Capítulo 57 - Caio e Júlia, Simplesmente
Caio
O vento agitou seus cabelos e levantou sua saia. Uma gargalhada veio quando tentou se cobrir.
Vento malvado!
Eu vi! Eu vi!... Eu vi a calcinha branca rendada!
- Eu vi!
Gargalhei com ela.
- Você pode. – Disse melosa e provocativa.
- Só eu posso! – Rebati com autoridade.
Olhei-a nos olhos. Fiquei sério, querendo, ela também.
Mordi o lábio inferior. Hipnotizada, assim ficou.
Fernando de Noronha¹ era o paraíso na Terra.
Júlia era o paraíso na Terra. O meu paraíso.
E o espetáculo começou.
Do alto, no mirante do Boldró², vimos quando o Sol começou a se pôr.
Que visão linda!
Ficamos extasiados com a cena.
Eu deletei o assunto Naja da cabeça e criei memórias felizes que nos acompanhariam para a eternidade. Sei que, quando voltarmos, terei que encarar essa barra pesada. O pior vai ser ver o sorriso dela morrer quando souber que aquele assassino está solto por aí. Mas, enquanto isso, nadamos, passeamos, mergulhamos, nos divertimos, nos amamos...
À noite, ela me seduz e não é só meu corpo. É muito mais. Ela se tornou dona de mim e não posso me defender disso. Comanda meu coração, minha atenção, meu desejo, meu protecionismo, minhas vontades. Não reclamo. Gosto do que sinto, do que tenho. Ela não toma, mas eu dou de graça.
Júlia
Ele me incita e não é só meu corpo. É muito mais. Me faz crescer, criar, sentir. Entendo seu olhar e leio suas expectativas. Comanda minha pele, meu íntimo, meu olhar, meu carinho, minha dedicação. Não reclamo. Gosto do que tenho, do que sinto. Me doo sem restrições, sem que ele peça.
O passado e toda a sua dor ficaram pra trás. Tenho certeza absoluta que o que nos aguarda é um final feliz.
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¹Arquipélago vulcânico situado a cerca de 350 quilômetros ao largo da costa nordeste do Brasil.
²O mirante fica de frente à praia do Boldró em Fernando de Noronha.
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Rezemos para que Júlia tenha razão
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