21: Jantar com prazer.
Estou sentado no sofá, fazendo as reservas no restaurante e escolhendo os pratos da noite. Eu pedi um resumo sobre o que não deveria ter no cardápio, para David, mas ele simplesmente me disse que eles não tinham essa frescura. Sinto o estofado do sofá se afundar ao meu lado, termino finalizar a reserva e deixo o iPad de lado, olhando para Della. Ela está com um vestido preto com detalhes em dourado, em seus cabelos castanhos e um laço vermelho.
- Você vai ser o meu tio? - seus longos cílios fazem sombra em suas bochechas rosadas.
- Não sei, tem que perguntar para a sua tia Isa.
- Como você não sabe? - ela jogou as mãos para trás em uma cena dramática e encostou no encosto do sofá.
- Por que você pensa que eu seria o seu tio? - ergui uma sobrancelha e ela fez o mesmo.
- Eu vi você - ela apontou o dedo em minha direção - Estava enfiando a língua na boca da tia Isa.
- Sim, eu estava beijando a sua tia, mas isso não significa que somos namorados.
- Mas só os namorados dormem na mesma cama - Della é bem mais esperta do que eu pensei que fosse.
- Você já dormiu com o seu pai?
- Já!
- Então quer dizer que ele é seu namorado? - Não aguentei segurar o riso, quando ela cruzou os braços perto do peito e fez cara de brava.
- É diferente.
- Diferente com?
- Eu durmo com ele, mas não beijo o meu papai na boca. E você faz isso.
- Mas não sou namorado da sua tia.
- Vocês usam aliança, como o papai e mamãe usavam - seu sorriso sumiu.
- É você me pegou, eu estou namorando a sua tia.
- Eu sabia, eu sabia - ela deu um pulo do sofá e começou a dançar no meio da sala.
- Não sabia que você falava tão bem italiano - Isa está encostada no batente da porta.
- Nem percebi que estava falando em italiano.
- Pode falar com ela em português, o David gosta que falamos em português com a Della para melhorar o português.
Isa sentou no meu colo de frente para mim, ela passou o braço em torno do meu pescoço e segurei a sua cintura, dando um beijo suave nos seus lábios. A pequena sentou ao nosso lado e olhou para nós dois, seus olhinhos azuis observam de forma curiosa.
- Tia, o Lucas e seu namorado?
- Você quer que ele seja o seu tio.
A pergunta de Isa me pegou de surpresa, meu coração palpita de forma descompassada. Della bate o polegar nos lábios finos, minha respiração se descontrola e Isa olha para mim. Dei um beijo rápido, para não deixá-la perceber o meu descontrole sobre ela.
- Ele vai me dar comida, então pode ser.
- Então ele e seu tio.
Isa juntos nossos lábios e começou a puxar mesmo cabelos, sua língua abre os meus lábios intensificando o beijo. Entrego-me ao momento e aperto a cintura de Isa com força, afazeres gemer na minha boca.
- Vamos parar com essa putaria perto da minha filha.
Isa se afastou e nossas respirações estão aceleradas, a pequena ainda está olhando perplexa e com queixo caído. Mordo o meu lábio inferior e encaro David que está vermelho de raiva.
- Me desculpe David - tirei Isa do meu colo e me levantei pegando a chave da Maserati - Vamos?
Isabelle pegou a sobrinha no colo e cochichou algo no seu ouvido. Sai para o lado de fora, inalando o ar fresco da noite. David passou o braço em torno dos meus ombros e eu rígido.
- Sabe qual foi a maior mentira que já ouvi?
- Qual?
- Não temos química para um relacionamento.
- Isso não é mentira, só estamos aproveitando a vida - destravei o carro e abri a porta do motorista - Onde está sua mãe?
- Ela e o Raul vão nos encontrar lá.
*****
- Benvenuto, senhor Calvin. Vou acompanhar até sua mesa.
Seguimos o garçom até a mesa no segundo andar do restaurante, as velas aromatizadas, LEDs na tonalidade clara e a música calma, deixa o ambiente mais acolhedor.
- Uau, suponho que não sei comer em um restaurante desse - David colocou a filha sentada na cadeira especial para crianças.
- Que isso. O restaurante é o mais simples da rede.
- O mais simples? - David passou a mão pela toalha de cetim, sob em cima da mesa.
- Sim. A Isa já foi em um dos meus restaurantes no Brasil e viu o luxo. Os outros espalhados pelo mundo possuem um luxo extremo.
