Two-shot| "Não tinha como não ser você."

Quero começar agradecendo as pessoas que ajudaram essa história acontecer.

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Co-autor: PurpleGalaxy_Project

Designer: oppaxwang

Betagem: pipoca77poca

Trailermaker: @dreams_storm_dark

Eu sempre imaginei que entrar em uma universidade seria cheio de loucuras: ir a festas proibidas com amigos malucos, beber até esquecer meu próprio nome e, quem sabe, até rabiscar o carro do professor mais odioso e levar uma advertência.

Mas eu não sabia que a maior loucura seria uma garota.

Depois que saí da Coreia para buscar meu sonho de ser médico cardiologista, nunca imaginei estar onde estou hoje. Vocês podem perguntar: "Conseguiu uma posição de prestígio em poucos meses na faculdade?" Não. "Então virou o funcionário do mês no restaurante onde trabalha?" Também não. "Então, o que aconteceu?" Problemas com a vida alheia.

Sempre tive problemas em me meter na vida dos outros. Minha família era tão desunida que eu fazia de tudo para mudar a forma como agiam.

Mas, com o tempo, percebi que o verdadeiro problema era esse: eu me intrometia demais nas confusões dos outros e esquecia das minhas próprias, como a falta de atenção que uma criança de 14 anos deveria receber dos pais. Venho de uma família com três filhos: o mais velho é o cabeça dura, o mais novo ganha toda a atenção, e o do meio?

Esquecido, como uma meia velha guardada na gaveta, usada apenas quando não sobra outra opção.

Comecei a trabalhar aos 15 anos e saí de casa aos 18, sem precisar pedir permissão ou implorar, como meu irmão mais velho teve que fazer. Agora, aos 21 anos, estou batalhando para manter minha bolsa integral na faculdade. Tento ao máximo estudar e buscar experiências que realmente façam a diferença.

Pode-se dizer que sempre fui independente, e não seria um riquinho mimado que tiraria isso de mim. Dionísio Sales, o chefe do hospital mais renomado da Escócia, é um homem branco de cabelos ruivos, olhos claros e herdeiro de uma família rica. Ele foi minha maior inspiração para me tornar cardiologista. Fui uma das poucas pessoas a conseguir seu patrocínio para uma bolsa de estudos de grande prestígio.

Mas, ao mergulhar de cabeça nessa oportunidade, percebi algo: Dionísio queria nos bancar e nos mimar, desde que mantivéssemos notas excelentes. Isso não seria problema — sempre fui um aluno dedicado —, mas nunca fui tratado como um mimado na vida, e a ideia de ser "bancado" por ele me incomoda profundamente. Tudo bem, o apoio seria apenas até o semestre em que começássemos a estagiar no hospital, mas ainda assim, a sensação era desconfortável.

Agora, vamos à garota.

Ela passou o começo do ano me trazendo problemas: invadiu meu quarto enquanto eu estava nu, se recusou a mudar de dormitório por medo do que as pessoas poderiam falar dela, invadiu o banheiro masculino e tive que tirá-la de lá. Sem contar que, em menos de 24 horas, nós já tínhamos nos visto nus. Como se não bastasse, o cara que mais me atormenta desde meu último emprego é o ex dela, e, ainda assim, ela teve a audácia de propor que eu fosse seu namorado de mentira.

Mas o que mais me incomoda é que, desde o momento em que olhei nos olhos dela, eu paralisei. O pior? É que vê-la envergonhada me faz sorrir. E sabe o que é mais assustador? Eu sempre surtei com o fato de ela ter uma beleza única. E AGORA, EU ESTOU SURTANDO PORQUE NÃO GOSTO DOS SENTIMENTOS QUE ELA ESTÁ DESPERTANDO EM MIM.

Dakota deveria ser a garota que eu odiaria, porque ela deixou minha vida tão agitada que até trabalhar ficou cansativo. Por um momento, considerei mesmo ser o "mimado engomadinho" que dizem por aí.

Sempre ouvi que namorar exige uma parte do seu tempo, mas nunca me imaginei nessa situação. E, claro, nosso namoro é de mentira, então teoricamente não preciso estar o tempo todo ao lado dela. MAS O IRÔNICO É QUE ESSE NAMORO DE MENTIRA PARECE MAIS COMPLICADO QUE UM DE VERDADE!! Outro dia, ela me ligou no meio do trabalho dizendo que precisava de mim urgentemente. Eu larguei tudo para ajudá-la. E sabe o que me esperava? A prima invejosa dela, que queria se exibir e não acreditava nela. Eu a apoiei, claro, porque essa prima é insuportável.

