| Capítulo 17 | Olhe de novo no espelho e veja quem você realmente é

Aquele acontecimento inusitado não apenas se estabeleceu na minha memória, como também trouxe uma recompensa inesperada. Afinal, eu não contava apenas com minha própria companhia, mas com alguém com quem o período de poucos dias foi capaz de estabelecer uma aproximação agradável. Comecei a sentar na carteira atrás de Elisa em todas as aulas de orientação vocacional, e fazíamos todas as atividades juntas.

Decidi não apressar minha escolha sobre minha futura área de atuação, pois queria aproveitar ao máximo todas as aulas. Dessa forma, facilitava o caminho para que minha verdadeira vocação viesse ao meu encontro.

Durante o intervalo, percebi que Elisa estava com os olhos focados na tela do celular. Até que, em certo momento, ela bufou desanimada e bloqueou o aparelho, repousando-o sob a mesa.

— Aconteceu algo? — perguntei.

— Nada demais — respondeu, embora aquelas poucas palavras não fossem capazes de me convencer.

— É que você está chateada, então significa que algo não está bem — falei, tentando ser mais insistente.

Ela suspirou.

— Bem, na semana passada, eu convidei a Lívia e a Dani para participarem comigo do Feirão Expo Garden, um evento que reúne várias floriculturas, com venda e distribuição de plantas e dicas de cultivo. Mas elas acabaram de me responder que não vão conseguir ir — explicou, desanimada.

— Pode ser que elas tenham tido um imprevisto; isso acontece muito — presumi.

— Entendo o lado delas... Eu é que sou o problema. Imagina, fazendo esses convites chatos, quem iria querer? Se ao menos eu as chamasse para ir ao cinema, já teriam topado na hora.

— Qual é! Não fale assim — protestei. — Elas são suas amigas e gostam muito de você.

Ela ficou cabisbaixa por um instante e, em seguida, voltou a me encarar.

— É, tem razão. Eu e meus pensamentos idiotas — respondeu, mostrando um breve sorriso.

Abri a lata de refrigerante e bebi um gole.

— Então, me conta mais sobre esse evento — pedi.

— É bem legal, ocorre uma vez ao ano e vai ser neste sábado. Fica localizado no centro de eventos no Parque Barigui e sempre reúne vários estandes de floriculturas. Para ganhar novos clientes e fazer mais vendas, nós damos brindes, fazemos promoções, brincadeiras para descontrair e também tiramos dúvidas sobre o plantio. Minha mãe já preparou os cartões de visitas e mudas de amor-perfeito para entregar.

— Que incrível! Eu nunca participei desse tipo de evento.

Ofereci um pouco do refrigerante, mas Elisa negou.

— Então, você quer ir? — propôs. Seus olhos transpareciam uma empolgação contagiante.

Sorri para ela e lancei uma piscada repentina.

— Pode contar comigo!

Na manhã de sábado, aguardava ansiosamente em frente ao portão de casa. A mãe de Elisa me daria carona até o local, então não precisaria depender do transporte público. Em poucos minutos, o veículo Spin branco estacionou ao lado da calçada onde eu estava.

Elisa abaixou o vidro e gesticulou para que eu entrasse. Abri a porta do lado direito e entrei.

— Oi, Alana! Sou Bernadete, mãe da Elisa — ela se apresentou. Reparei em seu tom de voz mais grave, seus cabelos escuros e ondulados, e sua estrutura corporal robusta.

Travei a fivela do cinto de segurança. Ela abaixou o freio de mão e seguiu o percurso.

— É um prazer — respondi, sorridente.

— A Elisa me contou como vocês se conheceram. De início, achei que ela estava brincando, porque não é todo dia que ouvimos falar de uma amizade surgida de uma maneira tão engraçada — comentou, com os olhos concentrados no trânsito. — Mas fico feliz que ela está conhecendo novas pessoas — concluiu.

— Fiquei sabendo há pouco tempo que vocês têm uma loja. Deve ser bem legal trabalhar com flores — admiti.

— É um trabalho bem tranquilo. Eu monto os arranjos, embalo os buquês e também cuido da organização e limpeza — respondeu Elisa.

— Eu até queria colocar a minha filha como balconista ou no caixa, mas ela é meio tímida... Não sei por que a maioria dos jovens é assim — reclamou. — Enfim, a floricultura foi inaugurada há dez anos, depois que me vi sozinha, com dois filhos para criar e sem recursos financeiros, após meu marido me abandonar para viver com outra mulher — revelou.

Fiquei perplexa. Elisa evitava comentar sobre sua família, e agora eu sabia o verdadeiro motivo.

— De novo esse assunto insuportável, mãe! — resmungou Elisa.

— Tudo bem, encerramos aqui — disse Bernadete, com a intenção de pôr fim à conversa.

