8: Amor a Espreita

Tento me mexer, mas meus movimentos estão sendo impedidos por algo. Abro os meus olhos e vejo o rosto sereno de Lucas, seus braços e perna envolvem o meu corpo, me impossibilitando de me mover. 

Fico o observando dormir, seu semblante é sereno, seus cabelos estão levemente bagunçado, seus lábios estão entreabertos e seu corpo está sendo banhado pela luz solar, a impedindo de chegar a mim.

- Lucas, precisamos acordar - o chacoalho, ele abre lentamente os seus olhos - Estamos atrasados para sair.

- Me deixa voltar dormir, eu pedi para que cancelasse as visitas - Ele fechou os olhos e me puxou para mais perto dele.

- Por que você cancelou? 

- Porque você pediu - ele respirou fundo e abriu os olhos por um instante - Vai dormir, daqui a pouco você tem que fazer uma longa viagem.

- Como assim, eu tenho? E você?

- Segunda e terça é feriado em Chazelle, então ficarei por aqui. Já perdi o Carlos para vim te buscar.

- Será que eu - meu corpo se estremeceu ao se lembrar das ruins que mês exs já fizeram comigo quando não tinha ninguém em casa.

- O que foi? - seu semblante permanece neutro, mas seu olhar estava em alerta.

- Não é nada, esquece - tento me soltar dos seus braços, mas ele me aperta ainda mais.

- Você não vai a lugar algum - ele esticou o braço e pegou o seu celular - Pronto, você vai embora comigo. Não sei o que aconteceu com você, mas garanto que não foi bom - Lucas me deu um beijo suave nos meus lábios e voltou a fechar os olhos - Agora durma, você precisa descansar.

Fecho os meus olhos e começo a cantarolar Broken-Hearted Girl, a música me definiu diversos momentos da minha vida. Diversos homens aproveitaram do meu amor intenso para me machucar e aqui estou eu novamente nos braços de outro homem que também irá me machucar, contudo, dessa vez provavelmente será mais intenso.

Sinto o seu toque suave na minha pele, limpando as lágrimas que és ordem pela minha bochecha. Meu coração se acelerou e minha respiração ficou ofegante. Quero me proteger como uma pérola dentro da sua concha, eu preciso de uma concha para eu poder me esconder e não ser ferida por mais ninguém.

- Não sei quem foi o idiota que fez você sofrer, mas se alguém te faz sofrer tanto, ela não é a pessoa que você deveria dar o seu amor - seu polegar ainda continua a acariciar minha bochecha.

Ele está certo, quem me fez sofrer não merecia o meu amor. Mas ele é a pessoa que mais me faz sofrer sem nem ao menos ultrapassar os meus limites, sem me bater, sem me trair, sem me ofender e sem eu dizer que o amo. Só o fato dele estar perto de mim, confiando em mim, se preocupando comigo e sendo gentil na hora que tem que ser. O meu maior medo é acordar um dia e todo esse carinho se transformar na luz mais sombria da minha vida, a luz que irá me machucar e ferir.

- Sabe, às vezes pessoas são babacas - ele deu uma risada sarcástica - Mas se você olhar para cima, sempre terá alguém para te puxar. Nem que seja uma criança que você deu um pirulito para ela, mas ela estará lá por você e vai te ajudar a sair do buraco onde os babacas te colocaram.

- Tenho medo de me machucar novamente.

- O quanto eles te machucaram? - a pequena veia atrás da sua orelha começou a pulsar.

- Prefiro não lembrar - ele limpou a lágrima solitária que escorreu do meu olho e um brilho travesso se fez presente em seu olhar.

- Não sei você, mas voltarei a dormir. Se quiser ler, pode pegar o meu Kindle.

Lucas fechou os olhos e lentamente sua respiração se regularizou. Tentei me soltar dos seus braços, mas ele me segurou mais forte. Sem ter como me soltar dos seus braços me virei e peguei o Kindle em cima da mesa de cabeceira. Ele me prendeu contra o seu peito e seus lábios se aproximaram do meu ouvido.

- Vê se não fica animadinha no meu pau - sua língua passou pela minha orelha me fazendo estremecer.

Ignorei o seu comentário e liguei o Kindle, me surpreendi quando a capa de um livro abriu e gravado abaixo do título o nome de Lucas. Alma gêmea perdida, achei o texto um pouco meloso para um livro escrito por uma pessoa um tanto peculiar, diremos assim. Passei algumas páginas até chegar no prólogo.

O amor é uma coisa passageira, muitos pensam que o relacionamento é fundado por cima de um intenso amor, mas esquecem que tudo à sua volta não é um mar de rosa.

