CAPÍTULO 40

        O carro parou em frente ao portão da mansão Nabokov, desci do carro e interfonei para Cindy. Quando ela surgiu percebi o quanto estava pálida, simplesmente pela minha presença em sua casa. Os portões foram abertos dando passagem para o carro entrar, andei em direção a Cindy, observando as suas emoções. Ela tentava velar com um sorriso, mas falhava miseravelmente.

— Nink, querido. Qual motivo o trás aqui? — tocou o meu rosto com doçura.

— Você é o único elo do meu passado. — Respondi sua pergunta com frieza.

— Bom, vamos entrar. Vejo que veio atrás de respostas.

A imponente mansão possuía um jardim impecável, a piscina integrada ao lado da casa combinava com a fachada rústica e arquitetônica. Com as mãos atrás das costas a seguir, subi os degraus da escada e quando adentrei a casa uma sensação familiar aqueceu o meu peito.

— Você esteve aqui apenas três vezes, sempre ao lado da sua mãe...— sua voz soa melancólica. — Vem, vamos primeiro almoçar.

Apesar das perguntas entalarem na garganta, decidi aceitar o convite. Meus olhos pousaram no móvel ao lado da escada, havia fotos e uma em particular chamou a minha atenção. Aproximei-me e observei atentamente cada detalhe, a mulher de cabelos pretos segurava um garotinho nos braços e ao seu lado estava Cindy. Engoli em seco ao sentir uma mistura de saudade e tristeza invadir o meu coração, as lembranças daquela maldita noite estava implantada em cada pedaço da minha mente e ecoava por cada fragmento da minha memória.

— Sua mãe foi fiel aos ideais pelo qual lutava... — Cindy estava ao meu lado fitando a foto. — Não foi descuido dela Nink... ela foi entregue.

Confidenciou melancolia, toquei a fotografia traçando o rosto da minha mãe. Infelizmente, eu não havia herdado a cor dos seus olhos, me afastei do móvel e arrastei mais uma vez tudo que sentia para o fundo do baú. Seguimos para a sala de jantar, a mesa já estava posta, o almoço russo estava composto por três pratos, sopa, peixe e como complemento: salada, sobremesa e o kompot, suco feito de doces frutas.

Depois do almoço, seguimos para o seu escritório e sem enrolação para entrar no assunto, abordei:

— Quem era o contato dela?

— Eu era amiga da sua mãe e o intermediário dela e do Bennett. — respondeu — Toda informação que ela tinha, era passada para mim e eu entregava ao senhor Bennett.

— E Alan Olarv, onde ele se encaixa nesse quebra cabeça?

— Olarv, no início nos deu suporte com a comunicação. Mas depois da morte de Evangeline, ele se desligou de qualquer laço que tinha com o senhor Bennett.— Cindy passou as mãos nos braços, antes de falar:

— Naquela noite, não perdi só uma amiga. Eu perdi também o meu marido, eles acharam que o meu esposo era o contato da sua mãe. Igor, era um homem inocente e morreu me protegendo. — a voz firme tentava esconder as tristes emoções.

— Eu sinto muito. — falei sincero.

— Sentimos, Nink...— ponderou para falar— Quando o vi, temi por você e pela sua segurança. Se ele souber que você está vivo, receio no mal que poderá lhe fazer.

Ela abaixou os olhos e voltou a olhar para mim. Com seu olhar temeroso, ela deu a volta na mesa e sentou do meu lado, segurou as minhas mãos para falar:

— Naquela noite, eu havia perdido tudo. Encontrei dois corpos e não o achei. Até os meus contatos não conseguiram lhe encontrar, depois de tudo isso, desliguei-me da organização.

Cindy Nabokov estava sendo sincera, mas eu precisava raciocinar cada informação com frieza e não com a emoção aflorada.

— Olarv, poderá entrar em contato com você. Não confie nele, ele mudou desde a morte de Evangeline.

Meu celular vibrou mais uma vez, retirei do bolso e vi que se tratava de avisos do segurança que havia contratado para proteger a minha mulher. Ao ler as primeiras mensagens que vêm acompanhadas com uma foto, vi que se tratava do passeio dela com mais duas pessoas e a outra era do encontro dela com Alan Olarv.

Inferno do caralho!

O que diabos ele tinha para falar com ela?

