CAPÍTULO 6

Você é única, garota
E você sabe que isso é verdade
Eu me sinto mais jovem
Toda vez que eu estou sozinho com
você
Ed Sheeran, How would You feel.

    No momento em que decidir vim tomar apenas um drink, eu já estava um pouquinho alcoolizada. Porque se eu tivesse colocado na minha cabeça que o que tenho na minha conta, não daria para pagar uma taça da que havia sorvido minutos atrás, eu teria simplesmente saído daqui.

Mas não, eu tinha que amar sentir o líquido doce descer pela minha garganta, deixando o sabor afrodisíaco na minha língua. Um sabor dos deuses, eu diria!

Mas aqui estava eu na minha segunda taça. Olhando o movimento do líquido rosado que tilintava na taça em minha mão, refletir em tudo que fazia parte da minha vida. Nas desordem, solidão, dificuldade e no final... em nada.

Suspiro fundo, e olhei o barman atender o pedido do senhor ao meu lado, o mesmo carregava uma expressão frustrada no rosto. Com os braços encostado no balcão, ele virou a cabeça para mim e disse segurando o seu whisky dado pelo barman:

— Sem problemas não há persistência. O que nós somos sem desafios? — E bebeu em um gole só. — A vida, jovem, é basicamente um ciclo de evolução que se equilibra no ter e no ser.

Concordei com as suas palavras, e em respeito bebi a minha deliciosa bebida de uma vez.

Ousadamente pedi um vinho tinto, é eu estava em outra vibe já. Ao provar, senti o teor alcoólico aumentar e minutos depois senti a temperatura do meu corpo esquentar.

Esse vinho é dos bons! Uau!

Com a taça em punho girei, e mergulhando no mar de confusões que estava à minha volta, terminei de beber de uma vez bem animada.

— O que comemora? — indagou, enquanto esperava o barman o servir novamente.

— A minha companhia. — dei de ombros. — E o senhor, o que o trás aqui?

— Procuro uma forma de concertar algo. — diz e vaga o seu olhar para o outro lado. — Está vendo aquela linda mulher vestida tão deslumbrantemente?

Olho na direção da mulher que ele indica, ela estava em uma posição que não nos veria, a não ser que virasse para olhar a sua volta. Ela estava belíssima em seu traje verde água. Conversava com outra mulher de forma íntima, como se confidênciasse seus problemas internos.

— É a minha esposa. A outra é sua irmã. — continuou — Elisa está chateada comigo... e juro por minha vida que não sei como concertar.

— Já tentou se aproximar? — indaguei e afastei a minha taça.

— Flores não funcionaram. — murmura e perece pensativo.

Suspirou cansado e massageou o quieixo, depois voltou a olhar a esposa com um olhar tristonho.

— Havíamos acabado de chegar das compras. Estava chovendo quando estacionei o carro em frente a escadaria da nossa casa, entreguei o guarda-chuva a ela e corrir para tirar do porta mala as compras. Já que iríamos precisar para fazer o jantar. — Contou, seu dedo indicador deslizou pela borda do copo enquanto contava. — A rasteira que usava deslizou no piso de porcelanato e acabei rindo da queda. Faz dois dias que ela não fala comigo. Castigo do silêncio, é como denomino essa situação.

— Acredito que ela quer apenas ouvir um pedido de desculpas. — falei, e ao voltar a fitar a minha taça a vejo completa.

Eu podia sentir o seu desespero por não saber como consertar o ocorrido.

— Droga! Como pude ser tão tolo! — seu lábio se repuxaram em uma linha fina. — A propósito, Sou Adolpho. Um prazer lhe conhecer.

— Igualmente, eu sou a Maria kristal. — Aceitei o seu aperto de mão.

Os cabelos castanhos claro já mostravam a transição para o branco. O senhor Adolpho olhou para o relógio de pulso, crispou os lábios e falou:

— Bom... chegou minha hora de ir...— olhou apressadamente para o relógio do pulso que reluzia em puro ouro. — Muito obrigada, Kristal. Você abriu os meus olhos.

Sorrir em agredecimecento.

—  Tenha uma boa noite. Até um breve encontro.

— Boa noite! Até. — sorrir ao falar.

A conversa agradável findou com a saída do senhor Adolpho. Infelizmente não haveria outro encontro pelo simples motivo de não frequentarmos os mesmos ambientes.

Pisquei meus olhos diante do embaçamento. E sentindo o desejo de apreciar o sabor do vinho que pairava na minha língua, pedi:

— Outra taça, Lúcio. — Cruzei as pernas e levei o amendoim à boca, a combinação com o vinho é simplesmente saborosa.

Céus, como isso é divino.

Fechei os olhos enquanto mastigava o amendoin, e suspirei com a delícia da combinação entre o amendoim e o vinho.

Abro os meus olhos ao sentir um raspar de leve no meu braço, engoli com dificuldade ao ver a presença dele ao meu lado, marcante e magnética. 

— Um Whisky duplo. — tamborilou os dedos no granito escuro do balcão.

Aí, não, é ele mesmo.

Fechei os olhos e fiz uma oração para não ser o meu futuro chefe, estranhamente senti um friozinho na barriga. Lembrei-me da minha vingança, do pedido de desculpa e do quão estranho ele foi estava ao se afastar.

Me virei para olhá-lo, ele estava concentrado digitando algo em seu celular de um modo tranquilo, sua mandíbula bem marcada era desenhada pela barba rala que desenhava seu rosto, o deixando sexy.

Irresistívelmente sexy.

Os cílios espessos, sobrancelhas desenhadas e lábios atraentes em um vermelho leve o tornava um pecado grego. Senti um calor incomum crescer entre as minhas pernas.

Céus, pelo seu porte físico é notório que possui gominhos e tem peitoral musculoso.

Um corpo definido e atraente aos meus olhos.

Meu Deus, ele é meu chefe!

Arregalo os meus olhos em choque com meus pensamentos. Volto a olhar para minha frente e nervosamente levo a taça de vinho aos lábios.

— Olhar não tira pedaço Kristal, a não ser que queira! — senti meu rosto queimar como brasas e o vinho desceu rasgando, o olhei automaticamente. — E se quiser, eu deixo. — um sorriso maroto pintou seus lábios.

