CAPÍTULO 14

Acordei com o toque do celular. Pisquei os olhos sentindo o peso da sonolência pesarem sobre as minhas pálpebras, busquei o meu celular e vi as ligações não atendidas de Dominic e as mensagens da minha mãe e das meninas.

Minha mãe havia elogiado as fotos que eu havia enviado para ela e na foto onde havia eu e Dominic, tirada pelo gondoleiro, ela lançou logo o convite para conhecê-lo.

Li suas mensagens com um sorriso terno pincelando os meus lábios, no fim, respondi:

"Saudades, amo vocês. Esse final de semana estarei com vocês."

Também respondi as mensagens das minhas irmãs, nosso laço de irmandade não precisava ser solidado por laço sanguíneo. Nossa união se conectava no carinho que tínhamos uma pela outra. As mensagens de Dominic eram recentes e ao ler, corri imediatamente para a porta. Ele estava literalmente plantado do lado de fora do quarto.

Respirei fundo, tentei ajeitar-me mas era impossível. A cara amassada denunciava o merecido sono que decidi me dar.

Abri a porta com um sorriso e o encontrei segurando uma arara de vestidos guardados em capas protetoras de zíper. O slogan dourado denunciava a marca internacional.

- Está esperando há muito tempo? - perguntei e dei espaço para ele entrar.

- Não. Não faz nem cinco minutos que cheguei.

- Desculpe não atender a sua ligação de primeira. Estava dormindo. - justifiquei, mesmo sabendo que para ele não era necessário justificar.

- Essa carinha de sono não nega. - comentou de forma carinhosa. Seus olhos perfeitos me encararam profundamente e senti derreter só um pouquinho com sua intensidade. - Está tudo ok por aqui?

Balancei a cabeça em concordância e o observei, ele analisou a suíte, como se quisesse confirmar que nada faltava.

Um toque na porta do quarto e olhei confusa para a porta, eu não havia chamado o serviço de quarto.

- Ah, ela deve ter chegado. - Dominic se pronunciou e antes que abrisse minha boca para falar algo, ele disse:

- Instrutora de passarela. - Arregalei meus olhos diante da informação. Cristinho! Ele não fez isso! - Não se preocupe, minha vida, tudo vai ficar bem.

- Dominic, por que fez isso? - sussurrei enquanto ele seguia em direção a porta.

Sem entender a minha pergunta, franziu o cenho e me olhou confuso.

- Porque vi que estava nervosa e diante desse detalhe contratei a Luana Fabbri para que você sinta-se confiante. Mesmo eu sabendo que você é um fenômeno radiante e que possui um andar de sereia. - sua forma de cuidar derreteu meus argumentos que estavam quase saltando da minha boca, eu não queria que ele gastasse comigo, mas quando suas palavras e atitudes dançavam lado a lado, era impossível não dar o braço a torcer.

Toquei seu rosto carinhosamente e beijei a sua bochecha docemente.

- Obrigado.

- Agora eu quero o meu beijo... - disse de forma predador encostando meu corpo na porta.

Sua boca reivindicou meus beijos de forma faminta. Diferente dos demais, esse possuía um mistura fogosa, ardente e diabólica. Minha mente não conseguia raciocinar direito quando a sua língua brincava com a minha, arfei, senti quando uma das suas mãos deslizou pela minha cintura possuído carinho e posse ao mesmo tempo. A outra se apossou da minha nuca trazendo-me ainda mais para si. Novamente o toque na porta, causando nossa separação e a contra gosto, me afasto e me ajeito. O brilho de desejo está presente em suas íris e antes de abrir a porta, Dominic se revestiu de uma expressão séria.

- Seja bem vinda, Senhora Fabbri. - A mulher entra com uma postura ereta, elegante e totalmente impecável em sua vestimenta. Nos cumprimentamos e pude perceber que enquanto dialogamos estava sendo analisada por seus olhos de cores azul anil.

- Bom, irei deixar vocês à vontade e irei resolver outros assuntos.

- Não se preocupe, Senhor Ford. Sua namorada está em boas mãos. - disse gentilmente.

Olhei para ele diante das palavras dela e o sorriso safado que ele lançou, foi a sua resposta para a minha pergunta invisível.

