40- chilique


Enquanto a festa seguia animada, Enzo, precisando de um momento de silêncio, afastou-se discretamente da pista de dança e dos convidados. Ele caminhou pelos jardins da casa de campo, agora molhados pela chuva, sentindo o ar fresco da noite. As gotas ainda escorriam pelas folhas das árvores, e o som da água pingando era quase relaxante. Porém, à medida que ele se afastava, notou algo que o fez parar.

Perto de um canto mais isolado do jardim, onde a luz das lanternas era mais fraca, Enzo ouviu vozes elevadas. Aproximando-se silenciosamente, reconheceu Gabriel, seu primo, discutindo com Saori, a namorada de Gabriel. A tensão entre os dois era palpável.

—Você está mesmo me fazendo passar por isso aqui, Saori? No casamento do meu primo?— Gabriel dizia em um tom firme, tentando manter a calma. Seus olhos demonstravam frustração, enquanto ele passava a mão pelos cabelos, visivelmente irritado.—

Saori, com os braços cruzados e os lábios tensos, encarava Gabriel com um olhar carregado de ciúmes. 

—Eu vi, Gabriel... Não tente me enganar! Eu conheço aquele olhar!

Gabriel suspirou profundamente, tentando conter a irritação. 

—Saori, por favor... Lais é minha amiga de muitos anos. Ela está aqui com o namorado, e você sabe disso. Não tem absolutamente nada entre nós além de uma amizade que existe antes mesmo de você aparecer.

Saori balançou a cabeça, visivelmente incomodada. 

—Eu sei que ela tem namorado, mas isso não significa que você não tenha sentimentos por ela! Eu vi o jeito que você olhou para ela, Gabriel... E ela também te olhou de forma intensa... Você acha que sou cega? E você ainda fica me chamando de paranoica!

Gabriel deu um passo à frente, o rosto ficando mais sério. 

—Escuta bem, Saori. Esse é o casamento do meu primo, e a última coisa que eu vou permitir é você fazer um barraco aqui... Nem eu, nem a minha família, nem ninguém vai aceitar esse tipo de comportamento em um dia tão especial. —Ele gesticulou na direção da casa, como se quisesse lembrar Saori da importância do momento. —Eu te respeito, estamos juntos a dois anos, mas você precisa confiar em mim. Lais nunca foi nada além de uma amiga. Se você continuar com esse ciúme infundado, você vai acabar estragando não só a nossa relação, mas também a noite de todo mundo.

Saori desviou o olhar, mas ainda estava visivelmente abalada. 

—É fácil pra você falar, Gabriel. Você sempre foi próximo dela... Eu sempre senti que tem algo a mais entre vocês... Uma historia mal acabada... Eu só... não consigo ignorar a maneira como você olha para ela.

Gabriel esfregou a testa, claramente frustrado, mas tentando manter a compostura. 

—Saori, eu já te disse, não tem nada entre mim e Lais além de amizade... Eu conheço Laís desde criança, ela estudou com a minha irmã, e é melhor amiga da minha prima Milena, e da esposa do meu primo. Minha família toda adora ela. E se você for dar algum chilique, todos vão ficar do lado dela. — Falou Gabriel intensamente.—E se eu olhei para ela de algum jeito que te incomodou, pode ter sido sem intenção, me perdoe. Mas você não pode transformar isso em uma briga a ponto de estragar o casamento do meu primo, e dar um chilique na casa da minha família. Eu não vou permitir isso Saori. —A chuva leve começou a apertar novamente, as gotas mais rápidas caindo ao redor deles. Enzo, ainda observando à distância, sentiu a tensão aumentar. Saori parecia a ponto de explodir, mas Gabriel manteve-se firme. Ele não queria briga, muito menos no casamento de seu primo.— Se você não consegue confiar em mim, então precisamos conversar sobre isso de forma séria depois.— Gabriel disse, agora mais calmo. — Mas aqui, agora, nesse momento, eu não vou aceitar esse tipo de desrespeito com minha família, ou meus amigos. Não vou fazer parte de um escândalo na festa do Enzo. Você me entendeu Saori?

