CAPÍTULO 34
A semana passou se arrastando, conversei pouco com minha mãe pois havia decidido não contar o ocorrido. Nada na mídia havia saído e por algum motivo minha intuição dizia que Dominic havia intervido. Não o questionei mais sobre o paradeiro do verme e não fiz questão de saber dos detalhes.
Temporariamente havia recebido um afastamento das atividades empresariais. Dominic estava protetor e cuidadoso, mas havia um detalhe que sufocava minha mente quando sozinha me encontrava.
O silêncio era preenchido pelas cenas e me via em looping de tortura cruel, a culpa. Precisava voltar rapidamente para minha rotina, ocupar minha mente. Diante desse quadro ao qual me encontrava decidi vir à empresa. No entanto, não esperava que ao estar em frente ao elevador daria de cara com um bloqueio, engoli em seco, havia uma alternativa que não era nada boa. A primeira etapa seria as escadas rolantes que levava para o nível de comercial marketing. Após, só usando as escadas de emergências.
Ainda travada na frente do elevador, acabei desistindo. Paula, a mocinha da recepção me observava curiosamente, engoli em seco novamente e respirei fundo, o medo de entrar acabou me levando a enfrentar a saída de emergência que me levaria à presidência.
Nem fui notada quando pisei no departamento comercial de marketing, e sutilmente me dirigi até as escadas. Encarei os lances que teria que enfrentar mais como um desafio, retirei os meus saltos, fiz um coque no cabelo e subi o primeiro degrau.
*
Cheguei na sala da presidência igual uma morta-viva, cansada demais até para pensar ou dizer alguma coisa. Encostei minha testa na porta e contei até dez a fim de ganhar algum tempo para recuperar a minha energia.
Calço meus saltos e soltei meus cabelos, tentei ficar apresentável na medida do possível. Ao sair do corredor visualizo uma mulher que possuía quase os mesmos traços da sra. Ford sentada no sofá cinza de espera. A mesma notou a minha presença e quando me aproximei, sorri antes de falar:
— Bom dia, sou a secretária kristal Hernandez. — a cumprimento. — Como posso ajudá-la?
— Meu Deus! Como você parece com ela! — exclamou espantada.
Ok, isso está ficando estranho. Ela não é a primeira pessoa que diz isso.
— Com Amélia? — Citei o nome que já tinha ouvido.
— Sim...— sussurrou ainda em transe. Ela se levantou e se aproximou de mim para tocar em meu rosto. — A única diferença são os olhos.
— Quem é Amélia? — indaguei procurando entender o porquê de me assemelhar a outra garota.
— É a minha sobrinha...— soltou a respiração— ela faleceu aos dezoito anos. Ela era muito próxima da minha filha, depois da sua morte jade mudou bastante. — terminou de falar triste.
— Eu sinto muito. — digo sincera, e entendo os surtos da sua filha ao me ver.
— Oh, criança... isso faz tanto tempo, o que nos resta é a saudade agora. Amélia era uma ótima garota mas a vida não foi justa com ela. — sua expressão muda e franze o cenho antes de falar:
— Você é a namorada do Dominic?
— Sou.
— Agora tenho que me conformar que a minha filha não tem mais chances...— riu baixinho no final e até respirei com dificuldade, eles são primos! — Eu sei, eu sei… é estranho ouvir meu comentário, o Dom e a Jade não criaram laços afetivos, há uma diferença de idade entre ambos, Quando o Dominic foi adotado a Jade já estava na sua fase adulta. — Ela abanou a mão no ar — Resumindo, o que uma mãe pode fazer? Dominic se tornou um homem e do nada minha filha mostra interesse? — riu de forma despretensiosa — Perdão, não quero ofendê-la com essa história.
— Não ofendeu. — digo sincera.
Ela sorriu gentilmente.
— Felicidades ao casal. — me abraçou e estranhamente foi tão reconfortante, me senti acolhida em seu abraço.
— Obrigada. — agradeço gentilmente e o abraço se desfez.
— O Dominic ainda não chegou?
— Ainda não, mas já está chegando. Quer esperar no escritório?
— Não, só passei para entregar esses bolinhos que ele adora. — Ela retira os bolinhos da bolsa que estão embrulhados. — Diz pra ele que simboliza um pedido de desculpas pela minha intromissão na sua vida amorosa. Eu fui impertinente em algumas ocasiões, reconheço. — Suas palavras são sinceras — Lembre-se kristal, na vida nunca é tarde para pedir perdão. A questão é nos auto analisar e corrigir os nossos defeitos. — aconselhou-me e depositou os bolinhos nas minhas mãos.— Até mais, querida. Foi um prazer lhe conhecer. Eu sou a Denise.
