27- comprometidos
San Tarantino era mais do que um vilarejo encantador; era um lugar carregado de história e magia, um refúgio de amores perdidos e encontrados. Enzo e seus irmãos cresceram ouvindo as histórias antigas, especialmente a lenda que pairava sobre o vilarejo como uma sombra suave, envolta em mistério e melancolia.
A lenda falava de um príncipe, que séculos atrás, se apaixonou por uma simples plebeia. Seu coração pertencia a alguém que nunca poderia ser sua rainha. Apesar das barreiras impostas pelo reino, o amor deles floresceu às escondidas, em encontros secretos à luz da lua, no coração de San Tarantino. Diziam que eles se encontravam perto da fonte que ainda hoje jorrava na praça principal, onde o som da água ecoava como sussurros de um amor perdido. Mas o destino foi cruel, e uma noite, o príncipe foi traído por seus conselheiros. Ele foi forçado a escolher entre o trono e seu grande amor. E mesmo depois de fazer á sua escolha, ele teve que presenciar o fim trágico de sua amada que foi assassinada com uma flecha. Seu corpo caiu no rio e nunca foi encontrado, o príncipe foi consumida pela tristeza. A partir daquele momento, o vilarejo carregou a fama de ser o lugar onde amores impossíveis se encontravam, mesmo que por pouco tempo.
O vilarejo, conhecido como a Villa dos Enamorados, era um refúgio escondido nas montanhas, um lugar onde casais de todo o mundo vinham para viver momentos mágicos juntos.
Enzo e Luna caminhavam pelas ruas silenciosas do vilarejo, que parecia congelado no tempo. As casas de pedras antigas, cobertas por trepadeiras, sussurravam os segredos de amores de gerações passadas. O ar estava impregnado com o perfume das flores de laranjeira que se misturava ao cheiro de terra molhada da noite passada. A cada passo, Luna sentia como se estivesse sendo envolvida por algo maior do que eles dois, como se a própria essência daquele lugar estivesse moldando o momento.
O som distante de um violão tocado por um artista de rua ecoava pelos becos, criando uma trilha sonora perfeita para o momento.
Luna olhava ao redor, encantada com a beleza simples e romântica do lugar. Enzo, ao seu lado, parecia diferente. Havia algo mais suave em seu olhar, um brilho que ela não conseguia decifrar.
— Enzo... — começou ela, com a voz quase em um sussurro. — Por que me trouxe aqui?
Ele parou, virando-se para ela, ainda segurando sua mão com firmeza. Seus olhos castanhos a observavam com intensidade, como se buscassem algo profundo dentro dela.
— Este lugar... — disse ele, a voz suave e cheia de sentimento. — É especial para mim. Queria que fosse para você também.
Enzo, de mãos dadas com ela, andava em silêncio, os olhos brilhando com uma mistura de emoções que ele parecia lutar para esconder. Desde pequeno, ele ouvia seu pai e sua mãe contarem a lenda do rei e da plebeia, e aquela história sempre o havia tocado de forma especial. San Tarantino não era apenas um lugar para ele; era um símbolo de amores que ultrapassavam as barreiras do tempo e das circunstâncias. E agora, estar ali com Luna ao seu lado, sob o céu limpo e azulado, era como se aquela antiga lenda estivesse prestes a reescrever uma nova página, dessa vez com eles como protagonistas.
Chegaram à praça central, onde a velha fonte, adornada com rosas vermelhas, ainda murmurava suas águas cristalinas.. No centro, uma mesa delicadamente arrumada os aguardava. O brilho das velas dançava ao vento suave, lançando sombras cintilantes sobre a mesa coberta de linho branco e pétalas de flores vermelhas.
Luna parou, os olhos arregalados em surpresa.
— Você fez tudo isso? — perguntou Luna, surpresa e emocionada.
Enzo assentiu, com um sorriso tímido.
— Não é nada comparado ao que você merece. Mas queria que soubesse que, para mim, cada momento com você é especial. E pensei... o que seria mais perfeito do que este lugar?
Luna sentiu uma onda de emoções a dominar. O gesto, o cuidado, o cenário... tudo parecia tirado de seus sonhos. Ela nunca imaginou que ele pudesse ser tão detalhista, tão romântico.
— Enzo, eu... — começou, mas as palavras pareciam fugir.
Ele a interrompeu suavemente, segurando seu rosto com delicadeza.
— Não precisa dizer nada, amore mio. Só queria estar aqui com você, neste lugar onde as lendas dizem que os corações se conectam para sempre.
Luna olhou nos olhos dele, sentindo uma mistura de gratidão e felicidade inundar seu peito. Ali, naquele vilarejo mágico de San Tarantino, sob o céu azulado, e rodeados pela beleza do lugar, ela sabia que esse momento ficaria gravado em sua memória para sempre.
Ele sorriu, um sorriso suave, mas carregado de emoção. Enzo sempre fora reservado, mas naquele momento, havia algo em seu olhar que Luna nunca tinha visto antes. Ele a guiou até a mesa, e eles se sentaram, o som da água da fonte criando uma trilha sonora serena para o momento.
— Quando éramos crianças — começou Enzo, olhando ao redor como se estivesse vendo o vilarejo com novos olhos — Meu avô nos contava sobre essa praça. Ele dizia que, de geração em geração, aqueles que se amavam de verdade sempre acabavam aqui. A lenda diz que este lugar guarda os ecos do amor perdido do Príncipe Nero, e de sua amada, a plebeia Aurora Espósito, e que todo casal que se encontra aqui, de alguma forma, sente o mesmo que eles sentiram.
Luna olhou para ele, absorvendo cada palavra. O brilho das lanternas refletia nos olhos de Enzo, dando-lhe um ar quase místico.