Minhas palavras não ousaram escapar. Apenas memorizei tudo o que havia escutado e constatei mais um capítulo que Elisa fazia questão de ocultar.

Depois de alguns minutos, finalmente avistei o parque pela janela. O veículo estacionou próximo ao enorme pavilhão. Abrimos as portas quase simultaneamente e dei alguns passos em direção ao porta-malas. Olhei para o lado, admirando a paisagem imensa do parque. Respirei fundo, permitindo que a leveza do ar me transmitisse uma dose de calmaria.

Bernadete abriu o porta-malas, interrompendo meu momento de silêncio com o barulho dos objetos sendo movimentados.

— Primeiro, vamos ao banheiro vestir as camisetas, e depois pegamos as flores para deixar no estande — avisou Bernadete.

Ela tirou uma pequena caixa de papelão e nos entregou três camisetas rosa claro.

— Só tenho tamanhos M e G, Alana.

— Sem problemas, eu fico com o tamanho M e coloco o restante dentro da calça.

Caminhamos em direção ao banheiro, que ficava antes da entrada do pavilhão.

— Agora que eu percebi que você está usando uma camiseta de tom neutro, filha — disse Bernadete para Elisa. — Geralmente você usa aquelas t-shirts de personagens de HQs, igual seu irmão.

Elisa ficou cabisbaixa.

— Seria uma pena você ter que tirar para colocar essa blusa rosa; aqueles desenhos de super-heróis e animes são tão bonitos.

— Tá, mãe, chega — Elisa resmungou, incomodada.

— Eu particularmente acho bem autêntico — admiti.

— Se vocês não tivessem o uniforme do colégio, a Elisa usaria aquela t-shirt todo dia. Nunca vi alguém que não se desgruda daquela roupa.

— Deixa disso, é só uma coisa boba. Em outras pessoas fica bonito, mas em mim... Nem pensar — ela explicou, em voz baixa.

Não houve mais interação desde o momento em que saímos do banheiro trajando as camisetas até nossa chegada ao carro. Retiramos cuidadosamente os pallets de madeira que separavam as mudas para não danificar e cada uma de nós ficou com uma caixa repleta de pequenas mudas, que se destacavam com suas pétalas coloridas.

Logo que adentrei o pavilhão, reparei que todos os estandes já estavam montados. O espaço imenso abrigava vários pontos com diversas floriculturas, buscando atrair apreciadores e praticantes de jardinagem.

O box marcado com o número 67 indicava um papel impresso com o nome da floricultura de Bernadete: Império Floral. Levou quase meia hora para organizar o espaço. Colocamos as mudas em uma prateleira, preparamos o balcão do caixa, deixamos algumas plantas exóticas para exposição e separamos um lugar para o restante das mercadorias destinadas à comercialização. Para finalizar, Elisa e sua mãe utilizaram um tripé de alumínio para fixar o banner ao lado do estande.

Por um momento, meus olhos se encantaram com o novo logotipo da loja. Com um fundo rosa claro, havia uma combinação harmoniosa de elegância floral e sofisticação. No centro, encontrava-se uma grande peônia em plena floração, simbolizando beleza e graça, cercada por uma variedade de flores menores e folhas, que realçavam sua delicada beleza. Tons dourados e verdes conferiam uma sensação de requinte e vitalidade. Abaixo do brasão botânico, estava o letreiro "Império Floral Floricultura" em letras maiúsculas e ousadas, ancorando o design com estabilidade e destaque. A cor do texto harmonizava-se com os elementos dourados acima dele, garantindo uma coerência visual que capturava a verdadeira essência do estabelecimento.

Não demorou para que os convidados começassem a chegar. Bernadete nos orientou sobre nossas tarefas.

— Alana, você vai ficar responsável pela organização e entrega dos brindes. E filha, você vai recepcionar as pessoas e apresentar a loja — ordenou. — E como sempre, eu vou atender o caixa.

— Não dá pra inverter? Eu sempre faço essas tarefas. Por favor, mãe — implorou Elisa.

— Nada disso. Você está bem habituada e sabe tudo sobre a loja. E conversar não vai fazer sua boca cair. Seja sorridente e fale em um tom de voz mais alto. Já passou da hora de você se soltar mais.

Era nítida a sensação de desconforto de Elisa em relação ao pedido da mãe. Suas mãos entrelaçadas e a cabeça baixa denunciavam seu nervosismo.

Durante o evento, recebemos várias visitas e a entrega das flores e vendas aconteciam quase sucessivamente. Não pude deixar de notar a atitude de Elisa, que me transportou para minhas próprias experiências passadas. A versão antiga de mim caminhava de mãos dadas com Elisa, e eu entendia bem como a falta de autoconfiança pode ser poderosa, enraizando conceitos de que há algo errado com nossa imagem e que todos ao nosso redor farão sátira dos nossos defeitos. A transparência desse cultivo ficou evidente na falta de contato visual de Elisa e na voz que gaguejava, impedindo-a de fortalecer sua própria pessoa: a timidez.