Levanto-me da cadeira no automático, senti todo o meu corpo ficar tenso com as probabilidades mais absurdas que a minha mente trouxe: perigo, ameaças e revelações.

— Filho da puta! — rosnei.

— Aconteceu alguma coisa, Nink? — perguntou apreensiva.

— Não ainda, mas aquele desgraçado não perde por esperar. — massageei a nuca e guardei o celular novamente. — Preciso ir...

Sai da casa, e segui para o carro com passos rápidos. Foi uma péssima ideia trazê-la, estou expondo-a ao perigo e a segurança que tanto defendo, eu mesmo acabo falhando!

Trazê-la foi mais por um capricho de tê-la ao meu lado do que pela necessidade de resolver algo relacionado ao trabalho. Enquanto o carro deslizava pelas ruas de Moscou, tentei ligar para kristal. Mas nada dela atender.

— Droga! — massageei minhas têmporas sentido uma pequena fisgada começar — Rápido! — Falei em russo para motorista.

Fechei os olhos e tentei não pensar com emoção.

Precisava ser frio e analisar o que encontraria com calma, na maior hipótese e alternativa mais aceita, Alan Olarv não seria tolo o suficiente para revelar segredos que o envolvia. Eu só não sou estúpido para confiar fielmente em uma pessoa que não conheço.

O carro parou em frente ao hotel, e ao sair fui direto para a suíte. O segurança tinha me informado que kristal havia voltado para o quarto sozinha e segundo as suas últimas palavras desnorteada. Primeiro conversaria com ela, depois falaria com o guarda.

Ao adentrar a suíte, não a vi na cozinha e nem na sala. Marchei para o quarto e a encontrei na sacada, sentada na espreguiçadeira estofada. Antes de me aproximar, analisei-a por um breve tempo. Kristal estava parada e reclusa para si mesma, seus pensamentos trabalhavam e era até possível ouvir as engrenagens do seu cérebro trabalhando em um ponto específico.

Passei as mãos nos cabelos, bagunçando. E andei até onde ela está, sentei na outra espreguiçadeira, ficando de frente para ela. Apoiei os braços na perna e cruzei as mãos, quando os seus olhos decidiram me encarar, decidi permanecer em silêncio para que ela falasse. As ondas de luzes do sol da tarde, banhavam a sua pele com exaltação e extrema suavidade e delicadeza ao se envolver em ondas de cores. Se fosse possível, Claude Monet teria o prazer de pintá-la.

— O que você procura? — falou pensativa — E o que esconde?

— Eu não posso contar. — mantive o contato mostrando a sinceridade em minhas palavras, não queria mentir para ela.

— Não quer ou não pode? — me encurralou.

— Os dois. — Falei firme.

— Dominic, fui ameaçada para fazer você ir embora. Você vem me falar que não pode revelar o que esconde? — se levantou e colocou as mãos na proteção de ferro da sacada, depois se virou para mim. — Ontem lhe fiz uma pergunta, e você respondeu olhando nos meus olhos. O que você acha que eu sou, para mentir e me fazer de idiota? — seu tom ríspido e a emoção que ela tentava camuflar ao falar, mostrava-me o quanto ela estava magoada.

— Eu não vou envolvê-la no mundo sombrio que vivo. Posso até ser um egoista do caralho, mas não vou lhe colocar em risco.

— Pelo que ouvi, já estou em risco por estar ao seu lado.

Kristal saiu pisando duro.

Soltei um suspiro cansado, precisava contornar a situação e mantê-la calma. Discutir não me levaria a lugar nenhum, quando a única coisa que a faz agir assim é o medo. Me levantei da espreguiçadeira e fui atrás dela, a mesma estava sentada na borda da cama encarando a tela do celular. Vi o momento exato em que ela enxugou com rapidez a lágrima que escorreu.

Droga!

— Anjo, não precisa se preocupar... — Me abaixei na sua frente, arriscando na aproximação. — Nada vai lhe acontecer...

— Eu estou com medo Dominic...— desviou os olhos dos meus para encarar o teto do quarto por um momento, e depois me fitou. — A maneira que ele falou, deu a entender que não é brincadeira...

— Eu sei... eu sei... — Lhe abracei e afaguei o seu cabelo carinhosamente.

Por um momento senti o teto de vidro começar a rachar.

