Capítulo 63 - Trilha de Fome e Desejo

Caio

Pedi à Morena que fizesse seus famosos bolinhos de chuva. Àquela noite, eu ia surpreendê-la com uma travessa cheia deles. Não falei nada de minhas desconfianças. Pedi para meu pai e Morena ficarem calados até que eu tirasse a prova a limpo. A chance era grande dela estar grávida. Fiquei num estado de felicidade com a possibilidade! Não sabia nem explicar o que sentia. Com Dani, não pude acompanhar a gestação de Júlia, mas agora seria diferente e nenhum enjoou me manteria distante por muito tempo.


***

Se Júlia percebesse o quanto essa gravidez era diferente da primeira, já teria desconfiado de que estava grávida. Se tivesse notado que estava com as regras atrasadas também teria um indício do que estava acontecendo, mas, com a perda da amiga e, logo após, a depressão, nem se deu conta que a menstruação sumira.


Júlia

Como fui injusta com ele! E, agora, estou arrependida!

Acho que a irritação deve ser consequência de tudo pelo que estou passando. Falei tanta besteira, tanto insulto... Até do cheiro dele (que eu tanto amo!) reclamei. Senti-me enjoada demais. Juro que por um momento tive saudades de Portugal, do que tinha lá. Insanamente, me imaginei abrindo a porta e correndo, correndo, correndo... Saindo pela porteira, pegando a estrada e desaparecendo.

O que está acontecendo comigo?!

Quero pedir desculpa, só que me sinto tão cansada...

A falta dele apertou depois de quase uma semana de afastamento. Fui até o armário, peguei uma camisa social azul petróleo que ele tem e que o deixa lindo de morrer. Se antes, fugi do seu cheiro, agora, queria-o impregnado em mim. Vesti a camisa, passei seu perfume e fui pra varanda ver a Lua.

E que Lua!


Caio

Quando entrei no quarto, tudo estava apagado e ela, na varanda, vestida apenas com uma camisa minha. Andei até Júlia sem fazer barulho e com a travessa cheia de bolinhos de chuva na mão. Ela respirou fundo, sentiu o cheiro e se virou. A gigantesca Lua iluminava minha pretensão. Meus olhos me entregavam. Ela pegou um bolinho, levou à boca e suspirou de satisfação. Ela tinha prazer em comer e eu tinha prazer em olhar. Ela tentou pegar mais um bolinho. Eu tirei a travessa do seu alcance.

- Quer mais um?

- Quero. – Gemeu.

- Um beijo de língua... Quente.

Ela chegou mais perto e, sem resistência, me deu o que pedi.

Comeu outro bolinho.

- Quer mais um? – Incitei.

- Sim.

- Beija meu pescoço e minha boca de novo.

E mais uma vez, ela fez o que pedi, sem objeção.

Júlia estava dócil e eu, incontrolável.

- Quer mais?

Ela balançou a cabeça que sim.

Olhei-a com perversidade.

- Fica nua pra mim.

- Ah...

Foi tão devagar que desabotoou os botões e correu a camisa por seu corpo...

Perversa era ela! E eu adorava!

Tirou a calcinha.

Dei mais um bolinho.

Comeu, gananciosa.

Fui andando pra trás de costas, saindo da varanda, entrando no quarto, com a travessa esticada em sua direção. Ela veio me seguindo naquela trilha de fome e desejo que criei pra nós dois.

- Quero forte e rude. – Murmurou.

Se ela soubesse das minhas desconfianças!... Provavelmente, havia um filho meu naquela barriga linda. Fiquei com receio de machucar.

- Mas eu quero lento e tomando teu controle aos poucos.

Choramingou com a ideia e sucumbiu.

Delícia de mulher! Não percebia quando comandava, nem quando se deixava comandar.


****

"Vida humana em outra vida humana..."

Lindo, né?

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