Mas, por toda a minha vida, nunca imaginei que ficaria louco por uma garota. Que faria as vontades dela, que me perderia no brilho dos seus olhos claros, nos seus cabelos cacheados sedosos, na sua pele negra macia e cheirosa. Nunca imaginei que ficaria tão vidrado nela, nem que estaria louco para beijá-la. E o mais grave? O simples fato de que quero que nosso relacionamento se torne verdadeiro.

Mas eu não faço ideia do porquê.

Agora, bem na minha frente, estava ela, me pedindo em casamento e me impedindo de ir trabalhar.

— Olha, eu me doei todo para você. Te dei a oportunidade de desfrutar do meu corpo de uma forma não interesseira, coisa que nenhuma garoto faria. Te dei o privilégio de ser minha namorada, mesmo que de mentira. Mas casamento? Quando foi que você bateu a cabeça? Posso chamar o Jungkook para fazer uns exames em você — murmurei, apontando para a porta, quase sem fôlego de tão rápido que falei.

A sua proximidade me deixou nervoso.

— Olha, obrigada por todas as loucuras que vivi ao longo desse tempo. Obrigada por aceitar as minhas e por ter me aguentado durante esses meses. Mas eu realmente preciso da sua ajuda agora!

— E o que te faz pensar que vou aceitar esse casamento? — perguntei, ficando cada vez mais indignado.

— Ficando rico, você vai poder se livrar daquele cara que veio aqui.

— Eu não quero ser bancado por ele, imagina por você — retruquei, apontando em sua direção. Ela segurou meu dedo. — Qual a diferença entre você e ele?

— Ele quer pagar suas contas. Eu quero te dar o dinheiro para que você mesmo as pague — respondeu, me deixando intrigado. Não me julguem, tá legal? Um dinheiro cairia bem depois de todos os alvoroços que ela me fez passar. — Assim que você se casar comigo, você se livra dele. O dinheiro que eu te der vai servir para pagar a faculdade, e você pode deixar a bolsa para outra pessoa. Isso te daria liberdade para trilhar seu próprio caminho sem medo de pisar em ovos com seu patrocinador. Existe alguma multa para encerrar o contrato? — perguntou, e eu assenti com a cabeça. — Ótimo, eu pago essa multa também. Estamos quites? — concluiu, estendendo a mão para mim.

Fiquei olhando para ela, depois para seu rosto, e finalmente para os seus olhos cor de mel.

— Vamos viver até quando nessa mentira? — perguntei, fitando seus olhos e, de repente, ficando nervoso.

— O que quer dizer?

— Vamos viver o resto das nossas vidas nessa mentira? Estaremos presos um ao outro sem ter a oportunidade de amar? Nos beijando quando quisermos, sem rótulos? Ou só quando você perceber que, naquele momento, eu sou eficiente?

As palavras saíram dos meus lábios como um disparo, sem que eu conseguisse segurá-las. Enquanto falava, vi suas íris brilharem, carregadas por um sentimento de tristeza.

— Então não significou nada para você? — perguntou com a voz embargada de choro. Avaliei todas as suas expressões, percebendo que talvez eu tivesse pisado na bola. — Acha que eu beijaria você repentinamente?

— Eu só queria ajudar, pra te ensinar a bei…

— Ou... — murmurou, perdendo o fôlego por alguns segundos antes de soltar um riso soprado. — Acha que eu quis que você perdesse o controle para ganhar alguma experiência? Talvez... mas eu não fazia ideia do verdadeiro sentido disso até beijar você. Foi então que percebi, enquanto olhava nos seus olhos, implorando para que continuasse, que estava me apaixonando por você. — As palavras saíram rapidamente, enquanto meu coração disparava. Ela parecia estar tomada por uma mistura de tristeza e raiva. — Qual é o seu maldito problema, Jimin? Não percebe que passei meses confiando em você? Compartilhei meus traumas, deixei você mexer no meu cabelo, mesmo odiando isso, perdi noites de sono para observar seus traços e sorrir cada vez que você roncava feito um tratorzinho fofo. Te deixei me abraçar em público, mesmo quando tínhamos um acordo de evitar contato no nosso falso namoro. E, quando te beijei... acha mesmo que faria isso se não gostasse de você?!

Eu não sabia mais como respirar. Parecia que o ar havia deixado meus pulmões, e meu corpo focava apenas no coração acelerado. Até meu cérebro, sempre cheio de paranoias, ficou em silêncio. Qualquer outra garota nessa situação teria me feito rir ou desprezar o amor.

Mas era ela. A maldita Dakota.

A garota dos cabelos cacheados e ruivos, olhos claros e pele linda, macia, de um tom chocolate radiante. A mais cheirosa que já conheci.

Sei disso porque sempre que posso, beijo sua pele sedosa e sinto seu perfume de camomila. Eu amo o cheiro dela.

Meus sentimentos estavam uma bagunça. Dakota tinha desestabilizado completamente meu sistema, e eu não consegui dizer nada. Ela negou com a cabeça, decepcionada, e saiu do quarto antes que eu pudesse reagir.

