CAPÍTULO 24

     Observei Kristal se afastar, senti que a mesma havia ficado estranha depois da ousadia da Kenzie. O sentimento que Kenzie demonstra sentir por mim não é algo que vem de agora. Desde o dia que entrei para a corporação, fizemos parte do mesmo grupo. Eu tinha dezenove anos e faria minha faculdade em Washington. Foi em um dia chuvoso que o senhor Bennett me procurou, apresentando provas do nosso parentesco e revelou no mesmo dia que a minha mãe fazia parte de uma organização. Ela tinha uma missão a cumprir e morreu cumprindo apenas uma parte daquela missão. Toda vez que a cena daquela maldita noite invade as minhas lembranças anseio cada vez mais pela vingança.

— Contará para ela? — Kenzie se aproximou e me estudou.

— Não tenho o que contar. — respondi duramente. — Esse outro lado da minha vida a Kristal não precisa saber. — falei firme.

Já era um grande risco ela está do meu lado, e cercá-la de informações tão sigilosas era como a tornar um alvo ainda mais fácil. 

Kenzie soltou um riso abafado.

— Relacionamentos não se constroem a base de mentiras e não sobrevive a base de segredos, Dominic. — Levou a taça até os lábios bebendo o champanhe.

Ouvi as suas palavras e antes de responder, depositei de volta a taça na bandeja de um dos funcionários que passava.

— Alguns sacrifícios têm que valer a pena para serem arriscados. — concluí.

— Cuidado, esse é um caminho perigoso. — disse — O final pode ser doloroso.

Antes que ela se afaste, digo:

— Kenzie… — Ela olhou e não entendeu quando dei um passo ficando próximo dela— Nunca mais repita o que fez hoje, não se atreva a intimidar a minha mulher ou a insinuar que houve algo entre nós. Nunca lhe ofereci algo além da amizade.

Seu olhar escureceu diante das minhas palavras e ela se retirou rapidamente.

Troquei algumas palavras com alguns conhecidos e depois fui atrás da minha namorada. Eu sabia que manter um segredo podia colocar tudo o que eu estava tendo com a Kristal a perder, tinha plena consciência dos riscos e estava disposto a assumir as consequências.

Mistério, segredo, vingança e paixão: um ciclo que fazia parte de quem sou.

*

     Depois da apresentação e de conversar com esposa do senhor Adolfo, uma pessoa que não esperava encontrar interrompeu a nossa conversa e deselegantemente pediu licença a senhora Brassard e me arrastou para um local mais discreto e sem muita movimentação.

— Solte-me! — disse rispidamente.

— Se eu te chamasse você viria? — perguntou.

— Óbvio que não!

— Sinto muito. Não tive muita escolha. — disse enquanto me soltava.

Matias estava diferente, mas não o analisei totalmente. Mantive uma certa distância dele, porque a sua presença era repugnada por mim.

— Kristal, preciso lhe dizer algo.

— Eu não tenho nada para falar com você. — falei friamente.

Ele suspirou, abaixou o olhar por alguns segundos. Fiz menção de sair, mas suas palavras me fizeram virar para o olhar.

— Foi a Sofia.

O olhei tentando entendê-lo.

— Foi a Sofia que armou para nos conhecermos. — senti meu sangue gelar. — Ela tinha um segredo em posse e covardemente acabei fazendo o que ela mandava.

Engoli em seco temendo a resposta para minha pergunta.

— O que ela mandou você fazer?

— No início, eu tinha que lhe conquistar. Essa foi a fase inicial do plano dela. Após a conquista, levar você para a cama.

Olho para cima tentando controlar minhas lágrimas.

— Eu não imaginei que no percurso me apaixonaria por você e que tudo sairia do trilho. Eu esperava contar tudo a você quando resolvesse com ela. Mas você saiu do apartamento, me bloqueou nas redes sociais e qualquer tentativa minha de aproximação, você se afastava.

— E você esperava o que, Matias? — perguntei hostilmente — Você foi tão sujo quanto ela!

— Eu sei, me arrependo amargamente pelo que fiz.

— Será mesmo? Afinal você teve seu segredo guardado!

— Você não entende… — disse, parecia nervoso com a menção de falar. — Não se tratava de mim. Você se lembra da minha irmã? A Sofia possuía um vídeo que mostrava a Mariana se drogando em uma festa particular, se aquele vídeo vazasse a vida da minha irmã estaria acabada, Kristal. Não seria só a mídia em cima dela, os meus pais também.

— Eu não tinha nada a ver com isso. Mas para você foi muito simples escolher, a final envolvia sexo né? — o olhei duramente ao falar.

— Kristal, eu sinto muito por tudo. Eu agi covardemente, eu não sou mais aquele homem do passado. — seu arrependimento estava presente, mas seria eu uma pessoa horrível por não perdoar? Por não conseguir liberar ele da prisão em que está?