Quem ele pensa que é pra falar assim comigo?

— Escute aqui seu Don Juan... — encarei o seu rosto firmemente, o que foi uma péssima ideia já que o maldito sorriso sacana estava ali presente — Você está perdendo seu tempo aqui! — Sentir meu corpo querer virar gelatina com o seu intenso olhar sobre mim.

— Sério? A sua linguagem corporal diz outra coisa. — A voz calorosa tinha uma provocação clara. Um formigamento forte se instalou abaixo do meu ventre apenas com o simples som da sua voz. Ele se virou para mim e quando a sua perna tocou na minha, o formigamento se espalhou pelo meu corpo trazendo um arrepio sobre a minha pele. — Ela está me dizendo que você quer se queimar no meu inferno particular. Só eu e você, suados e exaustos. — arfei em uma falta de ar, só podia ser o efeito do álcool em meu organismo.

Por um breve segundo minha mente foi capaz de imaginar os nossos corpos suados e exaustos, e não foi nada bom ter esse pensamento. Porque um desejo começou a crescer e a queimar na mesma intensidade ao deseja-lo.

Abri minha boca para falar algo, mas eu estava hipnotizada pelo seu olhar que as palavras simplesmente derreteram no meio do caminho. O que diabos estava acontecendo comigo? Eu não sou assim!

Seu olhar pousando nos meus, parecia me dominar por completo.

— Cadê o seu acompanhante Kristal? — perguntou como se não tivesse falado palavras indecentes.

Eu sentia meu coração bater tão acelerado dentro da minha caixa torácica que parecia ser pequena demais para um simples coração que batia fortemente.

Eu o estava desejando! E gostando de ser seduzida por ele.

— E-le... precisou sair... — minha voz saiu hesitante.

A minha intuição dizia que uma merda bem grande aconteceria se eu não fosse embora. Algo dentro de mim me dominava para provar dos seus lábios e temendo por uma ação impensada, desci da banqueta.

— Lúcio, a conta...! — pedi rapidamente.

Pisquei os olhos para organizar os meus pensamentos e...

— A conta já foi paga senhorita! —fiquei pasma.

Quem pagaria para mim?

— Quem quitou a conta? — perguntei espantada, quem pagaria a dívida de uma desconhecida?

— Pagamento anônimo senhorita. —  Lúcio falou e depois se retirou para atender outro cliente.

Não olhei para ele, havia um limite bem transparente ali. Eu sabia que do jeito que estava poderia romper essa linha sem pensar duas vezes, agarrei ao fiasco translúcido de lucidez quase perdida e sai dali sem olhar para trás. Se eu ouvisse a sua voz e o seu olhar sobre mim, eu concertaza faria algo que poderia me arrepender depois.

Meu Deus, essa noite não está saindo como o planejado!

*

     Havia um laço invisível que me puxava em direção dela. Eu lutei contra a minha razão para não vim ao seu encontro mas acabei cedendo vendo que o brotinho da forte atração que sentia por aquela feiticeira falava ainda mais alto.

   E me deparar de perto com a sua estonteante beleza me faz ficar desnorteado. Faz a razão se silenciar apenas para que o coração possa bater de forma descompassada. Não sabia definir a extensão dessa intensa atração que sentia por ela. Era algo louco que roubava até as minhas decisões.

Depositei o copo sobre o balcão e paguei pela bebida. O perfume doce misturando com seu cheiro de lavanda estava impregnado ao meu redor, fecho os olhos por breves segundos ao imaginar os meus lábios explorando a pele do seu pescoço.

Eu estava fodido.

Meu comportamento e pensamentos agiam da forma que fui na faculdade, um verdadeiro safado. Mas esse lado meu estava diferente, ele vinha acompanhado de outros sentimentos que apenas me direcionava a ser um libertino apenas com ela. Travo minha mandíbula e solto uma longa e funda respiração para acalmar o meu interior que estava agitado.

Leia os sinais, o coração dizia.

100% fodido, a razão rebate.

Grunhi em resposta.

Olhei ela se afastar, levando consigo a elegância no caminhar. O vestido que usava marcava cada centímetro das suas curvas, a pele serena mostrava-me o quão macia era. A mulher era um belo pecado esculpido pelos deuses, pecado esse que já queria provar, saborear e adorar cada pedaço.

Estalo a língua, ao me desgarrar dos meus pensamentos pecaminosos. Tendo apenas uma certeza que pulsava desenfreadamente por toda a minha mente:

Ela seria minha.

Estava decidido. Que se dane a prioridade que venho caçando a anos, havia algo mais forte que pulsava e me enlouquecia de forma intensa.

Agradeço ao barman por não contar que fui eu que paguei a conta dela. Peguei a bolsa que ela havia deixado no balcão e fui atrás dela. Sai do restaurante sem olhar detalhes ou responder aos cumprimentos que recebo.

   Vi a mesma se abraçando por causa do frio. Os fios do seu cabelo dançavam em direções incertas pelo vento, a luz à nossa volta enaltece ainda mais a beleza devastadora que ela possuía. Uma verdadeira deusa da sedução!

Andei em sua direção e quando a mesma olhou para o meu lado, começou andar para longe. Parei ali na calçada e gritei o seu nome:

— KRISTAL! — ela continuou andando — Você esqueceu a sua bolsa! — levantei a mão com a bolsa para o alto, deixando visível aos seus olhos.

Ela parou imediatamente, e levou as mãos à cabeça se amaldiçoando. Virou-se e andou em minha direção com passos firmes, e olhar tão marcante que me fez sorrir de lado.

Puta merda, um verdadeiro fenômeno da natureza.

Abaixei o braço e o levei para trás das costas.

Ela se aproximou, suas mãos tentaram pegar a bolsa mas eu dei um passo para trás. Ela grunhiu em frustração e ao tentar pegar novamente, acaba desequilíbrando e antes que caia no chão, eu a seguro. Minhas mãos em torno da sua cintura, ficam paradas apenas sentindo suas curvas e meus olhos ficam presos nos seus. Eu estava hipnotizado pelo imã do seu olhar que havia me arrebatado por completo. Seu olhar desceu para os meus lábios em uma combinação perfeita acompanhada de um sexy olhar 43.

