Capítulo 48
Silvio: O que está dizendo Priscila? – gritou. – Como você pôde fazer uma coisa dessas?
Priscila: Eu estava com raiva de você Silvio! – declarou, passando a mão no rosto. – Eu tinha acabado de pegar você na cama com outra mulher e estava com raiva de saber que estava carregando uma filha sua, depois do que você fez comigo! – não continha às lagrimas.
Silvio: Já tínhamos conversado sobre isso Priscila! – começou a andar de um lado para outro, sem saber o que fazer. – Como você pôde fazer isso com a sua própria filha? Ela não tinha culpa de nada mulher! – furioso.
Priscila: Eu sei que não. – sussurrou. – Hoje eu sei que eu fui uma covarde! – voltou a chorar. – A minha filha não merecia isso.
Silvio: Seja sincera comigo mulher! – a olhou desnorteado. – Também fez isso por dinheiro, não é? – ela assentiu, aos prantos. – Porque queria dinheiro, se eu te dava tudo? – fechou os olhos. – Dava não, eu te dou tudo o que você quer.
Priscila: Mas eu queria mais, Silvio! – o olhou com os olhos vermelhos. – Eu queria mais dinheiro, queria me vingar de você e foi nesse momento turbulento que o Camilo me ofereceu muito dinheiro pra mexer na Any! – secou as lágrimas. – Eu a vendi, não acreditava nessas bobagens que ele fazia, achei que a criança teria alguma complicação e morreria, eu estava tão doente de raiva, eu só queria que você sofresse como eu estava sofrendo. – Silvio ouvia tudo e negava com a cabeça, Priscila era maluca. – Daí eu pedi para ele reimplantá-la no meu útero para não levantar suspeitas e foi o que aconteceu. Quando Any nasceu eu estranhei, o parto correu bem, sem complicações, e a menina nasceu perfeita, e era bem mais bonita que os outros bebês. – franziu a testa. – Quando completou um mês de vida, eu e a junta médica do Camilo, colocamos Any no mar e eu fiquei apavorada quando vi que ela tinha virado um bicho daqueles, era uma recém-nascida e tinha uma cauda!
Silvio: Por isso que você a rejeitava tanto. – fechou os olhos, sentindo pena de Any. – Não gostava de amamentá-la, aquilo para você parecia a morte, agora eu entendo por que... Você tinha nojo da sua filha! – gritou.
Priscila: É, eu tinha... – confirmou com a cabeça baixa. – Tinha nojo, tinha medo. Ela tinha olhos tão negros e às vezes eles brilhavam tanto que parecia que ela tinha saído do inferno.
Silvio: Você deveria ter nojo de si mesma Priscila. – disse ignorando o que ela tinha dito. – Por que não falou isso pra mim? Eu daria um jeito de cuidar da minha filha, não precisava você sumir com ela.
Priscila: Se eu não sumisse, logo você descobriria o que eu tinha feito e se separaria de mim. – ela tornou a chorar. – Entende que para mim, as loucuras do Camilo não dariam em nada, nunca eu imaginei que ele conseguiria transformar Any em um peixe, jamais acreditei nele, a única coisa que eu queria era que essa menina morresse pra te fazer sofrer com isso, jamais pensei que ele conseguisse Silvio! – soluçava. – Camilo iria infernizar nossa vida.
Silvio: Não me interessa. – disse seco. – Eu quero que você fale com Any, ou melhor, eu exijo que você converse com ela e conte toda a verdade! – ergueu a sobrancelha. – Agora!
Priscila engoliu o seco.
Priscila: Tudo bem. – assentiu receosa. – Eu só vou pegar a minha bolsa.
Silvio: Não Priscila, eu não vou com você. – negou com a cabeça. – Dessa vez você vai sozinha. – suspirou pesadamente. – E é bem provável que quando você chegue, eu não esteja mais aqui. – saiu, batendo a porta com força. Estava extremamente decepcionado.