E pela primeira vez, presenciei o empecilho que a acompanhava.

O qual Elisa não conseguiu esconder por muito tempo.

Foi uma experiência incrível ter participado da convenção, especialmente porque, ao final do evento, eu e Elisa recebemos uma quantia em dinheiro pelo serviço prestado. A manhã de segunda-feira trouxe o intervalo que eu aguardava ansiosamente desde sábado, e eu precisava encontrar Elisa o mais rápido possível para uma conversa particular.

Afastei-me um pouco de Lu e Marcelo, com quem caminhava pelo pátio.

— A Elisa me pediu para me encontrar com ela, pois precisamos discutir o trabalho em dupla — menti.

— Lu, a Lana está abandonando a gente — Marcelo brincou.

— Qual é! — protestei. — É coisa rápida, daqui a pouco estou com vocês de novo.

Lu fez um gesto apontando os dois dedos para os olhos, sinalizando um "estou de olho". Sorri para eles e apressei os passos.

Observei atentamente todos os cantos enquanto caminhava rapidamente. Finalmente, avistei Elisa e suas amigas sentadas na calçada, iluminadas pelo sol. Minha aproximação chamou a atenção delas, e em poucos segundos fui recebida por um cumprimento quase uníssono.

Acomodei-me no concreto aquecido, formando um círculo com as quatro pessoas.

— Lana! — exclamou Lívia, animada. — Estávamos falando sobre você e a Elisa. Vimos que você fez check-in no evento de florista e a Elisa disse que te convidou.

— Foi muito legal participar — admiti. — Atendemos várias pessoas e depois fomos conhecer outros estandes. Até ganhamos alguns brindes. Saímos de lá perto das nove.

— Minha mãe adorou o desempenho da Lana; ela se saiu melhor que eu — confessou Elisa.

— Eu queria ter ido, mas algo aconteceu... Caramba! Vocês não vão acreditar! — As mãos da Lívia estavam agitadas.

— O que foi? Fala logo — pediu Dani, curiosa.

— Estava conversando com um garoto do terceiro ano há algumas semanas. Eu não quis contar pra vocês, pois não sabia se ia rolar algo. Até que ele me chamou para ir ao cinema no sábado e nós ficamos — revelou, empolgada.

Eu e Dani ficamos boquiabertas com a novidade.

— E aí, ele beija bem? — Dani perguntou.

— Muito. — Lívia suspirou, carregada de emoção.

— Confesso que sinto saudade de dar uns pegas em alguém. Da última vez, estava com um rapaz de outro colégio, mas ele não dava indícios de querer começar um relacionamento, então eu dei um fora — contou Dani, enquanto unia seus cachos e os prendia em um coque. — Agora tem outro garoto que está curtindo minhas postagens e me chamou no chat na semana passada. torcendo para rolar um encontro — completou.

— Vai dar tudo certo, amiga — Lívia disse.

— Estou torcendo por vocês, meninas — incentivei.

— E você, Lana, já teve algum paquera? — indagou Lívia.

— Já tive um namorado. Ficamos dez meses juntos, mas ele terminou, pois aconteceram muitas coisas. Agora não pretendo me envolver com ninguém. Até tive uma oportunidade de ficar com um garoto durante o passeio em Vila Velha, mas rejeitei.

— Poxa, que chato, mas você fez a escolha certa — disse Dani, colocando a mão em meu ombro em um gesto de apoio.

As palavras de Elisa não se manifestaram desde o assunto do evento. Ela permanecia na posição acanhada e olhava para baixo.

— Elisa, você já teve algum relacionamento? — perguntei, disposta a conhecer mais sobre a sua história.

Ela levantou a cabeça e nos encarou.

— Ah, a Elisa tinha um namorado super fofo — interrompeu Lívia a primeira tentativa de Elisa de falar. — Eles precisaram terminar, porque ele teve que se mudar para outro estado — continuou.

— E o cara era um príncipe! Pensa num garoto bonito... Nossa amiga teve muita sorte — confessou Dani.

— Elas já disseram tudo que eu tinha para falar — respondeu Elisa, em voz baixa.

Cada palavra se instalou na minha memória e se juntou ao compilado de fatos que eu já havia coletado. A ideia de ter uma conversa isolada com Elisa terá que acontecer mais adiante, embora essas revelações tenham surgido de maneira espontânea, facilitando a descoberta de outros capítulos que eu jamais imaginei encontrar tão precipitadamente.

As primeiras faíscas de inspiração começaram a acender meus pensamentos, provocando uma iluminação aconchegante e repleta de expectativas. A caneta deslizava suavemente sobre a folha do meu caderno, em que cada palavra manifestava a primeira estrofe do texto. Era uma atividade proposta por Gael, que consistia em escrever uma carta para o futuro "eu".