Quando a sua língua passou por seus lábios, um grunhido rouco deixou os meus lábios em puro desejo.

— A minha bolsa. — disse com a voz carregada.

Lentamente a coloquei em pé e dei um passo para trás ao colocar a bolsa em suas mãos. Ian estacionou o carro ao nosso lado, abrir a porta traseira do carro e pigarriei para pode falar normal.

— Vamos Kristal, eu lhe dou uma carona.

Ela puxou o canto do seu lábio inferior, olhou para os lados da rua e ao soltar a respiração, ela me olhou e assentiu. Kristal entrou no carro e foi para o outro lado da porta. Entrei no carro e me inclinei em sua direção sendo analisado por seus olhos que faiscavam ao me encarar.

Puxei o cinto de segurança e coloquei, fazendo-a entender a minha aproximação. Ao arrastar o meu olhar para encará-la vejo que faltava apenas três centímetros para romper a distância. Sua respiração começa aos poucos a aumentar quando a curta distância começa diminuir por ela. Apenas permaneço parado esperando ver o que ela faria.

Seu lábio roçou levemente no meu e pude sentir uma corrente elétrica percorrer todo o meu corpo e quando senti seu beijo no canto da minha boca, sentir meu coração quase arriar.

— Você possui uma boquinha muito atrevida, senhorita Hernandez. — falei, seu olhar atento permanecia em meu rosto.

Toquei carinhosamente o seu rosto e deslizei o meu indicador por sua temporã. Aproximei os meus lábios da pele do seu pescoço e rocei o meu nariz levemente. E subi arrastando a ponta do meu nariz por sua bochecha. Meus lábios pousaram em seu queixo e provei do sabor da sua pele, um som abafado deixou os seus lábios.

Seu olhar cobalto escureceram e da sua boca as palavras deslizaram como um canto hipnótico:

— Eu ainda não g... — suas pálpebras tremeram e ao me afastar a vi fechando os olhos lentamente.

Voltei para o meu lugar, coloquei o cinto ainda a olhando. E acabei rindo baixo ao perceber que ela de fato havia adormecido. Retirei o meu terno e a cobri, mesmo que o aquecedor estivesse ligado.

Encostei a minha cabeça no encosto de couro do carro e suspirei tentando acalmar o meu interior que estava agitado. Voltei a fitar o seu rosto sereno tentando lembrar do momento em que fiquei sobre o seu domínio.

Não sabia dizer se era a simplicidade da sua beleza carregada de uma certa inocência, que me deixava vivo por dentro, ou por quê a verdade é que meu pai estava certo o tempo todo ao dizer:

— Filho, se uma garota cruza o seu caminho duas vezes no mesmo dia, fique atento, pode ser o destino lhe indicando a mulher da sua vida. — ele entregou nas minhas mãos a bandeja de biscoitos de chocolates e acariciou os meus cabelos. Eu tinha apenas 15 anos quando contei a ele que havia visto uma garota no Central Park e a achei tão linda quanto o arco íris daquela manhã. — Foi assim que soube que a sua mãe estava destinada a ser o amor da minha vida. A intuição nos alerta quando mantemos os olhos atentos ao amor.

Será que a verei de novo? — indaguei ansioso.

— Bom, o destino irá se encarregar de fazer a sua parte, se esse for o caso. — sorriu e afagou a minha bochecha — Termine o seu lanche e vá ver o que sua mãe quer, ok?

Balancei a cabeça em afirmativa enquanto levava um biscoito a boca. O assisti sair pela porta lateral de vidro, o mesmo estava vestido formalmente, e não era preciso muito para saber que papai retornava para a sua empresa. Lembro que naquela tarde enquanto comia os biscoitos vaguei pela lembrança daquela garota, do sorriso tímido dirigido a mim e do olhar sereno que tanto me encantou. Estava passeando com Lauro, cada um em sua bicicleta e por uma aposta boba que fiz com meu amigo, decidimos tomar um caminho diferente do qual estava predestinado a fazer. A vi mudar completamente o semblante quando seu sorvete que havia acabado de comprar cair ao chão. Sua cara de decepção se substituiu por uma carranca ao direcionar o seu olhar para o garoto que havia esbarrado em seu ombro ao passar correndo. Lembrei de vê-la correndo atrás do garoto e assim sumindo para sempre das minhas vistas. Permaneci ainda montado na minha bicicleta olhando ela sumir.

Por algum motivo o desejo de ajudá-la a estapear o garoto havia me paralisado no lugar. A perdi de vista assim como um marinheiro em alto mar que não tem visão sobre o horizonte de terra firme.

Meu pai estava certo ao dizer que o destino se encarregaria. Depois daquele dia nunca mais vi aquela garota e hoje entendo que sempre há um tempo e um propósito. Não era ela.

Fechei meus olhos ao
suspirar fundo e longamente. Voltei a minha mente para o jantar que havia sido um inferno. O empresário dono de uma rede de computadores conhecido mundialmente, tinha um projeto de um programa artificial e queria lançar no mercado. Mas o que o senhor Valentino não queria aceitar, era que o projeto dele teria que passar por pequenas mudanças e foi nessa parte do jantar que vi a Kristal. Ela não percebia os olhares que recebia em sua direção, sem dúvidas ela estava deslumbrante.

E vendo-a tão radiante só pude admirá-la.

Perfeita como a aurora boreal do polo Norte.

O jeito que se expressava, a maneira que sorria e analisava as coisas ao seu redor fez mais uma vez lembrar do conselho do meu pai. E durante aquele jantar, eu me questionava se realmente era obra do destino, eu poderia estar ficando louco em pensar assim? Poderia! O amor é tão complexo que até os seus sinais são difíceis de ser interpretados.

Apesar de ser um Homem que não se envergonha em dizer que decidiu esperar pela mulher certa, a que entrará pela porta do meu coração e terá o privilégio de ser a única a entrar e permanecer se assim desejar, eu sabia identificar quando dois corpos emana paixão que é, desconhecida, oculta e intensa. Eu só desistiria se ela escolhesse não viver o calor intenso dessa paixão.

— Dominic, o endereço da senhorita? — abro meus olhos e aperto o botão que há ao meu lado o tirando do mute.

