Encontro familiar

Safira Montenegro

Após finalmente descobrir a verdade o Alessandro me parece quieto e pensativo, talvez tenha me precipitado um pouco pensando que ele reagiria de modo diferente, mas vejo que ele se compadeceu com a dor e sofrimento da Bia. Olho para ele e é difícil não me sentir culpada, saber que minutos atrás eu poderia perde-lo.

Nunca passou pela minha cabeça que o hélio seria capaz de fazer algo tão bárbaro, ele me mostrou a sua pior versão, uma versão que não gostei de ter conhecido. Minutos atrás os médicos estavam lutando para tirar a bala alojada no Alessandro. Eu ainda não contei a ele sobre a possibilidade daquela bala ter atingido a sua coluna e ele não poder mais andar.

Tento não encara-lo por tanto tempo e com isso oro aos céus para que ele esteja  cem por cento bom, mas independente do que acontecer vou ficar do seu lado, independente do resultado médico. Sei que será difícil para ele não poder mais andar, sei o quando ele gosta da sua vida normal, mas de qualquer maneira  ele terá a sua vida normal, só não terá os movimentos das pernas.

Com todos os acontecimentos ainda não tive a oportunidade de falar com o Carlos, comuniquei a ele somente do ocorrido e ele foi a delegacia prestar queixa contra o hélio.

_ Você está calada. _ Diz chamando a minha atenção

_ Não é nada, só estou pensando aonde fui te deixar. _ Falo me sentindo culpada

_ A culpa não é sua Baby, foi apenas uma infeliz coincidência da vida. _ Diz me chamando para perto de si

_ Mas isso não me impede de me sentir culpada. _ Desabafo me sentando na cama e ele me abraça

_ Ei, eu estou vivo. É o que importa, e inteirinho para você. _ Diz e isso corta o meu coração

_ Eu preciso tomar um ar. _ Falo me afastando dele e corro para a porta do quarto

_ Baby. _ Me chama, mas não tenho coragem para encara-lo

Ao lado de fora do quarto minhas lágrimas descem sem preocupação, e meu coração está apertado pelas últimas horas. Mas a frente vejo o Doutor Fagundes conversando com uma enfermeira, assim que ele vê o meu estado, ele caminha até a mim.

_ Aconteceu algo senhorita? _ Pergunta preocupado

_ Sim quer dizer não, mas eu estava mesmo querendo falar com o senhor. _ Falo em meio as lágrimas que não paravam de descer

_ Algum problema com o paciente Barry?_ Pergunta e nego com a cabeça

_ Mas é sobre ele que eu quero conversar. _ Comento e ele assente

_ Vamos até o refeitório, lá conversamos melhor. _ Diz e o acompanho até o refeitório do hospital

Nos sentamos em uma mesa distante, e algumas pessoas olham diretamente para nós o que me deixa inquieta.

_ Então conte-me o que se passa?_ Pergunta um pouco mais relaxado

_ Vou ser direta doutor. Há alguma possibilidade do Alessandro ficar paraplégico? _ Pergunto com o coração em mãos

Ele respira fundo e me olha por alguns segundos antes de falar algo.

_ Olha, vou ser franco com você. Há uma pequena possibilidade, mas não posso alarma-la de nada nesse momento, pois devemos primeiramente deixar passar o efeito da anestesia para assim dá o diagnóstico final. _ Diz de modo profissional, me destruindo por dentro

_ Mas se bala afetou a sua coluna, ele pode ficar assim para sempre? _  Pergunto me sinto culpada

_ Não. Com ajuda de um profissional em fisioterapia o paciente pode votar a andar em alguns meses ou ano, vai depender da força de vontade do paciente. _ Diz respondendo a minha pergunta

_ Mas não vamos nos precipitar, apesar da cirurgia ter sido delicada e complicada, há pacientes que ficaram sem nenhuma sequela física, mas ele terá que ficar em repouso devido a alguns órgãos afetado. _ Continua como forma de me acalmar

_ Obrigada doutor, obrigado por salvar o amor da minha vida. _ Falo e sorriu em agradecimento

_ Não fiz mais que a minha obrigação profissional senhorita. _ Diz e sorri

_ Se o senhor me dê licença vou voltar para o quarto do meu namorado. _ Falo me levantando rapidamente e me simto tonta no mesmo instante

Ele percebe o meu mal estar, se levanta rapidamente da cadeira e se aproxima de mim.

