14: Por favor, não.

O caminho de volta para casa foi tranquilo, dividimos um silêncio acolhedor. Lucas estaciona em frente a porta da minha casa e Felipe está sentado na escadaria de entrada.

- Quer que eu entre com você? - Lucas encarava Felipe, apertando com força o volante.

- Acredito que posso resolver isso sozinha - Lucas começou a se aproximar e eu me afastei - Melhor não, tenho que resolver as coisas.

- Deixarei o meu celular por perto, se precisar é só me ligar.

- Tenha uma boa noite! - peguei a minha bolsa atrás do meu banco e desci do carro.

- Você também, maçãzinha. 

Lucas saiu com o carro e foi embora. Coloquei a bolsa nas costas e segui em direção a entrada da minha casa, minhas mãos estavam suando e meu coração batia com força contra a minha caixa torácica.

- Está meio tarde, para você estar na casa dos outros.

Já se passavam das uma da manhã e Felipe sempre teve os seus dias planejados, hora para acordar, dormir, comer, malhar e estudar. Quando ele saia da rotina as coisas não estavam bem para ele.

- Podemos conversar?

- Claro - ele tentou me beijar, mas desviei - Vamos entrar.

O ar quente dentro da minha casa, abraçou o meu corpo, causando um arrepio em todo o meu corpo. Sentei-me na poltrona do meu pai e Felipe sentiu no sofá de frente para a televisão.

- Felipe, não aguento mais. Não podemos ficar mais juntos.

- Por quê? - ele veio andando com calma em minha direção, mas seu olhar me dizia que ele está irritado - Somos tão bons juntos.

- Não, Felipe. Não somos. 

- Então é assim? - ele retirou a carteira do bolso e tirou dela, três notas de duzentos - Se é dinheiro que você quer, sua puta. Aqui está, agora fica caladinha e faça o que eu mandar.

- Felipe, não. Por favor.

- Eu paguei, agora vou te comer.

Ele rasgou o meu vestido e começou a morder diversas partes do meu corpo. Tentei afastar o seu corpo, mas seus pesos e demais para conseguir empurrá-lo. Suas mãos apertam a minha coxa.

- É isso que você quer sua vadia, ser paga para transar.

- Felipe, me larga. Por favor! - lágrimas escorrem pelo meu rosto.
- Você que me traiu e agora está chorando - ele apertou o meu pescoço com força, me sufocando - Não chora sua puta.

- Ei? - olhei para o mesmo lado que Felipe - Não encosta a mão nela, seu desgraçado.

Lucas deu um soco no rosto de Felipe, que saiu cambaleando até cair em cima da mesa de centro. Calvin vem até mim e examina o meu pescoço, seu rosto ficou vermelho de raiva.

- Vou te matar - Lucas segurou o pescoço de Felipe e o ergueu no ar - É melhor você nunca mais encostar a mão nela, caso contrário eu te mato.

Lucas o soltou, o deixando cair atordoado no chão. O loiro pegou os seiscentos reais e colocou no bolso da calça do meu ex, que está desacordado. 

- O que você vai fazer com ele? - minha voz sai trêmula.

- Só levarei ele para o carro dele.

Lucas saiu carregando Felipe e foi para o quintal da frente. Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos e uma nojo do meu próprio corpo, cresceu dentro de mim. Subi correndo para o meu quarto e entrei no box, minhas pernas ficaram trêmulas, me fazendo cair na cerâmica gelada.

O sensor de presença do chuveiro ativou e os jatos de água começaram a molhar o meu corpo. Cada músculo meu ficou rígido e as lágrimas não se sediam, fiquei em posição fetal, deixando a água escorrer pelo meu corpo seminu.

- Você está aqui, maçãzinha! - Lucas entrou no banheiro.

- Por favor me deixe sozinha.

- Tem certeza que é isso que você quer? - ele parou imediatamente.

- Não.

Lucas entrou no box e me abraçou, sem ligar que suas roupas estavam sendo molhada. Repousei a minha cabeça em seu peito, deixando as lágrimas escorrerem.

- Eu não aguento mais, todos me machucam. 

- Maçãzinha, eu sinto tanto. Eu não devia ter deixado você sozinha com ele. 

- Não é a sua culpa - fechei a minha mão com força - E culpa minha, eu não devia ter trazido ele para minha vida.

- Parece de se culpar pelos erros desses idiotas - coloquei mais força no aperto da minha mão, mas a dor não vinha - Você não vai se ferir.

Olhei para baixo e minhas unhas estavam enfiadas na pele de Lucas, tentei protestar mais ele me calou com um beijo calmo, onde ele conseguiu me transmitir toda a segurança que eu precisava para aquele momento.

- Me machuque, mas não se machuque.

O sangue de Lucas escorre para dentro do ralo, sua expressão está neutra, impedindo que eu consiga saber o que ele está sentindo. Relaxei o aperto da minha mão, tirando as minhas unhas da pele que Lucas.

- Vem, você tem que descansar - Lucas me ergueu sem dificuldade e colocou o roupão em mim.

- Eu te machuquei muito? - tentei ver os ferimentos provocados por mim, mas Lucas escondeu o braço.

- Não, você não me machucou.

Lucas me levou até a cama e me colocou deitada, ele voltou até o banheiro e voltou com duas toalhas. Tento decifrar o que ele estava sentindo, mas ele deixa todas as suas expressões neutras.

- Virei de costas para mim - me virei, ficando de costas para ele.

- Por que você não quer deixar eu ver seu braço? 

- Porque não tem nada para você ver - ele começou a passar a toalha pelo meu cabelo.

- Por que você voltou? - ele me entrou em outra toalha e eu comecei a enxugar o resto do meu corpo.

- Você esqueceu a sua caixa de maçã no meu carro.

- Aham - a decepção ficou evidente na minha voz.

- Onde está o seu secador?

- Está no banheiro.

Meu coração oscila nas batidas, a dor e o amor brigam dentro de mim. O Lucas no começo era frio e com um temperamento passivo agressivo, mas agora ele está todo amorzinho, o meu maior medo de se envolver com ele é que todo esse carrinho suma e fique apenas aquele Lucas que conheci.

- Está tudo bem? - ele me perguntou assim que desligou o secador.

- Estou bem, só um pouco chocada com o que aconteceu.

- E está pensando se faria o mesmo! - ele voltou a secar o meu cabelo.

Lucas passa a escova, delicadamente pelos meus fios castanhos, o barulho do secador impedia que a minha pesasse em qualquer coisa. Depois do meu cabelo seco, ele tirou o meu roupão e me entrou uma lingerie branca. Lucas se virou de costas, como se ele nunca tivesse trocado a minha roupa.

- Você quer que eu fique aqui? - ele se virou assim que acabei de me trocar.

- Por favor!

- Ok, agora é melhor você dormir, amanhã temos aula.

Deitei-me e Lucas jogou o edredom em cima de mim. Suas mãos faziam carinho no meu rosto, enquanto ele cantava Perfect. Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, Lucas continuou sereno e tranquilo.

- Durma maçãzinha. 

Fecho os meus olhos deixando de existir no mundo real e indo para um mundo onde a minha mente me faz lembrar das desgraças que aconteceram na minha vida, mas nessa noite foi diferente, era ele que dominava os meus sonhos com os seus carinhos.

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