CAPÍTULO 53
Se passaram dois dias e tudo o que sucedeu fora uma imensa avalanche de acontecimentos que me deixava à beira de um surto. Na quarta minha mãe teve uma queda de pressão e precisou ficar de repouso, ela estava mergulhada em um discreto luto e se deprimia com seus pensamentos guardados unicamente para si.
Uma pequena parte da imprensa estava na nossa cola, e com a paciência esgotada no zero, os processei. A inconveniência de estar na frente da casa dos meus pais, tentando a qualquer custo ter informações sobre uma mulher que tirou a vida da filha deles, era o cúmulo do ridículo. Que fosse incomodar o delegado que está cuidando do caso, não os meus pais!
Nesses dias que passou nem consegui comparecer na empresa, escolhi ficar ao lado da minha mãe, o momento pedia. As gêmeas não entendiam muita coisa e com a minha presença, o meu pai podia dar mais atenção à minha mãe.
Na quinta minha mãe já estava bem melhor e podia cuidar das minhas pequenas e sapecas irmãs que não pararam um só segundo do dia anterior, só conseguir respirar aliviado quando as duas estavam na cama dormindo.
Hoje o dia seria longo na empresa, nesse tempo que fiquei fora, o meu vice ficou a frente dos negócios e cuidou das pendências. O que facilitava uma boa parte da carga que vinha para cima de mim, e ainda tinha a questão de contratar urgentemente uma secretária.
Sentindo-me sufocado com a gravata, a retiro e jogo no banco do carro.
— Ian, como tem passado? — pergunto para criar um assunto, que não me fizesse pensar nos problemas.
— Bem. Sabe quem perguntou por você? — fico em silêncio, eu sabia que ele falaria de todo jeito. — A kenzie. Ela realmente gosta de você.
— É, ela já deixou claro o quanto gosta. — digo.
— Mas acredito que com a sua saída, ela coloque um ponto final. — diz e tamborila os dedos no volante, ponderando falar. — Sabe quem trabalha no bar do Matteo?
— Quem?
— A loirinha, amiga da kristal. — fala e pude notar um interesse presente.
— Ian, não se atreva a brincar com os sentimentos da Alicia. Ela pode saber se defender, mas te conheço muito bem para saber que se estiver interessado em uma garota não descansa até conseguir o que quer. Alicia tem um coração de ouro e não merece ser usada. — O advertir.
— Longe de mim, Dom. Apenas trocamos algumas palavras, e posso declarar que para ela sou veneno. — continua tamborilando os dedos, mas deixa um sorriso de lado escapar. — E sabe o que ouvi do Matteo? Tipo, ele meio que perguntou pela kristal, não para mim e sim, para a loirinha.
Ah, não.
Tinha que tocar nesse ponto.
— Pela pergunta, acho que eles já namoraram. — ergo minha sobrancelha direita diante da sua revelação.
— E por que você acha isso?
— Que tipo de cara pergunta excessivamente por uma garota se não estiver interessado, namorando ou um ex ainda inconformado com o término?
— Eu não faço ideia.
— Se tivesse namorado mais, saberia. — riu despreocupado. — Eu lembro muito bem que depois que a faculdade terminou, eu te chamava para as noitadas.
— É, eu também. E ainda bem que falei não para todos os convites. — o vejo repuxar os lábios em um zombeteiro sorriso. — Como vai o seu estúdio de fotografia?
— Vai bem, apesar de ultimamente não está tendo um bom retorno.
— Porquê?
— Tenho rejeitado alguns pedidos.
— Porquê? — indago mais uma vez sem acreditar.
— Porque na verdade estou apaixonado. — revela e o fito como se fosse o Lord Voldemort.
— Por quem?
— Por uma linda diabinha. — sorri novamente.
— Olha, isso sim é uma grande surpresa. Mas porque rejeitar os pedidos?
— A maioria das modelos que faz o ensaio no meu estúdio são oferecidas, e se não aceitam fazer o ensaio com outra pessoa da minha equipe, não encontro razão para fazer. Somos todos profissionais e bons no que fazemos.