Soltei um suspiro e me amaldiçoei por ser tão idiota.

Na noite seguinte, entrei na grande mansão da família de Dakota. Ela estava deslumbrante em um vestido azul de seda, com os cabelos soltos e adornada com joias douradas. Parecia uma guerreira de filme de Hollywood, uma mulher negra poderosa e dona de si.

Tão linda…

Mas, mesmo assim, ainda estava brava comigo por causa do que aconteceu na tarde anterior. Ela voltou ao dormitório de manhã, mas passei a noite preocupado. Acabei adormecendo na cama dela, enrolado em uma camisa sua, que estava levemente molhada por causa de seus cabelos. O cheiro de seu shampoo e creme de maçã verde ainda impregnava o tecido.

O quão obcecado eu estou por essa mulher?

Quando a porta de madeira se abriu, o sorriso simpático que tinha em meus lábios se desfez como um sopro. A pessoa que acabara de abrir a porta pra nós abriu os braços empolgadamente, um sorriso brilhante e alegre ocupava seus lábios. Mas assim como eu, se desfez quando nos encaramos.

— Você é o médico calouro famoso que namora minha sobrinha? — perguntou ele.

— E você é o tio bacana e gentil? — respondi, incrédulo. Ambos falamos ao mesmo tempo, chocados com a descoberta.

A situação mudou imediatamente. Eu e Dionísio nos odiávamos. Primeiro, porque ele não aceita a palavra "não". Segundo, porque ele poderia ter facilitado meu trabalho se minhas notas estivessem em dia, mas preferiu mandar o inspetor do departamento de intercâmbio me monitorar — algo que ninguém fazia desde que cheguei. No trabalho, ninguém me reconhecia além do meu chefe.

Dakota ficou entre nós, pressionando minha camisa com uma mão enquanto a outra segurava o avanço de Dionísio. Ela sabia de tudo. E claro que sabia: estava escondida no armário enquanto ele gritava comigo ao descobrir meu emprego de meio período. Meu chefe, orgulhoso de mim, deixou escapar alguns detalhes sobre mim ao levar comida para o hospital onde Dionísio trabalha.

Ontem, recebi meu último pagamento depois de ser demitido.

— Podemos parar com essa briguinha sem sentido? Meu pai daqui a pouco vem verificar essa gritaria, e eu realmente não estou muito a fim de explicar isso…

— Que gritaria é essa? — fui interrompido por uma verdadeira muralha de músculos. Sua voz grossa e firme me fez arregalar os olhos de susto. Ele era negro, assim como Dakota, e os dois tinham feições parecidas. Seus cabelos crespos e grisalhos estavam desalinhados, mais cacheados que os da garota linda que não sai dos meus pensamentos. — Esse é o seu namorado? É mais branquelo que seu tio.

Fiquei chocado com o comentário e entreabri os lábios.

— Papai... — O olhar dela o fulminou, e ele se calou imediatamente.

O tio riu.

— Você é um pau mandado mesmo. — Brincou, mas logo recebeu o mesmo olhar e se calou. Tentei segurar o riso para evitar a mesma repreensão.

— Posso pelo menos perguntar se ele é japonês? — O mais velho pediu permissão à mais nova, e eu cocei a nuca.

— Coreano, senhor — respondi antes que ela dissesse qualquer coisa. Dakota respirou fundo.

— Uau, a comida de lá é boa mesmo? Tem uns vídeos de coreanos comendo que me dão água na boca — murmurou, esfregando a barriga. Acabei deixando um riso escapar.

Dakota agarrou a minha camisa social preta e me puxou para dentro enquanto empurrava o tio também.

— Chega de conversa, vamos entrar. Tenho certeza de que meus avós estão com saudades de mim — disse animada. A porta se fechou assim que entramos.

Bom, você sabe que sou pobre, né? Pois é, agora estou me sentindo humilhantemente pobre ao ver o tamanho do luxo dessa casa. Entramos em um local bem iluminado, com cadeiras elegantes e uma mesa enorme repleta de comidas variadas. Cinco pessoas estavam sentadas ali, e, para minha surpresa, era uma mulher idosa que ocupava o assento central.

Será que é ela quem dá as ordens?

A senhora me lançou um sorriso daqueles de propaganda de pasta de dente, e eu retribuí com um sorriso educado. O homem mais velho também me cumprimentou de forma amistosa, assim como uma outra mulher à esquerda da mesa. Já o homem ao lado direito dela me olhava sério, enquanto uma jovem presente na mesa me lançou um sorriso... insinuante.

Eca, a prima insuportável.

— Sente-se, querido, fique à vontade — disse a idosa no centro. Eu ameacei me sentar ao lado do homem mais velho, mas ela logo corrigiu: — Não, querido. Esse é o lugar do Dionísio.

