CAPÍTULO 06



Koany

É manhã de sábado. Acordo com meu telefone a vibrar sobre a mesinha ao lado da minha cama, meu coração dispara ao ver estampado na tela o rosto do meu Deus grego com seus brilhantes olhos verdes a olhar diretamente para mim. Atendo no terceiro toque.

— Alô... — atendo com a voz mais melosa e sexy que consigo liberar neste momento.

— Bom dia minha flor, vai descer para me receber ou terei que desfrutar apenas da companhia da sua adorável mãe até que seu pai esteja disponível para falar comigo? — Hã??? Morri enquanto dormia e fui para o Paraiso, ou ainda estou sonhando. Ele está aqui, está lá embaixo na minha sala conversando com minha mãe, e pretende falar com meu pai? Será que ele quer mesmo fazer isso? — Limito-me a fazer perguntas para mim mesma enquanto ando de um canto a outro de lá para cá em meu quarto. Isso é loucura, ele não conhece meu pai, ele tinha que ter me avisado para que eu pudesse prepara-lo antes. O telefone vibra novamente...

— Algum problema meu anjo?

— N..Não meu amor, problema nenhum, só preciso de alguns minutos para me trocar e já estarei aí.

— OK! — Limitou-se a dizer. Tomo um banho de gato, e entro em meu closet sem ter a menor ideia do que vou vestir. Opto por um vestidinho leve, rasteirinha e um rabo de cavalo; já que o dia hoje parece ser um dos mais quentes do ano. Um gloss nos lábios e alguns tapinhas nas bochechas para dar um tom rosado natural e estou pronta; pronta para ir ao encontro dele. Desço as escadas saltitante de felicidade, a vontade de pular sobre ele e me perder nos seus braços é tanta que nem me dou conta da cena que se passa na sala a minha frente.

— Eu jamais permitirei! — Ouço a voz firme e alterada do meu pai que se encontra de pé frente a frente com John, minha mãe permanece a seu lado segurando-o pelo braço.

— Calma querido, deixe que o rapaz termine de falar.

— Sr.Robert, eu amo sua filha e sei que esse sentimento é reciproco. Quero um relacionamento sério com ela, e sei que essa é a vontade dela também.

— Minha filha não sabe o que quer, e eu sei o que é melhor para ela. Com toda certeza não é namorar um jogadorzinho de futebol que fará dela a mulher de negócios que ela está destinada a ser.

Eu precisava intervir, suas palavras eram duras demais e pelas expressões no rosto do Johnata as coisas tendiam a ficar bem feias.

— Pai!

Corro e me coloco entre os dois. Olho incrédula para o meu pai, que está mais furioso que o normal.

— Volte já para o seu quarto, Koany, essa conversa acaba aqui.

— Pai, não sou mais uma criança. E se o John está aqui para pedir sua permissão, é porque me ama e te respeita.

Altero minha voz com ele como nunca havia feito, e o som de um tapa ecoa por todo o ambiente. No mesmo momento em que eu perco o controle das minhas pernas, cambaleio e sou amparada pelos braços fortes de John.

— Robert, você ficou louco? — Ouço minha mãe gritar e bater com as duas mãos em seu peito. Ele segura firme em seus pulsos e pede que ela saia da sua frente. Fico paralisada diante de tamanha agressividade dele, ele nunca havia me batido antes. O modo com que se dirige a ela é totalmente diferente e descontrolado de tudo que já presenciei até hoje. Recomponho-me e volto a encará-lo, mas John toma a dianteira:

— O senhor pode ser o pai dela, mas eu sou o homem que a ama e a terei a qualquer custo. Quer o senhor queira, quer não.

Agora a coisa esquentou. Meu pai avança em John, desferindo um golpe certeiro em sua face esquerda. Minha mãe agarra-o pelo braço e ele a empurra, fazendo com que ela caia para um lado. Eu me lanço sobre John, que já está de pé e distribuindo socos também. O ambiente todo é tomado por uma mistura de gritos, golpes de ambos os lados e insultos vindo de meu pai dirigidos a John.

