1: Um dia para esquecer.

Isa

Sai do edifício pisando pesado, minha respiração está pesada e meus pensamentos viajam para os lugares mais sombrios da minha mente. Balanço a minha cabeça, impedindo que as lágrimas começam a escorrer. Sento-me na arquibancada do campo de futebol americano, retiro o meu celular do bolso traseiro e ligo para o meu namorado. O nosso relacionamento não está dando mais certo, mas eu quero que as coisas deem certo entre a gente. Mas para isso dar certo nós dois precisamos querer.

- Por que você não pode ir ao sítio comigo? - tento conter as minhas lágrimas - Eu estou tentando, você poderia tentar também.

- Você quer que eu largue o jogo e vai com você para o sítio dos seus pais? - ele solta o ar com força.

- Você é o meu namorado, devia fazer pelo menos um esforço - a ardência provocada pelas lágrimas aumentou.

- Eu já perdi jogos importantes para ficar com você e agora que a temporada começou, eu quero jogar e você vem com essa de querer ir para o sítio dos seus pais - sua voz ficou fria- Quer saber, não vou continuar falando com você. Tchau

- Seu desgraçado.

- Essa palavra não é bem vista pela sociedade.

Me sobressalto com a voz grave do garoto de olhos azuis e uma boca rosada. Com um boné vermelho virado para frente e um moletom preto, uma calça preta rasgada no joelho e um tênis da mesma cor da roupa. Que estava sentado do meu lado.

- Quem é você? - eu conhecia aquele garoto, mas não me lembro de ontem.

- Ninguém em importante - os movimentos dos seus lábios são suaves.

- A quanto tempo está ai senhor ninguém em importante - tento imitar a sua voz e ele apenas rir.

- Desde que você chegou.

Estava tão perdida no meu próprio mundo, que não consegui perceber a sua presença.

- Então está matando aula? - tentei puxar assunto.

- Óbvio que não, linda. Estamos na faculdade.

- Quantos anos tem? - não sou ótima em conversa fiada.

- Sou apenas um mês mais novo que você - sua voz é segura.

- E você lá sabe quantos anos eu tenho? É em qual mês eu nasci?

- Você é a Isabelle, mas todos te chamam de Isa. Você namora o Felipe a um ano e amanhã completa dois anos, você tem 18 anos, nasceu em 11 de maio e entrou na faculdade esse ano, e está cursando agronomia. Você mora no condomínio El Reis.

- Parece que tenho uma pessoa que anda me vigiando - eu deveria ficar com medo, mas ele me traz uma segurança que não sinto por ninguém.

- No seus sonhos que eu ia perder o meu tempo vigiando alguém - ele deu um sorriso sarcástico.

- Então como você sabe tudo de mim e eu nem sei o seu sobrenome? - arqueio uma sobrancelha.

- Calvin. Está bom para você.

- Esse sobrenome não é estranho.

Tento me lembrar de onde conheço esse nome, mas antes que eu possa começar a pensar o celular dele toca e ele se levanta, indo para o enorme edifício da universidade. Peguei o meu celular e postei uma foto no meu Instagram, onde estou vestindo apenas um vestido colado e com duas fendas na perna, um grande decote em V na frente. Não demorou muito para as mensagens de Felipe começarem a chegar.

Felipe

Que merda é aquela foto no seu Instagram Isa. Está querendo que todos olhem seu útero?

Porque está dando para ver

Apague isso agora.

Não está satisfeita com o homem que tem, porra?

Apaguei agora.

Apaguei a tela do meu celular e me levantei. O campo foi tomado por uma chuva grossa e eu saí correndo para dentro da faculdade para não me molhar. Fui até o meu armário, peguei o meu tablet. Entro no laboratório atraindo diversos olhares, principalmente o do dono dos lindos olhos azuis.

- Atrasada senhorita Stones.

- Me desculpe professor, não vai acontecer mais.

- Entre. Pode se sentar do lado do Sr. Calvin.

Fui para a última mesa e me sentei na banqueta vazia ao seu lado. Calvin me empurrou o recipiente com o veneno que o professor está explicando. Assim que pego o pequeno frasco, encosto na sua mão, ele a tirou rapidamente e voltou sua atenção para o seu tablet, depois para o professor. Ficamos a aula inteira em silêncio e no final o professor entregou um papel em cada mesa.

- Esses papéis são os trabalhos que vocês terão que fazer - ele volta para trás da sua grande mesa - Na semana que vem quero um resumo detalhado e daqui a duas semanas vocês vão me apresentar um veneno que vai matar ou controlar a praga que está nos seus papéis. Boa sorte a todos.

- Na minha ou na sua casa? - o encaro por um instante, tentando entender a sua pergunta - Para fazer o trabalho.

- Pode ser na sua.

- Beleza. Vou te mandar o endereço por mensagem. Te espero lá em casa amanhã.

Assenti e ele foi embora, então me lembrei que ele não tem o meu número, aí me lembrei que estamos no mesmo grupo de laboratório. Saio da sala e as garotas estavam me olhando. Eu sei que não é por causa de eu namorar o cara mais popular da faculdade. E falando nele, ali está ele me esperando no meu armário para me pedir desculpa. Vou até o meu armário e o abro e começo a colocar as coisas na mochila.

- Amor me desculpa pelo que eu falei hoje de manhã, eu estava irritado.

- Sabia que você ia fazer isso? - tento controlar a minha raiva.

