CAPÍTULO 44

      Da onde estava tinha a ampla visão da festa e das pessoas vestidas formalmente. A nova turma interagia buscando criar laços, cumprindo não só a norma da organização  como também sendo sociável e sem saber que já estavam sendo testados.

Cada nível possuía um tempo de duração e um propósito a ser cumprido, não havia um membro que não fosse uma máquina de matar, um só homem era capaz de matar seis homens de gangues. Muitos foram lapidados e outros aperfeiçoados, para fazer parte da organização. Hank Bennett foi o fundador da organização , quando sua amada esposa foi violentada e morta por um dos antigos chefes da máfia russa, dragão sangrento.

Hoje, entendo toda a história que ele me contou um dia. Entendo que a garotinha que ele havia criado sozinho é a minha mãe e no fundo sabia que estávamos ligados no mesmo ódio que embasava a nossa alma e se pactuou com a sede de vingança.

— Um centavo pelo seu pensamento? — Carmem White estende uma taça de champanhe para mim, e em resposta a sua pergunta digo:

— Nada de tão interessante. — Soprei as palavras — Mas você senhora White, está um charme!

— Para com isso, Dominic! Sabe que não gosto de elogios!

— Gosta sim, só não aceita... — Recebo um tapinha leve nas costas pela minha resposta.

— Você continua o mesmo… — o vestido lilás realçava a beleza que a senhora White neutralizava com o uso do uniforme. — Porquê não desce para curtir a festa? Amanhã será um longo dia e a reunião com os representantes de cada missão será extensa.

— Não estou no clima para festa. — dou de ombros — Sabe informar como foi que aconteceu essa corrupção dos membros?

— Não sei dos detalhes, tudo o que discorreu foi depois daquela missão que o George morreu. Bennett está fazendo o possível para manter a katarina longe desse assunto.

— Porquê?

— Ele não confia nela. Principalmente depois que ela não aceitou passar para você o controle de um dos satélites. — A única pessoa que sabe do meu laço de sangue com Hank Bennett é Carmem. Foi uma decisão tomada por mim e que não foi contestada por ele, apenas aceita.

— Recebemos a autorização.

— Porque Hank não respeitou a decisão dela. Depois daquele dia, alguns dos informantes foram mortos. E diante desses acontecimentos tivemos que mudar e assegurar que membros de alta sociedade tivessem o seus nomes seguros.

— Mas quanto os outros? — indaguei descrente.

— Dominic, se um de vocês forem atingidos, nós caímos também. Tenha em mente que não vemos a posição social, visamos o quanto a mídia pode ser prejudicial para cada um de nós. — suspirou — por que acha que ainda permanecemos nas sombras? — Ela me encarou com seus olhos amendoados. — Não encontraram nada, mas acredite eles podem ser qualquer um dos que estão aqui.

— Carmem… — a chamo terno. — Não subestime ninguém. Eles são perigosos e lunáticos.

Carmem, além de ter sido minha tutora, foi como uma tia para mim. Sabia que por dentro dela havia uma mulher doce, mas também havia a destemida.

— Olha quem acabou de chegar, Katarina Bosello. — Olhamos para a figura feminina que sorria e cumprimentava as pessoas à sua volta.

— Ela conhece a Lisa Marano?

Ambas conversavam.

— Sim, a Bosello a indicou para a seleção.

— Então houve influência na escolha.

— Sempre há exceções. — Me olha.

— Que é?

— No evangelho de Mateus diz: Não julgue para não serdes julgados.

— Não estou julgando, estou examinando os detalhes com os fatos. Olhe bem para as pessoas, analise a linguagem corporal delas. Não precisam trocar palavras quando um olhar ou palavras chaves no meio de um diálogo podem passar uma informação secreta.

— Meu Deus, Dom! Com tantos conflitos para resolver, não olhamos desse ângulo — descartamos a taça de champanhe, colocando na bandeja de um funcionário que trabalhava para o buffet — Bennett pediu para  encontrar uma forma de exterminar essas ervas daninhas. Mas todo plano que traço é incompleto, fica faltando alguma coisa para ser encaixada.

Apoio meus braços na barra quadrada que possuía tom dourado misturado com o metálico.

— Faça um rastreio de cada passo dos membros já capturados, e tenta procurar quem dos membros que estão aqui, também fez os mesmos caminhos. Lembre-se sempre há uma…

— Lacuna.

