Capítulo 65 - Não Mexa com a Minha Mulher

Martinez pegou Justino em Ponta e foi direto pra Casa dos Prazeres. Toda quinta, tinha pôquer, cachaça e sexo. As meninas eram bem bonitinhas, cheirosas e saudáveis. Pelo menos era o que Amélia, a proprietária, dizia. Com certeza, ia pegar uma delas com a irmã de Ellen na cabeça. Como era mesmo o nome? Suzane... Suzi! O que restava saber era se ela ia ter coragem de contar o que aconteceu. E se contasse... Será que Franco viria atrás dele? Desta pergunta, ele já sabia a resposta. Esperaria ansioso. Por isso, liberou o prostíbulo para os amigos sem escrúpulos de Justino, que só andava com os "melhores". Cercado de gente da pior espécie, sentiu-se forte. Bebida na mão, arma no coldre, puta no colo e olhar na entrada.

Venha, Antonelli!

***

Alexandre desceu do sobrado de Safira como um raio. Passou pela entrada do Tempo Quente que já começava a encher. Viu Camilo do lado de fora com Bia e chamou-o.

- Manda a tua menina pra casa e vem comigo.

Camilo estranhou. Nunca se falavam.

- Por que eu faria isso?

- Porque teu pai tá em perigo.

E o meu também!

Camilo não argumentou. Fez.

***

- Alexandre disse que o velho Martinez vai pra Casa dos Prazeres toda quinta e sexta.

- Será que nosso pai sabe disso? – Henrique estava nervoso.

- Ponta do Noroeste inteiro sabe. – Respondeu Fred tenso com tudo aquilo.

Caio dirigiu como um louco no encalço do pai.

***

Alexandre e Camilo chegaram a Casa dos Prazeres antes que todo mundo.

Justino viu os dois que podiam acabar com seu reinado na Martinez juntos. Se a confusão se generalizasse, ia passar fogo neles. Acabava com a ameaça numa tacada só e não ia ter quem o acusasse. Quem poderia garantir de onde saíram os tiros?

- Vim te buscar, pai.

- Tô esperando alguém. – Martinez respondeu sem olhar para o filho.

Camilo falou com Amélia, mas o tom era alto pra todo mundo escutar.

- Acho melhor tirar tuas meninas daqui. A coisa vai ficar feia se Alexandre não tirar Martinez daqui antes do Antonelli chegar.

- Tiro na minha casa não!

Alexandre não parava de encarar o pai.

- Sai. – Camilo gritou agressivo para Amélia.

Ela saiu carregando suas meninas, alguns clientes também se foram, mas a jagunçada ficou.

Justino, que até então ficou calado, falou.

- Aqui tá todo mundo armado até os dentes e prontos pra defender o patrão.

Camilo não viu arma com Alexandre e nem ele tinha uma ali. Fodeu! Passou os olhos pelo local de forma casual e viu várias dando mole. Havia uma espingarda em cima de uma prateleira de bebida dentro do balcão do bar e uma 45, de aposta, na mesa de pôquer.

- Vou te ajudar a se levantar Martinez. – Camilo falou se aproximando.

- Eu não preciso de...

Colocou uma mão no ombro do velho, porém a outra foi direto na 45 em cima da mesa. Pegou a arma e apontou direto para Justino. Se encararam com ódio. Foi chegando pro lado do barman, que nem tinha encostado na espingarda por puro medo da briga de titã Antonelli x Martinez que se anunciava.

- Passa a arma e se manda!

O cara nem pensou em ir contra.

Camilo pegou a espingarda, sem tirar Justino da mira, e jogou para Alexandre.

- Toma!

- Amigo da onça! – Martinez cuspiu.

Assim que Alexandre empunhou a espingarda, a jagunçada sacou as armas, menos Justino que estava direto na mira de Camilo.

- Calma!... Calma!... Pai, vem comigo!

- Não!

- Estou te dando a chance de sair. Se escolher ficar, vai ter que lutar de igual pra igual com Franco, pai.

- Nem a pau! Ele vai ver é bala!

- Bala não! No muque! - Franco entrou com a arma em riste.

Martinez deu uma risada debochada.

- Chegou quem estava faltando!

- Luta comigo sem arma, seu covarde! Só eu e você! – Franco disparou.

- Isso tudo por causa daquela potranca?! Ela deve ser muito gostosa.

Franco ia perder as estribeiras e era isso que Martinez queria.

- Filho da Puta!!!!

- Desiste, Franco! Vocês estão em desvantagem!

