A Troca de uma vida
Safira Montenegro
Acordo na cama do hospital sentindo náuseas, sinto a minha boca amarga e meus olhos pesados. Ao lado da cama vejo ela, Rosália Barry a me encarar.
_ Fico feliz que conseguir te ver. _ Diz ela fingindo um falso amor.
_ O que faz aqui? Quem te deixou entrar? E cadê a Bia? _ Falo fraca.
_ Shiii... Calma filhinha, vim apenas para formalizar o nosso trato. _ Diz se aproximando.
_ Não temos um trato. _ Falo com a voz embargada, mas ríspida.
_ Você me procurou lembra? Creio que o desmaio não te deu amnésia... Vejamos eu quero que você venha comigo, vamos embora desse lugar. Claro que depois que você sair desse hospital. _ Diz a Rosália me olhando nos olhos.
_ Você só pode estar brincando, eu não vou a nenhum lugar com você... Nunca, entendeu?_ Junto o que restou das minhas forças para lhe responder, mas logo em seguida sinto uma tontura.
_ É o único meio de ter a liberdade do Barry. _ Diz me analisando.
_ Você me prometeu. _ Ela me interrompe.
_ Sim. Eu te prometi, mas também lhe disse que tudo tem um preço querida, você já deveria saber disso. Sem a minha ajuda o Alessandro apodrecerá naquele lugar, sei lá quantos anos ele vai pegar depois da morte do pai. _ Diz caminhando pelo quarto do hospital.
_ Quem me garante que você irá liberta-lo? Tudo isso pode ser uma mentira ou até mesmo um plano seu. _ Falo e ela sorri diabolicamente.
_ Eu vou lhe provar, mas caso você não vir comigo se prepare para o enterro do seu querido Barry. Se eu fizer a minha parte e você não fazer a sua... Eu mando matar o seu amado Alessandro, simples assim minha querida, e então será apenas Você e o bastardo nesse mundo. E o seu filhinho crescerá sem o papai. _ Diz olhando em meus olhos e estremeço com as suas palavras.
_ Você é um monstro Rosália, um monstro._ Lágrimas de desespero invade o meu rosto.
_ Cansei de fazer a boazinha Safira... É tudo ou nada. Você aceita a liberdade do Alessandro sobre as minhas condições ou ele ficará preso por sei lá quantos anos, a não ser que algo trágico aconteça com ele, o fazendo até mesmo morrer dentro daquela cadeia mixuruca. _ Diz de maneira fria.
_ Você não pode fazer isso Rosália. _ Falo e ela rir.
_ Você quer mesmo apostar? _ Pergunta de maneira desafiadora, e engulo em seco.
_ Você promete não machuca-lo se eu decidir cooperar? _ Pergunto sentindo meu coração estremecer.
_ Te dou a minha palavra que não coloco a mão no Barry e nenhum dos meus fará nada contra o mesmo. _ Diz me estendendo a mão.
Respiro profundamente lembrando da minha vida com o Alessandro. Foi tudo tão rápido, tantos acontecimentos tristes que me faz pensar no pior para nós dois. Mas ao mesmo tempo tenho que pensar na sua vida e segurança, essa mulher em minha frente não brinca em serviço, e naquele lugar o Alessandro esta totalmente vulnerável a qualquer tipo de coisa que lhe possa acontecer.
_ Eu aceito o trato, mas antes eu quero ver a liberdade do Alessandro. Quero poder senti-lo pela última vez. _ Falo enquanto ela concorda com a cabeça e por fim aperto a sua mão.
Eu não quero a morte do homem que eu amo, mesmo que isso signifique partir da sua vida para sempre... Não quero que o mal lhe aconteça, e sei que mesmo longe ele vai me amar e entender o meu sacrifício.
_ Você fez a melhor escolha, amanhã mesmo o Barry estará solto. _ Diz andando até a porta. _ Vejo você em breve minha cara. _ Diz saindo quatro a fora.
Horas depois a Bia entra com sorriso nos lábios e me encontra chorando. Após a Rosália sair penso no que acabei de fazer, como pude me afastar tanto do Alessandro desse jeito? Mas a troca é certa, uma vida por outra.
_ Porque chora querida?_ Diz se aproximando de mim e me abraçando, mas não lhe digo nada, e a vejo ficar nervosa.
_ Você está bem minha filha? Olha o Carlos já está com o Alessandro, infelizmente o delegado não vai poder libera-lo, mas esta tudo bem com ele._ Diz ela alisando os meus cabelos.