- Eu sei que sim.

Assim que Dominic saiu a senhora Fabbri me analisou minuciosamente.

- Senhorita Hernandez, usa salto com muita frequência? - indagou.

- Apenas para trabalho e saídas sociais como, balada ou jantares.

- Não há segredo. A prática leva a perfeição. - iniciou - Costumo falar que não se torna algo mecânico se conseguirmos trazer a essência. Lhe darei algumas demonstrações.

Luana Fabbri iniciou sua apresentação com esplendor. Mostrando-me em ação o significado das suas palavras. A mulher conseguiu criar uma atmosfera gloriosa, magnética e sedutora. Fiquei atenta a cada dica que saia da sua boca até porque o tempo era curto. Na minha vez de desfilar seguindo o que fora dito pela senhora Fabbri, fui corrigida, sendo disciplinada a cada menorzinho erro que cometia.

- Caminhar precisa ser como uma arte, Srta, Hernandez. O telespectador ao olhar precisa ficar fascinado com o que vê.

Postura alongada e cabeça encaixada na posição dita, por pedido da senhora Fabbri havia pegado um salto mais alto que o anterior. Um dos pontos mencionados por ela era a importância de manter as mãos relaxadas e sempre quando fosse parar diminuir o ritmo e parar reto e sair colocando a ponta do pé esquerdo para dentro como se fosse virar, sendo uma facilidade para uma iniciante que traz elegância e confiança.

Fiz uma breve anotação mental sobre as dicas: postura reta, rosto reto, ombro imóvel, caminhar em linha reta, um pé na frente do outro.

Tentei não pensar no fato que o meu nervosismo poderia atrapalhar quando visse a quantidade de pessoas presentes, desfilar com a senhora Fabbri, mesmo com seu ar profissional, não era o mesmo que encarar um ambiente com modelos profissionais e pessoas engajadas nesse ramo.

- Consigo prever seus pensamentos, Srta, Hernandez. Confiança! - disparou, foquei minha mente no agora e dispersei a neblina de pensamentos.


O treino havia chegado ao fim a dez minutos atrás. Dominic não voltou ao meu quarto mas havia mandando uma maquiadora, manicure e cabeleireira para me dar o suporte da noite. Seu cuidado e preocupação para que nada me faltasse fazia meu coração bater em ritmo de samba. Não havia segundas intenções nos seus gestos apenas seu cuidado e carinho presente. As meninas haviam feito literalmente uma mágica em mim. Trazendo uma versão totalmente diferente da que sou acostumada a ser, que se enquadra em uma versão reservada e simples.

Unhas pintadas cor nude, penteado escolhido foi um coque largo com mechas modeladas e torcidas deixando a frente soltinha. Discreto, clássico e elegante, inspirado na princesa Kate Middleton. Não lembro-me se algum dia havia dado destaque aos meus olhos, os deixando iluminados, os mesmo possuíam uma cor natural que atraia atenção para si naturalmente. Mas a ideia de marcá-los e deixar os lábios em um tom rosinha que destacava o formato da minha boca foi certeira.

Um toque na porta e tirou minha atenção do espelho. Sabia que se tratava apenas de uma pessoa e rapidamente fui atendê-lo. Abri a porta e não sabia dizer como Dominic conseguia se superar esbanjando uma beleza celestial que sem dúvidas não provinha do céu. Prendi meu ar ao contemplá-lo. Ele estava impecável!

- Você é a própria luz das estrelas... - disse, enquanto me olhava com um brilho intenso em suas esferas penetrantes. Seu elogio destacou a cor do vestido e sua criatividade conseguiu tirar de mim um belo sorriso. - Minha linda Cinderela.

O vestido que estava usado fora feito pela própria Julia Kaan. O toque delicado trazia um ar angelical, sensual e transluzia o brilho das estrelas. A pluma branca cercava toda a estrutura do decote ombro a ombro com suavidade deixando em evidência a parte superior do meu busto. O corset pontudo deixava minha cintura marcada, além de possuir pequenas pedrarias brancas costuradas que projetava luz estrategicamente, não havia nada de exagerado no vestido. A saia longa e majestosa continha em linhas prateadas ilustração de redemoinhos florais na saia do vestido. Ramos delicados de folhas e flores se encontravam nos redemoinhos que ornamentavam com graciosidade e equilíbrio o tecido fluido.