_ Sente-se. _ Diz e me sento novamente na cadeira _ Já almoçou? _ Diz com a mão em meu pulso e olhando para o relógio em seu braço

_ Não, mas estou sem apetite. _ Falo tentando lhe encarar

_ Vou pegar algo para você comer. _ Diz me deixando na cadeira

Minutos depois ele volta com uma bandeja com um prato de comida em mãos. Assim que olho para aquele prato todo colorido e com muito verde o meu estômago reclama e simto ânsia de vômito.
Me levanto com a mão na boca e ele aponta para o lado do banheiro feminino, corro e por sorte do destino chego a tempo e coloco o que eu não comi para fora.

Me sinto péssima e em seguida lavo a boca, quando saio do banheiro encontro o doutor Fernandes me esperando encostado na parede. Ele me olha me analisando e sorri.

_ Sugiro fazer alguns exames, a senhorita apresentou alguns sintomas de gravidez. _ Diz e o encaro assustada

Aquela ideia era descabida, eu não estou grávida, sei disso, só me senti mal devido aquela comida de hospital.

_ Eu não estou grávida doutor. _ Falo e ele sorri

_ Estamos em um hospital, vamos fazer alguns exames somente para garantir. _ Diz e me nego

Eu não estou grávida, acho que eu saberia se o meu corpo mudasse de alguma maneira, mas muito pelo contrário contínuo do mesmo jeito. Depois de conversar com o Doutor Fernandes, vou para o quarto aonde o Alessandro está, mas ao passar pelo corredor acabo tombando em alguém.

_ Me desculpe. _ Falo sorrindo _ Você. _ Falo assim que a reconheço a mesma mulher do elevador, mas ela estava mudada, pois seus cabelos estavam loiros

_ Acho que a nossa sina e se encontrar assim. _ Diz de forma humorada

_ Estou começando a acreditar nisso. _ Falo e ela sorri _ Eu preciso ir, até mais. _ Falo e ela me encara de um jeito estranho

_ Deixe me apresentar antes, sou a Rosa. _ Diz me estendendo a mão

_ Prazer sou a Safira, Safira Montenegro. _ Falo, e a cumprimento

_ Muito prazer revê-la, mas me diz uma coisa, você sabe aonde fica o banheiro feminino, estou apertada desde que cheguei aqui. _ Diz a tal Rosa e sorriu

_ No final do segundo corredor, a direita. _ Falo

_ Você poderia me acompanhar? Sempre fico perdida. _ Diz de forma humorada

_ Sem problema, mas não posso demorar muito, o meu namorado está me esperando. _ Falo e saímos andando até o corredor

_ Você namora? Como ele se chama? _ Pergunta puxando assunto

_ Namoro, o nome dele é Alessandro. _ Falo, mas fico com um pé atrás para falar o sobrenome, não quero que ela pense que sou uma caça marido rico

_ Alessandro não é um nome muito popular por aqui, seria ele Alessandro Barry? _ Pergunta _ Digo isso por que vi nos sites de fofocas, mas não penso como eles querida. _ Diz para me tranquilizar

_ Não há como negar, mas fico feliz por pensar diferente deles é difícil não se passar como aproveitadora, mas não ligo para o que ele tem. _ Falo dando de ombros

Chegamos no banheiro e a deixo na porta, minutos depois ela sai e continuamos a caminhada até aonde estávamos.

_ Foi bom te vê novamente querida, mas eu preciso ir. Provavelmente meu marido me espera no estacionamento. _ Diz e me da dois beijos na bochecha um de cada lado

Sinto algo estranho quando ela faz isso, melhor dizendo algo familiar. Mas não dou tanta importância, deve ser pelo fato de te-la visto duas vezes e praticamente da mesma maneira, sendo que na primeira vez ela fugiu de mim. Fico a olhando se distanciar e só depois continuo caminhando até o quatro do Alessandro.

Assim que abro a porta, a minha surpresa é grande ao ver o Luiz dentro do quarto com o Alessandro, mas o que não me deixa surpresa é a briga que está acontecendo entre eles.