E nesse exato momento lembro o que me aconteceu antes de chegar até aqui... Estava na sala como de costume acompanhada pela Bia, desde do episódio que sai de casa as escondida ela não desgruda mais de mim. Foi quando o Carlos chegou revoltado por não ter conseguido falar com o Alessandro, ele simplesmente descarregou as angústias em relação ao caso, não apontando tanta saída. E tudo a minha volta foi desespero e simplesmente desaparecendo até que apaguei, e quando acordei já estava aqui.
_ Não se importe comigo Bia?_ Falo enxugando as lágrimas. _ Por quanto tempo estou aqui? _ Pergunto a ela sentindo minha boca ainda amarga logo que o choro cessou.
_ Você não despertou ontem, então já se passaram 24horas. Fiquei com tanto medo minha menina, mas graças aos céus você acordou._ Diz alisando o meu rosto. _ Como sou imprudente, preciso informar ao doutor._ Diz se levantando do meu lado e correndo para fora do quarto.
Não demora muito até que ela volte com o doutor Fagundes, que me olha animado.
_ Você nos deu um grande susto viu mocinha. _ Diz o doutor vindo me examinar.
_ Eu sinto muito. _ Falo envergonhada.
_ Soube das tuas escapatória sendo que eu lhe recomendei repouso absoluto. _ Diz fingindo esta bravo, mas ainda me examinando.
_ Não queria causar trastorno. _ Falo, assim ele termina e respira fundo.
_ Precisa tomar mais cuidado... Escute bem tudo o que você faz por fora reflete o que esta ai dentro. _ Diz apontando para a minha barriga me fazendo abraça-la. _ Você quase o perdeu e por isso precisa ficar de repouso, e como brinde mais dois dias no hospital._ Diz olhando para mim e para Rúbia.
_ Mas meu bebe está bem doutor? Por favor me diz que sim, não quero perder o meu filho. _ Falo angustiada.
_ Ainda precisamos de alguns enxames, mas pode se dizer que está sim. _ Diz me aliviando.
_ Então é realmente necessário eu ficar aqui? Nada contra, mas não queria ficar aqui. _ Resmungo.
_ Pensasse nisso antes de não seguir as minhas recomendações. _ Diz me encarando. _ A enfermeira vai lhe trazer o almoço. _ Diz o Doutor Fagundes. _ Com licença. _ Diz e em seguida sai pela porta me deixando novamente sozinha com a Bia.
_ Vou precisar ir em casa trazer algumas roupas para você querida, mas não irei demorar. _ Diz me dando um beijo na testa e saindo.
ROSÁLIA MONTENEGRO/BARRY
Caminho pelo corredor do hospital de cabeça erguida, e tudo o que se podia escutar é o barulho dos meus saltos, já que essa área ficam os pacientes com internação mais grave, digamos assim. Passo por alguns enfermeiros e sigo caminhando até a porta 202. Entro no quarto e vejo o homem que um dia me deu o que mais precisei, dinheiro, e um sobre nome de poder.
Sorriu me aproximando dele e observo cada canto daquele quarto. Então retiro uma luva da bolsa e coloco nas minhas mãos, afinal de contas não posso deixar minhas digitais. Me aproximo ainda mais do luiz e seguro um travesseiro em mãos, ele está frago e provavelmente não será difícil mata-lo.
Com uma precisão de movimentos retiro a sua mascara de oxigênio e coloco o travesseiro em sua cara, assim que ele percebe a ausência de ar se debate, e o aparelho apita mostrado a vida daquele miserável se indo cada vez mais.
_ Vá para o inferno querido. _ Falo pressionando o travesseiro ainda mais.
Ele se debate mais um pouco até que a morte o leva para longe, espero que seja para o inferno. Retiro o travesseiro e arrumo o quarto, para assim a polícia pensar que foi tudo por obra do acaso.
_ Finalmente dona do que um dia foi seu querido. _ Falo baixinho em seu ouvido.
Desligo a máquina de oxigênio e coloco novamente a máscara de respiração em seu rosto. Desligo os aparelhos e assim que está tudo certo saio do quarto do miserável com cuidado para que ninguém me visse, e assim retiro as luvas ao lado de fora sem que ninguém notasse. Caminho como se nada estivesse acontecido e saio do hospital entrando no meu caro estacionado em frente ao mesmo.
_ Você fez? _ Pergunta o Gustavo no lado do motorista.
_ Não sou mulher de se brincar em serviço. _ Falo colocando meus óculos escuro.
_ E agora? Você vai realmente deixar o Barry livre? _ Pergunta o Gustavo começando a me irritar.