Dominic me olhou tão encantadoramente. Senti meu peito se encher com um sentimento tão profundo, intenso e forte que tomou conta de cada medula minha.

- Eu amo esse seu jeito de me olhar. - falei pousado ao redor do seu pescoço meus braços.

- Ah, é? - sorriu e enlaçou minha cintura. - Que jeito? - indagou todo cheio de si.

- hmm... - fingi pensar e soltei um leve suspiro ao fita-lo. - Esse seu olhar me faz sentir única.

Seus olhos me presentearam com um brilho especial, ele sorriu encantadoramente, suas mãos abandonaram a minha cintura e se voltaram para os meus braços tirando do seu pescoço para segurar as minhas mãos.

- Ah, Kristal, o que tenho que fazer para deixar ainda mais evidente tudo o que sinto por você? - falou em um desabafo. - Pode ser loucura o que vou falar mais, você tem se tornado meu mundo. Quando estou longe é você que invade meus pensamentos. Se estou dormindo você invade meus sonhos e quando te vejo... - em um gesto sensual e inconsciente da sua parte, ele passa a ponta da língua no lábio inferior. - Sinto um sentimento transbordar de forma intensa e bonita.

Levantou a minha mão e com ternura beijou o dorso.

- Tenho um presente para você. Vai deixá-la ainda mais deslumbrante. - levou a mão ao bolso interno do blazer e retirou uma caixa preta quadrangular de veludo. Ao abrir vislumbrei dois pares de brincos de diamantes em formatos de gota ao lado do colar e anel. - Antes que diga não, já adianto que não aceito recusas.

- O que faço com você, Senhor Ford? - indaguei enquanto me virava para ele colocar o colar.

- Sou todo seu. Pode fazer tudo o que quiser. - brincou com uma certa malícia.

- Dominic!

- Brincadeirinha. - disse antes de soltar uma linda gargalhada.

O colar destaca o colo valorizando ainda mais todo o conjunto.

Dominic me tinha por inteira. Seu jeito intenso mas ao mesmo tempo respeitoso conseguiu passar pelas camadas de concretos que haviam ao redor do meu coração. Não foi preciso um toque íntimo, um beijo ou palavras cheias de promessas para me conquistar. As coisas se encaminharam de forma lenta mas com nobreza.

Sentimentos são nobres. Naturais como um fenômeno estelar que compõem o céu. Com cores, vastidão e sentido.

Senti o carinho dos seus dedos na palma da minha mão, o comichão que formigava a pele ardentemente que chegava a disparar o coração e a descompassar a minha respiração. As palavras ficaram entaladas na garganta. Travei, confessar o que sentia por ele, pareceu naquela hora muito apressado mesmo com a certeza que habitava dentro de mim. Que coloria, bordava, fazia acrobacias, e me impulsionava a querê-lo tanto.

Suspirei, engoli as palavras.

No momento certo elas sairiam sem esse receio de ser interpretada de forma errada.

Sentada ao lado dele, tentei tranquilizar-me. Observei o interior da limousine brevemente. Bancos de couro escuro, bar, som e uma televisão. Havia equilíbrio no luxo. Tudo requintado emanando poder e elegância.

- Que tal fazermos um joguinho? - indaguei.

- Interessante. - me fitou. - Como seria esse joguinho?

- O jogo é sobre perguntas pessoais. Eu faço uma pergunta relacionado a você e espero você responder. Se a resposta for sincera lhe concedo a chance de fazer uma pergunta a mim.

-Hmm... apenas isso? - indagou.

Assenti.

- Que tal cada um escolher uma consequência? - sugeriu.

- Quais seria a sua?

- Hã, deixe-me ver... - milésimos de segundos depois disse:

- Se eu ganhar, você passará uma semana comigo. No meu apartamento.

Soltei um riso alto diante da sua consequência escolhida. Levei minhas mãos à boca a fim de cessar o riso e o olhei, desvendando aquele olhar magnético que tanto me atraia.

- Vai fugir do desafio que você mesmo propôs, Srta Hernandez? - Provocou.

