Capítulo 15 Conflito e preocupação
Omar
O celular vibrou no bolso, e quando vi o nome da minha mãe na tela, senti um frio subir pela espinha. Atendi, já esperando o pior.
— Omar, eu já decidi. Vou tomar minhas providências para agilizar esse processo. Não dá mais pra esperar!
Minha garganta secou. Respirei fundo, tentando manter a calma.
— Mãe, escuta... Não faz nada por conta própria. Eu tô resolvendo. Confia em mim!
— Confiar em você? Confiei até agora e olha a situação em que estamos! Você permite que aquela mulher tenha o meu neto longe da nossa família!
Fechei os olhos, tentando encontrar as palavras certas. Eu sabia que minha mãe não ia recuar fácil.
— Eu sei que você quer o melhor pra ele. Eu também quero! Mas se a gente agir com pressa, sem pensar, pode piorar tudo.
Ela bufou do outro lado da linha, impaciente.
— Você não tá fazendo nada, Omar! Enquanto isso, aquela mulher manipula e afasta meu neto de mim!
— Não é assim, mãe. Eu tô tentando resolver isso do jeito certo.
— Certo pra quem? Pra ela? Eu não vou aceitar isso!
— Mãe, me dá um tempo. Eu tô tentando uma solução que não prejudique ninguém.
— Prejudique ninguém? E eu? E você? E o meu neto?
Massageei as têmporas, sentindo a tensão crescer.
— Só mais um pouco de paciência, eu peço isso. Prometo que tô resolvendo.
— Chega! Eu já esperei demais. Se você não tem coragem de agir, eu tenho.
— Mãe, não! Não faz nada, por favor.
O silêncio veio como um soco no estômago. Então, o bip seco da ligação encerrada.
Olhei para o telefone, incrédulo. Minha mãe acabara de desligar na minha cara.
O coração disparou. O que ela podia fazer? O que ela tinha em mente?
Passei a mão no rosto, tentando organizar os pensamentos. Se eu conhecia minha mãe — e conhecia bem — ela não era de ameaçar à toa. Se disse que ia fazer algo, significava que já tinha um plano em andamento.
E isso me assustava.
Emanuelle não fazia ideia do perigo que estava correndo. Se minha mãe resolvesse tomar alguma atitude drástica, poderia prejudicar tudo. Podia envolver advogados, criar um escândalo ou até mesmo tentar algo mais extremo.
Levantei do sofá, andando de um lado para o outro. Eu precisava agir antes dela. Precisava pensar em algo para impedir que essa situação fugisse do controle.
O que minha mãe poderia fazer? Denunciar Emanuelle? Alegar que ela não era uma boa mãe? Fazer pressão legal para conseguir a guarda?
Olhei para o relógio. Minha mente girava a mil. Eu precisava falar com Emanuelle, precisava avisá-la de alguma forma. Mas como? Se eu dissesse que minha mãe estava tramando algo, ela entraria em pânico e poderia tomar uma atitude precipitada.
Por outro lado, se eu ficasse quieto e minha mãe agisse primeiro, Emanuelle seria pega de surpresa.
Minha mãe sempre foi uma mulher determinada. Quando colocava algo na cabeça, ninguém a fazia mudar de ideia. E agora, eu era a única barreira entre ela e a decisão de tirar meu filho de Emanuelle à força.
Peguei as chaves do carro. Eu precisava resolver isso. Antes que fosse tarde demais.
Dirigi até a casa de Emanuelle como se estivesse fugindo de um incêndio. O pensamento de que minha mãe já pudesse ter feito alguma coisa me corroía por dentro. As mãos apertavam o volante com força, e cada segundo parado no trânsito me deixava mais ansioso.
Quando finalmente estacionei em frente à casa, saí do carro apressado. Bati na porta com força.
— Emanuelle! — chamei, tentando controlar a inquietação.
Nenhuma resposta.
Toquei a campainha algumas vezes, olhei pelas janelas, mas tudo estava escuro. Fechei os olhos e respirei fundo.
Ela não estava ali.
Meu coração batia forte no peito. Onde diabos ela estava? E o pior... onde estava meu filho?
Olhei ao redor, tentando encontrar qualquer sinal de movimento. Tudo quieto. Nenhum carro diferente por perto, nenhuma pista de que minha mãe tivesse mandado alguém passar por ali.
— Droga... — murmurei, passando a mão no rosto.
A frustração tomou conta de mim. Depois de tudo, depois da ligação tensa, depois da corrida até aqui, tudo o que encontrei foi uma casa vazia.
Dei um passo para trás e encarei a porta fechada. Eu precisava pensar. Talvez ela estivesse na casa de alguma amiga, ou apenas havia saído para resolver algo com o menino.
Talvez eu estivesse me preocupando à toa.
Ou talvez não.
Fiquei alguns segundos parado ali, não sabia o que poderia fazer.
Sem outra opção, voltei para o carro e liguei o motor. A viagem de volta para o hotel pareceu ainda mais longa. A raiva, a preocupação, o medo... tudo se misturava em minha mente.
Minha mãe não podia estar falando sério. Não podia estar planejando algo tão extremo.
Ou podia?
Encostei a testa no volante quando estacionei no hotel. O quarto me parecia ainda mais sufocante do que antes.
Joguei as chaves na mesa e caí na cama, olhando para o teto.
Tudo estava começando a sair do meu controle. E isso me apavorava.
Peguei o celular e disquei o número sem pensar duas vezes para um dos meus homens que era pra saber os passos de Emanuelle. A raiva e a preocupação pulsavam em minhas têmporas enquanto esperava o desgraçado atender. Depois de alguns toques, ouvi finalmente a voz dele.
— Fala, chefe.
— Onde ela está? — minha voz saiu tensa, sem paciência para rodeios.
Do outro lado, o silêncio demorou um segundo a mais do que deveria.
— Então... eu meio que... a perdi de vista.
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando controlar o impulso de gritar.
— Como assim você a perdeu de vista, cara? Você tinha uma função!
— Eu sei, eu sei! Mas ela entrou num prédio e não saiu mais. Fiquei esperando, só que depois percebi que tinha outra saída nos fundos. Quando dei a volta, já era tarde.
Passei a mão no rosto, sentindo o sangue ferver.
— Você tá me dizendo que ficou esperando como um idiota enquanto ela sumia bem debaixo do seu nariz?
— Ela não parecia estar fugindo, chefe. Só entrou lá com o menino e pronto. Nem parecia nervosa, nem nada.
— Você conferiu com quem ela tava falando?
— Não deu pra ver.
— Você tentou segui-la depois?
— Sim, mas já era tarde demais.
Soltei um palavrão e me levantei da cama de uma vez, andando de um lado para o outro no quarto do hotel. Meu coração batia tão forte que parecia que ia explodir no peito.
— Escuta bem, eu não tô pagando você pra ficar sentado coçando enquanto minha mãe pode estar mexendo os pauzinhos para ferrar tudo!
O cara suspirou do outro lado, claramente desconfortável.
— Quer que eu tente rastrear ela agora?
— Não, quero que você vá dormir e esqueça que trabalha pra mim. — soltei com ironia. — É claro que quero que a encontre! E rápido!
— Beleza, tô indo atrás dela agora.
— Me mantém informado a cada passo. Se errar de novo, eu mesmo te dou um motivo pra sumir.
Desliguei o telefone antes que ele tentasse se justificar. O peito subia e descia com a respiração pesada.
Onde diabos Emanuelle poderia estar?
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