15: Prazer em te conhecer.
Lucas Calvin
Isa dorme tranquilamente, como se os seus problemas tivessem sumido e como eu queria que tivesse sumido. Ver a garota que amo sofrer desde o ensino médio e uma tortura constante, que sou obrigado a carregar.
Ver cada um daqueles babacas machucar ela dia pós dia, me torturava cada maldito dia e toda vez que entro na minha academia pessoal me lembro que eu era fraco e não consegui salvar ela.
Essa culpa que sinto não passará até que Isa esteja totalmente curada de todos esses traumas. Deposito um beijo úmido em seus lábios macios e vou para fora do quarto. A mansão dos Stones tem as paredes pintadas na cor cinza-claro, diferente da minha, eles têm uma quantidade bem maior de móveis nos cômodos.
No segundo andar consigo ver cada detalhe da sala de estar, em cima da poltrona está o vestido vermelho carmim que Isa estava usando e aquele nojento do seu ex o rasgou.
- Filha da puta, desgraçado - disse para mim mesmo.
Meu ódio por Felipe não era uma coisa nova, sua insegurança em relação a mim era enorme e o que eu fiz com ele hoje não tem nem comparação a tudo que ele já fez comigo.
A porta principal se abre e homem de cabelos negros e longos, barba por fazer e vestido de piloto, entro na residência. Ele deixou as malas ao lado do aparador e seguiu para a sala. Quando ele viu o vestido em cima da poltrona, começou a olhar para todos os lados até me ver o encarando.
- Eu não te conheço - ele levantou o vestido - Terminaram? - seu sotaque italiano é mais forte que o da Isa.
- Não fui eu que fiz isso - ele ergueu a sobrancelha.
Descei as escadas e parei em frente a ele, seus olhos verdes são semelhantes aos de Isa, as olheiras profundas indicam que ele não teve uma noite boa de sono. No seu uniforme da AirColb que é uma das empresas aéreas mais famosas em diversos países, tem uma identificação com o seu sobrenome.
- Lucas - estendi a minha mão e ele apertou com força.
- David Stones. Da última vez que estive aqui era o Felipe.
- Posso ter deslocado o maquilar dele.
David ergueu uma sobrancelha e seguiu para a cozinha, fui atrás dele e me sentei em uma das banquetas. Ele colocou dois copos de cristal em cima da bancada de mármore e colou uma dose de uísque em cada copo.
- Então você é o novo namorado? - ele me analisa por inteiro e me olha como se conseguisse ler a parte mais sombria da minha alma - Você é diferente.
- Não sou namorado, apenas um caso - bebi um pouco do líquido dourado, que desceu queimando.
- Minha irmã não é muito de casos sem compromisso - ele bebeu todo o uísque do copo e serviu mais - Por que motivo você socou o Felipe?
A veia no seu pescoço pulsa com força e seus músculos estão rígidos com uma pedra. Por algum motivo penso que ele sabe de cada dor que Isa passou e se odiava por não conseguir impedir que babacas conseguissem ferir a sua irmã.
- Acredito que você já sabe! - ele bebeu toda a dose de novo e serviu mais.
- Odeio esses bastardos - novamente bebeu todo o uísque do copo e eu peguei a garrafa antes dele servir mais.
- Desse jeito você não vai ajudar a sua irmã em nada.
- Eu me odeio por não conseguir proteger ela - ele pegou o meu copo e bebeu o uísque - Se eu não consigo proteger a minha irmã, como vou proteger a minha figlia.
- Não te conheço, mas tenho certeza que você é muito dedicado.
- Como tem tanta certeza?
- Na AirColb eu não deixo que contratem pessoas que não se dedicam - seus olhos se arregalaram.
- Você é o Lucas Calvin?
- Sim, mas não ligue para esse detalhe - respirei fundo - Já que você chegou, acho que vou embora.
- Onde está a minha irmã?
- Dormindo.
- Então você deve ficar, mesmo vocês só estarem tendo apenas um caso - ele abriu a geladeira - Está com fome?
- Deixa que faço algo, você parece exausto - peguei o meu celular - Qual Boeing você veio?
- No BOEING 777
Deixei registrado para eu avaliar a tripulação, me levantei e fui até a geladeira, retirando os ingredientes para fazer Paella. David pegou a garrafa de uísque e serviu mais uma dose para cada um de nós.
- A quanto tempo está tendo esse caso com a minha irmã?
- Desde ontem - comecei a preparar a comida tradicional da Espanha - Ela não se liberava para sentir prazer.
- Depois de tudo é compreensivo - ele se conteve para não beber todo o uísque de uma só vez - Tenho medo que a minha filha sofra desse jeito.
