CAPÍTULO 39

       Ao abrir meus olhos, um sorriso surgiu no meu rosto ao recordar de cada momento. O quanto Dominic adorou cada centímetro do meu corpo e mostrava com devoção em cada toque. Soltei um suspiro e quando olhei para o meu lado não o encontrei, sentei-me na borda da cama e encarei o piso liso da cor cinza, Dominic saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura  e quando os nossos olhos se encontraram, eu sorrir. Os cabelos de Nink caiam para frente do seu rosto, o deixando perfeito.

— Bom dia, minha princesa. — Se aproximou e me deu um selinho. — Você está bem? — perguntou preocupado.

— Bom dia, meu amor. Estou sim. — meus olhos fitaram o seu peitoral e desceram para a curva da sua lombar quando ele se virou.

Tive a visão das suas costas, até a toalha ser descartada e fazer-me ter uma visão gloriosa do seu corpo.

— Apreciando a vista, baby? — virou a cabeça para o meu lado me flagrando.

— Olhar não tira pedaço e não é nenhum pecado, até onde sei. — respondi e coloquei a mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Então vou começar a cobrar imposto. — soltei uma risadinha e balancei a cabeça negativamente.

— Esse vale a pena. — respondi.

Me levantei da cama e antes que eu alcançasse o banheiro senti os braços de Dominic em volta da minha cintura. Seus lábios roçaram a pele do meu pescoço, antes de falar:

— Deixei o contato de uma guia no centro da sala, e ao lado tem um cartão caso queira fazer compras ou almoçar fora. Estarei em uma reunião de negócios agora pela manhã e não sei quando terminará. — Dominic me abraçava por trás, e suspirou cansado — Prometo lhe recompensar, apesar do meu desejo gritar para arrastá-la até a cama e lhe amar por longas horas, mas infelizmente preciso comparecer na reunião.

Maneio a cabeça concordando.

— Sentirei a sua falta. —Falei, virei-me e beijei o canto da sua boca enquanto acariciava o seu cabelo.

—Tenho uma surpresa para você, mas revelarei a noite. — arquei a minha sobrancelha diante do seu segredo.

— Não vai me contar?— distribuiu pequenos beijos em seu peito e ouvir um pequeno suspiro deixar os seus lábios.

— Não... — riu e eu fiz uma careta.

Segui para o banheiro e fechei a porta. Diante do grande e redondo espelho, fiz um coque no meu cabelo e escovei os meus dentes. Depois da ducha quentinha, sai do quarto e não o vi. Vesti a minha lingerie vermelha de renda, blusa branca canelada de manga curta e calça jeans de lavagem clara, que abraçava cada centímetro do meu corpo. Calcei meu tênis branco e fui até a sala pegar o meu celular, respondi algumas mensagens da minha mãe e Alicia...

Encarei a mensagem de Thomas, tínhamos uma amizade tão bonita e acabar com ela dessa forma parecia ser injusto sem dar uma segunda chance. Ele errou, mas a série de mensagens que ele havia mandando desde aquele dia mostrava seu arrependimento.

Ele havia pedido perdão novamente, e quem era eu para não o perdoar? Não cabia a mim julgá-lo. Afinal, no início antes de Dominic surgir no meu caminho ele havia entendido o quanto eu tinha interesse nele e realmente, tinha. Mas hoje, meu coração pertencia a outra pessoa. Certa do que estava prestes a fazer, mandei uma mensagem falando que o perdoava.

A mesa estava posta, me servir e então lembrei de duas pessoas que poderiam fazer um passeio comigo pelas ruas de Moscou. Liguei para Gustavo que comemorou pelo meu convite, tanto ele quanto Anne estavam disponíveis, sentindo-me satisfeita com o desjejum retirei-me da mesa.

Peguei a minha bolsa que continha meus pertences, dentre eles documentos, o cartão oferecido por Nink e o meu celular. Gustavo estava dentro do táxi com Anne ao seu lado, sorrir quando ambos me avistaram. O táxi nos levou para a famosa praça vermelha, Alicia iria surtar quando enviasse as fotos para ela. Vários eventos históricos aconteceram aqui, na imensa praça que era marcada pela presença da Igreja colorida e lembranças de grandiosos desfiles militares.

*

    Enquanto o motorista dirigia, eu analisava alguns dos arquivos que Ian havia conseguido Hackear. Informações antigas e recentes, estavam no pequeno pen-drive que estava conectado no meu notebook.

— Sabe dizer se Alan Olarv entrou em contato com alguém, depois de ontem? — Os arquivos estavam organizados por pastas e não era difícil entender as informações.

— Ele não. Mas a Nabokov entrou em contato com o senhor Bennett. — Ian estava estudando a planta da casa que em um tempo esquecido pelas sombras dos vivos, eu morei. — A ligação estava falhando mas consegui entender que o assunto era você e a sua mãe.

— O quê especificamente?

Ian encarou a tela e digitou alguma coisa em seu notebook.

