Prológo.

O caos reinava naquela noite. Gritos agudos e choro estridente se misturavam, criando uma sinfonia macabra que me perfurava os ouvidos. A mulher, em trabalho de parto, urrava de dor, enquanto a criança em meus braços chorava. Mas nenhum desses sons se comparava aos grunhidos bestiais que vinham de fora, o coro dos mortos-vivos sedentos por sangue.
Cada pancada contra as paredes do barraco, cada baque surdo na porta frágil, me enviava ondas de pavor. O suor escorria frio pela minha espinha, minhas mãos tremiam, e a consciência ameaçava se esvair.

Diante de mim, a vida se esvaía da mulher. O sangue tingia o lençol improvisado, e seus gemidos se tornavam cada vez mais fracos. Nunca havia presenciado um parto, e o desespero me consumia. A cada contração, eu temia que seus ossos se partissem.

Os zumbis,  não eram como os outros. Havia uma fúria insana em seus gritos, uma voracidade animalesca que me gelava o sangue.

— Força! — implorei, a voz embargada pelo medo. — Você precisa ser forte!

— Não consigo mais... — ela sussurrou, os lábios roxos, o rosto lívido.

— Lute! — gritei, desesperado. — Se você desistir, ambos morrerão!

A criança, em meus braços, se agarrava a mim como se eu fosse sua última esperança. Seus olhos arregalados refletiam o horror daquela noite, e seu choro dilacerava meu coração.

As chamas das velas tremulavam, projetando sombras sinistras nas paredes, e a escuridão ameaçava nos engolir por completo.

Então, a porta cedeu. A silhueta grotesca de um zumbi surgiu na abertura, os olhos brilhando famintos na penumbra. Agarrei o revólver, o peso da arma familiar em minhas mãos trêmulas. Quatro balas. Uma chance mínima contra a horda faminta.
Disparei, cada tiro um grito de desespero. Mas eles eram muitos, implacáveis. Aquele era o nosso fim. A noite nos engoliria, e nossos gritos se perderiam no silêncio da morte.

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