Decidimos descer a escada que possuía os degraus metálicos, a senhora Carmem tinha o braço enroscado no meu e fitando a minha frente, pude ver Katarina Bosello e Lisa Marano olhando para nós.

Uma possuía um olhar curioso e de interesse, a outra tentava esconder seu desdém para com Carmem. Isso, de fato, chamou a minha atenção.

*

      As luzes mudaram para violenta, causando uma tensão erótica e linear no palco. As batidas sensuais da música envolviam o nosso corpo no ritmo real e quente. Todas usávamos uma legging preta, saltos e uma blusa ombro a ombro que chegava no meio da barriga.

Estávamos sentadas nas cadeiras com as pernas abertas e as mãos tocando o tornozelo enquanto olhávamos o chão. Quando a voz de Yael naim surgiu nos levando a um envolvimento de alma e sensualidade, nossas mãos sobem lentamente até o pescoço e lentamente levantamos nosso tronco nos virando para a plateia.

O som palpitante nos instiga a elevar a nossa essência ao toque das envolventes batidas. Partilhamos o equilíbrio da harmonia e a atraente vibração que percorria nossos corpos, Nos levantamos e com a dureza do olhar provocante, andamos para trás da cadeira e balançamos o quadril na batida lenta e movimentamos os braços em volta do nosso corpo. Morosamente descemos até o chão rebolando eroticamente, ao nos levantar seguimos para frente da cadeira e sentamos abrindo sem pressa algumas as pernas e fechando lentamente, três vezes seguidas.

Deslizo a mão pela perna e desço da cadeira sentando no chão, rolamos para o outro lado ficando sentada sobre as nossas pernas. Giramos a cabeça fazendo nossos cabelos balançarem com o movimento, as mãos deslizam pelo corpo e sutilmente deslizamos pelo chão, ficando um pouco empinada. Nos viramos lentamente até ficar de barriga para cima, e balançamos as pernas sensualmente com direito a pequenas pausas.

No calor da música Toxic seguimos o roteiro ensaiado. Ao nos levantar oscilamos na pulsação da música, e sentamos na cadeira ficando de costas para as pessoas. Inclinamos nossas cabeças para trás e giramos lentamente. E devagarzinho nos inclinamos para frente, deixando nossos corpos pendendo sobre a costa de madeira da cadeira.

Respirei fundo quando a música chegou ao fim. Sair do palco com algumas meninas e outras permaneceram para entreter as pessoas. Retiro a máscara preta desenhada com pequenas pedrinhas ao lado direito, e sento-me no divã vermelho para descansar um pouco.

— Kris, há um homem solicitando a sua presença no quarto vip.

— Quarto? Como assim? — indaguei confusa.

— Quartos para shows particulares. — sua voz e olhar mostrava as segundas intenções, para me avisar.

— Não vou. — digo decidida — não estou aqui para isso.

— É só para dançar. Caso seja para algo a mais, precisará da sua autorização e ambos assinam um contrato de descrição.

Balanço a cabeça, negativamente.

— Não é por nada meninas, mas dançar com vocês é uma coisa. Dançar para um homem desconhecido é algo bem diferente que não estou disposta a fazer. — digo sincera.

— Ok, vou no seu lugar. — Suellen diz.

— Mas seja quem for, irá descobrir que não é a pessoa que foi solicitada. — Rúbia argumenta.

— Vou usar a máscara da Kris.

— Obrigada… — agradeço sem jeito.

— Ei, não precisa ficar assim. Entendemos que você não gosta e está tudo bem, já fizemos isso. Não se preocupe. — Rúbia diz e trás uma garrafa de água para mim.

Assenti, e senti meus pensamentos flamejar com uma total certeza que Lauro escondia algo. Havia um segredo aqui e talvez o que era comentado na mídia fosse verdade. Não era só clube de dança, talvez por trás da máscara, a revelação não fosse tão bonita de ser revelada.

Olhei a hora no relógio da parede a minha frente e grunhi derrotada por saber que ainda não estava no meu horário de fim de trabalho. O dia havia sido longo e cheio de afazeres, e o meu corpo pedia descanso.

— Ei, baby. Vamos, as meninas estão quase acabando. — Susan faz a frente e saímos ao seu encalço.

Eu não via a hora de voltar para casa e dormir feito uma pedra.

1375 palavras...

Segue capítulo abaixo... ❤️❤️

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