— Quem é você? E onde está o meu amigo Ian? — exclamei surpreso e solto um riso no final.
— Na verdade, já faz um tempinho que deixei de ter noites de prazeres com mulheres diferentes. — diz. — Apesar de ter sido um pouco tarde, percebi que no final é tudo um belo vazio. Não há emoção, é apenas uma escuridão mergulhada na solidão.
— Antes tarde do que nunca, não? — Brinquei.
— Tenho que concordar. — Soltou um riso baixo e entrou no estacionamento da empresa. — Até mais tarde.
— Até. — falei e sai, indo em direção ao elevador presidencial.
*
O dia passou lentamente e a coitada da Jasmine tinha que se dividir em ser a minha secretária temporariamente, e ajudar o seu chefe. E os assuntos que necessitavam da minha atenção não eram poucos, e tão pouco fácil de ser resolvido.
Afasto a cadeira da mesa e decido fitar o céu, uma ótima visão para limpar a mente de tanto trabalho e estresse. Repouso as mãos atrás da cabeça e permaneço por alguns minutos apenas encarando aquele claro azul que possuía nuvens alvinhas.
Escuto batidas leves na porta e digo um breve "Entre", sem me importar se a pessoa tinha ouvido ou não.
— Há algumas cartas direcionadas ao senhor, algumas são recentes. — Jasmine diz.
— Pode deixar em cima da mesa. Olharei daqui a pouco, obrigada.
— Por nada. — e se retira.
Decido ver o conteúdo das cartas, e ao ver cada uma delas, me deparo com uma carta que me intrigou. A letra da feiticeira bem desenhada, preenchia o papel e sem pensar duas vezes inicio a leitura.
"Sei que existirá motivos para que não me responda, mas peço apenas cinco minutos da sua atenção...
Eu deveria ter deixado você se explicar. No calor da raiva, medo e tantos outros sentimentos sufocantes não quis lhe ouvir. Enquanto escrevo, nossos momentos dançam sobre a minha memórias, doces lembranças, um pedaço do paraíso que desfrutei ao seu lado. Sem você ao meu lado é sentir a imensidão do vazio, ele pesa, machuca e enfraquece.
Esses dias longe de você não foi fácil, a raiva não ajudou a te esquecer. Mas acabei me deparando com a saudade de ter você ao meu lado. Entendi perfeitamente que:
Amar você é provar do novo e desconhecido e mesmo assim saber que se a tempestade nos cercar, você estará lá por nós dois. Amar você é como sentir os raios e o calor do sol sobre a minha pele, amar você, é ansiar pelos próximos passos ao seu lado.
Eu quero aprender a ser sua parceira, e quero estar com você em todas as estações, não importando se elas sejam quentes ou invernais.
Se fecho os olhos consigo ver o misterioso magnetismo que nos envolve, e consigo ver o genuíno amor que aflora em nós. Vejo também nesse nosso intenso ritmo as nossas imperfeições, e percebo que tudo que há em nós no final se torna perfeito. Eu amo tudo em você, não ter você em minha vida seria condenar a minha alma ao profundo esquecimento.
Eu estou aqui despindo toda a minha alma, e sussurrando através de palavras escritas o quanto eu te amo, se eu te esperar, você volta?
O meu coração se contorce com a ideia de não tê-lo mais em minha vida, peço uma segunda chance, e lhe pergunto, você me concede a honra de demonstrar o quanto o amo?
Pois no silêncio da noite o meu coração grita o seu nome, o convidando a entrar e fazer morada se assim desejar. Mas se houver dúvidas quanto a tudo que aconteceu entre nós, entenderei que o nosso amor foi apenas um clima de verão.
Se há uma escolha, eu te peço que me escolha. Porque Dominic Ford, é você, apenas você que meu coração escolheu amar. Eu quero uma vida inteira ao seu lado, com promessas e desejos a serem realizados. Uma vida onde dois corações seguem juntos, com a única certeza de continuar amando até a eternidade nos abraçar."
Com amor;
Kristal.