Saori ficou em silêncio por um momento, sua expressão ainda dura, mas visivelmente confusa. Ela sabia que Gabriel estava certo sobre não querer brigas ali, mas o ciúme que sentia ainda queimava. 

—Eu só quero que você seja honesto comigo, Gabriel. Eu não estou pedindo muito.

Gabriel suspirou mais uma vez, seu olhar suavizando um pouco. 

—Eu sou honesto com você. Sempre fui. Se você quiser continuar comigo, você vai ter que confiar nisso. Lais é minha amiga... Amiga da minha família, e isso não vai mudar. Mas isso não significa que há algo entre nós além de uma amizade. Agora, por favor, vamos voltar para a festa e aproveitar a noite sem mais confusões.

Saori, hesitando por um momento, finalmente assentiu, embora ainda parecesse relutante. 

Antes que a discussão entre Gabriel e Saori pudesse se intensificar ainda mais, Enzo, que observava tudo de longe, achou melhor intervir. Ele sabia que o clima estava ficando pesado, e a última coisa que queria era um barraco no seu casamento. Decidido a apaziguar a situação sem chamar muita atenção, ele se aproximou calmamente, mas com firmeza.

—Gabriel! — chamou Enzo em um tom descontraído, com um sorriso no rosto.— O Rafael está te procurando. E, além disso, a Lunna já está se preparando para jogar o buquê Saori, você não quer ir tentar.

Gabriel se virou ao ouvir a voz do primo, parecendo aliviado por aquela pausa inesperada na discussão. Ele respirou fundo, claramente grato pela intervenção de Enzo, mas sem querer transparecer o quanto a conversa com Saori o havia abalado. 

—Ah, é? Já vai começar?—Ele tentou sorrir, virando-se para Saori, que, ainda desconfortável, evitou seu olhar por um momento.—

Enzo se aproximou mais, colocando uma mão amigável no ombro de Gabriel. 

—Sim, e acho que seria uma boa ideia você estar lá. Além disso, ninguém vai querer perder esse momento, especialmente você, Saori. — disse ele, direcionando um olhar leve e acolhedor para ela, como quem tentava suavizar a tensão.

Saori, embora ainda claramente chateada, sabia que não poderia continuar a briga naquele momento. Respirando fundo, ela tentou se recompor. 

—Claro, vamos!— respondeu, sua voz ainda com uma leve hesitação, mas decidida a encerrar o assunto ali.

Gabriel assentiu, lançando um último olhar firme para Saori, como se dissesse silenciosamente que eles resolveriam aquilo depois, longe da festa. 

—Ok, vamos lá então.—disse ele, passando o braço ao redor da cintura de Saori, num gesto conciliador.

Enzo sorriu para os dois, aliviado por ter conseguido evitar uma cena mais complicada. 

—Ótimo, não podemos perder o momento em que minha bela esposa joga o buquê. Vamos aproveitar o resto da noite, pessoal.

Enquanto voltavam para o salão, a música e as luzes da festa retomavam o foco, e as conversas animadas dos convidados preenchiam o ambiente, abafando qualquer vestígio da tensão que havia surgido no jardim. Enzo olhou para o céu, ainda nublado pela chuva, mas sentiu o clima leve novamente, o que o fez relaxar.

Pouco depois, todos estavam reunidos no centro do salão para o tão aguardado momento em que Lunna lançaria o buquê. Entre risos e empurrões brincalhões, as mulheres solteiras se posicionaram, enquanto os outros convidados assistiam, com os celulares prontos para capturar o momento. Saori se juntou ao grupo, agora com um sorriso mais relaxado no rosto, tentando deixar de lado as tensões da conversa anterior.

Enzo, de longe, observava tudo com um sorriso no rosto, sentindo-se satisfeito por ter evitado um possível problema no dia mais importante da sua vida. Enquanto Lunna, radiante, segurava o buquê e se preparava para lançá-lo para as madrinhas e amigas, a festa retomava sua atmosfera mágica e festiva.