- Às vezes não temos como prevenir que o pior aconteça, mas temos que ser forte para ajudar aqueles que amamos - agora foi minha vez de beber todo o líquido dourado.
- Você parece ter bastante prioridade para falar do assunto - sua voz já está embriagada pelo álcool.
- Gosta de Paella? - mudei de assunto.
- Sim, como nas vezes que tenho voo para a Espanha - ele bebeu um gole pequeno do uísque - Por que ela te escolheu?
- Como? - começo a cortar os frutos-do-mar.
- Porque a minha irmã escolheu você para o caso dela?
- Porque eu me ofereci.
- Você tem o estilo dos babacas que costumam ferir a minha irmã, mas tem algo em você que se diferencia deles.
- Ser o seu chefe? - falei de forma brincalhona, para ele não intender errado.
- Isso também! Mas você é sofrido.
- Ah, obrigado - revirei os meus olhos.
- Lucas - escutei a voz manhosa de Isa vindo da sala.
- Na cozinha, maçãzinha.
Adoro ver como ela fica corada quando eu a chamo desse jeito, acredito que ela nem perceba que fica vermelha. Às vezes me pego pensando qual é a cor da bunda dela depois de algumas palmadas.
- Estou com dificuldade para respirar e… - ela se cala quando vê o irmão e esconde o pescoço que tem uma mancha roxa.
- O que você está sentindo? - me aproximei dela analisando a mancha
- Meu estômago está doendo - ela olha para o irmão de forma amorosa.
- Você deve estar com fome, por isso o seu estômago está doendo - encostei o meu dedo na sua laringe - Está doendo aqui?
- Sim.
- A sua laringe está inflamada, vou fazer um chá de Arnica para você. Ajudará na inflamação.
- O que aconteceu com o seu pescoço, irmãzinha? - sua voz é doce.
Deixo os irmãos conversando e sigo para o jardim. Com apenas a iluminação da lanterna do celular começo a procurar entre as flores uma planta específica. As luzes dos postes se acenderam, eu olhei em direção a grande porta de vidro da cozinha e Isa estava com um sorriso tímido.
Vasculhei entre as plantas medicinais do jardim e entrei uma muda pequena de arnica em meio às ervas-doce. Peguei algumas flores e aproveitei para comer algumas folhas de hortelã-pimenta.
- Olha quem voltou, o capitão que está salvando o dia - David estava completamente bêbado, o que significa que ele não irá trabalhar pelos próximos três dias.
Fui até o fogão e desliguei, Isa colocou dois pratos em cima da bancada. Servi a Paella nos dois pratos e fui até a geladeira retirando três maçãs verdes e uma caixa de água de coco. Fiz um suco concentrado de maçã, coloquei em um copo grande e peguei um canudo de inox. Entreguei o copo para Isa e dei um beijo em seus lábios macios.
- Isso ajudará com a sua fome e não irritará a sua garganta.
Sentei-me de frente para David e comecei a comer. Nós três desfrutamos de um silêncio acolhedor entre nós, assim que David acabou de comer e foi para o quarto de hóspedes e eu ficaria com Isa.
- Vou preparar o chá e uma compressa.
Levantei-me e coloquei a louça do jantar para lavar e comecei a fazer ambos os chás. Isa se sentou na bancada e eu me posicionei no meio das suas pernas, ergui o queixo dela com o indicador e analisei o seu pescoço.
- Se não fosse aquele maldito, eu e te fazer delirar em cima dessa bancada.
- O que te impede? - sua voz está rouca.
- Sua laringe está ferida, qualquer força que fizer irá prejudicar ainda mais.
Pressionei a minha ereção contra Isa e comecei a chupar a pele sensível do seu pescoço, ela tentou conter os gemidos, mas foi em vão. Me distancie do seu corpo, antes que eu fosse tomado pelo desejo.
- Consegue tomar chá quente?
- Sim.
Entreguei a xícara com a água fumegante para Isa e peguei um pano limpo, molhando com o chá de Arnica. Isabelle deixou a xícara em cima da bancada da pia e passou os braços em torno do meu pescoço.
- Podemos ir dormir?
- Sim - olhei no meu pulso e já passavam das quatro - Acredito que não vamos para a aula hoje.
Ela apoiou a cabeça no meu peito e seus olhos fecharam. Além de ser um ótimo anti-inflamatório, o hortelã também é um ótimo sonífero. Coloquei o pano úmido no pescoço de Isa e a peguei no colo, subi as escadas indo em direção ao seu quarto.
A coloquei de barriga para cima, deixando o pano no seu pescoço. Deitei-me ao seu lado cobrindo nós dois com edredom branco. A envolvi em meus braços de forma que ela não conseguia virar e o pano sair do lugar. Fechei os meus olhos e deixei o cansaço consumir.
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