Levantei imediatamente, sem graça, e pedi desculpas com o olhar.

— Sente-se ao lado vazio da Dakota — instruiu.

Observei Dakota se sentar na outra ponta do centro e, obedientemente, me acomodei ao seu lado direito. O pai dela se sentou à sua esquerda.

As coisas pareciam funcionar de forma bem diferente nessa família. Na minha casa, os homens eram sempre os mais respeitados, mesmo que eu fosse o mais excluído de todos. Em relação à comida, por exemplo, eu sempre tinha prioridade entre os outros três homens da casa.

Minha mãe nunca realizou o desejo de ter uma menina.

— Obrigado — murmurei quando a mulher ao meu lado me ajudou a colocar o guardanapo chique no colo. Meus olhos involuntariamente se voltaram para a idosa no centro da mesa.

Dakota ajeitou a postura, cruzando as pernas. Eu me esforcei para não encarar sua pele macia, exposta pelo comprimento curto do vestido.

— Você já percebeu que somos diferentes? — A pergunta da idosa foi direta, e eu concordei imediatamente com um aceno.

— As mulheres são a prioridade nesta família. Minha mãe lutou muito para ser valorizada, e eu continuei essa linhagem. Aqui, a mulher mais velha sempre ocupa a ponta da mesa, enquanto a mais nova, a partir dos cinco anos, ocupa a outra ponta. Dakota é a mais nova, por enquanto. E estou lhe dando a responsabilidade de trazer mais uma mulher para a família — declarou, olhando diretamente para mim. Engoli em seco, nervoso.

— Nessa família, já houve muitos erros. Meu filho mais velho, um idiota, só conseguiu ter uma filha. E ela não pode continuar a linhagem porque o namorado dela é um babaca — continuou, suspirando e esfregando as pálpebras. — Eu realmente não tenho paz nesta família.

— Mas, vovó... — a prima chata começou a contestar, mas o pai dela a cortou com um olhar sério, e ela se calou.

— Quando vocês pretendem se casar? — A idosa voltou a me encarar, e eu engoli em seco de novo, ainda mais nervoso.

Essa família usa algum tipo de alucinógeno?

Meus lábios se abriram para responder àquela pergunta importante, mas tremeram nervosos e eu acabei ficando mudo.

— Park Jimin está resolvendo alguns problemas pessoais, senhora, e ainda não sabe se está apto para se casar comigo — respondeu Dakota, com firmeza. Olhei para ela com os olhos arregalados. Ela parecia uma verdadeira guerreira enfrentando sua superior.

Será que elas realmente se inspiravam umas nas outras?

— Pode me dizer, Park Jimin... — estremeci ao ouvir meu nome na voz da idosa. Não foi nada agradável. — Qual é o problema com a minha neta?

— N-nenhum, senhora — gaguejei, tentando responder.

— Então por que não aceita o pedido?

— Não acho que seja o momento certo. Estamos juntos há apenas alguns meses de namor…

— Desculpas e mais desculpas, odeio isso. Termine com esse frouxo antes que acabe como sua prima! — ordenou, apontando para a garota insuportável. Senti meu orgulho ser esmagado pelas palavras da mais velha.

A resposta concreta para o pedido de Dakota estava presa na minha garganta... até ela me chamar de frouxo.

E como se isso não bastasse, foi ainda mais humilhante perceber que meu superior estava sentado àquela mesa como parte da família da minha namorada... ou melhor, namorada falsa.

Dói tanto pensar nessa única palavra.

— Na verdade, senhora Sales — chamei a atenção de todos, especialmente do meu alvo. — Eu vou me casar com sua neta.

Observei um brilho surgir em seus olhos enquanto ela se ajeitava na cadeira, tentando disfarçar a felicidade.

— E por que mudou de ideia? — perguntou, juntando as mãos abaixo do queixo e me olhando com atenção.

— Obrigado por me chamar de frouxo. Além de pisar no meu orgulho, você me fez perceber que não conseguiria viver sem sua neta — murmurei, voltando meu olhar para Dakota. Ela parecia surpresa com a ousadia de eu encarar sua avó. — Como eu poderia? Nunca me atreveria a deixá-la.

Hesitei, buscando as palavras.

— Deveria ser crime não gostar dos seus traços. Seus cachos maravilhosamente ruivos e sedosos... O seu cheiro, então?! Eu sempre procuro um motivo para afundar meu rosto na sua pele perfumada. E ouvir sua risada? É um presente, ainda mais com aquela covinha nas bochechas que me faz perder a linha.

Olhei direto nos olhos dela, castanhos como mel, e continuei:

— Sou completamente apaixonado por sua neta. Até mesmo pelas suas mudanças de humor. Admito que no começo, eu não gostava muito dela por ter entrado na minha vida de forma tão irritante…

Dakota riu, lembrando nossa piada interna.