Stella e Raul chegaram e nós cumprimentando eles, os garçons trouxeram as entradas, bruschettas, coquetel de camarão e uma tábua de frios, tamanho família. Agradeço aos garçons e peguei um cubo de queijo de cabra.
- Abra a boca.
Isa me obedeceu e eu levei o queijo para dentro da sua boca, ela fechou os lábios em torno dos meus dedos e sugou com forma. Pego um palito e ficou em um cubo de queijo de búfala e comigo.
- Isso é delicioso, de que é?
- Cabra.
A quanto tempo vocês namoram? - Me engasguei com a azeitona, perante a pergunta da Stella.
- Está tudo bem aí, Lucas? - David dá leves tapas nas minhas costas.
- Sim, só uma azeitona que entrou pelo buraco errado.
- É recente - a mão de Isa aperta a minha coxa - O Lucas é um pouco tímido. Demorou para me pedir.
- Olha para essa mulher. Eu fiquei planejando um jeito dela não me recusar - aproximei minha boca do ouvido da Isa - Vou te mostrar quem é tímido.
- Então, Raul? Em que você trabalha? - minha mão entra pela fenda do vestido de Isa e vou alisando a sua coxa.
- Eu trabalho com financeiro.
Isa segurou a minha mão, mas foi em vão. Rocei os meus dedos no tecido de renda e Isa soltou um gemido baixo.
- Você trabalha sozinho ou em alguma empresa? - meu italiano deu uma queda, mas Raul entendeu.
- Eu preferi ficar por mim mesmo, para poder ajudar a Stella nas finanças dos salões.
- Trabalhar com a família às vezes é uma ótima opção - Isa segurou o cetim com força e jogou a cabeça para trás, uma lágrima escorreu pela sua bochecha - Está tudo bem, meu amor?
Meus dedos continuam a se movimentar dentro de Isa, ela tenta apertar os meus dedos, mas uso isso ao meu favor e vou mais fundo e brinco com o seu clitóris, que pulsa forte na ponta do meu dedo.
- Quer um pouco de água, filha?
- Não, estou bem. - Isa fica ereta e fecha as penas, mas isso não me dificultou a continuar masturbando ela.
- Amor, tem certeza que está bem? Você está suando.
Isa leva a taça de vinho, até a boca e bebe um grande gole. Os pratos principais são servidos e Isabelle chega ao seu limite, ela coloca a cabeça à traz das minhas costas e encosta sua boca nas minhas costas, abafando os seus gemidos.
- O peixinho dourado dela deve ter morrido - todos deram uma risada - Amor, você tem que superar, se não o aproveitamento do seu jantar de aniversário vai ser triste.
Isa limpou as lágrimas que escorriam pelos seus olhos. Tirei os meus dedos de dentro dela e peguei um camarão do coquetel. Chupei os meus dedos, sentindo o gosto de Isa misturado com o molho.
- Espero que gostem! Esse prato foi feito especialmente para hoje.
Minha "namorada" se recompôs e começou a comer o faisão com molho de menta. Stella contou como estava indo às reservas dos salões de festa e Raul me explicou como fazer um ótimo investimento nas bolsas de valores, ele fez uma boa explicação, mas não tenho nem um pouco de interesse em colocar o meu dinheiro em ricos.
Della não conseguia parar de falar que queria viajar para o Brasil, para ver o vovô Miguel e andar em um dos aviões da aeronáutica. Isa roda a aliança de um lado para o outro, volta e meia me olha pelo canto do olho.
- Não está gostando do jantar? - sussurrei em seu ouvido e dei um beijo na sua bochecha.
- Não, está ótimo - ela se virou e depositou um beijo em meus lábios.
- Então o que te incomoda?
- Coisas inúteis. Você não precisa se preocupar, não é da sua conta.
Suas palavras foram como uma faca, mas relevei ao ver seu estado. O garçom chegou com os Brownie de chocolate irlandês com castanha de caju e duas bolas de sorvete de vinho.
- Quer caminhar depois da sobremesa? - passei um pouco de sorvete em seu pescoço e lambi.
- Mas já são mais de onze horas!
- Vamos ficar bem se chegarmos na casa do seu irmão de madrugada.
- Esse Brownie está ótimo! - Stella soltou um gemido de satisfação e Della a imitou.
- Se um dia a senhora quiser um ótimo Buffet em seus salões, eles podem te ajudar com isso.