Ergui a sobrancelha e puxei o canto dos meus lábios em um sorriso provocador.

- Eu não sou de recusar um desafio, Sr Ford.

- Ótimo! A noite está apenas começando. Pode dizer qual será a minha consequência. - respondeu.

- A sua será surpresa. - bati os cílios de forma teatral.

- Ok. Pode fazer a primeira pergunta.

- Cor preferida?

- Preto. - respondeu. - Minha vez.

- Ei, foi apenas um teste. - protestei.

- Não, foi sua primeira pergunta e você já a usou. -respondeu com um sorriso leviano.

O carro foi diminuído a velocidade indicando que estávamos chegando ao local. A limousine parou e através do vidro escuro pude visualizar a enxurrada de paparazzis que tirava foto das pessoas que passavam pelo tapete vermelho.

- Você aceita ser minha namorada? - disse no exato momento que a porta foi aberta.

Dominic saiu com graciosidade, fechou seu blazer e estendeu a mão para mim. Ainda atônita com a sua pergunta, aceitei. Seu sorriso perfeito tinha um efeito colossal sobre o meu corpo. A porta da limousine foi fechada atrás de nós, seus olhos me fitaram profundamente e pude visualizar certo receio pela demora de ouvir uma resposta vinda da minha boca. Sua boca plantou um beijo na minha bochecha enquanto os flashes disparavam em nossa direção. O toque quente dos seus lábios fez meu cérebro sair do estupor que estava e dominada por uma felicidade deliciosa, respondi:

- Sim. Eu aceito ser sua namorada.

Seu sorriso se alargou, suas mãos pousaram delicadamente na lateral do meu rosto e plantou um beijo cheio de carinho na minha testa. Sorrimos para as câmeras e pousamos como um verdadeiro casal antes de seguirmos para dentro do evento.


O lugar estava lotado das mais diversas celebridades da moda. Estilistas conhecidos, modelos desfilavam com looks belíssimos. Os olhares em minha direção parecia aumentar a cada vez que andávamos em direção a nossa mesa que por obra do destino ficava no centro, a senhora Kaan abriu um lindo sorriso quando nos aproximamos. Seus olhos brilhavam de tamanha alegria ao contemplar a sua obra de arte.

O vestido era um verdadeiro esmero de tão majestoso. Singularidade em cada detalhe. Não posso esquecer de mencionar os belíssimos saltos que além de serem confortáveis e delicados, cravejados com strass. Dominic afastou a cadeira para que eu sentasse de forma cavaleira.

- Vocês formam um casal belíssimo. - Disse a senhora Kaan. - A propósito, você está linda querida.

- Muito obrigada, senhora Kaan.

- Estava ansiosa para vê-la. Eu sabia que você iria superar as minhas expectativas. - comentou- Meu esposo está confiante.

Enquanto Dominic engatou em uma conversa com o senhor Kaan. Comecei a conversar com Júlia. Ela me contou um pouco sobre seu trabalho que era verdadeiramente sua paixão.

- Vai dar tudo certo. O vestido parece ser uma inspiração de contos de fadas. Transborda magia, realeza e ao mesmo tempo modernidade. - falei.

- Confesso que a inspiração veio através de um desenho que a minha filha estava assistindo. Todo vestido de princesa possui um toque especial com traços de magia. O evento é organizado pela senhora Teresa Schneider que é dona da ONG, os fundos levantados são para as crianças sem lar. É um trabalho lindo que a senhora Schneider faz todo ano, esse ano o tema é inspirado em contos de fadas.

Ao ouvi-la admirei cada detalhe do evento ainda mais. Saber que o propósito era o bem estar das crianças que carecem de proteção me fez ficar emocionada.

- Realmente, é um lindo trabalho. É muito bom ver que muitas pessoas contribuem para que esse trabalho permaneça de pé. - falei.

Nossa atenção é chamada para a passarela, uma senhora de estrutura baixa apareceu sorrindo e agradecendo as salvas de palmas. Ela estava vestida elegantemente em um vestido azul marinho e exibindo as joias que usava. Ela faz o anúncio, chamando as modelos e estilistas para se preparem. Junto da senhora Júlia Kaan me encaminho para o camarim.