— Mas agora... — parei, a encarando como se visse cada detalhe pela primeira vez, mais brilhante do que qualquer luz no salão. — Percebo que não posso mais viver sem ela. Então... eu aceito seu pedido, Dakota. Nada vai me impedir de passar o resto da vida com você.

Meu discurso começou como uma mentira, mas me dei conta de que estava sendo sincero. Cada palavra era verdadeira.

Dakota se aproximou e me beijou, pegando-me de surpresa. Paralisei por um segundo, mas logo retribuí. Ouvi aplausos ao nosso redor enquanto nos perdíamos no beijo.

Nos afastamos, ofegantes, e ela me olhou com os lábios levemente inchados.

— Bom, fico feliz que tenha aceitado o pedido. Porque vocês vão se casar daqui a duas semanas — decretou a senhora Sales, com um tom finalizador.

Arregalei os olhos, e Dakota fez o mesmo.

— O QUÊ?

[...]

Aviso: Insinuação de sexo.

Eu andava de um lado para o outro no quarto da Dakota, com as mãos na cabeça, demonstrando o pânico que sentia. A mulher velha nos deu duas semanas? DUAS MALDITAS SEMANAS?

Agora, eu não estava surtando por causa da mulher que estava me tirando do sério, mas pela mulher que havia criado um buraco no chão, fazendo o solo firme desaparecer sob meus pés.

— Jimin, para! Vai acabar fazendo um buraco no chão do meu quarto — ela mandou, saindo de seu banheiro luxuoso vestindo roupas de dormir.

Eu congelei ao vê-la com uma camisola de seda vermelha, toda rendada e transparente. Não usava sutiã, e a parte de cima cobria apenas o essencial, enquanto o restante revelava seu colo, cintura e a calcinha vermelha.

Estou tendo um enfarto.

— Por que diabos você está vestindo isso? — perguntei, incrédulo, apontando para o seu corpo quase nu. Senti meu coração quase parar.

A mulher, que estava acabando com o resto da minha sanidade, sorriu e cruzou os braços abaixo dos seios, dando mais volume a eles.

Engasguei com a própria saliva.

— Foi a única peça que encontrei no guarda-roupa — murmurou, aproximando-se ainda mais de mim. Eu dei um passo para trás. — Não ouviu o que minha avó disse? Precisamos conceber uma bisnetinha para ela — falou com uma voz sexy, me arrepiando. Acabei caindo na cama, tornando-me um alvo fácil para ela. — Você não disse que a próxima vez seria para transar? Por que não… — insinuou, curvando-se e pressionando seu corpo contra o meu. Antes que suas garras chegassem até mim, escorreguei para fora da cama e corri para o outro lado do quarto. Ouvi sua gargalhada potente e a vi se contorcendo na cama. — Sabia que você tinha fama de playboy, mas acho que deveriam te chamar de frouxoboy — ela continuou rindo.

Meu rosto ficou sério com sua brincadeira sem graça e tranquei a porta atrás de mim, chamando sua atenção. Levei minhas mãos lentamente aos botões da minha camisa e comecei a desabotoá-los, mantendo os olhos fixos nos dela, cheios de fogo. Acho que o Jimin bonzinho não está sendo suficiente para ela, então vou lhe dar o que tanto deseja.

Retirei a camisa social, exibindo meus músculos bem definidos, deixando a mulher agoniada na cama enquanto se perdia nos movimentos sensuais do meu corpo à medida que ele era exposto aos seus olhos. A peça de roupa farfalhou ao cair no chão de madeira do seu quarto iluminado, e meus passos se fizeram urgentes, em direção à minha namorada seminua na cama.

— Vou mostrar o quanto um frouxoboy consegue fazer você gritar até que meu nome seja a única coisa que você consiga dizer — prometi rouco em seu ouvido. Ela soltou um suspiro pesado e me olhou nos olhos.
— Não deveria ter deixado meu lado bonzinho dormir, amor.

Horas depois, Dakota estava deitada no meu peito, acariciando seus cachos cacheados, e claramente, meu nariz estava perto para aproveitar a fragrância.

— Sabe… você mente bem — sussurrou, chicoteando seu hálito no meu pescoço. Eu franzi a testa.

— Do que está falando, exatamente?

— Você realmente parecia sincero no jantar, quando se declarou para mim — meu coração apertou. — Onde conseguiu todas aquelas palavras?

— Dakota… — Tentei falar, mas ela me interrompeu.

— Essa noite foi tão especial, minha primeira vez, foi com alguém que realmente gosto — disse, reforçando sua declaração de ontem. — Mas… acho melhor acabarmos por aqui. Vou conversar com minha avó e terminar o noivado. Eu…

A beijei, calando seus lábios, devorando suas palavras que me magoavam cada vez mais. Movi meus lábios contra os dela, chupando e aprofundando minha língua em sua boca, retirando seu fôlego e o meu, como consequência.