— Seguiremos para o meu apartamento, Ian. — não havia outra opção.

Ela tomba a cabeça para o meu ombro, e com bastante cuidado coloco a sua cabeça na curva do meu pescoço. A mesma abraçou a minha cintura como se estivesse abraçando o seu travesseiro, se achegando em busca do calor corporal. Aninhou-se tão intimamente e abraçou-me apertadamente.

Fiquei estático imaginando que qualquer movimentação minha poderia acordá-la. Decidindo que só me movimentaria quando finalmente chegasse no meu condomínio.

A ajeitei o terno no seu corpo a deixando quentinha. E a vi tentar se aproximar em busca de mais calor?

Voltei a fechar os olhos queria nem imaginar o escândalo que supostamente ela poderia armar amanhã quando acordasse.

O carro havia acabado de ser estacionado na sua vaga, Ian abriu a porta e com um pouquinho de dificuldade consegui tirar a Kristal e seguir com ela em meus braços até o elevador. Seu cheiro começava a se cravar em mim causando um sentimento de lar em mim. E era tão familiar a um certo ponto que eu podia jurar que aquele cheiro tentava resgatar algo da minha memória.

— Ian, tire o dia livre amanhã. Se acaso eu comparecer a empresa, irei sozinho. — O avisei, Ian apertou o botão do elevador colocando no meu andar. — Obrigado, boa noite.

O mesmo assentiu e saiu em direção ao carro, Ian possuía seu próprio negócio mas negava-se a deixar de ser o meu motorista. Nos conhecemos dentro da corporação, no dia que entrei. Mas foi em uma operação em que sua vida foi colocada sobre risco de morte que ele se vê desde em dívida comigo. Mesmo quando falei que não havia uma dívida a ser paga, porque amizade que havíamos construído era o suficiente para a vida dele fosse valiosa o bastante para que a troca fosse feita.

Eu arrisquei mesmo tendo calculado as consequências da minha ação. Propus a troca e foi assim que pude deter ameaça, o desarmei e o matei. Por isso Ian escolheu permanecer como o meu motorista, segundo ele, estaria sob controle da situação ao redor.

Conhecia meu amigo e sabia que quando estava decidido a fazer algo, nada o impedia de fazer. Cedi, e mesmo sabendo que suas recusas sobre férias e folgas, eu sabia que amanhã ele entraria no sistema do condomínio e veria se meus carros estavam na vaga.

Suspirei fundo.

Fitei seu rosto — as portas metálicas do elevador se fecharam — os braços da Kristal se fecham mais ainda ao redor do meu pescoço — encantado com toda a suavidade que compõe a sua beleza sedutora. As portas do elevador abriram e em passos calculados andei até a porta do meu apartamento. Fiz o procedimento padrão de segurança, com a única diferença que houve um pouco de dificuldade. A porta se abriu e assim que entrei a mesma se fechou automaticamente. Inevitavelmente suspiro em uma alívio ao saber que dentro do meu apartamento estaria na minha zona de segurança e calmaria.

Andei em direção às escadas e com cuidado subi degrau por degrau, abri a primeira porta que é a do meu quarto e prossegui até a grande e imensa cama de casal, onde depositei Kristal. Retirei os seus saltos e depois andei até o meu closet, pegando cobertas quentes para a cobrir. O ar estava em uma temperatura boa, e não havia nenhuma luz para incomodá-la.

Coloquei a sua bolsa em cima do criado mudo, mas o seu celular tocou e insistiu nas ligações seguintes. Tirei o celular da bolsa e verifiquei a chamada: Meu raio de sol.

A foto evidenciava uma garota surtada com aqueles chifrinhos vermelhos na cabeça, a loira ligou mais uma vez, eu resolvi atender mesmo com receio. Estava sendo invasivo.

— Pois não? — me afastei da cama e tentei me comunicar com a outra pessoa que só sabia falar, palavras como:

"Eu estou quase surtando a ponto de ligar para a polícia!"

"Como você não me avisa se vai voltar ou não?!"

"Vai me dizer que quebrou o voto de castidade?"

Definitivamente essa garota é surta da ou nervosa.

Pra chamar atenção dela, digo:

-— Com quem falo?

— Aí, meu Deus! Você sequestrou a minha irmã e agora vai pedir dinheiro para o resgate! — disse sobressaltada — E cadê o acompanhante dela? — as palavras atropeladas a deixava ainda mais nervosa.

— Sua irmã está bem. — tentei acalmá-la.

— Quem está falando? E porque está com o celular da minha irmã? - perguntou. - Você não é o Thomas! - declarou.

Não, eu sou Dominic Ford. Sua irmã está dormindo aqui no meu apartamento. E por algum motivo o Thomas precisou deixá-la no restaurante. — sinto um desconforto ao falar o nome do sujeito.

— Se você tocar nela, eu juro que te mato! E não importa se você é conhecido e querido pela mídia! — decretou sua ameaça dizendo:

— Eu sei desovar um corpo.

Segurei um riso irônico. Lembrando que o lado protetor da loira havia pontos positivos.

Não precisa se preocupar, eu não toquei nela. Ela está bem e dormi tranquilamente. — tentei tranquilizá-la.

Eu não acredito! Você pode estar mentindo! Se não me atender, juro que vou ligar para a polícia — continuou com suas ameaças. A chamada de voz foi substituída pela de vídeo e para tranquilizá-la e afirmar que digo a verdade, aceitei. — Eu quero vê-la.

Me aproximei da cama e liguei o abajur para clarear o quarto, o rosto da loira suavizou um pouco. Apaguei a luz do abajur e me afastei novamente da cama.

— Novamente repito: não encosta nela. — A voz dessa vez estava baixa mas o tom estava sério.

Não se preocupe. — falei firme.

— Boa noite e boa sorte. — suas últimas palavras ecoaram na minha mente, me fazendo buscar o motivo pelo Boa sorte.

Antes de seguir para o quarto de hóspede coloquei o celular no lugar, peguei a minha sunga boxer e a minha calça moletom cinza no closet para vestir depois do banho. Eu só esperava que o amanhã não fosse uma tempestade.

E que ela lembrasse dos detalhes da noite anterior.

