30- Churrasco
Na manhã seguinte, o sol nascia devagar sobre as colinas da propriedade da família De Lucca, iluminando a vasta paisagem verde que cercava a casa de campo. O ar estava fresco, e uma leve brisa soprava enquanto os membros da família se movimentavam com o planejamento para o churrasco no chalé.
O almoço em família no chalé era o tipo de evento que fazia os De Lucca se sentirem conectados às suas raízes. O chalé, construído em pedra e madeira, tinha uma varanda ampla com vista para as montanhas e a cachoeira do Alvorecer ao longe. Uma brisa suave soprava, e o cheiro de carne assando na churrasqueira se misturava ao aroma fresco da floresta ao redor.
O chalé era um refúgio querido por todos, localizado próximo às montanhas, cercado pela natureza exuberante da reserva privada da família. A cachoeira do Alvorecer ficava a poucos metros dali, e sua queda d'água cristalina era um convite constante para momentos de tranquilidade e reflexão. O som da água correndo e o canto dos pássaros tornavam aquele cenário quase mágico.
Lorenzo, com sua postura serena e firme, comandava a churrasqueira com a ajuda de Enrico. Antonella, sempre com seu olhar atento, estava ao lado de Julia, e Francielle, ajudando a arrumar a mesa de madeira maciça que ficava no pátio do chalé. A mesa estava decorada com simplicidade, mas de forma aconchegante: uma toalha de linho bege, pratos rústicos de cerâmica e arranjos de flores silvestres colhidas nos arredores. Francielle, orgulhosa de sua floricultura, não podia deixar de admirar as pequenas flores brancas que enfeitavam o ambiente, lembrando a todos das tradições de sua família.
— Essas flores me lembram os primeiros anos da floricultura — disse Antonella, sorrindo. — Minha mãe, costumava fazer arranjos simples como esses e encher a casa de fragrâncias. É bom manter essas tradições vivas.
Francielle assentiu, olhando para a sogra com gratidão. Manter a floricultura da família viva era mais do que um negócio, era uma missão.
Os risos de Rafael ecoavam ao longe, enquanto ele contava alguma anedota divertida sobre suas últimas gravações, sempre arrancando gargalhadas de Matteo, que aproveitava o tempo livre do hospital para relaxar com a família.
— Rafa, você sempre tem uma história maluca — comentou Matteo, enquanto servia um suco gelado a si mesmo e ao irmão.
— É o preço de ser um ator famoso — brincou Rafael, piscando para Milena e Alice, que estavam sentados do outro lado da mesa, observando a interação com diversão.—
Enquanto isso, Leonel conversava animadamente com o filho Gabriel sobre os planos para a reforma de uma parte do chalé, já que o lugar tinha um significado especial para toda a família.
Quando a comida ficou pronta, Lorenzo chamou a todos para a mesa.
— Vamos comer, família! A carne está no ponto.
Todos se reuniram, os pratos sendo rapidamente preenchidos com pedaços de carne perfeitamente grelhados, acompanhados de salada, pão fresco e queijos locais.
Antonella observava a cena com um olhar de satisfação. Ver seus filhos e netos juntos era o que mais aquecia seu coração. Entre uma mordida e outra, as conversas fluíam naturalmente.
— Nada melhor do que um almoço como esse — comentou Enzo, olhando para Luna com um sorriso cúmplice. — É nesses momentos que percebemos o quanto somos abençoados.
Luna concordou, sentindo-se parte daquela grande e acolhedora família, algo que sempre admirou.
— Faz tempo que não tenho um momento assim, com a família toda reunida — comentou ela, entrelaçando os dedos aos dele e se lembrando de sua família.— Esses momentos são raros, mas fazem valer a pena toda a correria da vida.
—Isso é verdade!— respondeu Enzo, olhando para ela com carinho.— Minha família sempre priorizou aos almoços de domingo na casa de campo. Mas, todas ás sextas feiras costumamos visitar minha avó Paola, a dona do restaurante El Touro.
— Dona Paola é maravilhosa... E a comida dela também...
— Isso eu não posso discordar. — falou sorridente e roubando um beijo da namorada enquanto observava toda a sua família alegre e divertida preparar o almoço.—
Depois que todos estavam satisfeitos, a conversa seguiu, com piadas e recordações do passado. Matteo contava sobre os desafios do hospital, enquanto Rafael fazia todos rirem com histórias dos bastidores de suas gravações. Alice, tímida, ouvia mais do que falava, mas sempre se mostrava interessada nas discussões da família.