— Até, igualmente Denise. — Nos despedimos e a vi entrar no elevador.
Andei em direção à minha mesa e preparei-me para um longo dia de trabalho. Eu havia me adaptado rápido ao cargo e por incrível que pareça até eu estava surpresa com a minha evolução nesta área da minha vida. Ligo o notebook e verifico os e-mails, e começo a marcar e confirmar os compromissos que ele terá hoje. Ligo para o refeitório da empresa e peço para um dos funcionários trazer um capuccino e um café, depois volto a me concentrar nos arquivos à minha frente, um e-mail havia acabado de ser enviado.
— Estranho...— sussurrei olhando as imagens que estavam anexadas.
Analisei a imagem que mostrava toda etapa do projeto, uma lente com inteligência artificial ampliada para ter acesso internacional a informações sejam de pessoas, dados de rede pública e governamentais.
Dei de ombros ao lembrar que Dominic sempre recebia projetos inovadores. Porque seria estranho?
O entregador aparece na minha frente e acabo me sobressaltando em tamanho susto. O rapazinho chegou feito um fantasma!
Agradeço pela entrega e notei quando a luz vermelha do telefone que tinha linha com o telefone da sala de Dominic acende, concluo que ele havia chegado. Provo do meu capuccino e pego as barrinhas de cereal que não eram nada light.
Antes de ir na sala de Dominic, verifico a minha maquiagem que cobria as leves escoriações que estava sumido aos poucos e vejo que estava intacta. Bati na porta e ouvi um “entre”, abri a porta e fechei quando passei .
— Bom diaaa.... — falei demonstrando uma super animação.
— Bom dia, minha princesa. — Dominic disse paralisado ao me ver. — Você…
— Eu vim trabalhar! — sorri.
— Mas amor, não é…
O cortei novamente:
— Amor, você pode não entender, mas preciso da minha rotina. Preciso ocupar a minha mente, ficar mais uma semana em casa não vai me ajudar. — Coloquei meus braços ao redor do seu pescoço e fiz um carinho suave em sua nuca.
— Ok, minha princesa. Estarei aqui para lhe apoiar. Mas promete que vai devagarzinho? — sua boca veio na direção da minha deixando um selinho nos meus lábios. — Promete?
— Prometo.
— hm... cheirinho bom. — disse e seus olhos foram até os bolinhos.
— Foi a sua tia Denise que trouxe, ela pediu para falar que simboliza perdão pelas intromissões em sua vida amorosa. — falei tudinho nas palavras de Denise.
— Cara... isso deve estar envenenado. — colocou os bolinhos na mesa ao tirar das minhas mãos.
— Bobo, claro que não.
— Então prove um.— brincou e lançou uma piscadinha.
Soltei um riso alto.
— O alvo aqui é você. — falei e ele achou graça.
Dominic sentou na mesa e me puxou, posicionando-me no meio das suas pernas.
— Ah, então é assim? Cada um por si? — seu sorriso contagiava cada cantinho do meu coração, me deixava abobalhada.
— Não sei, foi você que começou! — dei de ombros.
— Eu só falei um suposto fato. — sussurrou e apertou a minha bunda.
— wow! — soltei diante da sua ousadia.
Dominic estalou a língua antes de falar:
— Devia ter vindo de vestido.— Arqueio as minhas sobrancelhas diante da sua sugestão atrevida. — Eu teria mais chances de tirar uma casquinha desse delicioso corpo.
— Você é insolente, Don Juan de Manhattan. — O olhei nos seus olhos e tentei tirar suas mãos do meu bumbum, mas não consegui.
— Eu tento ser, mas você não deixa! — que atrevido!
Então despejei o famoso balde de água gelada ao falar:
— Você tem um novo projeto para ser avaliado, uma reunião com o vice às dez horas da manhã, à tarde uma visita no local do projeto.— despejei o trabalho em cima dele e o vi revirar os olhos. — Ei! Temos trabalho a fazer.
— Antes de ir, quero um beijo. — sabia que um beijo não ficaria só no beijo, balancei a cabeça negativamente e delicadamente tirei suas mãos.
