A verdade nua e crua
Safira Montenegro
Assim que aquela mulher entra no quarto a minha ficha finalmente caiu, era ela... Desde sempre era ela, no shopping e no hospital. Meus olhos se encontra com o seu e ela sorri, mas eu não consigo retribuir e nem sentir nenhum sentimento por essa mulher, sei que sai do seu ventre, mas não temos uma ligação de mãe e filha, ela para mim é uma total desconhecida.
Sempre imaginei encontrando a minha mãe, mas sempre pensei que alguma coisa mágica iria acontecer, como uma conexão entre nós, porém eu estava errada. Acho que a nossa conexão se perdeu no dia em que ela saiu de casa, ela resolveu me deixar, resolveu que seria melhor para si e não pensou na própria filha e nem na família.
Ela se aproxima e me lembro do dia em que a pedi para não ir, mas ela não se importou e saiu sem olhar para trás.
_ Minha filha. _ Diz prestes a tocar na minha mão.
_ Não me chame assim, não sou sua filha. _ Encolhi a minha mão para não sentir o seu toque.
_ Por que está fazendo isso? Não estou te reconhecendo. _ Diz com a mão próxima ao meu rosto.
_ Eu não sou mais uma criança Rosália, não sou aquela inocente criança que você abandonou. _ Respondo ríspida não a deixando me tocar. _ Você nos abandonou e perdeu a oportunidade de me conhecer. _ Falo por fim fria.
_ Eu estava com medo minha filha, seu pai perdeu o nosso dinheiro e eu. _ A interrompo.
_ Não minta para mim Rosália. Já sei de tudo, até mesmo do seu plano mesquinho com o Luiz. _ Falo alterando a voz.
_ Você não sabe da minha versão, o Túlio te contou apenas a dele. Deixe-me explicar. _ Pede com os olhos cheios de lágrimas.
_ Não toque no nome do meu falecido pai. _ Falo grossa e ela se espanta.
_ O Túlio morreu? _ Pergunta confusa.
_ E desde quando você se importa? Ele morreu quando você saiu pela porta da nossa casa, e o que restou? Nada... Ele apenas tentava sobreviver sem a mulher que tanto amava. Eu vi meu pai morrer lentamente Rosália, e tudo por sua culpa... Ele te amava. Mas eu a deixei entra somente para apenas olhar na sua cara e ver a mulher mesquinha que se tornou. _ Falo olhando em seus olhos e assim vejo as suas lágrimas cair.
_ Sei que você não ira me perdoar logo de cara, mas não vou insistir nisso... Vou conquistar o seu amor minha filha. _ Diz limpando as lágrimas.
_ Você não terá o meu amor Rosália, foi por sua culpa que perdi o meu pai. _ Falo com frieza. _ Está feliz por tudo que nos causou? Está feliz com o seu novo marido? _ Pergunto e ela me olha mais uma vez.
_ Não estou... Hoje me sinto infeliz em não ter ficado ao seu lado. O Luíz me deu muitas coisas, mas nunca o amor verdadeiro. _ Diz com uma certa mágoa.
_ O passado não pode ser mudado Rosália... Eu sinto muito pelas suas escolhas, que infelizmente foram péssimas, mas nada do que você dizer vai me fazer mudar de ideia. _ Falo enquanto suas lágrimas descem mais uma vez.
_ Eu só quero uma chance filha para poder. _ A interrompo novamente.
_ Sinto muito Rosália, mas de você em diante eu quero apenas distância de você. Eu quero apenas ser feliz ao lado do homem que amo e do meu bebê. _ Falo alisando a barriga e ela se incômoda.
_ Os meus planos para o seu futuro nunca foram esses. _ Diz olhando para a minha barriga.
_ Temos livre escolhas para decidir o que fazer Rosália, mas nem você e nem ninguém poderá mudar o nosso futuro. Eu já o amo, ele é a coisa mais pura do meu amor com o Alessandro. _ Falo sorrindo olhando para a minha barriga.
_ Sempre um Barry para atrapalhar. _ Diz entre dentes.
_ Se você odeia tanto os Barry por que se casou com um? _ Pergunto com a sombrancelha levantada.
_ Não foi amor. _ Diz fria. _ Amor eu só sentir pelo seu verdadeiro pai. _ Diz olhando em meus olhos.