Esse era o tipo de amor que a minha alma gêmea procurava e dava. Seu amor era tão intenso quanto os raios solares no verão, ela se machucou de diversas formas e os desgraçados que fizeram isso com a minha doce alma gêmea, não sofreram a punição que merecia. 

Mas agora ela está em um lugar seguro, onde eu a posso proteger e cuidar das suas feridas deixadas pelas suas lutas para me encontrar. Seu perfume é como uma inebriante loção de flor de macieira, que, aliás é a minha preferida e é claro que ela sabe disso, porque toda noite ela me parece cheirando a maçã e com uma lingerie de renda que não leva dois minutos para que eu a tirasse.

Sinto-me um pouco desconfortável por me parecer tanto com a alma gêmea de Jack. Remexo um pouco o meu corpo e sinto a ereção prepotente de Lucas, ele se mexe um pouco, mas ainda continua a dormir.

Passo para a próxima página e começo o capítulo um. A forma que ele expressou as palavras faz sentir como se o personagem estivesse conversando comigo. Meus olhos percorrem as pequenas letras, os capítulos vão se passando e um minuto de emoção se fazia presente dentro de mim. Enquanto estava chorando por Jack ter sido espancado por tentar declarar o seu amor, senti raiva por Michelle não observar o quanto os seus namorados eram um bando de trogloditas.

Alguns capítulos me faziam rir e outras me fizeram fumaça sair da minha cabeça, pelo jeito que a Michelle ignorava a Jack era irritante, como se ele fosse uma pessoa insignificante para ela. Passo a mão pelos meus castanhos e Lucas resmunga algo, viro levemente o rosto e o vejo franzir o nariz.

Volto a minha atenção para o Kindle e termino as últimas páginas do epílogo, meus olhos não tinham mais como escorrer uma lágrima, meu corpo precisava recuperar a água que Lucas me fez jogar para fora em formato de lágrimas.

Volto a história para o começo e desligo o aparelho Kindle. Pego o meu celular em cima da mesa de cabeceira e ligo para o meu pai, na intenção de falar onde estou e com quem estou bem.

- Bom dia, minha bella dama.

- Bom dia, pai.

- Como está sendo o seu final de semana? 

- Sobre isso - Lucas falou algo em um sussurro, mas o suficiente para que meu pai escutasse.

- O Felipe está aí? - só de escutar o nome dele, um frio subiu pela minha espinha.

- Eu não estou na cidade e também não estou namorando mais com o Felipe - relativamente ele só pediu um tempo, mas não tenho interesse nenhum em voltar para esse relacionamento.

- Então com quem está? E por que está na cama com ele? 

- Ele é um colega da faculdade, ontem desmaiei em um lago e ele me trouxe para o hotel. - escutei ele soltar um suspiro de alívio - Mas a intenção éramos sair o final de semana para fazermos o trabalho. Como o senhor sabe, eu não gosto de ficar sozinha em casa, por isso que levo o Owen para a mansão toda vez que você é a Liz fazem viagem de trabalho.

- Ok - um suspiro prolongado sai dos seus lábios - Não sei quando volto para a casa, mas seu irmão deve chegar por esses dias?

- Ok. Estarei em casa terça à noite.

- Não esqueça do Owen - a linha fica muda por um instante - Tenho que desligar, nos falamos mais tarde filha.

- Até mais tarde pai - encerrei a ligação e me virei para ver aquele belo par de olhos azuis.

- Quem é Owen?

- O cachorro da minha amiga 

- Mas, porque você se sente protegida com um cachorro em casa.

- Por ele é um pitbull e não gosta de ninguém.

 - Sorte minha que você já está em meus braços - ele analisou o meu rosto atentamente - Você está chorando?

- Não - desviei o meu olhar do seu.

- Olha para mim! - Lucas segurou o meu queixo, me fazendo olhar para ele - Por que está chorando?

- Só um livro que li, nada de mais.

Lucas começou a acariciar as minhas bochechas, seu olhar sobre mim, é intenso,  como se ele me desejasse mais-que-tudo, mas, ao mesmo tempo, suas mãos me acariciam delicadamente e gentil, me fazendo sentir segura e amada.

- Posso te beijar?

Sua pergunta me pegou desprevenida, já que todas às vezes que Lucas me beijou não houve nenhum pedido, ele simplesmente me beijava. Ele me observa atentamente ansiando por uma resposta, sua língua molha os lábios constantemente.

- Sim.

Lucas juntou nossos lábios em um beijo tranquilo e suave, sua língua massageia a minha em uma dança sensual. Sua mão sobe pela minha coxa, mas para quando chega na sua blusa.

- Eu não ultrapassarei os seus limites.

Ele me dá um selinho, me liberando dos seus braços. Lucas se levantou e foi em direção ao banheiro, evito ao máximo ver como a bunda dele fica bonita na cueca branca que ele está usando.

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