— No fim do trabalho. Até lá tenha um ótimo dia, chefinho. — Zombei — Aí! Abusado! — massageie o meu bumbum devido ao tapa que Dominic deu.
Ele riu de maneira indecente, sua expressão mudou aos poucos como se houvesse lembrado de algo.
— Anjo, você tem passaporte?
— Tenho. — respondo sem entender o motivo da sua pergunta.
— Daqui a quatro dias vamos viajar. E caso tenha alguma documentação pendente, me fale que resolverei o mais rápido possível. — tocou a minha bochecha gentilmente. — Vamos almoçar juntos, ok?
— Certo, vou indo. — falei e me afastei indo em direção a porta.
— Ei? Não vai querer mesmo um bolinho?
Soltei uma risada divertida e abri a porta antes de falar:
— Bolinhos feitos especialmente para você, boa digestão. — Assim que saí fechei a porta e sorri ao soltar uma respiração funda.
*
Respiro fundo, verifico as filmagens que mostra o horário que Kristal chegou tentando analisar sua linguagem corporal com a volta a empresa. Observo atentamente ela parada em frente ao elevador até se virar e seguir para as escadas rolantes. Fico desacreditado quando percebo qual foi a decisão tomada.
Volto a vê-la pela câmera da recepção da presidência e a vejo concentrada em seu trabalho. Batuco a ponta da caneta na mesa enquanto continuo a observá-la.
Eu havia entendido que o medo não a deixava entrar no elevador, já que naquele maldito dia o elevador deu um defeito com ela dentro. Uma ideia apareceu em minha mente e logo me prontifiquei a preparar tudo. Volto a morder o bolinho que a minha tia Denise trouxe e reflito nas palavras ditas por Kristal, apesar de não acreditar em mudanças repentinas decido dar um voto de confiança a ela. Afinal, ela é minha família.
Jade apesar de possuir uma idade avançada, ela mantinha o corpo em forma pelas plásticas e dietas que fazia. Sempre tentando estar no padrão que a sociedade pregava, sem conteúdo e superficial.
Suspiro fundo.
Célia resgatou-me do escuro que a minha versão pequena se encontrava, uma criança traumatizada foi o que ela encontrou. Com todo amor que uma mãe sente por um filho ela soube como trazer novamente a vida para mim. Célia, minha segunda mãe resgatou-me da depressão, desde as minhas primeiras crises que ela presenciou a sua primeira atitude foi buscar ajuda profissional. Ela trouxe para vida de um garotinho a infância que havia se perdido, o brilho do olhar que havia se dissipado e alegria para a minha alma.
Apesar de ser tão pequeno, não havia contado sobre o que me atormentava pelo simples fato de achar que ele me encontraria.
Desde o momento que meu avô Bennett apareceu, eu desejei vingar-me, e ninguém me faria desistir do meu objetivo. Hoje eu tinha toda a história do meu passado esclarecida, apesar de estar com rancor do senhor Bennett por ter escondido peças chances da minha origem, e em parte ter a lembrança de Envageline fresca em minha memória só me fez ter mais foco no meu objetivo.
A caixa de e-mail aparece na tela do meu notebook, kristal havia enviado o projeto em que citou e quando vi quem havia enviado para o seu e-mail fez meu sangue queimar em raiva.
Busquei meu celular na mesa e liguei para ele, esse projeto era para estar na instalação não aqui na minha empresa.
— Mason, por que esse projeto está na minha empresa? — falei austero.
— Foi a kenzie que mandou. Ela disse que é ordem do senhor Bennett. — explicou nervoso.
— Por que?
— A explicação que ela deu foi vaga. Ela disse que o senhor Bennett tentou entrar em contato com você mas não conseguiu..
Suspirei cansado de toda essa enrolação.
— Ok, não esqueça que hoje tem treino.
Desliguei a chamada e tratei de entrar em contato com o senhor Bennett por mensagem. Sem demora apresso-me a ir para a reunião que começaria em breve com o meu vice, o senhor Venâncio. Um homem do gênio forte, mas com ideias e aptidão para sempre está aprendendo com a atualidade que vivemos.
*
Não era nem fim de expediente e antes de ir para a instalação, decidi levar a minha namorada para um lugar que considero especial. Vesti meu sobretudo e peguei a minha pasta de executivo de couro preta horizontal. Marchei em direção a sua mesa e a peguei desprevenida, encarando o céu.
Perfeita como a aurora boreal.