— Você acredita nisso? — perguntou ela, a voz baixa, como se estivesse fazendo uma pergunta mais profunda do que parecia.
Enzo fez uma pausa antes de responder, seus dedos ainda entrelaçados nos dela.
— Não sei. Talvez seja apenas uma história. Mas o que eu sei é que este lugar é especial. Sempre foi. — Ele a olhou com uma intensidade que fez o coração de Luna disparar. — E agora, é mais especial porque você está aqui comigo. O silêncio que seguiu foi confortável, cheio de significados não ditos. Luna sentiu seu peito aquecer, a mágica do lugar envolvendo-os como um cobertor suave. Era como se a lenda, com toda a sua tragédia, estivesse ao redor deles, mas dessa vez, talvez, o destino pudesse ser diferente. — Amore mio. Só quero que você saiba que, para mim, estar aqui com você... significa mais do que qualquer história antiga. Eu não sou um príncipe, nem um rei, e você certamente não é uma plebeia, mas eu sei o que sinto, e é mais forte do que qualquer lenda que já ouvi.
Luna sorriu, sentindo uma onda de emoção incontrolável. Ali, sob o céu limpo, cercada pelo encanto trágico de San Tarantino, ela percebeu que estava vivendo algo que, de fato, ecoaria por gerações. Um amor que poderia ser lembrado não por sua tragédia, mas pela força que resistia ao tempo.
Enzo respirou fundo, sentindo o peso do momento, o coração batendo acelerado em seu peito. Ele sabia o que estava prestes a fazer, e por mais que tivesse planejado, ainda assim parecia que o tempo havia desacelerado, tornando cada segundo mais intenso. Com uma delicadeza que contrastava com sua usual confiança, ele soltou a mão de Luna, se afastando apenas o suficiente para alcançar algo no bolso de sua calça.
Luna o observava com curiosidade, sem imaginar o que viria a seguir. O olhar dele era um misto de nervosismo e determinação, algo que ela raramente via em Enzo, sempre tão autoconfiante. Ele hesitou por um instante, como se reunisse coragem, e então, lentamente, retirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Ao vê-la, Luna sentiu o ar se esvair de seus pulmões.
— Enzo... — sua voz saiu como um sussurro incrédulo, os olhos arregalados e o coração disparado.
Ele a olhou diretamente nos olhos, seus lábios curvando-se em um sorriso terno, mas seu corpo tremia ligeiramente, um sinal de que até o homem que parecia inabalável podia ser afetado por um momento tão importante.
Com uma lentidão que parecia reverenciar a grandiosidade do gesto, Enzo se ajoelhou diante dela, o som suave da água da fonte ecoando ao redor, quase como uma bênção. O vilarejo de San Tarantino, com sua aura de lendas e amores trágicos, parecia segurar a respiração junto com Luna. A magia do lugar envolvia os dois, como se o passado estivesse prestes a reescrever um novo destino, sem as sombras da tragédia.
Ele abriu a pequena caixa, revelando uma joia delicada e brilhante. Era um anel de ouro antigo, com uma pequena pedra em formato de coração. Não era chamativo, mas sua simplicidade falava mais do que qualquer joia exuberante poderia. Era como o amor deles, discreto, verdadeiro e profundamente significativo.
— Luna... — Enzo começou, a voz dele suave, mas cheia de emoção. Ele olhou para o anel e depois para ela, como se estivesse prestes a fazer a pergunta mais importante de sua vida. — Desde o primeiro momento em que te conheci, você mexeu comigo. Nós vivemos tantas coisas juntos, momentos bons, confusões... mas, em cada um deles, eu soube que era com você que eu queria estar. Sempre.
Luna sentiu os olhos marejarem, o coração quase saindo do peito. Ela não sabia como reagir, incapaz de processar tudo o que estava acontecendo. Enzo, ajoelhado diante dela, parecia mais vulnerável do que nunca, e o peso daquilo a deixou ainda mais emocionada.
— Eu não sou perfeito — continuou ele, a voz baixa, mas firme. — Mas cada parte de mim, com todos os meus defeitos, quer estar com você. E agora, aqui, nesse vilarejo que carrega tantas histórias, quero começar a nossa história. Uma que, espero que dure para sempre.
Ele respirou fundo e ergueu o anel em direção a ela, o brilho da pedra refletindo o brilho suave devido ao sol.
— Luna, eu sei que já conversamos antes... Mas, eu acho que faltava algo essencial... Então eu gostaria de saber mais uma vez se você aceita ser a minha namorada.
Ela ficou sem ação, incapaz de falar, as palavras presas na garganta enquanto as emoções transbordavam. O pedido, a lenda trágica que envolvia o lugar, o cenário de sonho, tudo se misturava em uma única sensação de felicidade avassaladora. Ela nunca imaginou que aquele momento chegaria, e agora, ali, em San Tarantino, onde tantos amores haviam sido celebrados e lamentados, Enzo estava pedindo que ela fosse a outra metade de sua vida.
As lágrimas desceram silenciosas por seu rosto enquanto ela olhava para o homem ajoelhado à sua frente. O tempo parecia suspenso, e, por um instante, ela não conseguia encontrar as palavras certas. Mas, finalmente, ela sussurrou, com a voz embargada de emoção:
— Sim, Enzo De Lucca. Sim, eu aceito ser a sua namora.
Com um sorriso de pura felicidade, ele deslizou o anel em seu dedo, levantando-se em seguida para envolvê-la em um abraço forte e profundo. O vilarejo, com sua lenda antiga, parecia agora abençoar um novo amor, uma história que, dessa vez, não seria marcada pela tragédia, mas pela promessa de um futuro juntos.
San Tarantino, a Villa dos Enamorados, havia testemunhado o início de algo eterno.
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