Absorvo suas palavras enquanto encaro a carta em minhas mãos, meus batimentos parecem cantar uma canção que se expressavam em ritmos acelerados. Eu a amo tanto que nem mil anos de vida seria o suficiente para aplacar a intensidade do meu sentimento por ela.
Eu havia encontrado o meu par, e por nada nesse mundo a deixaria escapar. Pois o universo é testemunha do quanto ela é importante para a minha vida, e sim, estava disposto a construir o nosso para sempre, a amando desde o amanhecer até o anoitecer. Eu estava fodidamente louco por ela e ninguém me impediria de estar ao seu lado.
É a primeira vez na vida que amo e a certeza de que a amarei para sempre se confirma em cada batida acelerada do meu coração. Essa mudança no roteiro do destino, me trouxe uma chance para não desistir dela. Ela é o meu paraíso que faz o melhor de mim se aflorar e a encontrar foi uma dádiva divina.
Dessa vez não a perderei!
Com a carta na mão sigo para o elevador presidencial. Eu iria atrás da minha feiticeira e a mostraria o quanto a amo.
Dessa vez, seria apenas um ceo disposto a amar, sem nenhum segredo sombrio para nos atrapalhar.
*
Ao descer do carro, sigo em direção a casa. Respiro fundo e toco a companhia. A porta é aberta por Melanie que me encara com uma das suas sobrancelhas erguidas seus olhos estão vermelhos. O que indicava que andou chorou.
— O que deseja? — pergunta.
— Desejo ver a Kristal.
— Ela não mora mais aqui. — seu rosto mostra-se mais triste ao falar da minha feiticeira.
— Onde ela está morando? — indago e escuto um soluço de choro vir da sala. — Aconteceu alguma coisa?
Lágrimas desceram pelo seu rosto, e eu fiquei preocupado.
— A Kris, está morando em Piscataway.
Sinto meu coração pesar com a notícia.
— Dominic, se você realmente a ama, vá encontrá-la. Ela precisará de você. — diz.
Assinto e volto rapidamente para o carro, a Melanie não parecia querer falar do porque estarem chorando, a sensação que tenho é que é algo ligado a kristal e só esse pensamento me faz querer entrar em pânico. Eu espero que esteja tudo bem com ela, porque não suportaria saber que ela está sofrendo.
*
O bom de ter seu próprio jato particular, é a praticidade que você tem para fazer viagens. Mas o tempo parecia ter congelado e nada que fizesse me distrair, acalmava o meu nervosismo. Me senti um adolescente com as ondas de ansiedade pairando sobre o meu sistema nervoso.
Tento não balançar a perna com a inquietação, mas não consigo.
Caralho de agitação! Eu não sou assim!
Antes de entrar no jatinho, liguei para Jasmine e pedi que ela providenciasse o carro até o hotel que me hospedaria. Com ajuda de Ian descobrir o endereço da casa da minha feiticeira. Estava planejado tudo para encontrá-la, iria em sua casa e me apresentaria aos seus pais.
Afinal, sou um ótimo partido! Quem não amaria ter um genro igual a mim?
Um pensamento ambicioso, mas ouso falar que são verdadeiros.
Fecho os olhos e trago sua imagem em minha mente, o coração pulsa se aquecendo com a ideia de vê-la e diante dessa sensação relaxo.
O jatinho pousou no aeroporto, o carro alugado estava à minha espera. O motorista ao meu pedido passou em uma locadora de motos Naked, escolhi a preta metálica. Depois de acertar o aluguel da moto e pedir para que a levassem ao hotel em que estou hospedado, segui para o hotel, tomei um banho rápido e me vestir rapidamente. A vontade de vê-la fazia-me agir no automático.
A moto estava na frente do hotel e o entregador estava ao lado com as chaves na mão. Ao colocar o capacete, ajeitei os retrovisores da moto e fitei o movimento da rua, antes de sair indo ao encontro do amor da minha vida.
*
Apesar de não querer sair de perto do meu paizinho, que infelizmente não estava mais entre nós, precisei buscar o Charlie no pet shop. Liguei para as minhas irmãs e em poucas palavras contei sobre a morte do meu pai, Melanie havia declarado que elas estariam aqui comigo assim que possível. Como sempre, não importando o vendaval, estaríamos juntas.