Suspirei diante da sua beleza e pigarrei chamando a sua atenção para mim. Seus olhos cobaltos me fitaram surpresos.
— Vamos? — a chamei.
— Mais ainda falta uma hora para…
— Estou encerrando mais cedo hoje. — a cortei já sabendo qual era o seu protesto.
Ela organizou a sua bolsa e veio em minha direção, olhou-me curiosamente ao me ver folgar a gravata e a tirar.
— Você pode ir na frente, vou assim que resolver um probleminha. — disse sem jeito.
Arqueei minha sobrancelha já ciente do que ela falava. Escadas. Ela estava escondendo de mim o seu medo em usar o elevador.
— Eu já sei anjo. — disse gentil e a guiei em direção ao elevador presidencial.
Ela olhou para dentro do elevador e engoliu em seco.
— Eu não consigo. — sussurrou baixinho.
— Não diga assim, você consegue. Só não encontra a coragem que precisa. Você confia em mim? — perguntei olhando em seus olhos e depositei a ponta da minha gravata em suas mãos.
Ela segurou com firmeza e encarou a peça que nos ligava, estando dentro do elevador esperei por sua resposta. Seus olhos percorreram a gravata e pousaram em meu rosto.
— Eu confio.
— Eu estou bem aqui, amor. Basta apenas um passo.
Vi seu olhar tremer por alguns segundos mas ao fitar os meus ela sabia que em nenhum momento estaria sozinha. Eu estaria sempre ao seu lado ajudando a superar cada obstáculo. Kristal respirou fundo e deu um passo, assim que entrou seus braços cercaram minha cintura em um abraço apertado.
— Obrigada. — disse, a voz saiu abafada no meu peito.
— Estou sempre aqui, amor. — As portas metálicas se fecharam e até chegar no lobby a mantive em meus braços.
*
Eu tinha pedido para Ian nos levar no Rockefeller center. Felizmente o que nos mostrava que seria uma noite apenas fria começou a nevar. Quando chegamos encarei as pessoas que patinavam ou tentavam era uma bagunça gostosa de se observar. Apertei o botão e vi a barreira negra que nos separava de Ian — nos dando privacidade —, abaixar.
— Olha só quem é… você quase atropelou a minha amiga — ouço kristal falar quando visualiza o rosto de Ian pelo retrovisor.
— Em minha defesa o sinal estava aberto.— justificou. — Mas a sua amiga não aceitou estar errada... ela usava fones e dançava quando quase a atropelei.
— Bem a cara dela fazer isso mesmo. — kristal murmurou. — Porque estamos aqui? — indagou encarando a movimentação através do vidro escuro do carro.
— Não faz ideia? — abri a porta e a ajudei a sair, ao fechar a porta, falei:
— Vou te enamorar. — sorri de lado.
— Eu gostei de como essa proposta soou. — respondeu docemente — Tem um toque romântico que desperta toda a minha atenção para si.
— Eu vou apenas lhe mostrar. — falei.
— Vou adorar cada detalhe. — beijei a sua bochecha após ouvir sua resposta.
O frio cortante passou fazendo Kristal passar as mãos nos braços que eram cobertos por uma camisa de seda da cor nude que fazia combinação com a calça preta de modelo reta, que marcava cada centímetro do seu delicioso corpo. Tirei meu sobretudo ficando apenas com a minha camisa social branca, coloquei em kristal que aceitou sem pestanejar.
Graças a Deus, em questão de teimosia ela ganha um Oscar.
Antes de ir ao encontro da pista de patinação, me aproximei da janela e me inclinei em direção a janela para falar com Ian.
— Manda uma mensagem para o pessoal avisando que me atrasarei. — falei em um tom baixo e ele assentiu em respostas.
Com as mãos nas costas da kristal seguir em direção a pista de patinação.
*
— Isso não vai acabar bem, de novo. — falou nervosa e olhou para o chão arriscando um passo. Eu auxiliava ela ao seu lado, sua mão segurava firmemente em meu braço e a outra na barra de ferro como se dependesse daquilo para se manter em pé. — Eu vou cair! — disse desesperada.
— Baby, solta a mão do ferro e confia em mim. — Tentei passar confiança mas o medo de cair a fazia patinar travada — Já tentou alguma vez?
— Nos filmes parece ser tão fácil, até olhar essas crianças parece ser fácil. — disparou. — Tentei uma vez com as minhas amigas, o tombo não terminou só em mim. — Riu ao contar.