Priscila: Silvio! – chamou desesperada. – Silvio, volta aqui, por favor! – indo atrás, mas ele já descia as escadas e nem dava ouvidos aos seus gritos. – DROGA! – fechou a porta, chorando. Chorou tudo o que estava entalado em sua garganta, já sabia que tinha perdido o seu marido, agora tinha que pedir aos anjos para que sua filha a perdoasse. – Vamos lá Priscila, vamos decepcionar Any também. – suspirou, levantou-se e foi rumo a casa de Any.
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Enquanto isso, Any tinha acabado de se trocar, tinha tomado um banho revigorante e tirado toda aquela atmosfera de hospital que pairava sobre si, estava muito bem acomodada com Lili, quando ouviu o choro escandaloso de Clara pela babá eletrônica.
Any: Ain não. – choramingando preguiçosa. – Você ri por que não é com você não é Lili? –sorrindo enquanto a cachorrinha balançava o rabinho. – Estava com saudade de você sabia amiguinha? – abaixando o rosto e recebendo várias lambidas. – Eu adoraria brincar, mas a Clara está chorando, tenho que ver o que ela quer. – pôs Lili no chão e levantou, caminhando até o quartinho da pequena. – Olá filha! – sorrindo e pegando-a no colo desajeitadamente. – Ain, o que você tem hein? – segurando a filha, fazendo-a ficar com o rostinho de frente ao seu. – O que você acha Lili? – ergueu a sobrancelha, olhando a cachorra que não fazia nada a não ser balançar a cabeça. – Fraldinha! – deduziu com os olhos arregalados. – Eu acho que ela está com a fraldinha suja. – franziu a testa. – Me deixa ver. – deitando-a no trocador. – Ai, eu nunca troquei uma fralda. – deduziu com bico, enquanto tentava tirar o macacãozinho dela. – Que difícil tirar essa roupa! – reclamou, até que conseguiu. – Até que enfim, agora... – ficou em pânico com o que viu. – AHH! – gritou desesperada. – TIA! – começa a chorar. – Tia socorro, a minha filha!
Lurdes vem correndo desesperada e a encontra chorando.
Lurdes: Any, o que foi meu amor? – perguntou preocupada.
Any: As tripas dela estão... – apontou se tremendo. – Estão saindo pra fora tia.
Lurdes: Onde menina? – olha para onde ela aponta e respira fundo de alivio. – Any, isso é o umbiguinho dela que ainda não caiu. – passou a mão no rosto, aliviada.
Any: Hã? – sem entender, com os olhinhos cheios de lagrimas. – O umbiguinho?
Lurdes: Sim meu bem. – sorrindo de lado. – O umbiguinho dela ainda está inflamado. – tirando o resto do macacãozinho dela. – O que aconteceu hein meu amorzinho? – falando com voz de bebê. – A mamãe te assustou foi? – rindo enquanto a bebê chorava.
Any: O que vai fazer? – perguntou curiosa, enquanto limpava as lágrimas.
Lurdes: Vou trocar a fraldinha dela. – sorriu de lado. – Está coco. – resmungou com uma caretinha e Any fica olhando. Lurdes tirou a fraldinha descartável com todo o cuidado, enquanto ela chorava com a mãozinha na boca. – Calma meu bem. – sorrindo paciente.
Any: Ai que fedor! – exclamou com os olhos fechados e abanando o rosto com as mãos. – Ai tia está fedendo demais. – com careta.
Lurdes: Ora, não reclame, ok? – ergueu a sobrancelha. – O cocô de ninguém cheira a flores. – gargalhou. – Anda, pega aqueles lencinhos umedecidos ali. – apontando, Any vai lá e pega.
Any: Pronto, tia. – sorrindo doce, entregando. – Olha, ela tem uma igual a minha. –apontando a "baratinha" da filha.
Lurdes gargalhou.