*

  Um sentimento adormecido vibrou bem baixinho em meu peito, sentir uma certa familiaridade. Estranhei sentir e tentei me lembrar de algum momento específico da minha vida em que havia experimentado, mas não havia nenhum que viesse a minha mente.

  Espreguicei-me sentindo aquele calor gostoso que havia nos cobertores e no colchão, me senti dentro de um sonho de luxo. Abri os meus olhos e os fechei rapidamente com a claridade. Me deparei com uma parede de vidro que me dava a vista do céu e dos prédios, franzi o cenho desconhecendo aquele cômodo.

Uma fisgada lateja na lateral da minha cabeça. E solto um gemido sofrível ao me deparar com a terrível ressaca.

Subitamente levanto o meu tronco e olho à minha volta. Dando-me realmente conta de que estava em um lugar desconhecido.

Aqui não é o meu quarto, constato em pensamento.

Me sentei na cama e verifiquei se eu estava vestida, mesmo sentido que não havia acontecido nada comigo. Levo as mãos à cabeça ainda sentindo a ressaca, céus... porque fui beber desenfreadamente?

Massageei minhas têmporas para aliviar a pressão, tentei lembrar dos eventos da noite passada e posso suspirar aliviada por ter terminado bem. Nada de anormal havia acontecido.

Olhei a mobília do quarto que era decorada em cores cinza e dourado. A elegância e o bom gosto estava presente em cada pedaço do cômodo. Busquei os meus saltos que estavam no canto juntinhos e os calcei. Ao olhar para o criado mudo vi uma fotografia da família Ford e reconhecia aquele lugar. São Francisco, Califórnia.

Encarei a fotografia e precisei de tempo para processar a coincidência, porque eu também tinha uma foto em família no mesmo lugar em que a família Ford tirou. A foto pegava o cenário do oceano pacífico e a ponte Golden Gate Bridge. Acessei a galeria do meu celular e depois de procurar por alguns minutos encontrei a fotografia. Ambas ao lado e tenho um sensação familiar ao encará-lo. Um arrepio percorre o meu corpo quando vejo em minúsculo e bem no canto a data em que a fotografia fora tirada.

Mesmo ano, data e horário.

Tentei me recordar de vê-los mas parecia que esse detalhes extras a minha mente não havia capturado. Eu tinha 17 anos na época e foi uma das várias viagens que fizemos em família.

Com cuidado coloco o quadro no lugar, e peguei a bolsa.

Retirei o celular da bolsa e comecei a ligar para Alicia. Caminhei em direção ao banheiro que tinha a porta espelhada aberta. Assim que entrei me deparei com um banheiro espaçoso e uma mobília dark, bancada de granito escuro, espelho oval, piso da parede e chão em tons terrosos, toalhas de banho e rosto em seus devidos lugares e três roupões de microfibra pendurados em ganchos na parede. A hidromassagem possuía seu canto ao lado do box, cada detalhe era deslumbrante.

Elegância e domínio.

Poder em cada ato do que lhe pertencia, deixando marcado a sua presença no cômodo.

Deixando minha fascinação pelo banheiro de lado, tranquei a porta e voltei a ligar novamente para Alicia, essa me comeria viva.

— Alô...? — Sua voz estava sonolenta.

Alicia, sou eu.

— Você está bem? Eu juro que enchi o Dominic Ford de ameaça, o aterrorizei para que não chegasse perto de você. — Alicia havia despertado em um pulo. — Se aquele desgraçado tocou em você, pode me falar que eu vou cumprir cada palavra que falei!

Eu estou bem. Ele não tocou em mim. — falei. — Dormimos em cômodos diferentes.

— Agora me explica, como você sai com um e vai parar na casa de outro?

Uma longa história. Te conto tudo quando chegar.

– Ok, bom dia pra você. — falou em um bocejo — Kris, você realmente está bem? — sua voz baixa soou séria.

Estou bem sim. — a tranquilizei — Bom dia, pra você também.

— Pra mim ainda não, vou voltar a dormir, são seis da manhã ainda . Beijos. — me despedi rindo baixinho dela e encerrei a ligação.

Encarei meu reflexo no espelho da pia do banheiro e quase caio de costa ao ver o estado do meu rosto, amassado. Faço uma careta de reprovação pelo meu estado, concluído que não seria nada bom se o meu chefe me visse nessa situação.

Porque eu deveria me importar? — me indaguei. Balancei a cabeça negativamente, suspirei fundo e guardei meu celular na bolsa.

Retirei o pacote de lenço de maquiagem da minha bolsa e comecei a remoção. Depois, abri a torneira e levei uma quantidade de água até o meu rosto limpando todo o vestígios da maquiagem. Feito o processo,
peguei a toalha de rosto e sequei.

Abri as gavetas do gabinete do lavabo e procurei por um pente ou escova, qualquer coisa que fosse feito para pentear cabelo. Encontrei uma escova preta e azul escuro.

Com o auxílio da escova juntei os meus cabelos e os alinhando fiz um coque alto no centro da cabeça. Agora era só sair daqui o mais rápido possível.

*

    Sai do banheiro com minha bolsa, peguei a minha sandália de salto e marchei para fora do quarto. O silêncio no corredor e o escuro do apartamento me fez entender que não havia uma alma viva acordada, a ideia era lidar com os acontecimentos da noite anterior na empresa de forma mais profissional. Lembro das suas provocações no bar do restaurante e do quanto aquilo mexeu comigo.

Havia algo novo brotando que pulsava toda vez que ele estava por perto, diferente do que senti pelos meus ex 's.

Um novo que atrai ardentemente.

Que é intenso em uma profundidade singular.

Sentir isso me deixa confusa e alerta. As probabilidade de dar em uma grande merda, era grande. O homem é lindo parece que foi projetado por um deus grego da beleza e da inteligência. E esses parecem possuir um imã para atrair e fisgar não só atenção como os olhos.

O apartamento era enorme no andar de cima e as cores predominavam nos tons terrosos, olho para as portas semelhantes e todas estão fechadas. A opulência do apartamento sem dúvidas era refinado, andei em direção as escadas e quando meus olhos contemplam o esplendor da sala que predominava a cor dourado e branco, quase saltaram para fora. O sofá grande branco em L ficava de frente para o enorme painel de tevê, o centro possuía pequenos artefatos cultural e o seu notebook estava ligado em uma página que não consegui visualizar direito. Não me  atentei mais aos detalhes ao redor em passos rápidos desci as escadas.