No meio de toda essa cena de horror, surgem Álvaro e Jaime. O peão segura meu pai e Jaime contem, a muito custo, um John muito enfurecido.

— Me solte, Álvaro, quero este moleque atrevido fora da minha fazenda. Acompanhe este jogador de merda até a porteira e avise aos homens que ele não tem permissão para colocar os pés em minhas terras.

Abraço meu amado, que ainda está ofegante pelo esforço da luta, e sussurro baixinho em seu ouvido:

— Vá, meu amor, me encontre à noite naquele mesmo hotel.

Ele ia dizer alguma coisa, mas eu me afasto para evitar que uma nova discussão se inicie, e o vejo sair acompanhado por Jaime, que me lança um olhar de cumplicidade. Meu coração se acalma um pouco e só então me viro para encarar meu pai novamente. A cena que meus olhos encontram é de total pavor. Meu mundo desaba diante dos meus olhos e o desespero toma conta do meu ser.

Meu pai está ajoelhado no chão ao lado de minha mãe, que se encontra desacordada. Debaixo de sua cabeça, vejo uma poça de sangue se formar e não tenho pernas para sair do lugar, nem voz para gritar diante de tanto desespero. Meu pai me olha apavorado e, neste momento, tudo o que vejo é a escuridão. A luz some das minhas vistas e meus sentidos me abandonam. Sinto mãos segurarem-me pela cintura e a voz do meu pai a chamar cada vez mais longe.

Da janela de meu quarto, é possível contemplar em uma vista privilegiada, o show protagonizado pelo sol que recolhe seus últimos raios nesta linda tarde de verão, sumindo no horizonte.

É realmente um belo espetáculo da natureza e, com certeza, sentirei muita falta de tudo isto, se conseguir levar adiante as ideias que me surgiram durante a noite.
Não posso mais viver aqui, não consigo olhar para o todo poderoso Sr. Robert Vasconcellos todos os dias sem lembrar-me que suas mãos estão sujas com o sangue de minha mãe.
Um velho sábio disse uma vez que "o fraco jamais perdoa, o perdão é característica dos fortes".

Sendo assim, posso considerar-me a mais fraca das mulheres, pois, por mais que eu tente, não consigo perdoá-lo. Todos insistem em dizer que foi um infeliz acidente, mas não para mim.

— Koany, minha filha, seu pai a espera para o jantar — anuncia Carmem com a metade do corpo para dentro do quarto, voltando-se em seguida aos seus afazeres.

— Obrigada, Carmen, irei em seguida.

***

Johnata

Não posso acreditar no que está acontecendo.

Como ela pode fazer isso comigo? Prometeu que iria encontrar-me no hotel e me deixou a esperá-la durante toda a noite.

Essa mulher colocou meu mundo de cabeça para baixo. Como é que podem, em tão pouco tempo, as coisas mudarem assim? Tudo culpa daquele velho idiota, que mima e trata a filha como se fosse um bibelô.

Mas eu não vou entrar nessa ela é maior de idade. E se quisesse, teria ido até mim.

Não vou parar minha vida por causa dela, tenho uma carreira para seguir, sonhos a serem concretizados, e o que não falta aos meus pés são mulheres bonitas.

Vou esquecê-la.

Não será fácil apagar de minha memória tudo o que vivemos em apenas três dias, mas eu preciso tentar.

Só de lembrar daquela pele macia se arrepiando com o prazer do meu toque, daquele perfume inebriante exalando de seus cabelos, e do gosto suave daqueles beijos quentes, eu fico duro.

Diabo de mulher gostosa! Preciso deletar a princesinha dos meus pensamentos.

Ligo para meu amigo e empresário Waguinho, e comunico a decisão que até agora eu estava relutante em tomar.

— Wagner? Pode fechar.

Ouço o sorriso satisfeito e os gritos de comemoração do bastardo do outro lado da linha:

— Ah, moleque, eu sabia que ainda havia um pouco de sanidade dentro dessa sua cabeça dura. Assim que eu marcar a primeira reunião, te comunico imediatamente.