_ Que pergunta é essa? Sou uma mulher de palavra... E essa é a única maneira de ter a Safira ao meu lado. _ Comento enquanto ele nos tira dali.
_ Já preparei o gravador, vai sair tudo como combinado. _ Diz ele.
_ Acho bom, não gosto de falhas. _ Falo por fim e seguimos o nosso caminho em silêncio.
Ao chegarmos em casa saio apressada do carro e caminho para o meu quarto, preciso me livrar das roupas e da luva. Jogo tudo em uma sacola e coloco tudo dentro de uma mala. Retiro algumas roupas e junto tudo na mesma mala, algumas joias já que certamente não poderei gastar o dinheiro do luiz tão facilmente.
Deixo tudo arrumado para a minha fulga, e assim desço as escadas, mas antes dou de cara com uma das empregadas.
_ Vai viajar senhora? _ pergunta a intrometida.
_ Não é da sua conta, agora saia da minha frente. _ Grito e assim ela sai assustada.
_ Bando de incompetentes. _ Grito mais uma vez chegando assim ao final da escada.
_ Esta tudo pronto. _ Diz o Gustavo com o gravador em mãos.
_ Certo, como combinado. Depois você vai a delegacia e entrega ao delegado.Diga que lhe ameacei e que você precisava de provas para colocar o real culpado atrás das grades, assim eles te deixaram em paz, depois te encontro junto a Safira. _ Repasso o plano.
_ E se eles não acreditarem em mim? _ Pergunta certamente nervoso.
_ Se você fazer como o combinado ninguém vai desconfiar. Eu só preciso de você aqui por causa da Safira, você vai leva-la até a mim. E em um futuro não muito distante será apenas eu, você e ela. _ Falo e ele sorri confirmando com a cabeça.
_ Agora vamos começar o show. _ Falo baixinho sorrindo.
Como o combinado primeiro foi os gritos e muita faladeira, e como parte do plano o Gustavo toca no assunto do luiz, me altero e finalmente conto tudo o que ocorreu e como atirei no mesmo, falo como foi fácil incriminar o Alessandro e por fim falo fazendo chacota dos policiais incompetentes. Assim que o Gustavo faz o sinal eu paro.
_ Ficou perfeito. _ Diz ele.
_ Sempre soube que eu era uma boa atriz._ Digo convencida.
_ Agora é a minha hora, vou lhe da alguns minutos de vantagens... Boa viagem madrasta. _ Diz e sorriu.
_ Obrigado meu querido, em breve nos veremos._ Falo colocando o óculos em meu rosto, e depois saindo porta a fora.
Agora tudo depende do Idiota do Gustavo, se ele falhar comigo eu o mato. Chamo um táxi e mando ir diretamente para o aeroporto, lá o meu jatinho particular me espera. Com os pés no aeroporto, desço e vou direto para o jato.
_ Quando saimos senhora? _ Pergunta o piloto assim que me acomodo na poltrona.
_ O mais rápido possível. _ Falo e assim ele sai para a sua cabine.
Logo o avião está no alto, me fazendo sorri da minha doce escapatória. Chamo a aeromoça acolhida na poltrona e assim ela caminha rapidamente até a mim com medo nos olhos.
_ O que deseja senhora? _ Pergunta de cabeça baixa.
_ Traga uma taça da melhor champanhe. _ Falo e assim ela sai.
Segundos depois ela retorna com o meu espumante em mãos.
_ Um brinde a mim. _ Falo logo após pegar a champanhe de sua mão.
Algumas hora depois sobrevoamos o mar, quando nesse momento o Piloto nos avisa.
_ Mei dei, Mei dei aconteceu um problema com os nossos motores... Mei dei, mei dei o avião está caindo... Mei dei, Mei dei. _ Diz o piloto em pânico.
Dizem que quando a gente morre a nossa vida passa diante dos nossos olhos, e é exatamente o que está acontecendo. Memorias vividas e reprimidas passa diantes dos meus olhos como um filme triste, vejo a pequena safira, o túlio me amando e por ultimo a minha partida daquela casa. Foi ai que eu pensei como minha vida poderia ser diferente, foi nesse momento que percebi que não há mais tempo para arrependimento, já que o avião despenca na água de uma vez por todas levando a minha vida e as minhas alegrias.
~~~ Continua...
Oie pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim.
(Como prometido, o outro capítulo. O próximo será o penúltimo.)
* O que acharam do capítulo?
Não esqueçam de votar para ajudar na divulgação do livro, se quiser deixar algum comentário fique a vontade.
Agradeço a Deus e a todos vocês, até o próximo capítulo.
Goodbye 👋👋👋.
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