Com calma a tranquilizei e lhe passei simples instruções que começou a dar certo. Um pouco travada kristal tentou dar alguns movimentos básicos, eu estava ao seu lado mas não a tocava.
— Ai meu Deus... Eu estou patinando. — começou a se empolgar e acelerou um pouco mais e eu a acompanhava de perto.
Os flocos de neve caíam como uma fina chuvinha e alguns deles planavam entre os fios de cabelos dela, os decorando naturalmente em seu coque. Kristal desequilibrou e ao tentar segurá-la ela tentou segurar no meu braço e se apavorou, quando a puxei para ampará-la ao meu corpo ela se desesperou e escorregou. Acabei indo ao chão com ela em cima de mim.
O riso dela explodiu e depois de processar cada detalhe do acontecimento devido a dor fina nas costas. Analisei se estava tudo bem com ela mas diante do seu riso contagiante tive a certeza que não havia se machucado. A imagem da sua cara assustada pulsou em minha mente, comecei a rir também totalmente entregue naquele momento. Ambos rimos e quando os seus olhos encontraram o meu mais uma vez, ergui a mão para acariciar a sua bochecha. O lindo sorriso pintava o seu rosto e o coque já estava bagunçado, minha deusa estava maravilhosamente magnífica com aquele mágico brilho no olhar.
Kristal encostou o seu nariz no meu e fez um leve carinho.
— Você me fez cair! — sua respiração subia e descia, seus lábios se uniram em uma linha fina.
— Eu? — entrei na brincadeira.
— Sim, eu não teria caído se não estivesse aqui. — argumentou e deu uma piscadela.
— Engraçadinha. — beijei seu queixo e depois nos levantamos.
Algumas pessoas nos olhavam e sorriam, outras continuavam a patinar. Sobre pequenos pontinhos de cristais que brilhavam no céu caminhamos em direção ao último ponto do passeio: O top of the rock.
*
Havia poucas pessoas no mirante, paramos perto da barra de proteção e ficamos em silêncio contemplando a vista. Ter sua companhia era sem dúvidas o meu maior tesouro, com ela ao meu lado tudo parecia estar conectado na mesma sintonia. Seu cheiro, calor, sorriso, olhar, carinho era um conjunto que contribuía para que o amor crescesse sem medidas.
Observei que Kristal aproveitou para ter uma visão detalhada dos binóculos do terraço, contemplando a vista à sua frente e com um jeitinho meigo pediu para tirarmos algumas fotos.
As pessoas haviam saído, aproveitei nosso momento a sós e lentamente aproximei-me dela e beijei os seus lábios docemente revelando através do beijo todo o meu sentimento que sempre estava em ascensão por ela. Minhas mãos estavam ao lado do seu rosto e meu polegar fazia um vagaroso carinho na sua bochecha.
Kristal era o meu mundo particular, meu tesouro encantado e o fôlego da minha alma, eu amo amá-la. Ela ofegou diante do beijo longo, suas mãos estavam em minha nuca e eu pude sentir a total entrega que vinha dela.
— Eu estou perdidamente apaixonado por você. — falei olhando nos seus olhos.
— E eu por você.
Céus... essa feiticeira vai acabar matando-me de paixão.
*
Na instalação a equipe estava espalhada, aquecendo-se no local de treinamento, ao sair do vestuário mandei um comando de ordem para Ivan, o mesmo iniciou uma série de flexões pesadas e não entendia o castigo.
— Brother, você não devia ter dito aquilo no bar. — Otto gargalhou captando rapidamente a mensagem.
— Ah, não! Você não está mandando-me fazer flexões porque falei aquilo da sua namorada?!— falou incrédulo. — Eu não fazia ideia de quem era!
— Já estou fazendo. — levantei um ombro em descaso. — Não sabia, mas foi impertinente em suas palavras com a minha namorada.
Olhei para Samuel e com um gesto o mandei se aproximar.
— Abdominal na barra arqueiro. — A disciplina era importante para cada um, e eu não ficava de fora. — Kenzie e Colton, Vasti e Otto, Natalie e Simmons, Mason e Ian. — Sobrando apenas Luke e eu.
O treino iniciou puxando de cada um as táticas de luta conhecidas, estávamos envolvidos em sintonia conjunta e como anos de treino na base central, encaramos o amigo como um adversário de alto perigo.
3490 palavras...
Até o próximo capítulo... ❤️
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