Segui para a porta, que estranhamente não tinha maçaneta.

Oras, que diabos é isso?

Que tipo de porta não há maçaneta? Que não precisa de chaves para abrir?

Chamada de pobre de uma forma totalmente diferente? SIM!

Empurrei a porta para o lado, e nada. Tatiei a porta em busca de um botão ou algum mecanismo que fizesse a porta se abrir, e nada.

Eu tentava ver se havia alguma maneira de abri-la, até o momento que avistei o painel de segurança.

— É claro que ele não seria uma pessoa normal do tipo que usa chaves para abrir portas. — expresso em um tom de voz alto. — Droga!

Encostei a minha cabeça na porta, porque as coisas na minha vida não podem ser tão fáceis? Indaguei-me até ouvir um riso alto e gostoso.

— É proibido xingar, moça dos olhos bonitos.

— Porque me trouxe para o seu apartamento? — Me virei e o encarei com uma falsa postura de raiva, eu estava trancada na casa de um estranho que para completar todo o pacote é o meu chefe.

— O que eu poderia fazer quando notei você havia adormecido. — responde. — Vai dizer que não lembra dos detalhes da noite passada no carro?

Cruzei meus braços e o fitei atentamente. O que diabos houve no carro na noite anterior? Seu olhar parecia me analisar profundamente.

— Aí meu Deus! O que fizemos na noite passada? — indaguei e vi seu olhar se suavizar.

— Nada. — suspirei aliviada ao ouvi-lo. — Apenas a vi dormir serenamente.

Expresso meu alívio ao levar a mão até o coração. Porque definitivamente eu não lembrava do que aconteceu na noite anterior. Minha mente havia neblinado as memórias. E por mais que tentasse forçar não conseguia.

O olhei, o mesmo estava sem camisa, suado e só usava um short que deixava a sua cintura e quadril estreito amostra, definitivamente era a visão dos deuses que estava atrapalhando o meu raciocínio.

Kristal, para! Alerta! Perigo! Stop!

Pisquei para voltar a racionar.

Ele se desencostou do corrimão de vidro da escada, e colocando as mãos no bolso do short — um gesto que fez os meus olhos automaticamente acompanharem — e andou de modo faceiro até a minha frente. Olhos felinos me fitando e fazendo-me inconscientemente dar passos para trás enquanto sustentava o seu olhar.

— Eu preciso ir. — conseguir dizer.

O homem era a definição da palavra perfeição, encarei as tatuagens que era espalhada no seu braço esquerdo e chegava na metade do peito, em um preto vivo de traços marcantes.

—  Você pode ir quando quiser Kristal, mas antes, vou precisar que você use seus dotes... — seus olhos azuis celeste ficaram cravados em mim e de modo visível desceu para a minha boca. — em uma coisa.

Mordi meu lábio inferior ciente que seu olhar havia capturado o meu gesto, antes de falar:

— Eu não vou fazer sexo com você! — falei ao ouvir e entender suas palavras.

— Meu Deus mulher... quem falou em sexo? — se sobressaltou ao ouvir minhas palavras.

— Você insinuou em suas palavras! Seu insolente! — defendi o que havia entendido e cemicerrei os meus olhos.

— Eu me referi aos seus dotes de secretária! Eu preciso que você desmarque duas reuniões que tenho agora pela manhã usando o meu notebook. — explicou.

Meu rosto esquentou e nesse momento queria que o chão se abrisse e me engolisse, soltei um grunhido, tinha que ser comigo. Ele dá um passo para ficar mais próximo e sentindo um calor descomunal percorrer a minha pele, dou um último passo para trás até sentir minhas costas bater na porta.

— Eu não insinuei isso. — sorriu curtamente de lado. — Você foi a única que pensou nisso.

A respiração fica presa na garganta ao sentir seu calor corporal perto de mim, ousadamente ele coloca a mecha solta da frente do meu cabelo atrás da orelha. Seu corpo másculo está afastado do meu, fecho minhas mãos em punho contendo a vontade de tocar em cada pedaço de carne que compõe seu peitoral.

"Você está perdendo o juízo, garota?" – escuto meu cérebro se pronunciar.

"Não vê quem não quer." – diz o coração – Estamos sendo empurrados a cruzar a linha tênue.

"Precisa resistir." – mais uma vez a razão se pronúncia.

— Oras, não pensei em nada! — Digo a primeira coisa que vem à minha mente e deslizei para longe dele e calando essa ridícula discussão entre razão vs coração.

Tento não olhar para o seu corpo mantendo os meus olhos em seu rosto, seu olhar está atento em cada movimento meu. Parece que busca algum sinal de desconforto ou negação de mim.

Ergo a sobrancelha indagando ocultamente seu hipnotizante olhar.

— Se decidir ficar há umas compras pra você lá no quarto. São coisas básicas. Espero que goste. — fez menção de se afastar.

— Obrigado pela preocupação mas eu estou bem assim mesmo. — recusei, já dizia a minha mãe: Ninguém dá nada de graça.

Ele me olhou com o cenho franzido e disse:

— São apenas itens básicos.  Não é nada demais. — falou.

— Nada é de graça, há sempre um interesse por trás. — falei sem pregas na língua.

— Sempre haverá interesses, isso nunca deixará de existir. Só é preciso decifrar se são boas ou más. Afinal, faz parte do que somos. Não estou lhe obrigando a nada. A escolha é sua. — Dominic subiu as escadas e deixou no ar a tensão.

Merda!

Eu pensei seriamente nas minhas opções, estava na casa do meu chefe e nunca na minha vida imaginei que seria dessa forma o primeiro contato.

Mesmo a contragosto, me rendi e decidi subir as escadas e ver quais eram as compras. Quando entrei no quarto o Dominic já estava no banheiro, e para dar privacidade a ele peguei as sacolas de compras que estava na poltrona e fui para o quarto de hóspede ao lado. Coloquei as sacolas na cama e comecei a ver o que tinha nela. O vestido rosa tinha um decote em V, seu tecido era leve e possui alças finas, de barra assimétrica. Havia um conjunto de lingerie branca, produtos de pele, escova de cabelo, escova dental, dois grampos de rosa de folhas de strass e sandálias baixas.

