Capítulo 36 Passeio em família
O sol batia de leve no meu rosto enquanto empurrava o carrinho de bebê pela calçada. O vento suave balançava meus cabelos, e eu não conseguia evitar o sorriso bobo que teimava em ficar estampado na minha cara. Heitor dormia tranquilamente, seu rostinho sereno protegido pela sombra da capota do carrinho. Ao meu lado, Omar caminhava com as mãos nos bolsos, seu semblante tranquilo, mas com aquele brilho nos olhos que só aparecia quando estávamos juntos.
Eu me sentia plena. Era como se todas as peças do meu quebra-cabeça finalmente tivessem se encaixado. Omar e eu havíamos percorrido um longo caminho até aqui, superando medos, dúvidas e inseguranças. Agora, caminhávamos como uma família de verdade, e meu coração transbordava de gratidão e amor.
— Ele está tão tranquilo. — comentei, olhando para Heitor. — Acho que o passeio foi uma boa ideia.
Omar sorriu, aquele sorriso que fazia meu mundo girar um pouco mais devagar.
— Com uma mãe dessas, quem não ficaria tranquilo? — disse ele, sem tirar os olhos de mim.
Minhas bochechas esquentaram, e eu revirei os olhos, tentando disfarçar o quanto aquele elogio me tocava.
— Você sabe que eu não resisto quando você me chama de mãe dele.
Ele parou, me fazendo parar também. Segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus.
— Emanuelle, você é a mãe dele. Talvez não de sangue, mas de coração. E isso vale muito mais.
Aquelas palavras derreteram qualquer resquício de dúvida que ainda pudesse existir. Meus olhos marejaram, e eu apertei a mão dele, agradecida por tê-lo ao meu lado.
Continuamos andando, e eu observava o movimento ao nosso redor. Famílias passeando, crianças brincando, cachorros correndo pela grama do parque. Tudo parecia em paz, como se o mundo tivesse decidido nos presentear com um momento perfeito.
Omar apontou para um banco vazio debaixo de uma árvore.
— Vamos sentar um pouco?
Assenti, e ele me ajudou a acomodar o carrinho próximo ao banco. Assim que nos sentamos, ele passou o braço ao redor dos meus ombros, me puxando para mais perto. Deitei minha cabeça em seu peito, sentindo o compasso constante de seu coração.
— Você já imaginou que estaríamos aqui, assim? — perguntei, minha voz baixa, quase como se temesse quebrar o encanto daquele instante.
— Para ser sincero, não. — ele riu, um som suave e acolhedor. — Mas eu sempre quis.
Fechei os olhos, me permitindo mergulhar naquela sensação boa. Estar ao lado de Omar era como estar em casa, onde quer que estivéssemos. E Heitor, mesmo tão pequeno, parecia completar esse quadro com perfeição.
— Sabe, eu sempre pensei que o amor fosse complicado. — murmurei. — Que exigisse sacrifícios dolorosos, concessões impossíveis... Mas com você, tudo parece... natural.
Ele me olhou, seus olhos castanhos cheios de ternura.
— O amor não precisa ser complicado, Emanuelle. Ele só precisa ser verdadeiro.
Ficamos ali por alguns minutos, em silêncio, aproveitando a presença um do outro. O sol filtrava-se pelas folhas da árvore, criando um jogo de luz e sombra ao nosso redor.
Heitor começou a se mexer no carrinho, e eu imediatamente me inclinei para ver se ele estava bem. Seus olhinhos curiosos se abriram devagar, e um sorriso pequeno apareceu em seus lábios. Meu coração quase parou.
— Ei, meu amorzinho! — falei, tirando-o do carrinho e o colocando em meu colo. — Dormiu bem?
Omar acariciou a cabeça do bebê, seus dedos gentis e carinhosos.
— Olha só quem acordou, campeão!
Heitor soltou um som baixinho, algo entre um suspiro e uma risadinha. E então, naquele momento, eu soube que não precisava de mais nada. Tinha tudo o que sempre sonhei, mesmo sem saber que sonhava.
— Ele é tão sortudo por ter você. — Omar sussurrou, sua voz embargada de emoção. — E eu também.
Toquei seu rosto, sentindo a textura da barba rala sob meus dedos.
— Somos todos sortudos, então.
E nos beijamos. Não foi um beijo apressado ou intenso. Foi um beijo doce, carregado de promessas silenciosas, de esperanças e de tudo o que ainda estava por vir.
Quando nos afastamos, Heitor estava entre nós, seus olhinhos brilhando como se entendesse o significado daquele momento.
O resto do passeio foi recheado de conversas leves, risadas e planos para o futuro. Imaginamos Heitor crescendo. Falamos sobre viagens, sobre novas memórias que criaríamos juntos.
Enquanto o sol se punha, tingindo o céu de laranja e rosa, voltamos para casa. E eu, segurando a mão de Omar e com Heitor aninhado em meus braços, senti que, pela primeira vez, eu pertencia a algum lugar.