- Isso o quê? - ele arqueou uma sobrancelha.

Fechei o meu armário com força fazendo todos olharem para nós. Encaro o meu namorado e reviso os olhos, com o nojo que sinto ao encará-lo.

- Você joga tudo na minha cara e depois fala que não quer brigar comigo, então desliga a porra da ligação na minha cara e depois vem se arrastando igual um cachorrinho para me pedir desculpa - a cada palavra que saia da minha boca eu falava mais alto.

- Para de chilique Isa.

Ele fala sussurrando para mim, então não aguentei e dei as costas, saí da faculdade desorientada e zonza. Assim que ia atravessar a rua escuto o som de uma buzina e alguém me puxa para os seus braços. Encontrei aqueles olhos azuis e o empurrei deixando ele irritado.

- Qual é o seu problema, garota? - seu semblante está alterado - Eu salvo sua vida e você vem me empurrando.

- Algum problema, senhor Calvin? - um homem de terno preto e óculos escuros fica ao lado do Calvin.

- Tudo Róger agora vamos para casa. É você vê se toma cuidado por onde anda, não quero fazer o trabalho sozinho.

O homem abre a porta e ele entra, fechando a porta e o homem deu a volta, entrando na porta do motorista e eles foram embora. Meu coração estava acelerado, foi então que percebi que tratei ele muito mal. Ele salvou a minha vida e eu o empurrei bruscamente. Sai do meu pensamento com Felipe pisando duro no chão e vindo em minha direção.

- O que você estava fazendo com o Calvin? Isabelle.

- Não vem com essas suas crises de ciúmes, Felipe. Não estou com paciência.

- Não dê as costas para mim Isabelle.

Me virei de costas e fui para casa. Cheguei em casa e minha madrasta estava sentada na sala com o seu vestido da Calvin Klein e o salto que o meu pai trouxe dos Estados Unidos. Ela come mais dinheiro dele, do que uma praga acaba com uma plantação, mas até que gosto dela.

- Oi Liz - a comprimento.

- Como foi a aula Isa?

- Bem até. O almoço já está pronto? Estou com fome - minha madrasta deu uma risada baixa.

- Só estava esperando você para fazer a salada.

Ela se levantou e veio até mim, me dando um abraço e fui para a cozinha. Subi para o meu quarto, tomei um banho rápido e coloquei um short jeans, com um cropped branco. Desci para a cozinha e dei um beijo no meu meio-irmão de um ano, servi o meu parto e me sentei na mesa.

Quando terminei de comer, segui para a sala e me sentei no sofá, colocando um filme na enorme televisão. Peguei o meu celular e tinha duas mensagens na minha caixa de entrada.

Felipe

Não quero você perto do Calvin.

Ele é uma péssima pessoa

E só vai querer transar com você

Para com esse ciúme bobo Felipe.

Tanto que não posso me afastar dele, temos trabalho junto.

Desconhecido

Espero que tenha chegado em casa viva

Meu endereço é esse

Condomínio Diamond Black, avenida 10, casa número 648

Cheguei viva em casa

E muito obrigada por me salvar de morrer

Fui muito grossa com você.

Ok. Está combinado vou amanhã na sua casa as 17:30

Ok

Espero-te. Dê nada

Felipe

Troca de par, dá o seu jeito

Ele não é uma boa pessoa.

Por que você é tão cismado com ele, Felipe?

Problemas pessoais

Mais isso não importa

Desliguei o meu celular para ele não me incomodar com o seu ciúme bobo. Liz deixou o Caio comigo e fui para o escritório no centro da cidade para pegar os papéis de um caso que ela estava arrumando.

- Você tem uma mãe advogada que trabalha muito.

- Ti, tia.

Fiquei brincando com ele até o mesmo dormi no meu colo. Coloquei no berço que tinha na sala e liguei a TV, abaixei o volume e a campainha tocou. Fui até a porta, assim que abri, Felipe entrou.

- Por que você não responde às desgraças das mensagens e as ligações vão para a caixa postal - sua voz está ríspida.

- Faz silêncio Felipe.

- Me fala porra, tá a fim do Calvin?

Felipe gritou e Caio começou a chorar, fui à sala e o peguei no colo. Felipe veio atrás de mim, começamos com as suas desculpas irritantes.

- Me desculpe Isa, eu não queria.

- Saí da minha casa agora - interrompi - Amanhã a gente se fala, tchau.

Felipe saiu da minha casa e eu fechei a porta, solto um suspiro pesado na intenção de controlar a minha raiva. Faço o Caio dormir e o levo para o quarto, coloco ele no seu berço e segui para o meu quarto. Joguei-me na cama com o rádio da babá eletrônica na mão, coloquei o pequeno aparelho em cima da mesa de cabeceira e liguei a TV.

Já se passavam das sete da noite e Liz já tinha chegado junto com o meu pai. Meu irmão me ligou da Itália, falando que ia me visitar daqui a três semanas. Desci para o jantar e servi o meu prato, me sentei no meu lugar e comecei a comer.

Voltei para o meu quarto e tomei um banho quente para relaxar todos os meus músculos. Passo hidratante pelo meu corpo e coloco o meu baby doll. Sequei o meu cabelo e peguei o meu livro, me sentei na minha cama e acendi as lâmpadas da cabeceira da cama. Deu onze e meia coloquei o meu livro na estante e apaguei as luzes e dormi.

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