Lurdes: Claro que sim meu bem, todas as meninas tem uma dessas. – falando baixinho, como se fosse um segredo.
Any: Ah, que legal! – sorriu e Lurdes começa a cantar uma música. Clarinha muito curiosa com a canção, parou de chorar. – Eu posso dar leite pra ela?
Lurdes: Deve. – sorriu. – Me deixa terminar aqui e você a amamenta certo? – Any assentiu. Alguns minutos depois, Clara estava novinha em folha. – Toma, ela parece estar com fome. – a entregou para a mãe. – Qualquer coisa, eu estou na cozinha. – piscou e saiu.
Any: Está bem tia. – se senta. – Eu não sei como você gosta desse leite. – dando o peito para a pequena. – Tem gosto de nada e nem dá pra doar para os pobres. – beijou a mãozinha da filha e ficou lhe admirando.
Priscila chega ao prédio onde ficava o apartamento de Any e Josh, respira fundo e sai do carro com o coração apertado, subiu o elevador e logo estava na porta do apartamento, respirou fundo e tocou a campainha.
Lurdes atendeu com um sorriso no rosto, mas quando viu quem era, fechou a expressão sorridente dando lugar a uma expressão formal.
Lurdes: Como vai senhora? – perguntou, sorrindo educadamente.
Afinal já conhecia Priscila e sabia que ela não gostava de ficar trocando afeto com empregados.
Priscila: Minha filha está em casa?
Lurdes: Sim senhora, está no quarto amamentando a bebê. – assentiu. – Entre, por favor. –dando o espaço para ela passar.
Priscila: Obrigado, eu posso ir até lá? – perguntou com uma expressão dura, dava pra ver que estava muito nervosa.
Lurdes: Claro senhora, é o quarto que está escrito "nossa princesinha" na porta. – mostrou e Priscila suspirou.
Priscila: Obrigada Lurdes. – sorriu de leve.
Lurdes achou esquisito, afinal nunca tinha conversado assim com Priscila, pior ainda receber um sorriso dela, mesmo assim retribuiu com alegria. Estranhou quando viu uma lagrima, ela estava chorando?
Lurdes: Dona Priscila? – ergueu a sobrancelha. – A senhora está bem? – preocupada.
Priscila: Sim, eu estou bem. – assentiu, secando as lágrimas. – Não se preocupe.
Lurdes: Não quer uma água com açúcar? – mordeu o lábio. – Um suco?
Priscila: Nada Lurdes. – negou com a cabeça. – Só quero que me responda se o Joshua está aqui.
Lurdes: Não senhora.
Priscila: Obrigada. – assentiu e saiu em busca do quartinho da neta, não demora e logo o encontra. Limpa alguns vestígios de lagrimas que ainda estavam em seu rosto e entra.
Any estava concentrada amamentando a filha, Priscila sorriu ao ver que ela tinha uma trança embutida nos cabelos, desde que tinha feito a primeira trança no cabelo dela, um tempo atrás, Any pelejou, até que aprendeu a fazer sozinha. Logo a filha percebeu sua presença.
Any: Mamãe! – sorriu. – Você veio me ver!
Priscila: Olá filha. –se aproxima de Any e lhe dá um beijo demorado nos cabelos. – Como está? – sorriu, desviando o olhar para a neta que estava mamando olhando fixamente para Any.
Any: Estou bem. – sorriu e estranhou a expressão de Priscila. – O que foi mãe, você estava chorando? – olhando nos olhos da mãe.
Priscila: Filha, nós duas precisamos conversar... – olhando-a seriamente.
Any: Conversar sobre o que mamãe? – foi interrompida pela filha reclamando, porque o seio escapou, ela recolocou o bico e Clara retornou sua mamada quietinha. – Você está estranha, aconteceu alguma coisa? – preocupada.
Priscila: Filha, o que a mamãe vai falar agora não é nada fácil. – se abaixando para ficar da altura dela, que estava sentada. – Eu não sei se você vai querer voltar a me ver.