Em certo momento, percebi que Elisa levantou-se rapidamente da cadeira, falou algo para o professor e saiu em disparada. Estranhei sua atitude, pois ela sempre me avisava para onde ia. Presumi que seria algo urgente e que logo retornaria à sala. Retomei a escrita.

Pouco tempo depois, verifiquei o celular e percebi que já havia passado quase meia hora e nada do seu retorno. Um pouco apreensiva, mandei uma mensagem perguntando se estava tudo bem.

Depois de alguns minutos, terminei a carta. Arranquei a folha do caderno, dobrei-a e guardei dentro do envelope azul. Desbloqueei a tela do celular e a barra de notificações estava vazia. Instantaneamente, uma voz de alerta ecoou na minha intuição, fazendo com que os gritos se tornassem recorrentes. Era um sinal que eu não podia ignorar.

Minhas pernas receberam o comando e me levantei, caminhei em direção ao professor e, com uma mentira convincente, obtive permissão para sair da sala.

A caminhada tornou-se frenética e urgente. Precisava descobrir o verdadeiro motivo da ausência de Elisa e decidi averiguar sua presença em todos os cantos do colégio. Em questão de minutos, a decepção moldava meu semblante, à medida que constatava os lugares vazios, seja no primeiro bloco, banheiro feminino, refeitório, pátio e arquibancada. O que me restou foi entrar no segundo e último bloco. No entanto, a desocupação era a imagem que eu visualizava a cada corredor e degrau que percorria.

Perguntas começaram a me rodear: Será que ela já havia voltado ou estava em alguma sala restrita, como a dos professores ou a diretoria? Diminui a velocidade dos passos e caminhei pelo corredor do último andar. Comecei a percorrer lentamente, e uma abertura chamou toda a minha atenção. As duas portas indicavam uma fresta significativa com acesso ao auditório.

Decidi adentrar, pois o local também servia como atalho para outro corredor das salas de aula. O espaço vago fez com que o som dos meus passos ecoasse discretamente.

No entanto, em questão de segundos, outro ruído se manifestou, chegando ao alcance dos meus ouvidos.

Paralisei imediatamente.

Até então, achava que somente eu estava no auditório. Atendi meu pedido interno para que meus ouvidos ficassem mais atentos. Ainda estática, tentei identificar o barulho que vinha de certa distância. Em poucos segundos, constatei um suave murmúrio de choro, quase abafado pelo ambiente ao redor. Era um som fraco, mas a melancolia foi capaz de repercutir.

Tudo indicava que a voz vinha do corredor lateral, em direção aos banheiros. Decidi me aproximar em passos vagarosos. Até que, em poucos instantes, o choro foi interrompido por um som abrupto e desagradável — o inconfundível ato de expelir algo pela boca. O contraste entre o lamento angustiado e o som visceral de regurgitar causou-me um arrepio repentino. Senti os batimentos acelerarem dentro do peito.

— Não pode ser! — a voz entristecida e um pouco trêmula se alastrou.

Um compilado de memórias trouxe a resposta, permitindo-me reconhecer instantaneamente de quem a voz pertencia.

— Por que só acontece comigo? — lamentou, seguido de um choro abafado.

O corredor sombrio parecia pesar na atmosfera, como se as paredes sussurrassem segredos dolorosos.

Segredos que eu nunca imaginei descobrir.

Até cogitei bater à porta para prestar algum auxílio, mas nenhum movimento ousou se manifestar, devido ao receio de invadir aquele momento de vulnerabilidade. Permaneci imobilizada.

Inesperadamente, o ranger das dobradiças soou como uma lástima antiga, e a abertura revelou a cena.

Fiquei desnorteada.

Ela estava ali, com a feição esboçando traços de desespero. Nosso encontro inesperado revelou sua expressão de surpresa. Seus olhos pareciam fontes secas, onde as lágrimas ainda brotavam de maneira insistente. Seu rosto estava pálido, quase translúcido sob a luz fraca, e suas mãos tremiam levemente, como folhas ao vento. Os olhos vermelhos e marejados revelavam uma página que sempre estava escondida. Cada lágrima que deslizava pelo seu rosto parecia levar consigo um pedaço da dor pungente que a atormentava.

Meu lábio trêmulo encontrou forças para abrir sutilmente, escapando uma só palavra.

— Elisa? — minha voz falhou.

Notas da autora: Alana está prestes a descobrir o que afeta tanto a Elisa. É tão triste vermos amigos sofrendo :(

Fico muito feliz de retomar a escrita do livro e nesse período de férias (trabalho e faculdade), eu pretendo adiantar o máximo de capítulos. Já estou ansiosa para depositar minhas ideias e inspirações que acumulei por tanto tempo.

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