25- Sopa de legumes e chocolate

Os dias passaram rapidamente. Quando Enzo deu por si, já era sexta-feira. Naquela semana, ele focou exclusivamente no seu tabalho e nos casos e processos. Não era nada fácil ser advogado criminal, mas ele adorava o seu trabalho, por mais cansativo e estressante que fosse às vezes.
Durante aquela semana intensa, Enzo lidou com três casos sérios que exigiram toda a sua atenção e habilidade jurídica.

O primeiro caso envolvia um jovem acusado de homicídio. O rapaz, de apenas 20 anos, estava sendo julgado pelo assassinato de um colega de trabalho durante uma discussão que terminou de forma trágica. Enzo acreditava na inocência do seu cliente, que alegava legítima defesa. Ele trabalhou arduamente para reunir evidências, incluindo depoimentos de testemunhas e análises de câmeras de segurança, que mostravam que o colega de trabalho era agressivo e tinha um histórico de comportamento violento. A estratégia de Enzo era provar que o jovem agiu em defesa própria para salvar sua vida.

O segundo caso envolvia um empresário acusado de desvio de fundos da própria empresa. O cliente de Enzo, um executivo de uma grande corporação, estava sendo acusado de desviar milhões de reais para contas pessoais. As provas contra ele pareciam contundentes: registros bancários, transferências suspeitas e documentos assinados. No entanto, Enzo acreditava que o empresário estava sendo incriminado por alguém dentro da empresa, talvez um rival que queria tirá-lo do cargo. Ele se aprofundou na investigação forense dos registros financeiros, buscando inconsistências e possíveis falsificações que pudessem provar a inocência do seu cliente.

Ambos os casos eram desafiadores e complexos, mas Enzo estava determinado a lutar pela justiça e pela verdade, utilizando todo o seu conhecimento e experiência para defender seus clientes.

E o terceiro caso que Enzo pegou naquela semana, foi o de uma mulher acusada de tráfico de drogas. Maria, uma mãe solteira de dois filhos, foi presa durante uma operação policial que encontrou uma grande quantidade de entorpecentes em sua residência. Maria afirmava veementemente que as drogas não eram dela e que haviam sido plantadas por um conhecido envolvido no tráfico que usava sua casa como esconderijo sem o seu consentimento.

Enzo acreditava na inocência de Maria e sabia que provar isso seria um desafio, dado o volume de drogas encontrado. Ele começou investigando o histórico do conhecido que Maria mencionou, buscando por qualquer evidência de comportamento suspeito ou antecedentes criminais que pudessem fortalecer a narrativa de Maria. Além disso, Enzo planejava explorar a possibilidade de irregularidades na operação policial, como a falta de mandado de busca ou a conduta inadequada dos policiais durante a prisão.

Enzo também focou em obter testemunhos de vizinhos e conhecidos de Maria, que pudessem atestar seu caráter e confirmar que ela nunca esteve envolvida com drogas. Ele sabia que demonstrar a boa reputação de Maria e a ausência de qualquer ligação direta com o tráfico seria crucial para convencer o júri de sua inocência.

Esse caso exigiu de Enzo não apenas habilidade jurídica, mas também sensibilidade e empatia, pois ele estava lidando com uma mãe preocupada com o futuro de seus filhos e desesperada para provar sua inocência.l
Então, naquela semana, Enzo mal teve tempo de respirar direito. Entre audiências, reuniões e investigações, ele quase não teve momentos para descansar. Suas refeições eram rápidas e desordenadas, frequentemente feitas em restaurantes próximos ao tribunal ou consistiam em lanches pedidos no escritório enquanto revisava documentos. Muitas vezes, ele só conseguia comer algo rápido entre uma tarefa e outra, sempre com a mente focada nos casos complexos que estava lidando.

Então, quando saiu da sua última audiência, já passava das cinco da tarde. Cansado, Enzo dirigiu-se ao estacionamento sob uma forte chuva. Ele pegou a estrada, sentindo o peso da semana intensa de trabalho e dos casos complicados que havia enfrentado. As gotas de chuva martelavam o para-brisa, criando uma sinfonia constante que, de certa forma, o ajudava a relaxar e refletir sobre os desafios e vitórias recentes em sua carreira de advocacia.

Estava dirigindo devagar e, ao passar perto da floricultura, avistou Luna andando nas calçadas. Ela segurava um guarda-chuva que mal a protegia da chuva intensa, ficando visivelmente encharcada. Preocupado, Enzo reduziu ainda mais a velocidade e encostou o carro próximo a ela, baixando o vidro para chamá-la.

-Quer uma carona?-ele perguntou, levantando a voz para ser ouvido sobre o som da chuva.-

Luna olhou para o rapaz assustada.

-Você me assustou.

-Desculpe, não era essa a minha intenção... Entre no carro, eu vou te dar uma carona.

-Não é necessário Enzo, minha casa não é tão longe e...

-Luna por favor, não discuta comigo, entre no carro, eu insisto, não vou deixar você andando por aí embaixo de chuva.