— O filho de Evangeline Rostova está aqui e está comprometido a encontrar o Tablet.— ruídos na linha — Ele está entrando em uma teia de aranha perigosa, Bennett. Temo pelo que acontecerá...

— Não conseguimos ouvir a voz do Senhor Bennett, porque o aparelho que ele usa bloqueia qualquer sinal de interferência. — Ian explicou.

Assenti.

— Eu preciso da sua ajuda... — sua voz saiu mais baixa. — Eu não entraria em contato com você, depois de anos, se não fosse necessário.

A ligação foi desligada, e os meus pensamentos se alinhavam em busca de respostas, e até as antigas lembranças que eram quase apagadas pelos passos do tempo, não vinham em mente.

— E a casa? — a teia de segredo trazia sobre cada um, o perigo. — Agiremos na madrugada. Precisa ver uma rota extra de saída, caso as coisas não saiam como o planejado. — retirei os três mine aparelhos que está em fase de teste do bolso interno do terno — Ainda está em fase de teste, mas além de nos dá suporte de localização através das mini câmeras instalada ao redor, é irrastreável.

— Quê? Ficou louco, cara! Eu não vou arriscar.

— Ian, alguns riscos precisam ser cometidos. O propósito dessa viagem só você sabe. — Falei, direto. — Eu confio na Helena, foi ela que desenvolveu para mim e mesmo ela dando 95% de certeza que o aparelho funciona, eu acredito.

— Sou cético em confiar em uma tecnologia que está em fase de teste. — desdenhou. — Eu não vou arriscar, Dominic.

Limitei a revirar os olhos.

— Depois da reunião, vou me encontrar com Cindy Nabokov. Ela tem muito o que falar e explicar.

Ian, era um grande amigo. Sabia do meu desejo de vingança desde que tínhamos vinte anos  e talvez seja pelo fato de ter perdido os seus pais tão novo que ele nunca me desmotivou.

— Sabe onde ela mora? — perguntou concentrado em seu notebook.

O carro parou em frente a empresa dos irmãos Rurik, o motorista abriu a porta e antes de sair, falei:

— Eu, não. Você fará isso por mim. — sai do carro e já fui recebido pelos flash dos fotógrafos, mas não parei para responder perguntas ou para tirar fotos.

Simplesmente subir as escadas e fui recebido pelos irmãos, ambos eram novos no mundo tecnológico. As primeiras reuniões aconteceram por vídeo chamada e agora na última decidiria o resultado final.

Ao chegar no salão de reunião, sentei-me na cadeira e coloquei a pasta em cima da redonda e grande mesa escura, que fazia combinação com os tons terrosos da sala. Vladimir, o irmão mais velho, se pronunciou, mostrando cada ponto positivo que a empresa estava dando e os pontos que eles pensavam em explorar para alavancar os negócios, se tratavam de jogadas pensadas. Os russos são direto nos assuntos e sendo descendente de russos tenho a facilidade de compreendê-los.

— Os documentos estão aqui, basta você ler e tomar a decisão. — Vladimir finalizou.

Peguei os documentos da sua mão e li cada parágrafo. Estava tudo dentro da proposta estabelecida por ambas as partes, a diretoria da minha empresa já havia estudado essa nova parceria e não tínhamos o foco centrado só nos lucros visamos também as porcentagem de cada perda. O irmão mais novo respondeu algumas das minhas perguntas e no fim acabei fechando o negócio com eles.

*

    Visitamos as atrações turísticas que se localizam na praça vermelha, como a catedral de São Basílio que possuía sua glória na arquitetura exótica. Os muros do Kremlin e o seu interior, e depois seguimos para o shopping Gum e comemos variedades de aperitivos em uma cantina. Findamos o passeio com sorvete, entre as conversas, fotos e brincadeiras, descobri que tanto Gustavo quanto Anne são de Nova York. Eles moram há sete anos aqui em Moscou e a decisão de morar aqui, veio quando Anne conseguiu um emprego e com o tempo Gustavo conseguiu entrar para a agência de beleza que Anne trabalha. Antes de sair do shopping comprei lembrancinhas para minha Barbie e para a Mel.

Ambos me levaram a cada ponto turístico que é bem visitado aqui em Moscou, infelizmente Anne e Gustavo só tinham a parte da manhã livre e precisavam cumprir com os seus compromissos na parte da tarde.

Quando cheguei no hotel, não me atentei ao meu redor. Simplesmente entrei no elevador e fui para a suíte, ao abrir a porta me deparo com uma pequena caixa vermelha aveludada. Tranquei a porta, e peguei a caixa que estava em cima do centro de vidro. Havia um pequeno bilhete, estranhei a caligrafia que não tinha nenhum traço da letra do Dominic.

Te espero no restaurante,
Precisamos conversar.