Vi-me segurando a chave da cela onde Matias se via estar, buscando uma absolvição dos seus pecados.

— Hoje eu não tenho o que você pede. Um dia talvez, eu tenha.

— Entendo, Kristal. Se pudesse voltar no tempo faria tudo diferente.

— Essa é a questão, não pode. — senti meus olhos lacrimejarem e olhei brevemente para o lado me esforçando para que nenhuma lágrima caísse. — Me senti humilhada, um nada, e por causa daquela noite levantei uma barreira que acreditei que seria impossível me envolver com outra pessoa. Então no momento não posso dar o que pede.

Afastei-me de Matias e controlo o turbilhão de emoções no peito. Estampei um sorriso no rosto para camuflar o que estava acontecendo no meu interior e me aproximei da senhora Brassard que conversava com duas senhoras.

*

    Avistei Kristal em uma animadora conversa com a esposa do Adolfo e outras mulheres que no momento não faziam ideia de quem se tratava. As mulheres conversam e olham os casais dançarem na pista de dança.
Kristal olhou em minha direção, e foi impossível não lembrar do meu esforço em não deixar aquele sentimento que arde em meu peito, fazer morada. Não há saída quando algo está destinado acontecer, é o tipo de sentimento que nos devora por inteiro e não aceita “não” como resposta.

Me aproximei dela e cumprimentei as demais mulheres.

— Me concede essa dança?— pergunto e estendo a mão para ela.

As mulheres soltaram suspiros ao nos ver se afastando, enquanto a guiava para o centro da pista de dança, ela falou:

— Dominic, eu não sou tão boa em dançar. — mas que fingida. — E tem muita gente olhando para os que dançam.

— Você é uma péssima mentirosa. — Soltei um riso baixo — Mas não se preocupe, sou um ótimo pé de valsa.

O quarteto de vozes começou a cantar My Only One do Sebastian Yatra e Isabela Moner, as vozes e os instrumentos faziam tudo ficar em harmonia. Aquele momento se tornou único e nada além de kristal tinha tal importância aos meus olhos.

*

     Dominic começou a conduzir a dança com elegância e domínio, faço uma careta ao errar o passo e acabar pisando no pé dele. Eu ainda estava com as emoções abaladas depois da conversa com Matias e infelizmente meu interior estava letárgico.

Fazendo-me pisar no pé dele, mordi meus lábios.

— Sinto muito… — soltei nervosa.

— Calma, respire. Pense não haver ninguém aqui, além de nós dois. — sussurrou em meu ouvido.

Foquei o meu olhar nos seus olhos e continuei o seguindo na dança, o embalo e a leveza fazia os nossos corpos dançarem em um só ritmo. Dominic me girou lentamente, e foi impossível não sorrir ao perceber que o que eu estava vivendo se assemelhava a uma cena de livro. Mas viver a realidade fora da ficção era extraordinariamente único e mágico, o amor transbordava por todos os lados e fluía por nossos ossos como uma maldição!

— Dança perfeitamente bem, senhorita Kristal! — sorriu o galanteador.

— Não tenho dúvidas quanto a isso. — brinquei.

A música chegou ao fim e no meio de alguns casais que se retiraram da pista, saímos. Dominic me levou ao jardim da casa, pareciamos dois adolescentes em busca de um canto para poder ficar a sós. Adentramos o túnel de rosas-vermelhas que fazia o caminho até o chafariz. Ao redor do chafariz havia tulipas nas cores azuis, amarelo e rosa. Todas em fileiras únicas, começando do túnel de rosas e fechando as laterais do chafariz.

A lua estava no seu pico de esplêndido brilho e as estrelas pintavam o céu em tamanha grandeza. Dominic colocou suas mãos em minha cintura me puxando para perto de si, o calor e firmeza das suas mãos em meu corpo trouxe arrepios a minha pele. O frio na barriga dançava com a minha ansiedade. Minhas mãos se encontravam em seu peito e o contato que fazíamos com o olhar, era arrebatador.

Meus olhos se moveram em direção aos seus lábios e tomei a iniciativa para o beijar. Minhas mãos foram parar ao redor do seu pescoço, a língua do Dominic abriu lentamente caminho na minha boca, atiçando-me. Suas mãos que seguravam firmemente a minha cintura desceu para a minha bunda, o aperto tinha pressão. Um gemido escapou dos meus lábios, eu sentia todo o meu corpo se acender em um calor descomunal.

Estávamos entregues no ardente beijo, a respiração descompassada revelava o sentimento que sentíamos um pelo outro. A fome, o desejo, a entrega se conectam ao maior sentimento: O amor.

Dominic cessou o beijo dando pequenos selinhos em meus lábios, e toda vez que olhava para ele sentia meu coração se aquecer em êxtase de tamanha felicidade que me encontrava.

1539 palavras

Segue capítulo abaixo... ✔️

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