Capítulo 2

Cantavam pássaros e ao fundo pareciam murmurar vozes densas, uma pontada na cabeça bem no meio do cérebro e as pálpebras tremeram abrindo-se um pouco. O sol brilhava lindamente e pela primeira vez seus raios não queimavam, Greta coçou os olhos e como magia o sol pareceu se fazer mais próximo. Sacrilégio!

Levantou num pulo e tropeçando em suas próprias pernas quase caiu, mas a relva verde abraçou-lhe os pés a fazendo firme.

— Socorro. — Falou espantada, a voz presa na garganta tornou aquilo um sussurro, o que raios eram aquelas ervas que abraçavam e onde estava?

Olhou em volta, era tudo provido de beleza e beleza ao cubo, era tão lindo que os olhos desconfiavam de si próprios, era tamanha beleza que causava vertigem.

Lembrou, de dragões, lembrou de espadas, de todas aquelas criaturas desaparecendo como vapor no ar quando algo como "congelador" fora pronunciado. Lembrou dos minutos de cegueira, lembrou dela pedindo socorro e dos...

Seus olhos quase saíram das órbitas quando olhos verdes como esmeraldas atravessaram-lhe a memória. Pertenciam á alguém, era um homem, tinha a pele escura como o sofá de três lugares que tinha em casa. Isso, ela tinha uma casa! Mas o homem, era bonito, tinha os cabelos organizados numa juba finíssima e os lábios eram carnudos e de um vermelho apagado. Os olhos verdes, eram estranhos, eram raros, nunca tinha visto um negro de olhos verdes em toda sua curta vida.

Lembrou dele lhe puxando contra seu peito e seus olhos verdes perfuraram os seus, foi tão mágico quando ele disse para ela palavras que não lembrava. Precisava encontrá-lo, ninguém nunca a havia tocado e olhado com tamanha intimidade, ninguém nunca lhe tinha tocado, nunca um homem...

Com cautela, puxou sua perna esquerda e agradeceu aos deuses dos vestidos vermelhos cobertos de lama por ser tão fácil, queria ir para casa no entanto antes, queria ver o homem de olhos verdes uma última vez. A perna direita não precisou de ajuda, a relva tratou de deixá-la livre.

Segurou nas laterais de seu vestido e como a dama que era, iniciou sua caminhada à um lugar que não conhecia e nem mesmo sabia se existia mas, de uma coisa ela tinha certeza, não estava mais na Vila do Dragão Vermelho...

Greta estava cansada, os pés descalços pediam descanso e o estômago clamava por algo que o pudesse satisfazer.

— Toma. — a voz era doce como mel e soava de forma envolvente.

— Quem és tu? — Greta perguntou apontando com o dedo indicador bem no meio da criatura que surgiu subitamente.

— A pergunta correta senhorita, seria, o que és tu? — Ele era tão pequeno e fofo, os olhos pareciam de um filhote de cachorro e as orelhas eram grandes mais que a cabeça e ele, definitivamente não era uma pessoa.

— Que seja! Só responde. — Greta sussurrou, mas queria gritar, estava com raiva, havia andando por muitas horas, porém aparecia sempre no mesmo lugar. Onde raios estava e por que não conseguia gritar?

— Deveria comer primeiro, teus olhos falam a língua da fome. — a criatura falou entregando-lhe uma cesta repleta de frutas que brilhavam, receosa Greta segurou na mesma.

— Tu és muito fofo. — disse olhando para suas bochechas gordas e seus olhos lindos. Queria mordê-lo.

— Por que estou lhe dando comida? — riu-se —Callum ordenou que o fizesse, e eu já estava ficando com pena de você, parecia uma louca andando de um lado para o outro sem rumo. — informou e Greta franziu o cenho.

— Eu não estava andando de um lado para o outro, eu estava procurando uma saída. — esclareceu — E você é fofo porque é, não pelo fato de me dar comida. Quem é Callum? — perguntou dando uma mordida receosa na maçã azul.

— Moça, você sequer saiu do lugar. — a criatura falou se divertindo com seu espanto. —  Obrigada pelo elogio, se é que foi um. Callum é o príncipe, ele é tão lindo, tem os olhos verdes como esmeraldas. — sorriu, os olhos demonstrando fascínio, se calhar um pouco de paixão.

— Olhos verdes? — questionou criando expectativas.

— Sim. — suspirou derrotada. — É uma pena ele estar destinado à aquela cascavél da Yóness. — Lamentou.

— Qual é o teu nome? — Greta questionou como início de investigação, precisava saber como chegou ali e como devia fazer para ir embora.

— Meu nome é Lírios. Callum te trouxe aqui, ele te salvou daquele monstro que eu não sei se é um pinguim ou sei lá. E sinto muito, você só poderá sair daqui quando o príncipe regressar. — Informou calmamente lendo os pensamentos de Greta.

— Não! — exclamou perplexa. — Você está lendo meus pensamentos. — afirmou.

— Desde que você chegou, Greta. — Sorriu. — É lamentável saber que está apaixonada pelo príncipe, ele já tem dona. — informou, mas Greta sequer escutou, ela queria ir para casa, dormir em sua cama e assistir a uma novela mexicana ou turquesa.

— Onde estou? — perguntou aflita.

— Você está numa cela, e só sairá daqui quando o príncipe regressar. — repetiu a criatura lendo seus pensamentos mais uma vez.

— Que raio de cela é esta? Isto está mais para um paraíso ou qualquer coisa bonita. — Greta se alterou, porém a voz  continuava calma mostrando impaciência e raiva somente pelo peso de suas palavras. — Me deixa sair, eu quero ir para casa...

— Dormir em tua cama e assistir à uma novela mexicana ou turquesa. — ironizou a criatura invadindo os seus pensamentos. — Só sai quando o príncipe regressar, se eu deixar você ir, morrerá assim que chegar na Vila do Dragão Vermelho ou antes,  quando a Yóness vir você, fique calma que a única coisa que nós queremos é o teu bem. —Tranquilizou. — Você irá para casa, só espera o príncipe voltar. — assegurou a criatura.

— Se vocês querem o meu bem, por que me prenderam aqui? — ela quis saber.

— Você se sente presa? — Greta negou, aquilo estava longe de ser uma cela. — Então nós não a prendemos, somente a deixamos num lugar seguro, longe das outras criaturas que poderiam mandá-la para o fim em um piscar de olhos. — esclareceu.

— E por que eles fariam isso comigo? Eu só quero ir para casa, eu não sei sequer como cheguei aqui, eu não sei de nada. — Contou angustiada.

— Greta você está em um lugar diferente do qual está acostumada a frequentar, aqui tem milhares e milhares de criaturas e espécies, aqui você é uma presa, uma presa muito fácil. — Lírios contou, mas difícil era a compreensão da Greta, ela precisava saber como ali fora parar e só assim o resto faria sentido. — Aqui você está protegida até o príncipe voltar e te levar para casa.

Então começou a rezar, rezou para sua mãe, para Deus, rezou para tudo aquilo que em mente lhe surgiu, ela só queria que o príncipe chegasse e que a deixasse voltar para casa através de seus feiticeiros olhos de esmeraldas.
★★★

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