Capítulo Um
Sophia Reynolds
— Nicholas, filho, venha jantar — chamo pela segunda vez meu pequeno, que está mais uma vez na janela, olhando para o céu.
— Estou indo mamãe.
Ele tem fascínio por tudo que é relacionado ao espaço, lua, sistema solar, planetas. E adora observar as estrelas, ainda mais quê, quando minha mãe faleceu, há um ano, contei que ela tinha virado uma estrelinha. Ele quis saber se o mesmo tinha acontecido com seu pai e eu acabei dizendo que sim. Desde então, ele passa mais tempo contemplando o céu noturno e sempre fica procurando duas estrelas que estejam bem próximas.
Às vezes me sinto culpada por ter contado essa mentira. Mas, de forma alguma meu filho saberia que foi fruto de uma noite de bebedeira e irresponsabilidade anos atrás, quando eu era uma recém-aprovada na faculdade e saí para curtir com uma turma de calouros, onde alguns veteranos participaram da farra. Uma noite em que me permiti uma única vez, ser inconsequente depois de anos com a cara enfiada nos livros. Eu tinha finalmente conseguido realizar meu sonho, queria comemorar.
Quando descobri, um mês depois que estava grávida, quase entrei em desespero. O pânico tomou conta de mim e eu não sabia o que fazer, a chance de encontrar aquele homem era nula. Ainda tentei procurá-lo, mas sem um nome, sem nenhuma informação, seria impossível. Minha mãe ficou um pouco triste, apesar de não falar, mas, eu sabia, pois sempre sonhou com um futuro diferente para mim, porém, mesmo assim, ela foi meu único apoio e com seu jeito meigo, em meio ao pânico em que eu estava, ela me fez enxergar que daríamos um jeito. Infelizmente tive que abandonar a faculdade antes mesmo de começar, para arrumar um emprego e ajudar nas despesas da casa.
Sempre trabalhamos muito e o pouco que ganhávamos, dava para nos manter, só que com sua doença, as coisas foram se complicando cada vez mais. Ao ponto de ela não mais poder trabalhar e eu precisar vender o único bem que tínhamos, a nossa casa, para custear seu tratamento. E quando ela partiu, eu me vi sem rumo, em uma tristeza profunda. A única coisa que me deu forças para continuar foi o meu filho, por ele eu permaneceria lutando.
Sabia que meu filho tinha dores e perguntas grandes demais para seu pequeno coraçãozinho. Por diversas vezes ele me questionou por que não tinha um pai como seus amiguinhos.
Fecho os olhos e lembro-me de seu último questionamento, uma semana antes de nos mudarmos para cá.
— Mamãe, a Clarinha me disse que a mamãe dela vai se casar.
— Verdade, filho? Que coisa boa — Clarinha é uma coleguinha de sua antiga escola, seu pai tinha falecido em um acidente fatal há alguns anos.
— Ela disse que agora a mamãe dela sorri e ela vai ser feliz — ele fez um biquinho fofo, de quem estava com vontade de chorar. — Eu também queria ver a senhora sorrir de novo e ser feliz.
— Filho, vem aqui — me abaixei em sua frente. — A mamãe é feliz porque tem você. Não preciso de mais nada.
— Mas depois que a vovó virou estrelinha a senhora não coloca mais luzinha de Natal, não sorri como antes e eu escuto quando está chorando de noite, quando pensa que estou dormindo.
Ouvir aquilo doeu meu coração.
Às vezes eu chorava baixinho, reprimindo os soluços com as mãos para não acordá-lo, sentindo o peso de ser uma mãe solteira que precisava fazer muitos sacrifícios para criar o filho. Sentia-me negligente e ausente devido às horas de trabalho exaustivas. Muitas vezes eu saía – vezes seguidas – com ele adormecido em meus braços para deixá-lo na creche e o pegava de volta da mesma forma e dois ou três dias depois, é que nos víamos.
— Nicholas... — tentei falar naquele momento.
— Isso não é justo, mamãe... Por que meus coleguinhas podem ter um papai e uma mamãe, e eu não.
Ele saiu correndo para o quarto e passou o restante do dia emburrado, só à noite, com ele mais calmo, que conversamos. Com apenas cinco anos, ele era uma criança muito inteligente e educadamente se desculpava pelos atos malcriados.
Prometi que este ano, se sobrasse um pouco de dinheiro, enfeitaríamos a casa com as luzinhas que ele amava, todo ano fazia isso com minha mãe, era uma festa. A última vez, debilitada, ela fez questão de colocar junto com ele, só para ver o sorriso largo quando as luzes estavam acesas.
— O sorriso desse pequeno acalenta o coração sofrido dessa velha aqui — dissera. — Dá-me um pouco de esperança no futuro, quando eu não estiver mais aqui. Ele será sua força minha querida.
Depois de sua partida, era doloroso demais fazer aquilo sem ela, mas por ele, eu tentaria. Porém, não vejo porque alimentar algo que jamais vai acontecer, um pai está fora de questão, já que relacionamentos estão fora da minha lista de prioridades.
O que vivi aquela noite foi arrebatador e único. Pela primeira vez estive nos braços de um homem e jamais havia me esquecido as sensações que ele provocou em meu corpo. Nenhum outro seria capaz de me dar àquilo que tive em um momento fortuito. Por isso, fechei-me como uma concha.
Saindo das minhas lembranças, vejo que ele continua na janela.
— Seu prato vai esfriar e você não gosta da comida fria — pronto, esse é um excelente argumento para tirá-lo dali.
— Já cheguei mamãe... — veio correndo para se sentar.
— Não senhor, mocinho, pode ir lavar as mãos.
— Ah... — resmungacaminhando para o banheiro no corredor.
Horas mais tarde...
— Mamãe...
— Oi anjinho.
— Vamos mesmo colocar as luzinhas esse ano? — sinto meu coração se apertar.
— A mamãe falou que se sobrasse dinheiro. Sou nova nesse emprego, ainda não consegui pegar horas extras, só os antigos funcionários têm prioridades... — seus olhos ficam tristes. Então completo. — E ainda quero comprar seu presente, já escolheu o que vai querer? — passo a mão em seus cabelinhos macios.
— O que eu quero não tem em lojas. Boa noite mamãe...
Ele se vira para o canto, me dando as costas.
Solto um suspiro resignado. Sei bem o que ele gostaria e isso não poderei dar. Ajeito as cobertas sobre seu corpinho, dou um beijo em sua cabeça e sigo para a janela.
Involuntariamente, elevo os olhos para o céu e fico olhando as estrelas que o meu pequeno tanto gosta.
Faz pouco mais de um mês que nos mudamos para essa pequena cidade localizada no estado americano de Nova Iorque, no Condado de Columbia e têm pouco mais de seis mil habitantes. Perfeita para um recomeço.
Agradeço minha amiga Lorena, que vendo minha situação, falou na loja de departamentos em que trabalha, para conseguir uma vaga de trabalho, e junto com seus pais, me ajudou a conseguir um lugar confortável para mim e Nicholas. Saí da minha antiga cidade, deixando tudo para trás, carregando comigo praticamente a roupa do corpo e o meu maior tesouro: Meu filho.
Eu não sei o que o futuro nos reserva, mas espero do fundo do meu coração, trazer um pouco de paz ao meu e um pouco de felicidade ao meu príncipe.
Continua...
Neste primeiro momento conhecemos Sophia e Nicholas, esse menininho fofo. No proximo vamos conhecer o Adam 😍😍
Espero que tenham gostado.
Um beijo e não esqueçam de votar. 😘😘😘😘
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