— Bom, já que todos estão aproveitando o momento em família, e eu acho que chegou a minha vez de compartilhar uma novidade — disse Rafael, quebrando o silêncio com um sorriso no rosto.—
Todos olharam curiosos, esperando pelo que ele tinha a dizer. Rafael sempre tinha um jeito descontraído de contar suas histórias, mas o brilho nos olhos dele indicava que dessa vez era algo grande.
— Recebi um convite para um novo projeto — continuou, olhando ao redor. — E não é qualquer projeto. Fui convidado para interpretar o protagonista de uma nova novela de época.
— Outra novela? — perguntou Gabriel, com um sorriso provocador. — Você já está dominando as telas, hein?
— Sim, mas essa é diferente — Rafael respondeu, com um tom mais sério para o primo. — Vou interpretar um militar.
O comentário gerou um murmúrio de surpresa. Rafael era conhecido por seus papéis mais leves e divertidos, normalmente em comédias românticas ou dramas contemporâneos, então o fato de interpretar um militar era algo inesperado.
— Um militar? — perguntou Antonella, levantando as sobrancelhas. — Isso é um papel completamente diferente do que você costuma fazer, Rafael. Vai ser um desafio e tanto.
Rafael assentiu.
— Exatamente. E é por isso que estou tão empolgado vovó. A novela vai se passar nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, e meu personagem é um oficial do exército que enfrenta uma série de dilemas pessoais e morais. Ele é um homem íntegro, mas que lida com o peso das decisões que precisa tomar. É um papel muito mais sério e profundo do que tudo o que eu já fiz até agora.
Milena, sempre uma das maiores fãs do irmão, bateu palmas animada.
— Isso é incrível, Rafa! Acho que vai ser ótimo para você mostrar um lado diferente do seu talento. Sempre te imaginei mais em papéis sérios também.
— E vai ter cenas de ação? — perguntou Enrico, interessado.
— Sim, muitas. — Rafael riu. — Vou ter que passar por um treinamento militar antes de começarmos as gravações. Quero me preparar bem para o papel, para que tudo pareça o mais real possível. Vou ter que aprender a manusear armas, marchar, até mesmo fazer algumas das manobras que os soldados faziam na época.
— Isso soa intenso — disse Luna, olhando para Enzo. — E eu achando que meu trabalho de organizar eventos era cansativo!
— Nem me fale — Rafael riu. — Vai ser uma mudança completa, mas estou animado. Além disso, a novela vai ter um grande componente emocional. O meu personagem se apaixona por uma enfermeira que cuida dos soldados feridos, e a relação deles será uma das principais tramas da história. Então, ainda tem um pouco de romance no meio da guerra.
Alice, que estava ouvindo atentamente, comentou:
— Vai ser interessante ver você interpretar um papel tão carregado de emoções, e em um cenário histórico. Aposto que vai ser um sucesso primo.
— Obrigado, Alice. — Rafael sorriu. — Estou muito empolgado, mas também nervoso. Acho que vai ser um dos maiores desafios da minha carreira até agora.
— E quem vai interpretar a enfermeira? — perguntou Milena, sempre curiosa sobre os bastidores.
— Ainda não definiram. O casting está em andamento, mas ouvi rumores de que estão considerando algumas atrizes bem talentosas — respondeu Rafael, dando de ombros. — Vamos ver o que acontece.
— Vai ser incrível, mano — disse Gabriel, batendo no ombro de Rafael com um gesto de incentivo para o primo. — E tenho certeza de que você vai dar conta do recado. A família De Lucca sempre se destaca.
— Concordo. — disse Matteo, com um sorriso orgulhoso. — Não importa o desafio, nós sempre encontramos uma maneira de superá-lo. Tenho certeza de que você vai fazer esse papel com toda a dedicação e talento que sempre mostrou.
— Obrigado, irmão! — respondeu Rafael, emocionado. — Vou dar o meu melhor, como sempre. E quem sabe, no final, a gente não faz uma grande festa para comemorar o sucesso dessa novela?
— Claro que vamos! — disse Lorenzo, que ouvia a conversa com um sorriso orgulhoso do filho. — Qualquer motivo é bom para celebrar em família, ainda mais quando se trata de uma conquista como essa.