_ Eu duvido Rosália.Você é incapaz de sentir amor por alguém, a não ser que seja a dinheiro. _ Falo lhe encarando, e tudo que sentir por essa mulher na minha frente foi pena.
_ Isso não é verdade. Eu já amei Safira, e fui uma tola como você, mas o amor não existe... A vida não é um conto de fadas minha filha, e esse amor que você jura sentir pelo Alessandro ira acabar. _ Diz me dando as costas.
_ Sinto muito em te desapontar, mas o nosso amor é único. Eu o amo de todo o meu coração, e não tenho dúvida que ele me ame com a mesma intensidade. _ Encaro as suas costas.
Ela não diz nada, apenas resmunga e sai. Assim que a porta é fechada eu respiro fundo, era como se não existisse ar dentro do quarto com ela aqui. Deito a minha cabeça no travesseiro e fecho os meus olhos não acreditando que fui capaz de dizer todas aquelas palavras, com isso até que me sinto muito mais leve por dentro.
Minutos se passam e uma enfermeira entra para me arrumar para os enxames, de acordo com o doutor Fagundes se tudo ocorrer bem hoje mesmo poderei voltar para casa e isso me deixa mais alivia. Após os exames a enfermeira me acompanhou novamente até o quatro, e assim que a porta se abre dou de cara com a Bia e o senhor Bianchi, ambos sorriem assim que me vê.
_ Minha menina. _ Diz a Bia me abraçando. _ Eu fiquei com tanto medo. _ Continua a falar, mas alisando os meus cabelos.
_ Sinto muito em te assustar Bia. _ Falo e beijo a sua bochecha.
_ Você nos deixou com o coração na mão mocinha. _ Diz o senhor Bianchi estendendo os braços para me abraçar.
_ Eu sinto muito, mas me sinto lisonjeada com a sua presença senhor Bianchi. Eu nunca imaginei que um dos Amigos do Alessandro iria perder um dia de trabalho para me fazer uma visita. _ Comento me soltando do seu abraço.
_ O Alessandro é um excelente rapaz e a mulher dele merece toda a minha atenção. _ Diz sorrindo para mim e assim retribuo o seu sorriso.
_ Agora venha minha menina, você precisa de descanso. _ Diz a Bia batendo a mão na cama para que eu me deite.
_ E o Alessandro, aonde ele está? _ Pergunto curiosa olhando para Bia, mas ela desvia o olhar.
_ Ele precisou ir para casa. _ Responde o senhor Bianchi imediatamente.
_ Espero que ele não demore. _ Comento sorrindo, mas estranho ao ver ambos se olharem, mas talvez seja coisa da minha cabeça... mas só um talvez.
_ Logo ele chegará, agora trate de descansar. _ Diz a Bia alisando o meu rosto e sorriu para ela.
Não me sinto cansada, mas resolvi obedece-la, porém mesmo com os olhos fechados durante alguns minutos, ainda contínuo acordada. Eles conversam baixinho entre si e resolvem sair do quarto. Não consigo pegar a conversa por inteiro, apenas por pequenas partes, como um enxame e provas. Assim que eles saem abro os olhos e me acomodo na cama, porém sinto que algo não esta bem, ou talvez seja apenas a minha gravidez me deixando mais sensível.
A tarde o doutor Fagundes me acompanha para fazer uma ultrassonografia, para saber como o meu bebê esta e graças aos céus ocorreu tudo bem. A Médica me esclareceu algumas duvidas recorrentes e com a ultrassom descobrir que estou na oitava semana de gestação, mas ainda assim preciso ter bastante cuidado.
Após ver aquele pequeno ser dentro de mim, me sentir mais aliviada em saber que estava tudo bem. Agora assim eu posso voltar para casa e apenas espera-lo vir ao mundo, sei que vai ser difícil esses meses, mas tenho certeza que tanto eu como o Alessandro vamos conseguir.
Assim que volto para o quarto a Bia está lá com uma pequena mala, com minhas roupas limpas. E assim eu a tranquilizo dizendo que esta tudo bem, tanto comigo quanto com o bebê.
_ E o Alessandro? _ Pergunto e ela desconversa. _ Bia se tiver acontecendo alguma coisa você precisa me contar. _ Falo a encarando.
_ Quando chegarmos em casa tudo vai se esclarecer menina. _ Diz ela misteriosa.