Luna hesitou por um momento, mas a preocupação genuína no rosto de Enzo a convenceu. Ela entrou no carro, agradecendo enquanto fechava o guarda-chuva encharcado.

- Obrigada, Enzo. Você é muito gentil.

O rapaz começou a andar com cautela pela Vila San Lorenzo. A chuva caía intensamente lá fora, tornando o pequeno vilarejo quase deserto. Enzo dirigia devagar, atento à estrada molhada e aos poucos pedestres que, como Luna, tentavam se proteger da tempestade.
Dentro do carro, o som abafado da chuva criava uma atmosfera tranquila, permitindo que ambos relaxassem um pouco após um dia tão intenso.

-Espero que não tenha estragado seus planos para a noite. -disse Luna, tentando quebrar o silêncio.-

-Não, de forma alguma.- respondeu Enzo, sorrindo. - Eu só estava voltando para casa, depois de um dia difícil de trabalho.

-Não deve ser fácil ser advogado.- comentou Luna, observando o cansaço no rosto de Enzo.-

-Às vezes, não é mesmo.- ele respondeu, com um sorriso cansado. -Mas eu amo o que faço. Cada caso é uma oportunidade de ajudar alguém e fazer a diferença na vida dessas pessoas. Mesmo que seja exaustivo, vale a pena.

Luna apenas concordou sorridente, olhando para o homem admirável que se encontrava ao seu lado.
Enquanto o moreno focava na estrada molhada a sua frente, Luna observava a pequena vila italiana de San Lorenzo. A vila era um lugar pitoresco, encravado entre colinas verdejantes e vinhedos expansivos. Suas ruas de paralelepípedos serpenteavam por entre casas de pedra antigas, cujas fachadas estavam cobertas de hera e flores coloridas. As varandas exibiam vasos de gerânios vermelhos e buganvílias roxas, criando um cenário encantador.

No centro da vila, uma praça acolhedora servia de ponto de encontro para os moradores. Uma fonte antiga, esculpida em mármore, jorrava água cristalina, enquanto crianças brincavam ao redor. Cafés e pequenos restaurantes com mesas ao ar livre ofereciam delícias locais, desde massas frescas até vinhos produzidos nos arredores.

A igreja de San Lorenzo, com seu campanário que tocava religiosamente ao meio-dia, dominava a paisagem. Suas paredes de pedra testemunhavam séculos de história e eram um marco de tranquilidade e espiritualidade para os habitantes.

Durante o dia, o mercado de agricultores trazia um burburinho à vila, com bancas cheias de frutas frescas, queijos artesanais e pães recém-assados. À noite, as luzes suaves das lanternas de rua e os sons de conversas e risos se espalhavam pelas ruelas estreitas, criando uma atmosfera acolhedora e familiar.

Apesar da chuva intensa naquela noite, San Lorenzo mantinha seu charme. As luzes refletidas nas poças d'água e o aroma da terra molhada davam um toque ainda mais romântico ao vilarejo.

Enzo, dirigindo cautelosamente pelas ruas da vila, sentia-se parte de um cenário quase cinematográfico, onde cada canto contava uma história.

Enzo dobrou na segunda rua mudando o trajeto e chamando a atenção de Luna.

-Onde vamos? Está não é a direção da minha casa. - perguntou Luna confusa.-

-Eu sei! Vamos para a minha casa, que fica mais perto.- respondeu Enzo, com um tom decidido. -Você está completamente encharcada e precisa se aquecer. Pode esperar a chuva passar lá em casa, e depois eu te trago.

- Não é necessário Enzo eu...

- Não discuta comigo Luna Bertinazzi. - disse seriamente chamando a loira por nome e sobrenome.-

Eles continuaram por mais algumas ruas até chegarem à casa de Enzo. Era uma casa aconchegante de dois andares, com uma fachada de pedra e janelas com persianas verdes. Ele estacionou o carro na garagem e rapidamente saiu para abrir a porta para Luna.

-Venha, entre.- disse Enzo, guiando-a até a entrada da propriedade. -

Luna sorriu, grata pela gentileza.

-Obrigada, Enzo. - falou Luna entrando na casa de Enzo, agradecida pela gentileza. O interior era acolhedor, com uma decoração rústica e toques modernos. - Eu pensei que você ainda morava no apartamento.

- Eu vendi o meu apartamento depois que me formei em direito, não vi necessidade ficar lá, já que o meu escritório fica em San Lorenzo.

- É um lugar bem aconchegante.

Enzo concordou com a cabeça dizendo:

- Foi o meu melhor investimento. - disse sorridente.- Não era exatamente assim quando comprei... Mas eu contei com a ajuda do meu tio Leonel, e também da Milena... Eles me ajudaram a reformar e ampliar a casa, e deixar um ambiente acolhedor e confortável, e o resultado é esse que você está vendo.

- Eu não faço ideia como era, mas o local realmente é mágico. Parece aquelas casas que você vê em capas de revista de arquitetura.

Enzo sorriu com o comentário da loira e suspirou profundamente olhando os olhos intensos da garota.

- Tome um banho quente, e vista uma roupa confortável. Eu vou preparar algo pra gente comer.