A pista de dança estava cercada de expectativa e risos enquanto Lunna, ainda deslumbrante em seu vestido de noiva, subia em uma pequena plataforma improvisada, segurando firmemente o buquê de flores frescas, vibrantes nas cores de creme e rosa, adornado com fitas de seda. Ao seu redor, todas as mulheres solteiras do casamento se reuniam, algumas mais animadas que outras, mas todas ansiosas pelo momento icônico. Entre elas, Alice, Milena, Lais, Samira e outras convidadas se alinhavam, trocando olhares cúmplices e empurrões brincalhões.

Lunna olhou para Enzo, que a observava com um sorriso orgulhoso, e ele fez um sinal encorajador com a cabeça. Ela virou-se de costas para as mulheres e, enquanto a música de fundo aumentava a expectativa, levantou o buquê acima da cabeça.

—Preparadas?— ela perguntou, com uma voz divertida, fazendo todas as mulheres rirem e levantarem as mãos prontas para a disputa. Alice e Samira trocaram olhares competitivos, Lais apenas riu, mas Milena, com um brilho de esperança nos olhos, estava concentrada, como se o momento pudesse mudar algo em sua vida.—

Lunna fez um movimento dramático, fingindo lançar o buquê uma ou duas vezes, provocando gritos e risadas das mulheres atrás dela. A tensão aumentava a cada segundo, enquanto os outros convidados observavam a cena com expectativa, prontos para ver quem seria a sortuda.

Finalmente, com um gesto gracioso, Lunna lançou o buquê por cima do ombro, e as flores descreveram um arco perfeito no ar, voando em câmera lenta para quem observava. As madrinhas e convidadas esticaram os braços, algumas saltando na tentativa de agarrar o buquê no momento exato.

Em meio à confusão de braços e risos, foi Milena quem, com um salto elegante e decidido, pegou o buquê no ar, suas mãos envolvendo as flores com precisão. Um grito de alegria escapou de seus lábios quando percebeu que tinha conseguido. As outras mulheres, especialmente Alice e Samira, começaram a aplaudir e rir, algumas fingindo desânimo por não terem conseguido pegar o buquê.

Os convidados explodiram em aplausos e risos, enquanto Milena, com um sorriso radiante e as bochechas coradas, segurava o buquê vitorioso no alto. Ela deu um pequeno giro, os olhos brilhando de felicidade, e Luna, ao vê-la, desceu da plataforma para abraçá-la.

—Sabia que você iria pegar!— Lunna disse, rindo, enquanto abraçava Milena.—

Milena ainda estava em êxtase, olhando para o buquê como se ele carregasse um significado especial. —Eu não acredito! Acho que isso significa algo, né?

Alice, Samira e Lais se aproximaram, rindo e abraçando Milena, comemorando o momento divertido. 

—Parece que você é a próxima, Milena!— brincou Alice, piscando para a amiga, enquanto todos ao redor continuavam a aplaudir e celebrar.

A chuva que caía lá fora parecia apenas intensificar a atmosfera mágica e íntima do momento, enquanto o calor e a alegria no salão envolviam todos. Milena, segurando o buquê com carinho, não conseguia parar de sorrir, e a festa continuava em clima de pura felicidade e celebração.

Milena, com o buquê ainda firme em suas mãos, caminhava lentamente pela pista de dança, sentindo o calor dos olhares dos convidados sobre ela. Seu sorriso irradiava felicidade, e seu coração batia mais forte com a adrenalina do momento. Ela avistou seu namorado ao longe, que a observava com um misto de surpresa e orgulho. Ele sorriu amplamente ao vê-la se aproximar com o buquê. Ela caminhava com passos leves, quase flutuando, e quando finalmente chegou até ele, levantou o buquê e disse, em tom brincalhão:

—Olha só o que eu consegui!

Ele riu e a puxou para um abraço apertado, beijando sua testa enquanto a envolvia.

—Parece que temos algo para conversar mais tarde, hein?— brincou, o sorriso em seus lábios sendo substituído por um olhar mais profundo e carinhoso. Milena riu, sentindo o carinho e a intimidade entre eles crescer naquele momento especial.

***

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