*

    No meio da tarde fui até a suíte do Ian para falar sobre a operação que aconteceria na madrugada, abordamos as opções que tínhamos e exploramos cada ponto cego da casa. Ian havia conseguido a planta da casa, e através de um programa específico colocamos a estrutura da casa em 3d.

Apesar dele não querer admitir, o mesmo fez um teste com os aparelhos que eu o havia entregado, e viu a eficácia que traria para o nosso auxílio. Todo o equipamento havia ficado na suíte dele, até a van chegar para colocarmos e fazermos a instalação de alguns equipamentos tecnológicos.

    O teatro Bolshoi estava cheio, ali no meio de tantas pessoas assistimos a apresentação de ballet da companhia. Da onde estávamos era possível ter a visão completa da grande sala vermelha e dourada, o veludo e os lustres enfeitavam os assentos da plateia. Os bailarinos executam com sinfonia o lago dos cisnes, a forma magnífica em como transparecem os sentimentos era admirável. A música clássica de fundo preenchia o teatro, a vibração e as expressões faciais envolvia cada telespectadores.

Kristal segurou a minha mão, e quando me olhou, sorriu docemente.

— Você é maravilhoso, Nink... — com meu dedo mindinho acariciei o lado do seu rosto que era coberto por uma mecha solta do cabelo.

— Hmm... — fingir pensar — Eu sei que sou...

— Convencido... — sussurrou e deixou um selinho no canto dos meus lábios.

Após apresentação de ballet que terminou de forma sublime, e majestosa. Nos dirigimos para o restaurante que também era marcado pelo luxo. As poltronas eram couro e porcelanas exclusivas e de alta classe requintada. Depois do jantar, fomos para a praça que fica em frente ao teatro, e com calma pudemos visualizar suas colunas neoclássicas e a figura de Apolo no alto, numa carruagem. Meus seguranças estavam por perto, a minha atenção estava voltada unicamente para a minha feiticeira.

— Me desculpe por mais cedo, não deveria exigir respostas. Eu só estava assustada pelas palavras do Alan Olarv. — Quebrou o silêncio.

Tirei meus olhos do chão e a encarei.

— Anjo, eu entendo. Não precisa se desculpar...

— Reconheço que fui errada, não gostaria de ser interrogada pedindo satisfação do que faço ou escondo. — Paramos de andar e ela ficou na minha frente — Eu sei que pulamos muitas etapas de um relacionamento normal, e que avançamos intensamente em pouco tempo. Mas ainda assim, não é motivo para que eu exija algo contra a sua espontânea vontade.

Estávamos diante do chafariz que estava ligado, o céu era condecorado com os pequenos pontos de cristais que brilhavam de forma onipotente. Seus olhos carregavam um brilho singular, e transmitiam o que não estava ao alcance de palavras, a intensidade.

— Ei... está tudo bem. — toquei o seu rosto com ternura.

— Hmm... preciso falar algo. Mas não quero que interprete a minha decisão de maneira equivocada.

— Prossiga...

— Eu assinei um contrato com Roger Leblanc. Não me entenda mal, eu preciso realizar esse projeto com meus méritos. Subindo os meus degraus, sendo kristal Hernandez. — acariciei sua bochecha, entendia perfeitamente o seu ponto de vista.

— Não precisa se explicar, vou estar do seu lado para apoiar cada decisão e sucesso seu. — seus olhos brilharam e um lindo sorriso pintou os seus lábios.

Nossos rostos se aproximaram e nossos lábios finalmente se encontraram em um beijo apaixonado. Sua língua acariciou o meu lábio inferior, e o beijo se tornou quente em um ávido prazer caloroso que emanava através da paixão que oscilava por meio de nossos corpos.

Meus braços enlaçaram a sua cintura puxando para mais perto de mim. Ela estava perfeita como a aurora boreal que brilha onde estiver, usava um vestido plissado da cor rosé e às mangas eram no estilo mariposa, os saltos finos da mesma cor complementam toda a produção.

Eu podia descrever como a minha alma e o meu coração a desejava. Na beleza das palavras, o toque e o sentir nos levava sempre a um mundo só nosso, cercados de desejo que oscila entre a paixão e  o amor.

— Eu também te amo, anjo. — beijei com carinho o canto da sua boca — E serei eternamente grato a Deus por tê-la encontrado. Você é meu ponto de luz que dissipa a escuridão que tenta dominar a minha alma.