Luna hesitou por um momento, mas seria inútil debater com Enzo e era tarde demais para recusar. Até mesmo por que suas roupas estavam completamente encharcadas da chuva.

-Está bem, obrigada, Enzo.

Enzo levou Luna até o banheiro, mostrando-lhe onde estavam as toalhas limpas e deixando algumas de suas roupas secas à disposição.

- Fique à vontade. Vou estar na cozinha.

Luna agradeceu novamente e fechou a porta do banheiro atrás de si. O vapor quente da água logo encheu o espaço, proporcionando um alívio bem-vindo do frio e da umidade.

Enquanto isso, Enzo foi para a cozinha e começou a preparar uma refeição simples mas reconfortante. Ele decidiu fazer uma sopa de legumes e um pouco de pão torrado. Cortou rapidamente os vegetais e colocou-os para cozinhar, deixando o aroma delicioso se espalhar pela casa.

Algum tempo depois, Luna desceu as escadas, vestindo uma camisa larga e uma calça de moletom de Enzo, que apesar de um pouco grandes, estavam muito mais confortáveis do que suas roupas molhadas.

-Está cheirando muito bem.- comentou ela, entrando na cozinha.-

-Espero que você goste de sopa de legumes.- disse Enzo, sorrindo.-

Luna sorriu de volta.

-Parece perfeita. Obrigada por tudo, Enzo. Você realmente salvou minha noite.

-Não foi nada Bella.- respondeu ele, servindo a sopa em dois pratos fundos. - Venha, vamos comer.

Eles se sentaram à mesa e começaram a comer, a sopa quente e saborosa aquecendo-os de dentro para fora. A conversa continuou fluindo facilmente. Luna falava das ideias para a festa de casamento de Samira, e Enzo sobre os seus casos. Compartilhando os desafios e as pequenas vitórias do cotidiano. A chuva lá fora havia diminuído para uma chuva suave, e a casa de Enzo, tornou-se um refúgio acolhedor naquela noite inesperada.

Assim que terminaram de saborear a sopa, Luna recolheu os pratos para levar até a pia com a intenção de lavar, mas foi impedida por Enzo.

-Nem pense nisso bambina.

-Você fez a sopa, e eu lavo a louça.

-Não é necessário Luna, amanhã eu faço isso.

- Eu insisto Enzo. - falou Luna colocando a mão na cintura.-

-Ok, não vou discutir... - Falou se dando por vencido.- Eu vou subir tirar essas roupas e já volto.

Luna apenas assentiu e focou em lavar as louças enquanto Enzo se afastava.

O moreno tomou um banho rápido, e logo depois de devidamente vestido e agasalhado ele retornou ao aposento onde encontrou a cozinha devidamente organizada.

-Eu preparei um pouco de chocolate quente para espantar o frio, espero que não se importe de ter mexido em duas coisas.

-Não me importo nem um pouco. Na verdade, essa semana foi uma correria no meu trabalho, e eu não tive tempo de fazer compras... Eu costumo comprar legumes e verduras na feira, mas essa semana não tive tempo pois estava focado no meu trabalho. Então praticamente almocei e jantei fora todos os dias.

- Sei bem como é. - falou
Luna sorrindo suavemente, e entregando uma xícara de chocolate quente para Enzo, que aceita prontamente , mas em vez de se concentrar na bebida, ele se volta para Luna, segurando sua mão e mergulhando nos olhos verdes dela com uma expressão suave e intensa ao mesmo tempo.-

-Acho que a senhorita tem uma resposta para me dar... Eu não me esqueci do pedido que lhe fiz alguns dias atrás, e espero ansioso pela sua resposta.-
Enzo, deposita a xícara em cima do balcão e se volta para Luna com um olhar nervoso, e segurando a mão da loira enquanto ela o observa com curiosidade.-Luna, há alguns dias eu fiz um pedido que tenho pensado bastante desde então.

-Sim, eu lembro. Estava me perguntando quando você ia tocar no assunto.

Enzo sorri, aliviado por ela estar aberta à conversa.

-Bem, a verdade é que desde que te reencontrei, tenho sentido algo especial por você. Na verdade, eu já sentia a muito tempo atrás, mas nos últimos dias isso foi se tornando cada vez mais intenso... Você trouxe tanta luz para minha vida, e eu não consigo mais imaginar meu futuro sem você nele. -Luna segura a respiração, seus olhos brilhando com emoção enquanto ela espera pela próxima palavra de Enzo.-
Então, Luna, com todo o meu coração, eu queria perguntar... você aceita ser minha namorada?"

Luna abriu um sorriso radiante.

-Sim, Enzo, eu aceito!

Eles respira aliviado e puxa a loira para um abraço. Eles se abraçam ternamente, a alegria transbordando em seu novo compromisso um com o outro.

-Finalmente poderei dizer para todos, que Luna Bertinazzi é a minha namorada. -falando isso Enzo se inclina suavemente para perto de Luna, e se apodera de seus lábios .O momento é carregado de emoção e promessas para o futuro deles juntos.

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