Capítulo 24 Proibido pra mim
Emanuelle
Eu estava sentada no tapete da sala, com Heitor nos braços, observando seus olhinhos brilhantes enquanto ele gargalhava ao balançar o chocalho. Aquele som era música para meus ouvidos, o tipo de melodia que faz a alma dançar. Mas, mesmo com toda aquela doçura ao alcance das minhas mãos, eu não conseguia tirar os olhos de Omar.
Ele estava ali, encostado no batente da porta, com aquele sorriso tranquilo que parecia iluminar qualquer ambiente. Os braços cruzados, o corpo relaxado, mas o olhar... Ah, aquele olhar. Intenso, observador. Eu me perguntei, pela milésima vez, o que ele estaria pensando.
— Você parece bem com ele nos braços. — a voz de Omar quebrou o silêncio, profunda e envolvente.
Meu coração deu um salto. Respirei fundo, tentando não deixar transparecer o turbilhão dentro de mim. Olhei para Heitor, seus olhinhos fixos no chocalho, alheio a tudo.
— Ele é um encanto. — respondi, tentando soar natural, mas minha voz saiu meio embargada. — Cada dia uma descoberta nova.
Omar se aproximou lentamente, seus passos ecoando no meu peito como uma batida acelerada. Ele se abaixou ao meu lado, o perfume amadeirado envolvendo-me, perturbando meus sentidos.
— Posso? — perguntou, estendendo as mãos para Heitor.
Assenti, tentando não focar demais na proximidade dele. Omar pegou o bebê com uma delicadeza surpreendente, como se Heitor fosse a coisa mais preciosa do mundo. Meu coração apertou. Claro, ele era o pai biológico, afinal.
Omar balançou Heitor suavemente, e o riso que escapou dos lábios do bebê fez meu peito se encher de emoção. Era impossível não se encantar com aquela cena. Mas, ao mesmo tempo... Era perigoso demais. Aquele homem estava em uma batalha pela guarda do meu filho.
— Ele gosta de você. — comentei, tentando quebrar o silêncio que começava a pesar.
Omar sorriu, sem tirar os olhos de Heitor.
— Ele sente sua paz. Você o cria com tanto amor... Acho que ele sente isso.
Uma pontada de culpa atravessou-me. Eu o amava como se tivesse saído do meu ventre, mas a presença de Omar me lembrava constantemente de que eu não era sua mãe biológica. E, de alguma forma, aquela realidade fazia o ar parecer mais denso.
— Omar... — comecei, mas as palavras sumiram da minha boca quando ele ergueu o olhar. Os olhos escuros me prenderam, como se ele pudesse ver através de mim, atravessando minhas máscaras, expondo tudo o que eu tentava esconder.
— Emanuelle... — sua voz saiu num sussurro, carregada de uma emoção que eu não conseguia decifrar.
Por um momento, só existíamos nós três ali. Eu, ele e o bebê que nos ligava de forma tão inexplicável. Meu coração disparou, minhas mãos começaram a suar. Não era certo sentir aquilo. Não era certo achar Omar tão... fascinante.
Heitor soltou um gritinho animado, batendo as mãozinhas. O som quebrou o feitiço. Pisquei algumas vezes, tentando retomar o controle.
— Eu... vou pegar um copo de água. — levantei-me tão rápido que quase perdi o equilíbrio. Não esperei pela resposta de Omar. Eu precisava de ar, precisava de espaço... Precisava fugir daquele olhar que me consumia.
Na cozinha, apoiei as mãos no balcão, tentando acalmar o coração descompassado. Meu Deus, o que estava acontecendo comigo? Omar era o pai biológico de Heitor, e nada, além disso. Nada podia existir entre nós. Nada devia existir.
Abri a torneira, deixando a água escorrer por alguns segundos antes de encher o copo. Tomei um gole longo, desejando que aquela sensação avassaladora fosse embora junto com o líquido gelado. Mas não foi.
Meus pensamentos voltaram para a sala, para a cena dele brincando com Heitor. A maneira como ele sorria, como seus olhos suavizavam... Era como se ele pertencesse àquele momento, como se fizesse parte do nosso lar. E isso era perigoso. Eu não podia permitir que aquela ideia criasse raízes. Ele não estava ali para ficar.
"Controle-se, Emanuelle", eu me repreendi em pensamento. Não podia me deixar levar por sentimentos confusos. Omar estava só protegendo Heitor e eu da mãe louca dele, essa era a realidade.
Mas, então, por que a ideia de afastar Omar me causava tanto desconforto? Por que meu coração doía ao imaginar aquela ligação se rompendo?
— Tudo bem? — a voz de Omar ecoou na cozinha.
Me virei tão rápido que quase derrubei o copo. Ele estava encostado na porta, os braços cruzados, me observando com aquele olhar profundo que fazia meu estômago revirar.
— S-sim. — gaguejei, odiando o nervosismo na minha voz. — Só... precisava de água.
Ele assentiu, mas não se moveu. A presença dele enchia o espaço, como se roubasse todo o ar do ambiente. Eu não conseguia desviar o olhar, não importava o quanto tentasse.
— Eu estava pensando... — ele começou, a voz baixa e controlada. — Não acha que seria ótimo Heitor sair mais vezes comigo?
Meu coração parou. Claro que ele queria estar perto de Heitor. Ele achava que tinha todo o direito por ser o pai biológico. Mas será que eu conseguiria lidar com isso? Omar era meu inimigo e queria tirar de mim o meu filho. E para piorar tudo comecei sentir sentimentos estranhos por ele.
— Claro... — minha voz saiu num sussurro. — Ele vai gostar disso.
Omar sorriu, um sorriso suave e sincero, e deu um passo à frente. Meu corpo ficou tenso. Ele estava tão perto agora que eu podia sentir o calor emanando dele, a fragrância amadeirada invadindo meus sentidos.
— E você, Emanuelle? — sua voz tinha um tom diferente, algo que me fez prender a respiração. — Você vai gostar disso?
O mundo parou. As paredes pareciam se fechar ao nosso redor, a cozinha encolhendo até só restar ele e eu. Meu coração batia tão alto que eu estava certa de que ele podia ouvir. Tentei encontrar as palavras, qualquer coisa que quebrasse aquele clima sufocante, mas nada saiu.
Os olhos de Omar estavam presos aos meus, um desafio silencioso, uma pergunta não dita. E naquele momento, eu soube que não estava sozinha naquilo. Ele também sentia. Havia algo crescendo ali, algo que deveríamos ignorar.
Eu precisava fugir. Precisava de espaço, de ar. Mas minhas pernas não se moviam. Eu estava presa naquele olhar, naquele desejo proibido que crescia a cada segundo.
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