Porque, no fim das contas, o lar não é um lugar. É um sentimento. E eu o encontrei naqueles dois, na minha pequena e perfeita família.
A volta para casa foi tão leve quanto o passeio. O caminho parecia mais curto, talvez porque cada passo ao lado de Omar e Heitor tornava o mundo mais acolhedor. Quando chegamos à porta do nosso lar, senti aquele calor no peito, uma sensação de que eu estava exatamente onde deveria estar.
Omar abriu a porta, e eu entrei com Heitor ainda em meus braços. Ele já tinha voltado a cochilar, o rostinho sereno e as mãozinhas pequenas segurando meu dedo. Coloquei-o com cuidado no berço da sala, ajeitando o cobertor macio ao redor de seu corpinho.
— Ele é um anjinho. — murmurei, como se temesse acordá-lo.
— E você é a mãe mais maravilhosa que ele poderia ter. — Omar respondeu, fechando a porta atrás de si e se aproximando de mim.
Eu me virei, e nossos olhos se encontraram. Não havia pressa, somente a profundidade de quem se reconhece no outro. Ele me envolveu em um abraço, e eu me permiti relaxar, sentindo cada músculo do meu corpo se entregar àquele toque.
— Você sabe que eu te amo, não sabe? — Sua voz era baixa, mas carregada de certeza.
— Sei, e eu também te amo.
Ficamos assim por alguns minutos, apenas sentindo o calor um do outro. A sala estava mergulhada em uma penumbra confortável, a luz do fim de tarde filtrando-se pelas cortinas. Era como se o tempo tivesse desacelerado só para nós.
— Vamos preparar o jantar? — sugeri, me afastando um pouco, mas mantendo nossas mãos entrelaçadas.
— Claro. E que tal fazermos juntos?
Fomos para a cozinha, onde a rotina se misturava ao novo. Enquanto picava os legumes, Omar ligou o rádio, e uma música suave preencheu o ambiente. Ele começou a dançar de um jeito desengonçado, e eu não consegui evitar a risada.
— Você dança muito mal! — provoquei, jogando uma cenoura na direção dele.
— Ah, é? Então vem aqui!
Ele me puxou pela mão, e logo estávamos rodopiando pela cozinha. Nossos pés batiam no chão de madeira, e nossas risadas ecoavam pelas paredes. Por um momento, nos permitimos ser só dois apaixonados, sem preocupações, sem medos.
Quando o jantar ficou pronto, montamos a mesa na sala mesmo, ao lado do berço. Heitor continuava dormindo, sua respiração suave sendo o pano de fundo perfeito para o nosso pequeno banquete.
— Você acha que ele vai gostar de brócolis quando crescer? — perguntei, segurando um pedaço verde no garfo.
— Com uma mãe que cozinha tão bem, ele vai amar qualquer coisa!
Eu ri, e aquele som parecia preencher todos os espaços vazios dentro de mim. Cada palavra de Omar reforçava o que eu já sabia: eu era amada, eu era necessária, eu era parte daquela família.
Depois do jantar, enquanto eu lavava a louça, Omar cuidava de Heitor. Através da porta entreaberta, eu o via embalando o bebê, cantando baixinho uma canção de ninar. A imagem dos dois juntos me arrepiava, me fazia desejar que o tempo parasse ali.
Terminei na cozinha e me juntei a eles. Omar havia se sentado no sofá, e Heitor estava acordado, seus olhinhos grandes observando o pai. Sentei ao lado deles, e Heitor estendeu imediatamente as mãozinhas para mim.
— Ei, meu amor. — falei, pegando-o no colo. — Já estava com saudade da mamãe?
Omar me olhou com um sorriso no canto dos lábios.
— Ele sempre vai estar.
Ficamos ali, os três juntos, assistindo ao anoitecer pela janela. A luz do abajur criava um clima acolhedor, e cada suspiro, cada troca de olhares, reforçava o que estávamos construindo juntos.
Quando a noite finalmente caiu, colocamos Heitor para dormir no quartinho dele. As paredes pintadas em tons suaves, os brinquedos cuidadosamente organizados, tudo ali exalava carinho. Deixamos a porta entreaberta, e Omar entrelaçou seus dedos nos meus, guiando-me de volta à sala.
— E agora? — perguntei, sentindo o cansaço misturado à satisfação de um dia perfeito.
— Agora, minha querida, a gente aproveita cada segundo.
Nos acomodamos no sofá, seu braço ao redor dos meus ombros, minha cabeça encostada em seu peito. Ligamos um filme qualquer, mas, na verdade, eu estava mais interessada em ouvir os batimentos do coração dele, sentir sua respiração calma e saber que aquela era a minha realidade.
Adormeci ali, cercada por amor e pela certeza de que, não importa o que o futuro trouxesse, eu sempre teria aquela sensação de pertencimento. Eu era Emanuelle, mãe de Heitor, companheira de Omar. E isso era mais do que suficiente.
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