Após a conversa sobre o novo projeto de Rafael, o olhar da família se voltou para Gabriel. Foi Milena, sempre curiosa e brincalhona, quem resolveu mudar o foco da conversa.
— E quanto a você, Gabriel? Como anda a vida no Japão? — ela provocou, levantando as sobrancelhas com um sorriso malicioso. — Quando é que você vai trazê-la para nos apresentar, hein?
Gabriel, que sempre mantinha uma postura reservada, riu baixo e desviou o olhar por um segundo, como quem tenta ganhar tempo. Ele sabia que a família era curiosa, principalmente quando o assunto envolvia sua vida pessoal.
— A vida no Japão tem sido incrível prima. — ele começou, enquanto todos aguardavam ansiosamente pela parte que realmente lhes interessava. — Tenho aprendido muito com a cultura, a disciplina deles é impressionante. E o trabalho está fluindo bem. Estou envolvido em alguns projetos de engenharia elétrica, principalmente na área de energias renováveis.
Milena, impaciente, balançou a cabeça.
— Tá, tá, tá... A gente quer saber da Saori, não do seu trabalho! — Ela sorriu, e Alice logo se juntou à provocação.—
— É, Gabriel, você fica fugindo do assunto! Conta logo sobre ela. Quando vai trazer a moça pra conhecer a família?
Gabriel, que até então estava quieto, riu e balançou a cabeça.
— Sabia que essa pergunta ia chegar... — ele disse, rindo, e Dona Antonella, sempre atenta a tudo, inclinou-se ligeiramente à mesa com um brilho curioso nos olhos, mas sem dizer uma só palavra.—
— Sim, Gabriel. Estamos todos curiosos sobre essa namorada que você mantém em segredo. Quando é que vamos conhecê-la oficialmente?— perguntou dona Julia para o filho.—
Gabriel, visivelmente desconfortável com tanta atenção, finalmente cedeu.
— Ok, ok. — Ele suspirou, com um sorriso meio contido. — Saori está ótima, e nós estamos muito bem juntos. Ela tem me ajudado bastante a me adaptar ao estilo de vida no Japão, já que ela nasceu lá. Além disso, ela tem uma família maravilhosa, e eu já a apresentei para alguns amigos mais próximos. Quanto a apresentá-la para a família... — ele fez uma pausa, o olhar se suavizando. — Acho que não vai demorar muito.
— Ah, isso soa como um "em breve"! — exclamou Rafael, animado. — Será que já podemos nos preparar para mais um casamento na família?
Gabriel riu, levantando as mãos em um gesto defensivo.
— Calma lá! Ainda estamos conhecendo melhor um ao outro, mas as coisas estão indo bem. Quando chegar a hora certa, prometo que vocês vão conhecê-la.
Milena, sempre provocadora, não resistiu.
— Ah, então é sério mesmo? Quando vai trazê-la aqui? Já estamos todos esperando essa visita, você sabe, né?
Gabriel suspirou, ainda sorrindo.
— Eu sei, eu sei. Estamos planejando vir para cá no final do ano, quando as coisas se acalmarem um pouco no trabalho. Queria que vocês conhecessem ela com mais calma, sem pressa. E antes que perguntem... sim, ela sabe que vocês são uma família barulhenta — brincou ele, fazendo todos rirem.
— Estou contente que você esteja bem e feliz, Gabriel. Sei que é difícil manter um relacionamento à distância, mas se você está comprometido, é o que importa. Quando chegar a hora certa, traga-a para cá. Tenho certeza de que será bem-vinda.— disse Leonel para o filho.—
— Isso mesmo — completou Julia, a mãe. — E já sabe que, assim que ela pisar aqui, vamos mimá-la, como fazemos com todos os nossos queridos.
Gabriel riu, concordando.
— Tenho certeza de que ela vai adorar. E podem ficar tranquilos, eu aviso com antecedência para que vocês possam preparar o banquete completo.
— E prepare-se, Gabriel — disse Rafael, piscando para o primo. — Porque se a gente gostar muito dela, vai ser você a levar bronca se não fizer o pedido logo, hein?
Gabriel apenas revirou os olhos, mas o sorriso em seu rosto mostrava que ele estava genuinamente feliz com o rumo que sua vida estava tomando. Porem, dona Antonella, lançou um olhar intenso para o neto antes de falar:
— Bom, Gabriel, só espero que você saiba escolher bem.
***
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