_ Espero que não seja nada com o Alessandro. _ Falo colocando a mão em minha barriga.
A deixo no quarto e entro no banheiro, após um banho visto as minhas roupas e espero ansiosa o doutor Fagundes vir para me dar alta. Não demora uns 30 minutos e o Médico entra na sala junto com o Senhor Bianchi, eles parecem felizes.
_ Pelo visto a minha paciente já que ir embora. _ Diz assim que me vê sentada na cama arrumada conversando com a Bia.
_ Já sim doutor, quero muito ver o meu marido que por algum motivo não deu as caras. _ Falo sorrindo e percebo a troca de olhares da Bia com o senhor Bianchi.
_ Uma coisa de cada vez minha filha. _ Se pronúncia o senhor Bianchi.
_ É que sou um pouco apressada Senhor. _ Brinco com ele.
_ Então senhora... Como combinado. _ Diz o doutor Fagundes assinado alguns papéis.
_ Obrigada doutor. _ Falo me levantando na cama.
Me despedir dele e caminho junto com a Bia e o senhor Bianchi até a porta de entrada do hospital, onde passamos pela mesma e caminhamos até um carro, que na verdade seria do Senhor Bianchi.
_ Por que vamos no seu carro? Onde esta o Saimon? _ Pergunto e eles sorriem.
_ Desculpe querida por não avisar antes, o saimon precisou ver a família e decidir vir com o seu pa... Quer dizer Senhor Bianchi. _ Diz tensa e logo depois entra no carro e eu a sigo.
_ Agora vocês podem me contar o que está realmente acontecendo? Não vou cair nessa de que o Alessandro está em casa me esperando, me digam o que está realmente acontecendo? _ Pergunto logo após o senhor Bianchi entrar e o motorista dar a partida.
_ Olha menina é um assunto tenso e nós não podemos te contar de qualquer jeito. _ Diz o Bianchi.
_ Não importa se é tenso ou não, se for abalar as estrutura da minha família eu preciso saber. _ Falo firme.
_ Mas você precisa ficar calma minha filha, independente de tudo o Carlos vai resolver. _ Diz a Bia e a minha ficha cai.
Por que o Alessandro precisaria do Carlos? A não ser que ele foi preso. Mas ele estava comigo hoje cedo, o que realmente aconteceu?
_ O Alessandro foi preso. _ Penso um pouco alto confirmado a minha duvida. _ Essa é a única explicação para a sua ausência. _ completo o meu pensamento em voz alta.
_ Você precisa ficar calma querida._ Diz a Bia e a interrompo.
_ Como manter a calma sabendo que o Alessandro foi preso? _ Falo num tom alto com ela. _ Perdoe-me Bia, você não tem culpa. _ Falo e ela coloca a sua mão em cima da minha.
_ Não tenho o que desculpar querida, você está pondo para fora o que não pode caber ai dentro. _ Diz apontando para o meu coração.
_ Preciso ver o Alessandro. _ Falo sem chão.
_ Sinto muito minha filha, mas o delegado proibiu as visitas que não seja do advogado. _ Diz o Senhor Bianchi me tratando como se fosse sua filha, talvez seja por pena por ele me ver nessas condições... Totalmente perdida.
_ Céus. _ Falo frustrada. _ O que vou fazer? _ Pergunto para mim mesma.
_ Nesse momento você precisa apenas de descanso... Você realmente o ama? _ Pergunta o Senhor Bianchi me analisando.
_ Com todo o meu coração._ Respondo sentindo uma lágrima escorrer em minha face.
Ele fica mudo, e apenas me observa antes de falar algo.
_ Então não fique assim filha, confie em mim que eu farei o possível para retira-lo de lá. _ Diz o Senhor Bianchi e coloca sua mão sobre a minha, me fazendo estranhar e me distanciar do seu toque.
_ O senhor não precisa fazer isso, não tem o porque fazer. _ Falo e ele parece relutar contra si mesmo, enquanto isso a Bia me da seu colo de mãe, me fazendo colocar a cabeça em seu ombro.
_ Talvez eu tenha. _ Diz me deixando confusa.
_ Esse não é o momento Senhor Roger. _ Diz a Bia e ele para de falar.
_ Tem mais alguma coisa que vocês ainda estão escondendo de mim? _ Pergunto levantando a cabeça e olhando para a Bia.
_ Descanse querida. _ Diz ela.