— Cada palavra foi verdadeira — declarei, olhando para sua expressão ofegante, e ela abriu os olhos, encarando os meus. — Eu sou apaixonado por você, não consigo imaginar minha vida sem você. Eu surtei com sua beleza desde o primeiro dia em que te vi. Cada expressão irritada, cada vez que olhava nos seus olhos, seu sorriso, seu cheiro e, principalmente, quando você me via como seu porto seguro. Eu gosto de você, Dakota. Eu sei, se passaram apenas alguns meses desde que te conheci e, um dia depois, estávamos fingindo que estávamos namorando, mas, em apenas cinco dias, eu já estava com o coração apertado, sabendo que o que estávamos vivendo era só uma mentira. O que me consolava era saber que, mesmo sendo uma mentira, eu ainda podia estar do seu lado, dormir ao seu lado no meio dos pesadelos, sorrir ao ver seu semblante calmo enquanto dormia, me deixando nervoso quando tinha que ficar na cabine com você enquanto tomava banho. Você é... — parei para respirar — meu tudo, Dakota. Eu nunca me apaixonei, tipo, nunca mesmo. Minha primeira vez foi aos 17 anos, depois de ficar bêbado numa festa do colégio. Transava por transar, como qualquer adolescente inconsequente da vida. Nunca deixei que meu coração fosse roubado, como aconteceu agora. Nunca deixei que ninguém tomasse o rumo da minha vida, a não ser eu. Mas aí apareceu você, bagunçando até mesmo minha rotina entediante. Você trouxe o caos, mas também trouxe o brilho dela.

Vejo as lágrimas saindo dos seus olhos e acabo rindo por achar aquilo fofo. Beijei suas têmporas, sentindo o gosto salgado das suas lágrimas, e nos abraçamos fortemente, com a certeza de que estaríamos juntos pelo restante das nossas vidas.

Quatro meses depois…

Bom, eu estava olhando para o meu reflexo enquanto pensava no caminho que percorri até chegar ali. Depois da nossa primeira noite agarradinhos, acordamos na manhã seguinte, e sua avó tranquilizou nossos corações, dizendo que a data marcada era para quatro meses depois, o que seria hoje. Desde então, as coisas avançaram bastante.

Fiz as pazes com Dionísio, expliquei toda a minha história, e nos entendemos depois de finalmente colocar as cartas na mesa. Claramente, essa conversa só aconteceu depois do conselho da minha noiva. Ela disse que o que faltava na nossa parceria era a sinceridade. Depois de muita sinceridade jogada nessa conversa amigável, ele me libertou do intercâmbio, como prometido pela minha mulher, e eu não precisei pagar nenhuma multa. Só precisei prometer que continuaria com minhas notas excelentes e que iria trabalhar no hospital dele.

Meus amigos ficaram chocados quando contamos a eles que estávamos em um namoro falso. Também decidimos contar a verdade para a família dela, e quase fui esquartejado pelo pai dela quando Dakota deixou escapar a história de que entrou no quarto e me encontrou nu, ainda falou que ficou no quarto comigo. Falando nisso, sua prima confessou que foi ela quem fez isso, e agora estávamos morando juntos em um apartamento perto da faculdade. Ambos estávamos oficialmente determinados a levar essa história a sério, mesmo que nosso namoro tenha começado de forma falsa e que o noivado também tenha sido uma farsa. Agora, estávamos oficialmente juntos. Mesmo que tudo tenha sido rápido e repentino, ainda íamos nos amar do mesmo jeito.

Do nosso jeito.

— Bom, parando pra pensar em todas as loucuras que me fez passar, acho que me levar para o altar é o suficiente, mesmo que tenha passado a parte de me levar para jantar — brinquei, arrancando risadas de todos os presentes na cerimônia, e ouvi a risada gostosa da minha mulher. — Não sorri pra mim, assim eu gamo.

— Tu já tá é de coleira, Jimin — gritou o escandaloso do Taehyung do lado dos padrinhos, e os meus outros padrinhos riram junto com ele, levando todos a rirem também.

Cocei a garganta para voltar.