- Me chame de você. Senhora me deixa muito velha.
- Você é uma das mulheres mais belas que já conheci, Stella. Claro, depois da sua filha.
Stella deve estar na casa dos cinquenta, mas suas rugas de expressão são mínimas e o penteado em um estilo mais juvenil, deixa sua aparência ainda mais jovem.
- Eu não queria tirar a aniversariante do jantar em homenagem a ela, mas quero ter alguns minutos a sós com a minha adorável namorada.
- Que isso, não devemos demorar - disse David acariciando os cabelos castanhos da filha adormecida em seu peito - A porta estará aberta.
- Ok. Não se preocupe com a conta, já está tudo pago. Caso queiram algo mais só pedir, que eu pago.
Isa se despediu do seu padrasto e depois da mãe, com um forte abraço. Ergui a minha mão, despedindo do meu chefe de cozinha que estava preparando uma isca de tilápia para os meus convidados. Quase fui assassinado por pedir para fazer esse prato, mas sorte que eu estava longe.
O ar fresco da noite, abraça o meu corpo assim que passei pelas portas francesas. Entrelacei meus dedos aos de Isa e caminhamos em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro.
Às vezes tenho vontade de me declarar para Isa, dizer realmente o que sinto por ela e que o livro que escrevi é sobre mim, sobre nós. Como eu vi cada um daqueles desgraçados a quebrando e como eu fui ferido no processo de protegê-la.
O real motivo para eu malhar descontroladamente é para protegê-la, impedir que qualquer um a machuque de novo, mas o medo de eu ser um desses imbecis, me faz sentir medo.
- Quem você pensa que é? - o moreno me deu um chute no rosto e se agachou ao meu lado - Se você acredita que chegará perto da minha garota, está enganado. Seu fracassado.
Mike cuspiu no meu rosto e seus amigos me chutaram de todas as formas. Encolhi-me no chão úmido, protegendo o meu rosto, meu pai não pode saber que fui espancado. Um deles dá um chute na minha costela e uma dor insuportável se espalha pelo meu corpo.
Ao longe vejo Isabelle saindo de mãos dadas com Mike, meus olhos começam a ficar passados e tudo fica preto. A dor sumiu, o gosto de sangue sumiu, o cheiro de terra molhada sumiu, tudo sumiu. Eu estava morto, não tem explicação para eu estar em um lugar de paz.
Lágrimas queimam os meus olhos e eu as limpo antes que Isa consiga vê-las. Casais apaixonados conversam sobre os planos para o futuro, sentados no guarda-corpo do rio. Eu queria poder ter alguém para falar do nosso futuro juntos, mesmo que terminasse dois dias depois, mas seria uma coisa só nossa, falar de quantos filhos quer ter, onde seria o casamento, onde passaríamos a lua de mel e como íamos fazer para não deixar o fogo do amor apagar.
Quando me dei conta, estávamos parados do lado de fora da casa do David. Não trocamos nem uma palavra um com o outro, apenas aproveitamos a caminhada com a campainha do outro. Nos sentamos no gramado, Isa descansou a cabeça no meu ombro.
- Vi como você ficou no restaurante com a minha resposta, eu queria pedir…
- Não se atreva a pedir desculpa - a interrompi - Você tem o direito de me contar as coisas e seus problemas não são mesmo, então tenho que esperar você se sentir à vontade para me contar - dei um suspiro pesado - Então não me passa desculpa, eu que tenho que me desculpar.
- Pelo o quê? Você não faz nada de errado.
- Isso é mentira, eu faço muitas coisas erradas, entretanto as coloco em um baú no fundo do mar, onde ninguém as possa vê-las.
- Uma pergunta e uma resposta? - dei uma risada.
- Você começa.
- A decisão que você não se arrepende de ter tomado?
- De contar para o pai da garota que um dia amei - ainda amo - Onde ela estava e por qual motivo. A decisão mais dolorosa?
- Aceitar que eu devia algo para aqueles que entreguei todo o meu amor.
- Acredito que caímos às vezes em alguns buracos que são tão fundo e escondido, que as pessoas passam por nós e vê. Mas um dia alguém aparece nos tirar desse buraco.
Segurei o queixo de Isa e trouxe seus lábios ao encontro dos meus, em um beijo suave. Encostei a minha testa na dela e movi meus lábios, falando aquilo que não tenho coragem de produzir voz para falar.
- Eu te amo.
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