*

    Soltei mais uma vez a respiração pesada, olhar a grande casa a minha frente fazia as terríveis lembranças voltar a minha mente. Na escuridão da noite, eu podia ver o pequeno garotinho acordar assustado e ir ao encontro da sua mãe, para acalmar o pequeno coração. Travo a mandíbula sentido a tristeza e a raiva duelar. Fecho os olhos e conto até cinco para mandar cada pedaço daquela lembrança para o fundo do baú, novamente.

— Dominic, você já está pronto? — Ian indagou.

— Estou. — olhei para o relógio digital que tinha GPS do mapeamento da casa, a seta verde indica onde estou.

— Vejo bem, Sylvester Stallone — zombou.

— Nossa, juro que vi a sua graça dá uma mergulhada no sistema operacional do seu computador. — Coloquei a camisa preta de mangas cumpridas que fazia parte do uniforme, e em seguida coloquei o colete.

Ele riu.

— Ok... vamos acabar logo com isso, tenho uma ruiva me esperando e louca de desejo. — voltou a olhar para as telas a sua frente — Olha, vou lhe contar... depois de hoje voltarei com mais frequência a Rússia.

— Se concentra na tarefa, depois você pensa nos seus desejos pecaminosos.

Rimos, e a tensão foi embora rapidamente. Coloquei a luva na mão, e a máscara preta, Coloquei a arma no coldre de perna, e as facas no suporte exclusivo para elas e por último coloquei a mochila de porte médio nas costas.

— Você terá uma hora, siga o plano que abordamos e você sairá de lá sem ser notado. — se virou para me encarar — Colocou o ponto de comunicação?

— Sim.

— Ok, só não morre.

Revirei os olhos diante da sua piadinha. Abri a porta da Van e saí em direção a casa, usei a sombra da noite para não ser notado e seguir para o final do muro.

— Os aparelhos já estão no ar. — escuto Ian comunicar. — Deixarei um na sua frente...

Me aproximei do muro e agarrei os ramos que estavam espalhados por toda extensão do muro de pedras. Subi e antes de pular observo se alguém por perto, com o perímetro limpo atravesso despreocupado. Vou para trás dos arbustos, pego a arma do coldre e coloco o silenciador. Usando o escuro ao meu favor, sigo em direção a área da piscina. Havia dois homens conversando, mas a minha mente não se fixou nisso, e sim na água parada da piscina. O reflexo dos jogos de luzes na água, trouxe mais uma lembrança que não sabia que existia. Uma criança brincando com a sua mãe e nas sombras da memória havia uma figura de um homem nos observando.

Pisco os olhos livrando-se da lembrança.

As vozes dos homens se afastam indo para longe e assim que não há ninguém por perto, sigo para perto da casa. O plano era subir no telhado e tentar entrar pelas janelas de cima. Subi na árvore e escalei até o galho que se encontrava perto da janela, nada até o momento havia mudado. A casa continuava igual, a cor branca e o estilo clássico mostravam o desgaste pelo tempo e a falta de reforma. Tento levantar o vidro da janela e felizmente consigo, assim que adentro me deparo com um quarto que nas sombras de um distante passado, foi meu.

Olho à minha volta e encaro cada móvel, e até a decoração da parede. A cama pequena e a estante de brinquedos não havia mudado nada, e ao lado do criado mudo da cama, havia uma fotografia minha e da minha mãe.

Balancei a cabeça para sair do ninho de emoções, pisco os olhos e encaro a porta à minha frente. Ando até a porta e devagar a abro, as luzes do corredor estavam acesa. Olhei para os lados, e andei em direção ao quarto que fora de minha mãe.

Antes de abrir a porta do quarto, certifico-me se há alguém dentro. Diante do silêncio adentro o quarto, e fecho a porta. A luz da lua iluminava uma parte do ambiente, que invadia através da sacada. Peguei a lanterna e iluminei o cômodo, no invisível da escuridão eu podia sentir, ouvir e ver as imagens daquela terrível noite.

"——— Meu amor, porque está acordado? Vem cá!

Ela estava na cama encarando o garoto pequeno.

——— O galho da árvore arranhava a janela e acabei acordando. ——— sinto o ar faltar ao ver a cena.

— Mãe...— a lembrança é cortada para me fazer lembrar da promessa — promete não me deixar?