— Dakota, em menos de 24 horas, nós estávamos trazendo caos para nossas vidas. Até parece que demos uma chance para ela — murmurei, rindo, sabendo que era verdade — mas, em meio a todo esse caos, nos apaixonamos um pelo outro. Sei que é clichê, mas eu me apaixonei por você na primeira vez que te vi. Quando você entrou no meu quarto, eu fiquei pensando: “Que tipo de pervertido acabou de entrar no meu quarto? Ele provavelmente tá devendo, já que entrou tão depressa.” Mas aí, a tal pervertida me olhou totalmente paralisada e arregalou seus belos olhos cor de mel quando percebeu que estava nu — disse, lançando uma piscadela, e ela corou, fazendo todos fazerem sons maliciosos, mas meu sogro fez eles pararem quando coçou a garganta. — Depois daquilo, estávamos nos metendo na vida um do outro. Estávamos nos envolvendo no dia seguinte, e, no outro, estávamos no caos. Você é o meu caos, a verdadeira causa de todos os meus dias caóticos. Eu não sou apenas apaixonado por você. Mas, à medida que os dias foram passando depois da nossa noite especial, foi que… eu arriscaria toda a minha vida, todas as posses que não tenho, para te dizer — murmurei, olhando bem fundo em seus olhos, busquei sua mão macia com a minha e entrelacei. — Eu te amo, Dakota.

O mundo pareceu parar enquanto ela me olhava surpresa com a minha declaração no meio de todos. Eu nunca disse essas três palavras para ela antes, e parecia que eu estava cometendo um crime por não tê-las dito antes entre quatro paredes. Mas ela pareceu diminuir minha sentença quando seu sorriso chegou aos olhos, e eles viraram dois traços retos. Era tão lindo, tão fabuloso.

Tão minha.

— Eu te amo, Jimin. Acho que palavras não são o meu forte, você sabe que sou melhor com ações — murmurou com um sorriso malicioso, me fazendo corar, e o coro voltou a soar. Até mesmo meu sogro entrou na onda. Ele é meio bipolar.

— Nós conversamos muito sobre família, minha avó foi jogando responsabilidades no nosso colo e não vamos mentir dizendo que não tentamos — disse de forma maliciosa novamente, fazendo-me desejar que um buraco se abrisse e me engolisse. — Eu te pedi em casamento no meio de uma discussão, mas quero te pedir, ou melhor, perguntar. Jimin, aceita ser o pai dos meus filhos?

Agora era a minha vez de sorrir.

— Quantos filhos você quiser, amor — respondi mordendo os lábios, e ela riu. Meu corpo todo paralisou quando sua mão levou a minha até sua barriga. Ela escorregou até o centro e senti um relevo. — Você está…

— Eu tô grávida, ou melhor, estamos grávidos, marido — deu a notícia, fazendo meus olhos lacrimejarem. Agora entendi o motivo de ela ter desviado tanto de mim quando tentei tocá-la nesse último mês. Fiquei tão magoado que cheguei a pensar que ela estava terminando comigo.

— Em meio a essa declaração bombástica, vamos entregar as alianças — declarou o padre, quebrando o clima, e nós concordamos emocionados enquanto aguardávamos as alianças. Olhamos para o tio de Dakota, que jogou a caixa das alianças para mim da plateia. Ele estava com a perna engessada depois de um acidente. Olhei rapidamente para meu sogro e o vi paralisado, mas ignorei, era a minha hora de brilhar.

— Eu, Park Jimin, prometo amar Dakota Sales, respeitá-la, honrá-la. Na doença, cuidarei de ti; na fome, alimentarei meu dragão — fiz uma pausa para sua mão voar até meu ombro e o estalo do tapa fez todos rirem, até eu — até que a infeliz morte nos separe.

— Eu, Dakota Sales, prometo amar Park Jimin, respeitá-lo, honrá-lo. Na doença, mimarei meu dengoso — fiz uma pausa para os risos e minha vergonha — na fome, alimentarei-o; nos braços, segurarei-o, e ninguém mais tocará nele — fiz uma pausa para o meu riso, amo minha mulher ciumenta — até que a desgraçada da morte nos separe.

— Bom, não era exatamente isso, mas vou aceitar porque não foi tão ruim — disparou o padre, dando de ombros e olhando para nós — Eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.

Antes que eu pudesse beijar minha mulher, Dionísio estava me mandando correr.

Olhei na direção dele e arregalei os olhos ao ver meu sogro querendo voar para o meu pescoço.

— Seu desgraçado, você engravidou a minha filha! — me xingou, correndo atrás de mim, querendo me matar, e eu corri.

— Homem, sente já! — gritou a ex-sogra dele, que é a mãe da mãe da Dakota, que foi embora. Mas eles a abraçaram na família e não soltaram mais. — Não era o esperado ela engravidar?

— Mas já? Eu sou muito jovem para ser vovô! — murmurou indignado, enquanto corria atrás de mim. Eu parei e tentei enganá-lo com um “olé”, mas quase me ferrei.

O velho está cheio de energia.

— Pai, deixa eu pelo menos beijar meu noivo para acabar a cerimônia. O padre tem que ir embora! — exige, enquanto corro para o palco e fico atrás dela, usando seu corpo como escudo. Ele parou no pé das pequenas escadas perto do altar e simulou que ia continuar. — Vem, Jimin.

