar ninguém.

— Você não me atrapalha.

— Está perdendo aula por minha causa, atrapalho sim.

— Dou meu jeito depois — Draco deu de ombros — Então, sobre o que quer falar?

— Nada na verdade, só queria ficar em silêncio com os meus pensamentos — Anastasia secou as lágrimas antes de olhar para o sonserino — Posso perguntar algo?

— Pode.

— Por que você escreveu aqueles bilhetes? Deu presentes caros?

Draco olhou para ela, ele podia desconversar ou falar qualquer coisa, mas os olhos dela não deixavam ele fazer isso. Ele não conseguia mais mentir para ela

— Porque eu me importo muito com você Bellini. Acho que depois da minha família, você é a pessoa mais importante para mim e eu tenho a certeza que faria tudo para te ajudar ou proteger...mesmo que você não sinta o mesmo que eu.

Anastasia assentiu e suspirou.

— Eu não sei exatamente o que sinto, quer dizer...até sei, mas não sei como falar isso ou agir, entende? — ela riu e ele acabou rindo junto concordando — É confuso mas, posso pedir para ter paciência com o meu coração?

As mãos do garoto cobriram as delas que estavam em cima do seu colo e de forma meio desajeitada, eles entrelaçaram os dedos.

— O tempo que for, estou aqui para você sempre.

ೃ *ૢ✧

Notas da autora: Hey pessoal, como estão?

Momento mega fofo de Drasia né? Os dois estão sentindo alguma coisa mas estão confusos, aiai esses corações apaixonados.

Queria dizer que o capítulo surgiu inspirado na música de Sandy e Junior (a que está lá em cima), achei que combinava bem com esse momento confuso deles. Quem olhou a playlist? Algum palpite do que vai vir por aí com as músicas?

Pansy reconhecendo os erros? Olha, garanto que vai rolar uma conversa entre essas duas em breve.

Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!

Até o próximo! ✨

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