Eu fui a quinta pessoa a desfilar na passarela de piso escuro. Desfilei usando cada dica da senhora Luana Fabbri. O nervosismo veio e precisei fazer um exercício de respiração para acalmar meus nervos. Quando as luzes iluminavam o meu caminho percebi que a cor prateada do vestido, oscilava sob a luz trazendo um fraco efeito do azul bebê. Julia havia caprichado no vestido. O adorno requintado trazia ao vestido um valor ímpar, agregando de forma satisfatória um valioso valor.

Recebi de Dominic o olhar de admiração e devoção enquanto desfilava, ao fazer o retorno fui ovacionada pelo público. Ao sair da passarela recebi um abraço de urso da senhora Kaan. Ela estava agradecida e feliz com o resultado.

- Você foi incrível, kristal. Muito obrigada por ter aceitado ser a minha musa.

- Eu amei ter participado. É um projeto muito lindo e merece toda atenção voltada. - Comentei enquanto desfazia o abraço.

Foram sete modelos. Cada uma desfilou e foram também ovacionadas. No final fomos chamadas novamente para a passarela ao lado dos estilistas, Julia estava ao meu lado.

- É com um enorme prazer que revelo que ultrapassamos a meta da noite. - Teresa anuncia e junto do público bate palmas. O sorriso de alegria estampava seu rosto. - Não há dúvidas que apenas o amor pelo desejo de ajudar o próximo pode quebrar correntes que aprisionam vidas. Quero agradecer a vocês que tornaram a magia dessa noite real com as doações feitas.

Seu discurso continha orgulho ao falar. Era evidente a sua felicidade.

- As doações foram encerradas e o leilão do vestido escolhido pelo júri irá iniciar. - continuou - Meninas, vocês arrasaram. Foram fantásticas! - sorrimos com o elogio. Um jovem se aproxima com um cartão dourado e entrega nas mãos de Teresa. Antes de sair fala algo no ouvido da senhora Schneider e se retira de forma silenciosa. - Acabei de saber que houve um empate entre dois vestidos. - anuncia - Chamo aqui a frente as modelos Lauren Cruz e Kristal Hernandez juntamente com suas estilistas, Priscila Garner e Julia kaan.

A emoção eufórica transborda em mim, depois de abraçar Julia, seguimos para perto de Teresa. Estávamos no centro sendo alvo dos olhares da mídia e da nata. As luzes colocadas em nós destacavam os vestidos para o público.

- Enquanto a bancada de júri vota, convido as meninas a desfilarem na passarela. - disse, em seguida nos olhou com um sorriso gentil e acenou sutilmente para que mais uma vez ostentasse na passarela.

Sob os olhares avaliadores e cheios de expectativas, desfilei ao lado da modelo Lauren Cruz. Lado a lado, entregando graciosidade e destacando-se com as particularidades distintas que possuímos. Antes de chegar na ponta da passarela lembrei da frase da senhora Fabbri: Caminhar precisa ser como uma arte.

Enquanto desfilava podia ouvir a voz da senhora Fabbri soar enquanto dizia: Nosso campo energético tem o poder de envolver, atrair, e se alinhar ao que estamos fazendo. Desfilar precisa ser natural, magnético e fascinante. O desfile chegou ao fim e o veredito final foi dado.

Essa noite sem dúvidas havia entrado para história de momentos especiais.

- Você foi simplesmente maravilhosa, meu amor. - Sou recepcionada com um beijo na testa, e o seu elogio faz meu sorriso se abrir ainda mais.

- Obrigado, meu amor. - sussurrei.

Depois do desfile todos foram convidados a irem no salão ao lado, onde havia uma pista de dança com jogos de luzes, uma mesa gigantesca com bebidas e comida. Assim que coloquei meus pés fora da passarela precisei trocar o vestido, o mesmo havia sido o ganhador e seria enviado para o seu verdadeiro destino. Apenas sei que a pessoa que deu o maior valor se manteve anônima.

O vestido que estava usando possuía um corset de renda com alças finas, e continha camadas de tule. O vestido azul marinho marcava minhas curvas trazendo um toque sutil de sensualidade. O vestido havia sido mais um dos presentes de Dominic, apenas agradeci a sua gentileza. Eu não podia evitar sentir um incômodo com todos os presentes que recebia dele, mas eu tinha um plano para resolver essa questão. Quando ele percebesse seria tarde demais.

