Capítulo 64 - Sustinho
Martinez esperava Justino dentro da picape. O que aquele homem fazia em Ponta que demorava tanto? Já ia ligar o carro e largar o filho da puta lá quando viu a cunhada de Franco passando com algumas bolsas na mão.
Corria a boca pequena pela cidade que ela e Franco estavam tendo um caso. Podia ser que sim, como podia ser que não. Quem começou a fofocalhada foi Adriana Soares. E todo mundo sabe que mulher com dor de cotovelo faz de tudo pra ferrar com o cara! Não seria diferente com ela. Foi dispensada e queria ir às forras.
Dar um sustinho naquela beldade não ia custar nada. O álcool em excesso ajudou na intenção canalha. Desceu do carro e foi atrás.
O vento estava cortante. Muito frio! Agora era assim: um dia quente demais, no outro, frio. Ela colocou as bolsas na mala do carro e, assim que ia entrar, sentiu uma mão agarrando seu braço. O tal Martinez prensou-a com todo seu corpo na lateral do carro.
- Que é isso?! Me solta!
- Não.
- Vou gritar!
- Grita! Olha ao seu redor... Ninguém vai te ouvir.
Ela olhou. O estacionamento vazio. A cabine de pagamento era dentro da lojinha que dava pra rua. Então, nada nem ninguém por perto.
A boca nojenta veio pra cima dela.
- Não!!!!
Ela mordeu sua boca. Ele soltou um impropério e largou-a. Ela tentou correr, mas ele agarrou-a pelos cabelos.
- Vadia!!!
Deu-lhe um tapa na cara com tanta força que ela tombou no chão.
- Se te pegar sozinha de novo, não vou ter pena! - Falou com arrogância. – E nem pense em me denunciar! Sou importante!
Foi embora satisfeito com o que fez.
Reação
Suzi chegou à fazenda já anoitecendo. Sabia que aquilo ia dar merda, mas não tinha como esconder a bochecha roxa. Chorou por muito tempo naquele estacionamento, dentro do carro. Foi se aproximando de casa com o coração na mão. No trajeto de volta, decidiu que ia sim fazer um boletim de ocorrência¹ contra ele. Ia voltar com Henrique ou Caio para ajudá-la.
Entrou em casa e o primeiro com quem deu de cara foi justamente Franco. Ele não estava falando com ela, rezou para que não a olhasse, como vinha fazendo. E ele não falou, nem olhou, mas Caio vinha logo atrás e viu!
- Que é isso, Suzi!
Franco parou e olhou-a.
Ela baixou a cabeça. Sentiu vergonha, culpa, qualquer coisa que uma mulher agredida sente, mas que não deveria.
- Eu... Foi o Martinez...
- Quê?!... Filho da Puta!!!
Franco estava pra estourar de ódio. Segurou em seu queixo devagar para olhar seu rosto com cuidado.
- Ele tentou me agarrar no estacionamento... Eu o mordi... Então... Ele me deu um tapa na cara...
Caio levou a mão à cabeça.
Franco fechou os olhos com força.
- Morena! – Franco gritou.
Ela veio correndo.
- Que foi, homem!
- Cuida da Suzi!
- Pai, o que você vai fazer?!
- Ensinar a esse crápula não mexer com a mulher dos outros!
O silêncio foi total.
Ele foi até o escritório e saiu, ajeitando uma arma na cintura.
Suzi se assustou.
- Franco!
Ele não esperou. Passou por Fred e Henrique, que iam chegando, e saiu correndo pro carro.
Suzi foi atrás.
- O pai vai matar o Martinez! – Caio falou. – Pegando as armas pra ir atrás!
- Eu não tenho arma, mas me arruma uma que eu vou junto! – Fred pediu.
Suzi alcançou Franco assim que ele chegou na Picape.
Ele já ia abrir a porta, quando ela se meteu entre ele e o carro.
- Por favor, não vá tirar satisfação com o Martinez. Pode ser perigoso.
Franco estava se sentindo puto com muita coisa ali. A praga da família Martinez era apenas a gota que faltava pra transbordar. E a mulher a sua frente?! Ah!... Essa era fonte constante do seu mau humor. Não cedia, não colaborava, não se entregava de vez. Mas agora, ela ia ter a resposta que merecia.
- Quer me dar conselhos como minha primeira esposa? Quer que eu atenda seus pedidos como eu fazia com Ellen? Quer se meter nas minhas decisões? Então esteja no meu quarto hoje à noite pra dormir comigo. Não só esta noite, como todas as outras. Não arrume as malas e vá embora ao primeiro sinal de problema. Não bata de frente o tempo todo só porque virou rotina me tirar do sério.
- Eu não faço isso!
Ele quase encostou o nariz no dela.
- Se entregue! Se entregue por inteiro!... Agora, sai da minha frente! Enquanto não houver uma troca entre nós dois, eu tomo as decisões que eu bem entender e sem a influência de ninguém.
Ele a empurrou pro lado, entrou na picape e se mandou.
Ela sentiu raiva dele; e aí veio a consciência; então pensou em tudo o que ele falou, remoeu, negou e, por fim, assentiu; depois, no automático, entrou em casa, subiu as escadas e foi se instalar em seu novo quarto. E o único que impulsionou sua atitude foi o genuíno medo de perdê-lo.
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¹Boletim de ocorrência, também conhecido pela sigla B.O., é o documento oficial utilizado pelos órgãos da , e pelas , além dos e da para fazer o registro da notificação de no .
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O bicho vai pegar!!!!
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