Capítulo 1 - Mudança de planos


- Flash back - 10 anos antes, Ano de 2016

— CONSEGUI! EU NEM ACREDITO. MEU DEUS. EU FINALMENTE CONSEGUI! - ouço a voz de meu pai vindo da cabana que fica nos fundos de casa. Fico curioso e resolvo ir até lá descobrir o que ele finalmente conseguiu.

Chego lá e vejo meu pai diante de uma coisa estranha, que tinha a aparência de um ovo gigante de metal.

— Pai? Tá tudo bem? - pergunto, preocupado.

— Tá tudo ótimo, meu filho - ele veio todo sorridente em minha direção, me pegou nos braços e começou a me rodar, rindo sem parar. — Eu finalmente consegui, veja. - ele me pôs no chão e deu espaço para que eu pudesse ver melhor o 'ovo gigante de metal'

Ainda que eu só tivesse nove anos, minha preocupação era enorme. Meu pai passava dias e dias dentro daquela cabana para criar isso? Um ovo gigante de metal?

— Pá... Parabéns, pai... Mas... É... O que é isso?

Ele riu e se aproximou, com um olhar de "vem cá que eu vou mostrar o que essa belezinha faz".

— Me ajuda a pegar aquela televisão velha ali no canto. - pediu todo empolgado.

— Okay... - e minha preocupação só aumentava.

Por ainda ser pequeno e não ter muita força nos braços, ele acabou carregando a televisão sozinho e foi em direção à sua invenção.

— Certo, agora presta bastante atenção!

Apenas assenti, mas eu realmente já estava pensando em chamar a mamãe e dizer que o meu pai estava ficando louco.
Até que, ele colocou a televisão dentro da máquina e apertou uns botões lá dentro, e de repente aquela coisa começou a tremer e emitir uma luz muito forte, até que de repente um clarão absurdo tomou conta da máquina e o que parecia somente um ovo metálico, agora era um ovo metálico que brilhava tanto a ponto de cegar alguém. Só após ouvir meu pai tossindo que eu tirei as mãos dos olhos, pois se ficasse totalmente exposto àquela luz, eu corria um sério risco de ficar sem enxergar nada por pelo menos um ano inteiro.

Mesmo após destapar os olhos, não consegui enxergar muita coisa, pois a cabana estava completamente nublada, cheia de fumaça, mas logo toda fumaça havia sumido, e quando eu finalmente consegui enxergar perfeitamente, foi inevitável não rir, pois meu pai estava com a cara toda preta, suja do que parecia ser fuligem.

— Vai rindo, Carinha. Vai rindo - Carinha era uma espécie de apelido, que só ele me chamava. — Mas você não vai mais rir quando perceber o que acabou de acontecer.

Havia acontecido alguma coisa além dele ter sujado toda a cara de fuligem?

Eu tentei parar de rir, mas estava difícil. Até que, quando olhei para a máquina, a televisão que havia sido colocada lá dentro há poucos minutos atrás... Ela... Ela... Havia sumido!

Desta vez, foi a vez dele rir de mim ao ver minha cara totalmente confusa.

— Má-mas, como? Cá-cadê a televisão que estava lá dentro? - ditubiei, totalmente espantado.

— Ah, então quer dizer que o senhorzinho risonho notou que a televisão sumiu, não é?

— O que aconteceu? Cadê a televisão? O senhor sabe que a mamãe amava aquela televisão, pois foi presente da vovó e se o senhor quebra-la, a mamãe quebra o senhor. - ele pareceu considerar o que eu acabara de falar e pareceu até um pouco arrependido, mas logo deu de ombros.

— Digamos que sua mãe nunca mais verá essa televisão... - ele disse devagar, enquanto se aproximava, colocou o braço ao redor de meus ombros.

— Por que não? - perguntei já tendo a total certeza de que ele havia enlouquecido.

— Porque acredito que no ano de mil oitocentos e quinze ainda não tenham criado uma máquina do tempo também para mandarem a televisão dela volta. - ele falou aquilo como se fosse a coisa mais comum do mundo.

Viu? Meu pai estava completamente louco!

Pelo menos foi o que eu achei durante 10 anos. Até que precisei usá-la...

Após aquele dia, meu pai parou de ficar dentro daquela cabana por dias seguidos, ele até começou a brincar comigo e nunca mais falou naquela máquina. Mas eu nunca a esqueci...

- Tempos atuais - Perdido em algum lugar no espaço tempo...

Era impossível não notar aquele olhar. Tão meigo, profundo, penetrante, encara-los era como mergulhar no mar do caribe e me perder para nunca mais ser ncontrado. Propositalmente. Óbvio!

Não sei dizer se foi amor à primeira, segunda ou terceira vista, mas quando a vi se aproximar de mim e retribuir o meu olhar e me lançar aquele belo sorriso, eu tive a certeza de que era aquela garota que eu queria pra mim pelo resto da minha insignificante vida!

Pena não ter sido tão simples assim conseguir ficar com ela...

Eu sentia como se meu corpo dobrasse feito borracha, enquanto eu era sugado pelo que deveria ser um buraco negro. Doía como se a cada segundo passado um osso do meu corpo quebrasse em centenas de partes, a única coisa que me trazia alívio eram aquelas lembranças de quando conheci Laís e a certeza de que estava fazendo aquilo para o nosso bem, para que finalmente pudéssemos ficar juntos sem a intromissão, preconceito e olhares tortos das pessoas. Eu estava fazendo aquilo por amor!

Desde aquele dia que meu pai fez aquela televisão que minha avó havia dado a minha mãe sumir, meu pai pareceu ter esquecido a máquina e fazia de tudo para que eu também esquecesse. Ele destruiu a cabana e escondeu a máquina num lugar bem longe da nossa casa. Mas anos depois eu descobri que ele havia escondido na nossa antiga casa de praia, que já estava abandonada há anos desde a enchente que aconteceu, que praticamente destruiu tudo. Mas eu consegui reconstruir uma parte, a que dois anos mais tarde se tornaria meu esconderijo secreto para me encontrar com a Laís. Mas a máquina permaneceu lá, escondida, em outro cômodo e nem mesmo a Laís sabia da existência dela, pois querendo ou não, dizer que no quarto ao lado tinha uma máquina do tempo era algo meio surreal. E se meu pai a escondeu lá, algum motivo havia. Por isso, quanto menos gente soubesse daquilo, melhor.

Mas tudo mudou quando conheci Laís e começamos a namorar. Ainda que nosso amor um por outro fosse incontestável, certos comentários às vezes nos magoavam. Nos criticavam por namorarmos. Por eu ter dezenove anos e ela catorze.

Tolos! São todos tolos aqueles que acreditam encontrar a felicidade em números pares ou impares!

Por isso, não precisei pensar duas vezes para puxar aquela alavanca e partir rumo a uma nova vida junto dela.

Pena a Laís não ter confiado em mim e me acompanhado para dentro da máquina para que pudéssemos a viver a vida que tanto sonhamos viver. E isso mudou totalmente meus planos...

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