Conformada com a situação, segui para o banheiro para tomar o meu banho.

*


Arrumada e com as energias renovadas, olhei atentamente a sala enquanto descia as escadas. Havia quadros famosos nas paredes e uma porta dupla com maçanetas, deduzo ser o escritório por está com a porta entre aberta.

Termino os últimos degraus, e adentro a cozinha que fica ao lado da sala. Dominic está de costas para mim, perto do fogão. A senhora que está na bancada rir baixinho enquanto prepara o café da manhã, ambos voltam rir de alguma coisa, e o fato de ver esse lado de Dominic me inquietou.

A senhora me avistou e sorriu para mim.

— Bom dia, querida. Se aproxime, por favor. — pediu.

— Bom dia. — respondi.

— Tem alguma preferência para o café da manhã? — ela perguntou sorrindo para mim. — Aproveita que hoje temos o subchef presente. Dotado de especialidades culinárias. — piscou um olho ao brincar.

— Obrigada, mas não tenho nenhuma preferência. — sorri gentilmente.

— Suzzy, está fazendo uma propaganda minha? — indagou ainda de costa para nós.

— Há coisas que precisam ser mantidas nas entrelinhas. — respondeu, balançando a cabeça negativamente voltou-se para mim. — Esse mocinho atrás de mim, sabe muito bem que tenho um carinho especial por ele. Sempre o aconselho a tomar cuidado quando decidir mergulhar em um amor. É preciso ter cuidado para não afundar em um amor raso, as consequências sempre são desastrosas.

Dominic virou-se e abraçou por trás, dando um beijo na bochecha dela. 

— Você é um doce de amor, Suzzy. — disse — Sabe que te amo, né? — beijou a bochecha dela e voltou para colocar suco de laranja na jarra.

Susana sorriu e cruzou os braços ao encará-lo de frente.

— Você é bom demais para ser real, Dom. — limpou as mãos no avental e suspirou brevemente. — Bom querida, eu sou a Susana. É um prazer conhecê-la Kristal.

— Igualmente. — Susana era simpática e até onde vi, sorrir era algo comum para ela.

Sua energia leve e reluzente tornava tudo harmônico, ela sem dúvidas é uma pessoa solar.

— Espero que tenha gostado das compras, a única referência que tinha das suas medidas foi o que Dominic me disse. — Comentou.

— O que ele disse? — perguntei como quem não quer nada e fitei Dominic que se afastou, indo até a geladeira pegar cubos de gelo do freezer.

— Que as suas medidas são iguais às da Carolina. E ele não errou. — falou me encarando. — A Carol é bem menina, ama essas rosinhas fraquinhos. Eu espero que tenha gostado.

— Eu gostei. — afirmei.

Minutos depois o café da manhã estava pronto, sentei-me na mesa acompanhada de Dominic e comecei a me servir. A pessoa que o outro lado da mídia retratava como um CEO querido pelas ações solidárias, também era retratado como um empresário orgulhoso, egoísta e tinha cada ação calculada com um único objetivo: se auto promover. Mas aqui estava eu, em seu ambiente particular conhecendo um pedacinho dele.

Seria também uma farsa?

Seria Dominic um farsante?

Analisando o que vi, ele não é nem um terço do que falam. Eu não possuía as repostas para as minhas indagações. Mas eu sabia o quanto havia gostado de ver esse outro lado dele.

Sou tirada dos meus devaneios quando uma criança aparece, me fazendo engasgar com a panqueca. Parecia uma pequena fantasminha. A mesma se agarrou na perna de Susana, e começou apressa-la.

— Mãe, eu vou me atrasar! — fitei a garota que era a cópia exata de Susana, até os cabelos loiros a menina possuía.

— Essa é? 

— Essa é minha pequena Aurora. A caçula. — A menina me encara e os pequenos lábios se abrem em um sorriso. — A Carol é a mais velha. — Susana secou as mãos antes de pegá-la no colo. — Onde está sua mochila?

— No chão do escritório. — respondeu e a expressão de que tinha feito algo apareceu em seu rosto.

— E o que você estava fazendo lá? — a mãe indagou com uma expressão nervosa.

— Colorido com os papéis do tio, dom. — respondeu e envolveu os braços ao redor do pescoço da mãe. Vi Susana empalidecer.

Santo Deus!

— Ai, meu Deus Aurora! — Exclamou nervosa.

— Não precisa se preocupar, Susana. Eu dei os papéis a ela. — Dominic soltou um riso alto mas não consegui distinguir se havia uma pontada de nervosismo presente.

E que sorriso. Como diria minha irmã Melanie: Se o sorriso compõe notas de leveza, por dentro é florido.

— É uma garota adorável, a sua pequena Aurora. — Comentei.

— Obrigada... — A pequena respondeu pela mãe.

Com o rosto radiante, ela olhou para Dominic e falou:

— Tiooo essa é a sua namorada? Ela é bonita. — Dominic soltou mais uma gargalhada diante da pergunta, uma doce nota de poesia.

Senti meu coração se aquecer.

Dominic usava uma camisa branca que a abraçava cada parte musculosa do seu corpo, calça jeans preta que o deixava ainda mais irresistível, cada partícula daquele homem emanava virilidade de uma forma gloriosa.

Desviei os meus olhos dele quando o mesmo me flagrou o encarando, ai meu Deus esse homem vai acabar me matando.

— Kristal não é a minha namorada... — Dominic levantou e andou até a pequena para falar algo em seu ouvido.

Os olhos dela se arregalaram e a boquinha se abriu. Apesar de eu ter terminado o meu café da manhã permaneci sentada observando cada ação deles.

— Jura, tio? — indagou surpresa. — É vai demorar quanto tempo? — sua voz doce me encantava a cada segundo. Ela cruzou os braços ao encará-lo.

O olhar da pequena se suavizou ao ouvir o que Dominic lhe dizia mais uma vez no ouvido.

— Segredo nosso, ok? — Ela balança a cabeça mostrando que havia concordado.