Senti as mãos grandes do meu chefe gato posarem na minha cintura com uma certa posse na pressão, que passava despercebida pelos olhares alheios.

- Algo o incomoda? - indaguei, em um sussurro baixo.

- Não gosto da forma como alguns homens estão lhe encarando. - quase grunhiu ao falar - E também não gosta da ideia que ronda a minha mente.

- Que ideia? - perguntei curiosa.

- Ah, meu doce. Ideias tão mortíferas que pensar em mencioná-las faz o meu sangue esquentar.

- Dominic! - digo um pouco assustada com sua expressão séria. - Você é bonzinho demais para pensar em algo assim.

- Você acha? - diz suavizando os traços firmes do seu rosto.

- Tenho certeza. - respondo e ofereço a ele o meu melhor sorriso.

- Boa noite, Senhor Ford. - Somos interrompidos da nossa bolha amorosa por um senhor baixinho.

- Boa noite, Senhor Hunter. Que surpresa vê-lo por aqui.

- Estou acompanhando minha noiva. Ela ama esses ambientes fashionistas. - respondeu. - Se não for muito incômodo, queria tratar de uma questão com você.

- Claro que não é.

- Senhorita, irá se importar se eu o roubá-lo um pouco?

- Claro que não. - respondi.

Dominic beijou a minha temporã carinhosamente.

- Volto já. - sussurrou.

- Não sairei daqui. - pisquei o olho para ele brincalhona.

Observei ambos se afastarem e virei o meu corpo para frente do balcão, dando atenção ao meu champanhe. Um homem senta ao meu lado e faz um sinal chamando o barman. Não dei devida atenção, mas pude ver quando colocou os braços sobre o balcão e virou o rosto em minha direção.

- Você estava deslumbrante. - o olhei quando ouvi o que foi dito. - Parecia estar representando uma princesa dos contos de fadas. A Cinderela.

- Essa foi a ideia. - respondi educadamente.

- Deixe-me apresentar, Eu sou o luka. - esperei ele falar o sobrenome mas ele apenas me olhou esperando a minha apresentação.

- Eu sou a Kristal.

- Cristal. - seu sotaque russo acabou arranhando ao pronunciar o meu nome, de forma errada.

- Não... - reprimi meu riso. - É Kristal com K.

- Kristal - disse novamente e corretamente.

- Isso.

- Perdão pelo erro grotesco. - Passou a mão na testa envergonhado.

- Sem problemas.

- Posso lhe pagar um drink como forma de desculpa?

- Sério, não é preciso. - levantei minha taça. - Também não é a primeira vez que acontece. - menti tentando encerrar o assunto.

- Ufa! Me sinto até um pouco melhor ao saber. - riu nervosamente. - É daqui de Las Vegas?

- Não, vim apenas a trabalho. E você?

- Não, negócios também. - Luka levou seu uísque a boca e sorveu um gole da bebida. - Las Vegas é um mar de negócios inesgotável. A cidade é agitada. Não para.

- Realmente. - disse apenas. Olhei a hora no celular e tentei procurar Dominic mas não o avistei. - Luka, foi bom te conhecer.

- Igualmente, Kristal. - Assenti em um cumprimento e ele fez o mesmo.

Senti minha bexiga apertar quando levantei, e antes de sair para procurar Dominic decidi ir ao banheiro. O banheiro estava vazio e me senti aliviada por esse detalhe. Abri a porta da cabine e segui para a pia de mármore branca. O espelho da parede terminava até onde o mármore da pia cobria. Lavei minhas mãos e depois de secá-las descartei o papel toalha no lixo. A porta é aberta e dois homens vestidos de preto, parecidos, com os seguranças do evento entram.

- Ei, vocês estão em um ambiente feminino. Podem dar meia volta. - falei.

- É ela? - o do lado esquerdo falou.

O outro assentiu confirmando. Recuei para trás e quando tentei correr para dentro da cabine o que assentiu retira uma arma e aponta em minha direção. Sinto o suor descer frio pela minha nuca diante do perigo. Estava sem entender nada.