O coração sangrava melancolicamente e suas batidas soavam angustiadas e doloridas.
O sentir doía tanto que desejei por breves minutos não existir para poder não sentir. O que rondava a minha mente era o amargo arrependimento de ter lido o soneto. Era evidente que o soneto trouxe uma memória que continha um segredo, a tona.
Engulo o choro e avisto a minha casa. O táxi parou em frente e depois de pagar, pude colocar o Charlie no chão. O mesmo tentou correr em direção a minha casa, mas a coleira prata de brilho – presente da Alicia – o impediu.
Ao entrar em casa, o vazio, a tristeza e a presente ausência que ecoava do meu peito para fora me fez encostar na parede da sala e lentamente desmoronar até o chão, chorando e mergulhado na mais intensa e dolorida saudade que sentia do meu paizinho. Lembranças da infância dominam a minha mente, nossas brincadeiras, conversas e passeios, tudo vem a mente como um lembrete de que o que restava era apenas lembranças de um doce passado vivido com bastante amor.
Charlie saiu correndo para longe, provavelmente foi para o fundo da casa onde amava correr. Tento enxugar as lágrimas na tentativa de cessá-la, mas um soluço saiu da minha boca e a cortina de lágrimas veio com mais força. O peito apertava e aquele aperto sufocava-me por completo. Sentia meu coração despedaçado por dentro parecia que tudo que eu tocava partia para longe.
Escutei o latido de Charlie, parecia que vinha da frente e em um arrastão me levantei. Ao abrir a porta, vejo um piloto de moto vestido todo de preto olhando para minha casa. Charlie estava perto da moto, latido e tentando rosnar.
O piloto estava usando um capacete totalmente preto que reluzia com os raios do sol. Respiro fundo e pigarreio para limpar a voz.
— Charlie, vem aqui… — chamei e nada deu certo.
A voz saiu em um som triste, Charlie se fez surdo ao meu pedido e o estranho piloto ainda olhava para mim.
— Charlie meu amorzinho, vem aqui. — chamo com mais firmeza e o mesmo olha para mim. — Vem com a mamãe. — sem pensar duas vezes ele vem trotando em minha direção.
Abro a porta e o mesmo vai na frente e dessa vez sobe as escadas. Antes que eu entre em casa uma voz gutural grita o meu nome.
— Kristal! — viro-me para ter certeza se realmente é ele.
Ele retira o capacete, dou dois passos até a escada e com o choque que percorreu o meu corpo, seguro no corrimão na tentativa de manter-me em pé. Eu paralisei, e pensei que aquele piloto estranho pudesse ser uma alucinação da minha mente. Mas à medida que ele se aproximava, o meu coração batia fortemente.
Dominic se aproximou de mim e sem pensar duas vezes me joguei nos seus braços e ali entre o seu calor e os seus braços envolvendo a minha cintura, chorei em seu ombro.
Chorei de alegria e de tristeza.
Senti o seu cheiro invadir o meu nariz, senti a maneira que o seu corpo ficou tenso por não entender o motivo do meu choro e encontrei todas as razões que me fizeram escolher para ser o meu par.
Acreditei fielmente que se fosse possível o amaria em outras vidas. Pois o nosso finito não seria o suficiente para demonstrar o quanto o amo e o quero ao meu lado. Não havia mais nada que pudesse nos separar!
O abracei apertadamente não resistindo a tanto amor que nos envolvia de forma sublime. Dominic havia se infiltrado no meu coração e o reivindicou para si desde o primeiro dia que nos vimos. Nossa história estava escrita na linha do tempo e eu esperava que só coisas boas nos aguardasse daqui para frente.
Senti a calmaria se instalar em meu interior enquanto estava mergulhada dentro dos seus braços, sentindo cada pedaço do seu calor, músculo e segurança. Ali eu estava segura.
Eu podia chorar, desabar mas no final ele estaria ali me abrigando protetoramente nos seus braços.
2708 palavras...
Segue capítulo abaixo... ❤️❤️
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