— Tudo bem, estarei aqui!

— Precisamos comemorar, cara. Posso ir até aí e levar algumas meninas?

— Sério isso, Waguinho? Você é um pervertido de uma figa.

— Ah, qual é, John? Logo seremos prisioneiros da sua profissão e estas farrinhas serão quase impossíveis. Libera a suíte aí, parceiro. É despedida, vai.

Não posso acreditar no que vou fazer, mas, na verdade, isso até poderia ser bom para afastar a Koany da minha memória.

— Ok, estou esperando.

— Já estou a caminho, meu brother.

Já passam das 23:00 quando o Wagner adentra em meu apartamento, trazendo consigo três belas garotas.

O som já está ligado e neste momento toca "Rebel in me" (Jimmy Cliff).

Nem preciso falar que estava pensando nela. Já tomei quase um litro de meu whisky preferido.

— Cara, que deprê é essa? Sai fora, vou colocar alguma coisa mais quente aqui, afinal, prometi às meninas uma noite de diversão, e é o que teremos.

Ele troca a música e as garotas logo começam a dançar.

Sirvo-me de mais uma dose do meu Jack Daniel's e permito-me sonhar...

Ela caminha lenta e sedutoramente em minha direção. Para entre as minhas pernas, forçando-me a abri-las um pouco mais, e começa sua dança sensual.

Rebola lentamente, passando as mãos por minha cintura. Desce até os quadris em um movimento de ir e vir, acaricia os mamilos por sobre a roupa e joga a cabeça para trás. Desce as mãos novamente, levantando um pouquinho a barra de seu belo vestido vermelho, e deixa à mostra seu lingerie rendada na mesma cor.

Morde o lábio inferior e passa a língua no local, como em um convite a degustá-lo.

Vira-se de costas para mim.

Uma dose.

Uma única dose é tudo que resta agora no fundo da garrafa de Jack.

Meu membro lateja dentro de minhas calças, ansiando por liberação, esta mulher foi feita para mim. Levanto-me do sofá e seguro-a pela cintura, roçando minha ereção em seu apetitoso traseiro, que se movimenta enlouquecendo-me ainda mais.

Rasgo rudemente seu vestido pelas costas, logo sua calcinha tem o mesmo destino. A meia taça que cobre seus seios voa para longe, e eu a tomo ali mesmo.

Possuo-a com toda fúria e desejo.

Ouço seus gemidos e sussurros bem distantes, mas a vontade de possuí-la é tão desesperadora que não dou atenção a suas palavras. Ignoro seus gemidos abafados.

Com seus dois seios deliciosamente enchendo minhas mãos, meto fundo em sua fenda molhada e, quando sinto sua boceta apertar meu pau, eu encontro minha liberação. Gozo deliciosamente e chamo descontroladamente por seu nome:

— Isso, Koany, goze para mim meu amor... Ah, caralho, mulher... Eu te amo!

Dor, tontura, e um terrível gosto de guarda-chuva na boca definem o que estou sentindo agora.

Olho a minha volta, tentando encontrar algum vestígio de verdade na noite que passei com minha princesa em meus braços, fodendo-a duramente e fazendo amor na mesma proporção Mas logo as realidades dos fatos me trazem de volta a razão.

Não era ela!

Bebi mais do que deveria e passei a noite com uma profissional do sexo.

Aos meus olhos embriagados pelo álcool e pelo desejo de tê-la mais uma vez em meus braços, era Koany Vasconcelos, a única mulher por quem já me apaixonei e que partiu meu coração.

O dia seguinte foi de total correria para mim e para o Waguinho, que não perdeu nem um minuto de seu tempo e marcou logo com os diretores do clube.

Sua empolgação em fechar negócio com o representante do Chelsea era notável.

Assim fizemos.

Meu passe foi vendido por uma pequena fortuna. Foi acordado entre os dois clubes que eu jogaria apenas mais uma partida pelo meu time e partiria para a Inglaterra, que, a partir deste dia, passaria a ser a minha nova casa.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top