Capítulo 53 - Felizes para Sempre
Júlia
Olhei-me no grande espelho do quarto e nem acreditei no poder que aquele vestido branco tinha de me emocionar.
- Linda, Júlia! – Disse Luísa, quase chorando.
Minhas amigas estavam comigo e, da mesma forma, estavam lindas.
Doralice, Luísa e Safira.
A cerimônia ia ser na fazenda e a única pessoa que faltava era tia Suzi. Chegou de Portugal um dia antes e vinha do Rio de Janeiro de helicóptero. Já estava bem atrasada.
Esperei um ano para oficializar minha união com Caio porque queria dar um espaço de tempo das perdas que aconteceram no ano anterior. Meu pai primeiro e, alguns meses depois, minha mãe.
Nesse meio tempo, conheci um Caio amoroso, dedicado a mim e a Dani. Um homem completamente apaixonado. Eu sou uma mulher completamente apaixonada.
Eu sou a cara da felicidade!
Convidei Franco para entrar comigo. Ele ficou sem chão. Gaguejou, disse sim e amou a ideia. Tia Suzi ia entrar com Caio. Pensei bastante nas desconfianças que Camilo havia lançado sobre Franco e minha tia, mas muito tempo se passou e percebi que foram apenas especulações venenosas sem qualquer fundamento; afinal, tia Suzi foi embora logo após a morte de minha mãe e ficou todo esse tempo afastada.
O mais novo iria levar as alianças e a mais velhas, as pétalas de rosas. Nosso filho ia entrar de mãozinha dada com Ruth. Ela já havia se aposentado e morava com a filha em São Paulo, mas veio de longe para o nosso casamento. Ruth viu Caio nascer, não podia faltar num momento tão importante. Queríamos ela conosco.
A porta do quarto se abriu e Tia Suzi entrou.
Que saudade!
Não falou nada. Veio direto a mim e me abraçou. Um ano sem vê-la pessoalmente!
- Não chora, senão vai borrar a maquiagem!
Eu ri.
- Não vou chorar, pode deixar! Agora, não falta mais nada. Vamos descer?
Achei que ia ter dificuldade em escolher quem iria estar no altar com Henrique, mas, infelizmente, ele e Dora brigaram feio. Não estão mais juntos. Só sei que ela está muito magoada. Luísa anda triste com tudo o que está acontecendo e Henrique fica quieto, calado. É dele ficar assim, quando algo não está bem.
Do meu lado, tenho Fred e sua namorada, Melissa Mattos. Ele andou dando umas consultorias à ela e à sua fazenda Vale do Cipó e, nisso, acabou rolando um clima, uns beijos e uma paixão. Ele é ótimo, ela também. Tenho também comigo, Alexandre e Safira. Eles nem se olham. Não ia colocar os dois juntos, mas ele me chamou num canto e pediu pra ser assim. Ela, quando soube que ia entrar com ele na cerimônia, fez silêncio. Acho que concordou porque "quem cala consente". Do lado de Caio, seu irmão com Luísa e Dora com Samuca.
O local da cerimônia, próximo ao Black, ficou idílico. Aproximei-me com Franco apenas quando todos já estavam no altar. Isso tudo para Caio não me ver vestida de noiva antes da hora.
Crendices!!! Amo!!!
- Se sua mãe estivesse aqui, seria a felicidade em pessoa. – Ele falou bem emocionado.
Olhei-o com carinho.
Gênio difícil, alma generosa. Assim era Franco.
- Eu sei. De alguma forma, acredito que ela saiba dessa felicidade toda.
- Acho que sim. – Ele respondeu.
Então, de braços dados entramos com todos os olhares em mim. Mas o único que me chamava era o dele. Seu pai me entregou. Nossas mãos se entrelaçaram. Das belas palavras do padre ao sim, às bênçãos, às alianças com nosso filho, ao beijo...
Enfim, Júlia Estrada Antonelli.
***
Suzi conseguiu não demonstrar a preocupação que estava sentindo porque queria muito que Caio e Júlia aproveitassem ao máximo a festa de casamento.
Não foi à toa que chegou atrasada. Coincidências aconteciam a todo instante, mas o que dizer daquilo? Como descrever o que sentiu quando já pronta para sair do hotel onde estava hospedada, o telefone tocou e a voz de um grande amigo surgiu, trazendo notícias nada agradáveis de um assunto antigo que, no entanto, ia ganhar uma notoriedade indesejada?
Além desta bomba, ainda encontrou o que não queria: o desprezo de Franco.
Ficaram no altar, lado a lado, como dois estranhos. Eles saíram da cerimônia de braços dados, mas Franco não a olhou nenhuma vez ou lhe dirigiu a palavra. Circulou pela festa com uma mulher elegante o tempo todo a seu lado. Sorriu, conversou e... beijou!!! Beijou a mulher algumas vezes. A dor da infelicidade era física e o pior de tudo era que, enquanto ele a ignorava categoricamente, seus olhos voluntariosos o acompanhavam a todo momento.
Samuca, com uma bela menina a tira colo, passou por ela e jogou-lhe um beijo de longe. Ela retribuiu e essa foi a única vez que percebeu a atenção de Franco.
A festa já estava chegando ao fim e logo Caio e Júlia iriam para o Rio passar a noite de núpcias e, depois, o destino oficial: Fernando de Noronha.
Até que Suzi protelou bastante, mas não tinha como fugir. Criou coragem e chamou Henrique num canto.
- Eu preciso de um grande favor seu.
- Aconteceu algo, tia Suzi?
Ele era um fofo e sempre a chamava de tia.
- Eu tenho que falar com Caio... É um assunto importante, mas é particular... Bem... Eu não quero que Júlia saiba... Você conseguiria levar seu irmão ao escritório sem que ela percebesse?
- Pela sua cara, acho que é algo com que eu deva me preocupar.
- Chama Caio e vem junto com ele, que eu conto o que está acontecendo.
****
A felicidade é efêmera
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