Mais alguns minutos dentro do carro e o motorista avisa que chegamos em casa, na casa do Alessandro. O motorista abre a porta do carro e assim o senhor Bianchi sai e logo depois sou eu. A Bia me acompanha até a entrada da casa abraçada comigo e o senhor Róger Bianchi abre a porta para que possamos entrar.
Ao lado de dentro vejo o Carlos com vários papéis em mãos e em seguida entrega um para o Senhor Bianchi que se apressa em ler, já o Carlos caminha até a mim, me abraçando.
_Oi. Como você está? _ Diz me soltando do seu abraço.
_ Destruída._ Falo e em seguida respiro profundamente, e como consequência mais lágrimas descem.
_ Não fica assim._ Diz levantando o meu rosto. _ Vou fazer o possível para tirar o meu melhor amigo de lá. _ Diz sorrindo tentando ser otimista.
_ Eu sei que você vai conseguir. O Alessandro é inocente, ele só estava tentando nos proteger daquele monstro. _ Falo chorosa e ele volta a me abraçar.
_ Bia faz um chá para ela se acalmar. _ Diz o Carlos alisando o meu cabelo.
_ Porque isso foi acontecer justo agora? Porque isso veio atrapalhar a nossa felicidade, a nossa família? _ Pergunto para o Carlos na tentativa de obter respostas, porém nem ele foi capaz de responde-las.
_ Não fique assim minha filha, vai da tudo certo. _ Diz o senhor Bianchi e o Carlos se afasta.
_ Estou perdendo o meu chão, é catástrofe atrás de catástrofe que não estou sabendo como reagir, como superar. _ Desabafo e ele me abraça, e o escuto fungar, estaria ele chorando?
_ Porque está chorando? _ Pergunto olhando para ele que me solta e caminha junto comigo até o sofá onde sentamos lado a lado.
A Bia chega da cozinha com uma xícara de chá e me entrega. Eles meio que me força a tomar para que eu mantivesse a calma, mesmo debaixo de toda essas bombas.
_ Eu preciso te contar uma coisa Safira. _ Diz o Senhor Bianchi. _ A sua mãe me procurou recentemente. _ Diz ele, mas o corto.
_ Ela não é a minha mãe. _ Falo fria.
_ Mesmo que não queira querida ela ainda é a sua mãe. Bom, continuando... Ela me procurou com um papo estranho sobre o nosso passado. E sim... Eu já namorei a sua mãe. Eramos jovens e apaixonados, cheios de fogo e desejo, mas a minha família nunca gostou realmente dela. _ Diz ele e o interrompo.
_ Porque está me contando tudo isso? Não quero saber do passado daquela mulher, nada nela me importa. _ Falo fria me levantando do sofá.
_ Escute querida. _ Diz a Bia me pedindo para sentar novamente.
_ Tudo bem... Continue, por favor. _ Falo indiferente me sentando novamente no sofá.
_Bem._ Diz ele respirando fundo e assim continuando. _ Tivemos um romance e a minha família fez questão de me esconder que a Rosália engravidou._ Fala o Senhor Bianchi enquanto eu tento processar tudo isso.
_ Você é minha filha Safira. _ Diz com os olhos cheios de lágrimas.
_ Isso não é possível, certamente é um truque dessa mulher. _ Falo me levantando do sofá.
_ Não é um truque... com você no hospital pedi para o doutor fagundes fazer o exame de paternidade. E sim, eu sou o sou verdadeiro pai. _ Diz ele com todas as letras me entregando o enxame.
Não sei se devo ficar feliz ou triste afinal isso me pegou de maneira desprevenida, o que eu devo fazer? Devo abraça-lo? Devo chorar em seus braços como uma criança depois de tanto tempo? Não mesmo. Mas se for pensar pelo lado bom agora tenho mais alguém com que dividir os problemas e frustrações, se ele quiser ouvir é claro.
~~~~ Continua...
Oi pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim.
( Perdoem o atraso)
* O que acharam do capítulo?
Não esqueça de votar para ajudar na divulgação do livro, e se quiser deixar algum comentário fique a vontade.
{ Tenho outro livro já postado chama-se INTEIRAMENTE DELE
da uma passadinha por lá e confere também. }
Agradeço a Deus e a todos vocês, até o próximo capítulo.
Goodbye 👋👋👋.
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