Capítulo 38 Aniversario de Heitor

Emanuelle

O sol brilhava intensamente naquele dia especial. A luz dourada invadia o salão decorado com cores suaves e balões alegres, refletindo o amor e a felicidade que enchiam meu coração. Eu segurava Heitor no colo, meu pequeno milagre, enquanto observava cada detalhe daquela festa que planejamos com tanto carinho. Era o primeiro aniversário do nosso filho, e tudo parecia um sonho realizado.

Heitor, vestido com uma camisetinha branca e uma jardineira azul, sorria com seus dentinhos nascendo, enquanto segurava um chocalho colorido. Sua risada preenchia o ambiente, e eu não conseguia conter o sorriso ao vê-lo tão feliz. As mesas estavam enfeitadas com arranjos de flores delicadas e docinhos decorados com bichinhos da floresta, tema que escolhemos porque Heitor adorava os sons dos animais nos livrinhos interativos.

Omar estava perto da mesa do bolo, ajudando a ajustar os últimos detalhes. Ele vestia uma camisa clara e jeans, simples, mas impecável, como sempre. Quando nossos olhares se cruzaram, ele sorriu e caminhou até nós.

— E aí, meus amores? — ele acariciou a cabecinha de Heitor, que tentou agarrar os dedos do pai. — Está tudo do jeito que você imaginou?

— Está perfeito, Omar. — respondi, sentindo meu coração aquecido. — Obrigada por me ajudar a tornar esse dia tão especial.

— Nos fizemos isso juntos. — ele me deu um beijo suave na testa, e eu fechei os olhos por um instante, aproveitando aquele carinho.

Os convidados começaram a chegar, e logo o salão estava cheio de sorrisos e abraços. Nossos amigos mais próximos, familiares e até vizinhos vieram compartilhar esse momento conosco. Eu circulava pelo espaço, conversando e agradecendo a presença de cada um.

— Manu! — minha melhor amiga, Camila, se aproximou com um presente grande nas mãos. — Eu não podia perder o aniversário do meu afilhado mais lindo!

— Camila! — abracei-a forte, sentindo a emoção transbordar. — Que bom que você veio!

— E eu trouxe um presentinho. — ela entregou o embrulho colorido. — Espero que ele goste.

Heitor, curioso, estendeu as mãozinhas, e nós rimos da empolgação dele. Camila era quase uma irmã para mim, sempre esteve ao meu lado, nos bons e maus momentos. Ter ela ali tornava tudo ainda mais significativo.

Enquanto conversávamos, observei de longe um dos meus tios brincando com as crianças. Ele, que antes era tão sério, agora fazia caretas e fingia ser um monstro, arrancando gargalhadas dos pequenos. Minha mãe, ao lado dele, olhava tudo com aquele brilho no olhar, típica expressão de avó coruja.

O único vazio naquele ambiente era a ausência da mãe de Omar. A relação entre eles ainda era complicada, e, apesar dos nossos esforços, ela não quis participar da festa. Eu sabia que isso o machucava, mas ele não deixava transparecer. Mesmo assim, naquele momento, nada parecia capaz de abalar nossa felicidade.

— Vai dar tudo certo, você vai ver. — falei baixinho para ele, quando o vi pensativo ao lado da mesa de doces.

— Eu sei. — ele me envolveu com um abraço firme. — Enquanto eu tiver você e o Heitor, eu tenho tudo o que preciso.

A música suave de fundo tornou-se mais animada quando chegou a hora do parabéns. O bolo, decorado com bichinhos e uma vela enorme de número um, foi trazido ao centro do salão. Todos se reuniram ao redor, formando uma roda cheia de amor e alegria.

— Vamos cantar! — alguém gritou, e as vozes se uniram em um coro harmonioso.

Heitor olhava tudo com aqueles olhinhos curiosos, talvez sem entender o que acontecia, mas sentindo a energia boa que o cercava. Na hora de assoprar a vela, Omar segurou a mãozinha dele e, juntos, sopraram a chama. Aplausos ecoaram pelo salão, e eu não consegui segurar as lágrimas.

— Você tá chorando? — Camila perguntou, me oferecendo um lenço.

— É de felicidade. — respondi, rindo e enxugando o rosto.

Depois do bolo, a festa seguiu leve e descontraída. As crianças se divertiam no cantinho de brinquedos, os adultos conversavam, e eu aproveitava cada segundo. Sentia-me plena, como se finalmente tivesse encontrado meu lugar no mundo.

Em um momento mais tranquilo, sentei-me em um banco próximo ao jardim, onde o sol tocava as flores de maneira delicada. Heitor havia adormecido em meu colo, exausto de tantas emoções. Omar se aproximou, sentando-se ao meu lado.

— É nisso que eu quero me agarrar sempre. — ele disse, olhando para nós. — Na simplicidade desses momentos.

— E vamos. — respondi, deitando minha cabeça em seu ombro. — Temos uma vida inteira pela frente.

O tempo parecia ter parado. Cada riso, cada abraço, cada olhar trocado era uma lembrança sendo gravada na minha memória. Se antes eu temia o futuro, agora eu apenas queria vivê-lo, com todos os altos e baixos, ao lado das pessoas que amava.

Quando o sol começou a se pôr, o salão já estava mais vazio. As pessoas se despediam, deixando abraços e desejos de felicidades. O coração estava cheio de gratidão. Ao fechar a porta, após o último convidado partir, respirei fundo e olhei ao redor. Os balões ainda pendiam do teto, alguns docinhos restavam nas bandejas, e o cheiro doce do bolo ainda pairava no ar.

Omar se aproximou, segurando Heitor, que agora dormia profundamente.

— Conseguimos. — ele sussurrou, e eu assenti.

— Mais do que isso. — respondi, sentindo as lágrimas voltarem aos meus olhos. — Construímos o que sempre sonhamos: uma família.

Saímos do salão juntos, o céu tingido de tons alaranjados parecia nos abraçar. Caminhamos para casa, devagar, aproveitando cada passo, cada batida do coração. Eu sabia que o caminho nem sempre seria fácil, mas, enquanto estivermos juntos, sempre encontraremos o nosso lar.

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