_ Chegou a causa das nossas discussões. _ Diz com nojo

_ Não se dirija a ela, você não tem esse direito. _ Diz o Alessandro

_ O que você esta fazendo aqui? Quem te deixou entrar? _ Pergunto sentindo a raiva crescer dentro de mim

_ Olha, a ratinha fala. Quem tem dinheiro, tem tudo querida. _ Diz irônico

_ Mas você não é bem-vindo aqui. _ Falo e ele me encara com desdém

_Vim ver o que você causou no meu filho, por sua culpa ele está aqui. _ Diz me encarando

_ Eu não sou o seu filho. _ Diz o Alessandro frio

_ Como você sabe que é por minha culpa? _ Pergunto desconfiava

_ Simples, uma vadia sempre causa problemas. _ Diz me ofendendo

_ Olha como você fala com ela seu infeliz. _ Diz o Alessandro tentando se levantar, corro para ele o impedindo

_ A culpa é sua não é? _ Diz me olhando nos olhos

_ Saia. _ Falo tentando ser forte naquele momento

_ Você escutou ela. _ Diz o Alessandro encarando o pai

_ Está certo. Não quero brigas por agora. _ Diz _ Mas não pense que estou saindo por sua causa,uma vadia como você não manda em mim. _ Diz e no momento de raiva acerto uma mão em seu rosto

_ Não sou nenhuma vadia, serei a esposa do seu filho. _ Falo e ele segura fortemente a minha mão

_ Solta ela seu canalha. _ Diz o Alessandro tentando se levantar

_ É o que veremos, esse tapa não ficará assim. _ Diz com ódio nos olhos e puxo a minha mão, ele sai do quarto e eu corro mais uma vez para o Alessandro

_ Você está bem? _ Pergunto alisando o seu rosto e ele se contorce de dor

_ Chama o médico. _ Pede se contorcendo

Saio do quarto as pressas e chamo o Doutor Fagundes, mas ele me impede de entrar no quarto fazendo aumentar o meu nervosismo. Do lado de fora escuto o grito de dor do Alessandro, fazendo assim meu coração palpitar ainda mais. Minutos depois dois enfermeiros entram no local com soro em mãos, somente depois de alguns gemidos de dor e gritos tudo se cala.

Eles não me deixariam entrar, então decido caminhar um pouco pelo hospital, mas foi uma decisão que eu não poderia ter tomado. De longe vejo o Luiz conversando com um enfermeiro e me escondo, mas ele percebe a minha presença e vem em minha direção.

_ Bisbilhotando ratinha?_ Diz com indiferença

_ Não te interessa. _ Falo tentando passar, mas o infeliz não deixa

_ A sua pose de tentar ser Senhora Barry vai chegar ao fim, muito antes do que você pensa. _ Ameaça

_ Não tenho medo das tuas ameaças. _ Falo tentando passar confiança nas palavras

_ Não é uma ameaça, é um aviso._ Diz puxando o meu queixo para cima _ Não sou homem de falar, sou homem de agir. _ Diz e viro o meu rosto sem palavras

_ Eu poderia descontar aquele tapa aqui mesmo. _ Diz me colocando contra parede por um deslize meu

_ Você não ousaria, nesse hospital tem câmeras por todos os lados. _ Falo e ele sorri diabolicamente

_ Dinheiro é poder minha querida. _ Diz se aproximando da minha face e viro o rosto

_ Mas não vou tocar nesse rostinho lindo. _ Diz alisando o meu rosto e me contorço tentando escapar _ Se não fosse tão arisca. _
Diz se insinuando

_ Tire suas mãos de mim. _ Falo tentando me afastar

_ Mas pelo visto o meu filho soube te adestrar certinho, não foi sua cadelinha? _ Diz apertando a minha bochecha, mas consigo retirar as suas patas de mim

_ Não sou um animal para ser adestrada, mas se você é, problema seu. _ Falo e o empurro com todas as minhas forças

_Você é um lixo, tenho pena de você. Um velho imundo. _ Falo olhando em seus olhos

_ Não preciso de sua pena, guarde-a para você. _ Diz se afastando de mim

_ E mais uma coisa, seu castelo de areia vai desmanchar. _ Diz antes de me da as costas e sair andando

Fico parada naquele mesmo local tentando processar o que aconteceu ali, mas tudo o que eu queria naquele momento era falar poucas e bocas para aquele sujeito asqueroso, mas não posso falar tudo o que penso e comprometer as investigações do Carlos. Mas terei o gostinho da vitoria quando eu o ver atrás das grades.

Suas ameaças não me causam medo, mas confesso que senti pavor ao ouvir tudo aquilo, apesar de tentar ser forte, sinto que não sou o suficiente para bater de frente com alguém como o Luiz, não me sinto preparada no momento. Mas eu tenho que ser forte, agora não posso ter dúvida em relação a nada, preciso ser forte por mim, pelo meu pai e principalmente pelo Alessandro.

~~~~~~ Continua....

Oi pessoal, tudo bom com vocês? Espero que sim.

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Agradeço a Deus e a vocês por tudo, até o próximo capítulo.

Goodbye 👋👋👋.

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