Any: Não mamãe. – negou com a cabeça, desesperada. – Eu não quero ficar longe de você! – tocou o braço de Priscila, começando a chorar de medo de ser abandonada.
Priscila: Eu não mereço que chore por mim filha. – limpando as lágrimas dela. – Eu vou te contar algo muito feio que a mamãe fez.
Any: O que? – a olhou curiosa, com lágrimas nos olhos.
Priscila: Não é nada fácil falar... – suspirou. – Mas, eu não aguento mais isso entalado no meu peito. – fechou os olhos. – Filha, você lembra daquilo que eu te contei, sobre o Camilo ter te transformado em peixinho sem a minha permissão? – tocou a mão de Any.
Any: Sim. – assentiu, sem entender. – O que tem isso haver?
Priscila: Era mentira minha filha. – disse não contendo mais as lágrimas.
Any: Como... Como assim? – franziu a testa, gaguejando. – O que você quer dizer com isso?
Priscila: Eu vendi você para aquele homem Any. – confessou, deixando a filha arrasada. – Ele transformou você com a minha permissão.
Any sentiu um nó se formando na garganta e um aperto dolorido no coração, como a sua própria mãe pôde fazer tamanha maldade com ela?
Any: Por quê? – perguntou, caindo no choro. – Porque você fez isso comigo mamãe? –a olhava, desnorteada.
Priscila: Eu estava com ódio do seu pai filha. – explicou. – Eu também queria mais dinheiro, eu queria me vingar dele, então o Camilo apareceu e resolveu os meus problemas.
Any: E O QUE EU TINHA A VER?! – gritou e a criança começou a chorar de susto.
Priscila: Cuidado com a sua filha meu bem. – tentando tocar a pequena.
Any: Não toca na minha filha! – disse desesperada. – Não faz nada com ela!
Priscila: Any você pode derrubá-la. – preocupada com a pequenininha que chorava e balançava os bracinhos no colo da mãe, Lurdes chega assustada com os gritos. – Lurdes, leve a criança! – ordenou.
Lurdes: O que a senhora fez com ela? – olhando Any, perplexa.
Priscila: Apenas leve a minha neta! – apontou a porta. – E, por favor, saia.
Lurdes: Me dá ela Any. – estendendo os braços para pegar a criança.
Any a entrega.
Priscila: Any, eu sei que está chateada comigo. – tocando o ombro da filha, assim que Lurdes saiu.
Any: Me solta. – tirando a mão dela.
Priscila: Tem mais. – coçou a nuca e Any arregalou os olhos. – Ninguém te sequestrou filha, fui eu que te abandonei naquela ilha. – chorando arrependida. – Fui eu... – sussurrou.
Any fechou os olhos em um ato de revolta. Meu Deus, como sua própria mãe pode fazer tanta maldade com ela, o que tinha feito de errado para essa mulher ter lhe feito tanto mal?
Any: Mamãe vai embora daqui! – pediu aos gritos. – SAÍ DAQUI, EU REALMENTE NÃO QUERO MAIS TE VER! – gritou com a voz embargada devido às lagrimas. – Você nunca foi minha mãe, nunca me amou de verdade... – soluçava. – Eu tinha tanto orgulho de você! – falou, dessa vez baixinho. – Você era meu tudo... Sabe o que aconteceu? Desmoronou. – enxugou as lágrimas. – Tudo acabou aqui, tudo o que eu sentia em relação a você, eu deixo de sentir agora, porque nem um animal faz com um filhote o que você fez comigo. – a olhava decepcionada.
Priscila estavadespedaçando em cada palavra que Any dizia, chorava de arrependimento, era umacoisa que doía muito no coração. Any não precisou dizer mais nada, ela saiu delá silenciosamente, saiu de lá correndo, não queria que ninguém a visse daquelaforma.
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