- Nem tanto! – Caio entrou já com a arma na mão, seguido de Henrique e Fred.

Camilo olhou aquele bando de homens armados. Alguns já haviam trabalhado com ele na Martinez. Sabia que se o tiro começasse, não ia sobrar um pra contar história.

- Vocês vão mesmo se arriscar por um fazendeiro falido como o Martinez?! Sem contar que se matarem os Antonelli, a justiça vai com tudo em cima de vocês. Não vai ter lugar nesse país pra se esconder!... E o filho do Martinez tá do lado de cá. Acham que ele vai dar guarita pra quem passar a bala no único filho homem dele?! Essa briga é de peixe grande e por causa de mulher! Os dois são farinha do mesmo saco! Que se entendam então!

Se entreolharam.

- Martinez vai ser o primeiro a morrer porque tá na minha mira. – Caio ameaçou. – O que vocês vão ganhar com a morte dele? Tiro? Cadeia?

Alexandre sentiu o coração apertar. Ia ter que virar a mira pra Caio?!

- E vocês? – Justino rebateu.

- Nós somos os Antonelli! – Henrique respondeu já com raiva daquela porra toda.

Um nome acima da lei?! Todo mundo entendeu.

Um por um, os cabras foram baixando as armas e saindo do recinto.

- Deixa eu tirar meu pai daqui. – Alexandre pediu. – Ele tá bêbado!

- Eu falo por mim, Alexandre! – Martinez reagiu. – Ninguém me tira daqui!

- Seu pai bateu numa mulher indefesa. Vai apanhar pra aprender. – Franco falou cego de ira.

– Vou acabar com a tua raça, Fraco!!!

Caio chegou perto de Martinez e tirou a arma do seu coldre. O velho espremeu os lábios com ira gotejando pelos olhos.

- Isso fica comigo.

Camilo foi até Justino e deu-lhe uma coronhada que o fez cair desacordado. Pegou as duas armas que estavam com ele.

- Agora sim a briga pode começar.

Franco deu sua arma pra Henrique.

- Levanta, Martinez! Tua hora chegou!

Ele levantou. Achou mesmo que tinha chances de aniquilar o desafeto.

E foi com os punhos que Franco acabou com a raça de Martinez.

- Não mexa com a minha mulher nunca mais!

Para Alexandre, doeu ver o pai humilhado e espancado. Engoliu em seco. Sabia que dali em diante não teria como voltar à Santa Helena. Por fim, pegou seu pai ensanguentado e desmaiado e levou pra casa. Ali, tomou uma decisão. Retornaria à Martinez e faria de suas condições realidade.


***

Franco subiu as escadas ainda na adrenalina.

Quando abriu a porta do seu quarto, agradeceu mentalmente por vê-la ali, sentada na poltrona com uma música tocando baixinho.

Do jeito que estava, era bem capaz de sair pela casa atrás dela.

Assim que o viu, Suzi veio correndo pra ele.

- Morri de preocupação.

Passou a mão por seu rosto, pescoço, braços. Quando chegou nas mãos, ele gemeu.

- Ele te machucou?

Franco ficou meio distraído com a roupa de dormir dela: esplendorosa numa camiseta de alcinhas, combinando com um short curto de malha.

Suspirou e enlaçou-a com força.

- Você sabe o quanto eu te desejo, doce Suzi?

- Sei. Na mesma intensidade que eu te desejo.

- Vai dormir de vez aqui comigo?

- Sim.

- Vai pensar em ir embora de repente como da outra vez?

- Não.

- Vai ficar com vergonha de dizer que está comigo porque eu fui marido da sua irmã?

- Não.

- Vai viver na pendência da aprovação de Júlia?

- Não.

- Vai ficar me provocando com essa sua língua afiada?

- Eu não faço isso.

Ele riu de lado.

- Vai deixar eu cuidar de você?

- Sim.

- Vai me ouvir?

- Te obedecer?

- Você é difícil.

- Eu sei.

- Me deixa louco. – Uma voz de aborrecimento.

- Me deixa louca. – Uma voz de desejo.

- O quê? – riu.

Ela pressionou mais o corpo no dele.

- Você me deixa louca, Sr. Antonelli.

- Suzi... – Doce advertência.

Ela começou a despi-lo.

- Quero boca, mãos e sexo pra me curar.

E ele não se negou a dar o remédio que ela precisava, porém não era a cura. Nunca que ele ia deixá-la se curar dele.


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¹Arma de fogo.


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Ele dobrou a teimosa!

https://youtu.be/YB_BhO1qk54


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