Girei os calcanhares para ir até o restaurante do hotel. Tranquei a porta novamente, e com o bilhete e a caixinha nas mãos fui para o elevador. Dentro do elevador, decidi olhar o que tem dentro daquela caixinha e ao ver o anel em formato de serpente com olhos de safira, franzo o cenho.

Eu tinha decidido esquecer tudo sobre a noite anterior, a execução e o símbolo haviam sido mandados para o fundo da memória e selados na tentativa de serem esquecidos. Mas receber esse presente de Nink, começava a trazer tudo novamente à minha mente.

Voltei a fechar novamente a caixinha, quando o elevador parou na cobertura, no momento em que as portas metálicas se abriram, observei o movimento do restaurante. Apesar da arquitetura moderna e monocromática, não me atentei aos pequenos detalhes que tornavam o ambiente tão aconchegante. Olhei à minha volta e não havia nenhum sinal de Dominic, apenas famílias e pessoas desacompanhadas almoçando.

— Senhorita, há uma pessoa que solicita sua presença. — Um funcionário do hotel se aproximou e comunicou.

— Quem? — inquirir.

— Ele não deu nomes. Só pediu para vir aqui e levá-la até ele. — assenti e o acompanhei.

O homem de estatura baixa estava de costas e a cabeleira grisalha, não ajudou-me a reconhecê-lo. Assim que fiquei em sua frente o reconheci, era o anfitrião da festa da noite anterior.

— Sente-se, senhorita Hernandez. — pediu com um certo gracejo na voz. Permaneci em pé. — Mas que falta de modos o meu... — falou irônico, levantou-se e afastou a cadeira para eu sentar.

Um gélido arrepio passou pela minha coluna, quando ele lançou um sorriso para mim.

— Eu não tenho o dia todo, Hernandez. Eu só quero conversar. — A maneira que as palavras deixaram a sua boca, me fizeram engolir em seco.

Instintivamente meus olhos percorreram o restaurante e vi alguns homens olhando para o meu lado.

— Não precisa se preocupar, são meus homens. — anui e sentei completamente forçada pela situação.

— Caso não se importe pedi algo para comermos.

— Não tenho fome. — olhei para o céu através do vidro que fechava a cobertura, o meu sexto sentido mandava pequenas ondas de alerta para a minha mente e corpo.

— Não nos apresentamos direito, meu nome é Alan Olarv. — garçons aproximaram-se da nossa mesa e colocaram os pratos à nossa frente. — Espero que goste... é um dos meus pratos favoritos. — falou depois de degustar da sua comida.

— Como conseguiu entrar na suíte? — mantive a expressão neutra.

Alan possuía uma aura perigosa e não fazia questão de deixar em oculto.

— Tenho meus meios... — bebeu seu suco de laranja e pareceu pensar por um pequeno intervalo de tempo — Eu contava com a sorte de você chegar primeiro...

Alan parecia enrolar propositadamente, ele tinha suas cartas e estava disposto a conduzir a conversar no seu ritmo.

— O que quer? — Falei direta.

— Nada tão complexo que você não resolva. — deu de ombros — Sabe esse momento me traz uma recordação. Anos atrás, uma mulher perdeu a sua vida por enganar um homem. Mas hoje, vejo que a história tem suas curvas distintas. Só não sei o final da sua.

Aonde ele queria chegar? Causar medo? Por que ele está conseguindo!

Há momentos que precisamos engolir o medo que tenta nos dominar, blefar era a minha jogada. Não demonstrar que suas palavras causavam uma carga de pavor em mim, traria um pouco de controle para sair dessa situação.

— Não farei nada para você. — enfatizei.

— Não é para mim, é para o bem do seu namorado. Dominic está entrando em um caminho que não terá volta, não haverá saída para o livrar das garras do diabo.

— O que você quer dizer? — Falei apreensiva, deixando o disfarce que levantei cair.

Ele riu, áspero.

— Faça o Dominic voltar para Nova York. Em breve a máscara dele cairá, e as sombras que ecoa no silêncio do império saberá quem ele é.— seus olhos vagaram por um momento e diante da suas palavras, concluir:

— Isso é uma ameaça?

—Entenda como quiser. Haverá um preço a ser pago, esteja ciente das minhas palavras. — Alan limpou o canto da boca com o guardanapo, e depois falou:

— E você, docinho, será o primeiro alvo a ser atingido.

Novamente senti um arrepio na coluna que se espalhou pelo meu corpo. Alan olhou para a caixinha, e depois me encarou.

— Alvo? Do que está falando?

— Percebo que não sabe de nada... — Suspirou — Dominic está sendo egoísta em lhe manter desinformada sobre o que poderá lhe suceder caso permaneça ao lado dele. Fuja, você não precisa terminar como a mãe dele.

Alan Olarv se levantou sendo seguido pelos seus homens, e as palavras dele ecoaram fortemente na minha mente e os questionamentos que eu havia levantado na noite anterior, surgiram me afogando no mar de perguntas.

2359 palavras...

Segue capítulo abaixo... ❤️❤️❤️

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