— Claro que prometo. — solto a respiração com dificuldade diante dos flashes cortados — Eu te amo, filho. Você mora no meu coração e daqui você não vai embora."

Encosto as costas na parede para buscar apoio, o ar começou a pesar em meus pulmões. Tento buscar o equilíbrio da minha mente trazendo para realidade, não pensei que voltar aqui seria difícil de encarar.

— Dom, está na linha?— Ian indagou me tirando do torpor das memórias.

— Sim. — sussurrei o respondendo.

— Acabou de chegar mais homens. — Diante do seu aviso, sigo para o banheiro. — hã... troca de turno...

— Quantos?

— Seis deles...

Encaro o amplo banheiro, observo atentamente e procuro por algum lugar que desse para colocar um tablet. Meus olhos olha para a caixa acoplada do vaso sanitário, retiro a tampa e suspiro aliviado ao encontrar o tablet. Estava mergulhado na água, eu só esperava que a minha vinda aqui não tivesse sido em vão.

Enrolei o tablet na toalha de mãos e coloquei dentro da mochila. Com a arma em punho, saí do banheiro e dei uma última olhada no quarto. Antes de abrir a porta, escuto passos pesados vindo do corredor. Fico atrás da porta para me esconder, o meu corpo ficou escondido quando a porta foi aberta. A luz foi ligada e o homem adentrou o cômodo, escuto seus passos pelo quarto até o silêncio pairar por um breve momento.

Lembro-me que havia esquecido a porta do banheiro aberta e amaldiçoou-me por esquecer desse detalhe. Droga!

— Lionel, entre em contato com o Boris e pergunte se alguns dos homens usaram o banheiro dos quartos. — fecho os meus olhos e penso por um momento antes de agir. — Temos companhia... — comunicou depois de ouvir a resposta do Lionel.

Saio de trás da porta, apontando a arma para o homem à minha frente. Ao perceber a minha presença, ele se vira.

— Quem é você?

— Justiça para uns e a morte para outros... — respondi e apertei o gatilho.

O baque seco do corpo do homem ecoou quando caiu no chão, e antes que eu chegasse perto da porta, outro sujeito apareceu e sem dar tempo para ele reagir, o ataco. A arma caiu da minha mão, quando o sujeito conseguiu desarmar-me. Seus grunhidos se misturavam com o barulho dos nossos golpes, eu precisava acabar logo, porque a chegada dos outros não demoraria.

O homem me dá uma cabeçada, me prensando na parede e tentando me imobilizar com sua mão no meu pescoço. O golpeio com força no ponto sensível que todo homem possui, com a brecha dada por ele retiro a faca e corto a sua jugular. O corte foi rápido e fundo, o fazendo cair de joelhos e ver o sangue derramar, o levando a morte. Peguei a arma e andei até a sacada para ver o movimento, havia pouca iluminação em torno da casa e apenas um homem em vigia. Quando olhei para a parede, vi uma escada de madeira na parede, cheia de ramos. Desci usando a escada, o homem estava de costa fitando o jardim. Fui treinado para ser uma letal arma de matar, escolhi esse caminho e não me arrependo das escolhas que fiz e que precisarei fazer. Lancei a faca, mirando em seu pescoço. Com o caminho livre, olho para a minha volta e atravesso a área da piscina.

— Ian, se prepara estou saindo.... — atrás dos arbustos, vejo quando mais três homens se encontram e um deles ordena para que encontrem o intruso.

Os três voltam a se separar, e com o caminho livre, pulo o muro e sigo ainda me escondendo, para a van. Ian pegou os aparelhos e colocou em cima dos equipamentos.

— O que falei sobre: você só tem uma hora? — rosnou e quando a van se afastou da casa, pude respirar aliviado.

— Tive contratempos.

— Caralho, Dominic. Isso que acabou de acontecer pode ter sérias consequências! Você não se preocupa com esse fato?

Retirei as luvas e o encarei antes de falar:

— Fizemos escolhas e tiramos vidas que mata inocentes todos os dias. As consequências nos cerca desde o momento que aceitamos fazer parte da corporação. — suspiro fundo.

Diante do silêncio de Ian, escolhi manter-me também em silêncio apenas olhando através da janela escura da Van, o movimento deserto da rua. Vesti a minha roupa e comecei a guardar cada equipamento em seu devido lugar.


4217 palavras...

Segue capítulo abaixo.... ❤️❤️

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