Capítulo 35 Confissão e beijo apaixonado

Depois do café da manhã, o sol já alto atravessava as janelas da minha casa, derramando uma luz suave pela sala. Omar estava ali, sentado no sofá, a xícara de café esquecida nas mãos. Seu olhar vagava pela janela, mas eu sabia que sua mente estava longe dali. Meu coração batia descompassado, e a cada segundo que eu adiava aquela conversa, mais difícil parecia reunir a coragem necessária.

Respirei fundo, sentindo o ar encher meus pulmões e, ao soltá-lo, decidi que não podia mais fugir. Caminhei até ele, cada passo ecoando na minha cabeça como uma contagem regressiva.

— Omar, podemos conversar? — minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, quase um sussurro.

Ele se virou para mim, e aqueles olhos escuros pousaram em mim com uma intensidade que sempre me desarmava.

— Claro, Emanuelle. O que aconteceu?

Sentei ao seu lado, a pouca distância entre nós parecia um abismo. Minhas mãos tremiam um pouco, então as entrelacei para esconder o nervosismo.

— Eu... — comecei, mas as palavras pareciam travadas. Engoli em seco e continuei: — Eu preciso te dizer algo.

Omar franziu o cenho, sua expressão misturava preocupação e curiosidade.

— Você está me assustando. Fala logo.

Aquela pequena pressão me deu o impulso necessário.

— Eu sinto algo por você, Omar. Depois do dia de ontem, pelo que passei, percebi que não posso continuar escondendo esse sentimento. Fiquei tentando me convencer que o melhor era não nos envolvermos, mas isso não é o melhor, o melhor seria nos três juntos, você, Heitor e eu. Então, quero que saiba que também sinto o mesmo que você sente por mim.

Um silêncio caiu sobre nós, denso, quase palpável. O mundo lá fora parecia ter parado. Nenhum som além da minha respiração entrecortada e do leve tilintar da xícara quando ele a colocou na mesa de centro.

— Emanuelle... — ele disse meu nome de uma forma que eu não conseguia decifrar.

— Não vai me dizer que agora é tarde e que desistiu de nós...

Por um momento, temi ter destruído tudo. Queria me encolher, desaparecer. Então, algo em seu rosto mudou. Um sorriso discreto curvou seus lábios, e seus olhos brilharam de uma maneira que nunca vi antes.

— Tarde? Jamais! Era exatamente o que eu queria ouvir de você, esperei tanto.

Meu coração deu um salto, e antes que eu pudesse responder, ele se aproximou. Sua mão encontrou meu rosto, o toque era suave, quente. Sua pele contra a minha fazia meu corpo inteiro arrepiar.

— Você me fez muito feliz ao me falar dos seus sentimentos. — ele murmurou, a respiração tocando meus lábios.

E então, o espaço entre nós deixou de existir. Seus lábios encontraram os meus, e tudo ao redor simplesmente desapareceu. O beijo começou delicado, como se tivéssemos medo de quebrar aquele momento, mas logo a urgência tomou conta. Suas mãos deslizaram pela minha nuca, puxando-me para mais perto, e eu me perdi nele.

Meus dedos enroscaram-se em seus cabelos, sentindo a textura macia enquanto nossas bocas se encontravam com mais intensidade.

Nosso beijo era faminto, uma mistura de sentimentos que transbordavam sem controle. Sentia o calor de seu corpo próximo ao meu, e o mundo parecia pequeno demais para conter o que estávamos vivendo.

Quando nos afastamos, ambos ofegantes, ele encostou a testa na minha, ainda segurando meu rosto entre suas mãos.

— Esperei tanto pra te beijar de novo... — ele disse, a voz rouca.

Eu sorri, um sorriso genuíno, daqueles que aquecem o peito.

— Eu também.

E ali, entre beijos e sorrisos, naquele sofá iluminado pela manhã, soube que tudo estava prestes a mudar. E, pela primeira vez, não senti medo.

Omar me puxou para mais perto, e eu me aninhei em seu peito, sentindo o compasso de seu coração, tão acelerado quanto o meu. Suas mãos deslizavam suavemente pelas minhas costas, e o toque dele trazia uma sensação de segurança e excitação que eu nunca havia experimentado antes.

— Eu não consigo acreditar que isso está acontecendo. — murmurei contra seu pescoço, minha voz abafada pela proximidade.

Ele riu baixinho, aquele som grave que sempre me fazia sorrir.

— Eu também não. Achei que você nunca fosse dizer nada.

Afastei-me o suficiente para encará-lo, minhas mãos ainda repousando em seu peito.

— Entao quer dizer que estava conformado?

— Claro, que não! Porém, sempre respeitaria sua decisão de falar ou não. — ele passou o polegar de leve pelo meu rosto, desenhando o contorno da minha bochecha. 

Assenti, entendendo exatamente o que ele queria dizer. 

— Eu não quero estragar nada. — minha voz saiu um pouco trêmula, expondo a vulnerabilidade que eu tentava esconder.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos, os olhos fixos nos meus, profundos e sinceros.

— Não vamos estragar. Só precisamos ir devagar, juntos.

E então, ele me beijou novamente, mais suave desta vez. Era um beijo repleto de promessas, de um futuro que ambos queríamos descobrir, lado a lado.

A manhã parecia eterna. Ficamos ali, trocando carinhos, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Revelei segredos bobos, detalhes da minha vida que nunca imaginei compartilhar com alguém.

A proximidade entre nós se transformava em algo cada vez mais natural. Quando menos esperava, estava deitada com a cabeça em seu colo, e ele brincava com meus cabelos, seus dedos deslizavam entre as mechas, provocando um arrepio gostoso.

— O que vamos fazer agora? — perguntei, quebrando o silêncio confortável que nos envolvia.

— Sobre nós?

Assenti, erguendo o olhar para ele.

— Sim. Como seguimos daqui?

Ele pensou por um momento, os olhos perdidos no movimento suave das cortinas ao vento.

— Acho que apenas vivemos, um dia de cada vez. Sem pressa, sem expectativas exageradas. 

A simplicidade de suas palavras trouxe uma paz inesperada. Eu não precisava de planos mirabolantes ou promessas eternas. Só precisava dele, ali, comigo.

— Gosto disso.

Ele sorriu e se inclinou para me beijar novamente, e mais uma vez, o mundo ao nosso redor sumiu.

— Heitor acordou. — disse ele, pronto para ir buscá-lo

— Pode deixar que busco o nosso filho. — simplesmente falei nosso filho e ele abriu um largo sorriso orgulhoso. 

— Isso mesmo, o nosso filho, trago-o para cá, Manuzinha...

Naquele instante, eu soube que, independentemente do que o futuro nos reservava, eu estava exatamente onde deveria estar.

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