Pedi um minuto para controlar minha respiração e, no instante seguinte, estava beijando seus deliciosos lábios.

— Chega, agora venha aqui — murmurou entre nossas palmas, e eu resmunguei, correndo para salvar minha vida e não deixar meu filho/filha órfão de pai.

Quando estava passando pelas cadeiras dos convidados, um sapato foi jogado na minha cabeça e eu caí no chão.

— Pega, falcão — mandou Dionísio, e eu o olhei com ódio enquanto ele se divertia.

— Desgraçado!

Meses depois…

Havia uma bolotinha fofa pulando animadamente no colo da minha esposa. Estávamos celebrando nosso primeiro ano de casados e nossa pequena princesinha Tiana estava fazendo sete meses de idade. Ela nasceu na mesma data do nosso casamento, com alguns meses de diferença.

Sim, no primeiro tiro, eu acertei o alvo.

A senhora Sales ficou imensamente feliz quando soube que Dakota estava grávida de uma menina. Fez uma festa e esfregou na cara de alguns invejosos, e minha esposa fez o mesmo com sua prima.

Nossa filha era tão gorduchinha, fofinha e igualzinha à mãe. Ela é negra, com os olhos claros, e algo que ela puxou de mim foi o formato dos olhos, que são puxados. Ela é bem travessa e astuta, igual ao pai.

A cara da mãe e o jeitinho do pai.

— Nossa futura guerreira — disse a vovó babona, enquanto sorríamos um para o outro.

Eu amo tanto essa mulher.

Dakota on.
Insinuação de sexo.

Jimin estava incrível, uma delícia, na verdade. As entradas da sua calça de moletom preta estavam em evidência, e seu abdômen brilhava com o suor. Os gominhos se formavam enquanto ele respirava, e seu rosto estava coberto pela máscara do filme "Pânico". Era época de Halloween na Escócia, e normalmente não iríamos a nada relacionado, mas ele trouxe o Halloween para o nosso quarto, sem nada de extraordinário ou sobrenatural.

Ver ele assim me deixou quente.

— Oi, querida esposa… — disse com uma voz rouca e um pouco assustadora, como se estivesse entrando em um personagem. Eu comecei a sentir algo viscoso sair de mim. — Deseja dizer suas últimas palavras?

Ele subiu calmamente na cama. Eu olhei para a máscara no rosto dele, mas os únicos detalhes que conseguia ver eram seus olhos escuros, que me encaravam com intensidade. Engoli em seco quando ele se colocou totalmente em cima de mim.

— Por que? Vai me matar e fugir com nossa filha? — perguntei, elevando delicadamente o corpo. A pele exposta da minha barriga roçou na dele, e meu corpo inteiro estremeceu com o toque. Arfei quando senti suas mãos na minha bunda.

— Não faria tamanha atrocidade — respondeu, deslizando seus dedos para dentro do meu short de dormir. Eu estremeci com o toque, e ele riu, baixinho, de satisfação. — Fale, minha atrevida, quais suas últimas palavras?

— Retire essa máscara e me dê um beijo — respondi, levantando a mão até a sua nuca. Ele então se afastou um pouco e jogou o tronco para o lado.

— Tire — ordenou. Eu prontamente fiz o que ele pediu, e em segundos, estava vendo todo o seu rosto bonito, que eu amava admirar. Mas hoje, o clima estava mais tenso do que qualquer dia fofo nosso. Seus olhos escuros, seu maxilar marcado e a áurea que ele emanava me diziam que ele estava prestes a fazer algo. E o sorriso dele confirmou isso.

— Gostosura ou travessura? — perguntou.

Eu ergui as sobrancelhas, questionando seu tom. Ele virou a cabeça para o lado e me observou atentamente, com aquele sorriso travesso ainda nos lábios. Ele não queria que eu apenas escolhesse, ele queria algo mais ousado, algo que o surpreendesse, que desafiasse seu ego.

Escolhi a opção mais ousada, escorregando a palma da minha mão por seu abdômen suado e definido. Meus olhos não saíam dos dele, e, ao ver seu sorriso, tomei a mesma atitude ousada.

— Travessuras… Eu já tenho de sobra, mas eu gostaria de uma gostosura suada, forte e deliciosamente grande — disse, descendo minhas mãos entre suas marcas de músculos. Jimin mordeu os lábios, mas o sorriso travesso continuava no seu rosto, enquanto o suor de seus cabelos fazia ele parecer ainda mais gostoso.

— A gostosura vai jorrar doce na sua boca — murmurou, fazendo meu sorriso malicioso se ampliar. Fechei os olhos e me preparei para sentir sua boca aveludada.

Quando sua língua tocou a minha, todas as travessuras que eu tinha se ativaram naquela noite.

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