Ambos selam o segredo jurando com o dedo mindinho.

— Vamos, Aurora? Dá tchau para o Dominic e a senhorita Kristal.

Sorri e acenei ao me despedir delas.

Restou Dominic e eu. O mesmo começou a retirar a mesa e eu comecei a ajudar o que havia de sujo comecei a lavar.

— Kristal não é preciso você fazer isso...

O cortei:

— Mas eu quero.

— Deixa de ser teimosa, há uma máquina de lavar. — Não havia notado a sua aproximação, até sentir a sua presença ao meu lado.

— Por que ter uma pia se tem uma máquina de lavar ? — perguntei.

— Não são todos os dias que Suzzy está aqui. Mantenho tudo em ordem quando estou presente. — respondeu.

— hm..

— hm... o quê? — indagou sem entender.

— Hm... nada! — dei de ombros. — A Susana trabalha para você a quanto tempo ? — perguntei tentando criar assunto.

— Cinco anos, é a governanta da casa e uma das poucas pessoas que posso confiar.

— Você realmente deu os papéis para a Aurora?

— Não. Menti ao ver a reação de Susana.

O mesmo se encostou ao lado da pia e levou a mão para massagear o pescoço. Eu estava curiosa para saber o que ele havia falado para Aurora, e com a curiosidade alfinetando a minha língua, perguntei:

— O que você disse para Aurora? — o fitei, seus olhos fizeram contato com os meus e pude ver o pequeno sorriso surgir em seu rosto.

— Você quer uma resposta sincera ou camuflada? — perguntou.

— A sincera. — respondi sem pensar duas vezes.

Se inclinando para o meu lado, ele disse em um sussurro:

— Que irei te conquistar. —  aquela voz no meu ouvido me fez internamente entrar em combustão.

— E-u — tentei negar.

O que diabos estava acontecendo comigo? Eu ficava nervosa quando ficava perto dele, algo sem lógica nesse meu universo que é completamente mais estranho que eu.

— Está vendo? — ouvi seu sussurro perto do meu ouvido, e foi quando eu notei que ele se encontrava atrás de mim. Suas mãos estavam em minha cintura em um aperto firme, e a sensação de querer mais começou a crescer dentro de mim. Fechei meus olhos quando senti seus lábios na pele do meu pescoço, ali me derreti todinha. — Consegue sentir esse magnetismo que nos envolve? Ou prefere fugir?

Eu devia estar sob algum efeito de drogas, para permitir esse tipo de contato. Aliás, não só permitir como ansiar por mais do seu toque. Definitivamente, o juízo em mim já não existia. Senti seus lábios beijar a pele do meu ombro e por mais que eu desejasse ter mais, aquilo não parecia estar certo.

Agarrando o fiasco de lucidez, que veio em letras garrafais no dizer: Ele é o seu chefe!

Já sabemos quem é o autor. Quem é contra e quem é a favor.

Larguei o talher na pia e fugi do toque dele, estava tudo errado e eu precisava estabelecer as regras. Eu me encontrava atrás do balcão de granito escuro, o encarei, fazendo contato com o seu olhar.

— Escuta aqui Don Juan, pare de me seduzir! Você está passando do limite e creio que nem tenha pensado direito nas suas ações! — em um dos meus gestos, estirei o dedo apontado para ele. Recolhi a mão assim que notei o gesto. Isso não é educado, kristal. — Eu agradeço pela hospitalidade, mas quero deixar claro que a única relação que teremos será profissional! — Cruzei os braços, dane-se se na mente dele eu era uma louca...— Eu vou embora! — Falei, aqui era território dele e permanecer aqui seria o mesmo que comer do fruto proibido.

E que fruto... sedutor e supostamente delicioso. Para de pensar asneiras, Kristal! É isso que ele quer!

Sutilmente balanço a cabeça para me livrar dos malditos pensamento. Segui para a sala, mas chegando na porta percebi que estava presa.

Bufei.

Nada na vida é fácil, e se tratando de mim é claro que haveria um grande obstáculo. Me virei e irritada andei até a entrada da cozinha.

— Por gentileza, o senhor poderia colocar a senha na porta para que eu possa sair? — Falei, a real vontade era de gritar.

— Nada de Senhor, me chame de Dominic por favor. — ele caminhou em minha direção e parou na minha frente. — Não está esquecendo nada ?

Então me lembrei da minha bolsa e do meu celular, que se encontrava no quarto de hóspede.

— Eu posso te levar em sua casa? — balancei a cabeça concordando, subi os degraus da escada rapidamente indo em direção ao quarto.

*

     Parei carro o carro em frente a casa da kristal, uma garota estava montada em uma retro bicicleta vintage da cor laranja e na cesta tinha a sua mochila, a camisa branca com um desenho do tigrão de cabeça pra baixo estava por dentro do short jeans claro, o que a fazia parecer uma menina de dezessete anos. Quando a loira se aproximou trazendo a bicicleta, analisei a frase que estava abaixo do desenho do tigrão:

"vivo pulando, tão contente
Por que igual a mim não há um."

Inevitavelmente soltei uma risada, o pequeno trecho da música que o tigrão canta no desenho foi algo tão icônico que não podia ser ignorado.

— Gosto de ver que ainda tem homens que andam na linha. — a mesma fez uma bola com o chiclete e voltou a mascar. — Mas eu ainda estou de olho em você, senhor Ford! — seus olhos se cerram em minha direção. Sua atenção voltou para Kristal — Estou indo na biblioteca, depois conversamos...beijinhos. — e seguiu o seu caminho ouvindo música nos seus fones de ouvido que era caracterizado por dois Donut em cada lado do fone rosa.

— Uou... ela é surpreendente! — deixei escapar.

— É sim... bom, agradeço pela carona. Até a tarde. —  disse abrindo a porta do carro.

— Até.

A observei sair do carro e entrar em sua casa, desde o bar eu tinha jurado a mim mesmo que conquistaria essa mulher, ela seria só minha assim como eu seria exclusivamente dela. E com esses pensamentos dirigir para a instalação.

O lugar onde não existia herói, só pessoas com um único propósito a ser cumprido.

Ps: capítulo reescrito.

8061 palavras

Não esqueçam de clicar na estrelinha ☆

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