- Nem um movimento, garota. - disse. - E nem pense em gritar.

O outro homem, o calvo, se aproxima de mim. Sinto o meu corpo tremer e tento gritar mais a voz parece se perder no meio do caminho. Meu Deus, o que faço agora? Pensei desesperada. Um pano com uma substância é colocado no meu nariz, lutei contra o brutamontes que agarrou o meu pescoço para me mobilizar.

Infelizmente fui vencida.

Acabei apagando.

*

||Luka||

Las Vegas era um buffet perfeito para as transições dos nossos negócios. A rede criminosa possuía ramos diversificados que foram montados e ampliados com o tempo. A noite poderia ter terminado bem como das outras vezes mas por um deslize de um dos meus homens, algo saiu do trilho. Desandou de forma catastrófica.

Estava quase terminando de encerrar a última negociação da noite quando uma das garotas aproveitou o momento que o responsável pela vigilância delas se afastou para fumar. Ele não viu quando ela sumiu e as demais não denunciaram a fuga. A ausência só foi notada porque o idiota notou minutos depois a corda jogada no canto da parede. O código vermelho foi acionado e imediatamente meus homens estavam procurando pela garota. A ratinha não tinha para onde fugir.

Eu tinha urgência em resolver esse problema porque havia sido convidado por um aliado a ir a um evento. Queria relaxar um pouco, afinal foram dois dias seguidos de trabalho estando à frente das negociações que tive que realizar aqui em Las Vegas. Saí do mesário de amostra de novas substâncias e balancei a cabeça para limpar a mente que por um momento havia ficado nublada. Essa nova droga era das fortes! Tinha potência para alavancar os lucros.

O homem responsável pela vigilância é colocado de joelhos na minha frente e o medo presentes nos seus olhos, sacia um pouco o meu desejo insano. Sua falha despertou minha ira, vi vermelho, meu pai até poderia lhe dar uma segunda chance depois de castigá-lo segundo a lei da máfia. Mas eu não era o meu pai. O som de tiros disparados são ouvidos e através do rádio, recebo a informação que a garota havia sido eliminada na fuga.

- Que todos aprendam a cumprir a porra do seu trabalho! Eu não admito erros! - falei alterado enquanto tirava arma do cós da minha calça, engatilhava e mirava na cabeça do sujeito.

A massa encefálica estourou para todos os lados, o tiro havia sido dado de perto, olhei para a mancha de sangue que escorreu para debaixo do meu sapato.

- Droga! Alguém pode trazer uma flanela? - perguntei e dei passos para trás. - Estarei indo para um evento e lá encontraria uma vítima. Fiquem atentos que assim que pegarmos a garota iremos direto para o ponto de embarque. - falei, limpei meu sapato o deixando brilhoso novamente.

- As mercadorias já podem ser levadas ou prefere esperar a última para que todas cheguem iguais?

- Leve uma parte na frente. A outra vai com a última garota.

Ele assentiu e se retirou.

- Já sabem o que fazer com os corpos. - falei me referindo tanto ao corpo à minha frente quanto ao corpo da garota.

Saí em direção ao carro e acendi um cigarro antes de ligar e começar a dirigir.

*

Estava atento à minha volta. Principalmente enquanto caçava a vítima da vez. Primeiro sondaria a garota de longe, veria se estava acompanhada, e só depois de ter o terreno sondado entraria em cena. Enquanto as primeiras modelos desfilavam na passarela, eu tentava sutilmente dar uma olhada à minha volta. Mas a iluminação não favorecia muito devido ao contraste de luz que está concentrado na pista de desfile.

Decidir olhar para frente no exato momento em que ela entra. Algo inquietante borbulha dentro de mim na medida que meus olhos fotografam cada traço dela. Uma sombra fria e sombria se apossa dos meus lábios em forma de sorriso. Eu havia acabado de escolher a minha vítima. Mandei discretamente uma mensagem para os meus homens que estavam infiltrados no evento de segurança, avisei quem era a garota.

A moça tinha traços bonitos e um ar angelical, encantava facilmente as pessoas com o carisma que esbanjava dela. Um pouco fora de mim fiz uma ação sem pensar nas consequências. Dei o maior lance no vestido que ela usava sem me identificar. Eles queriam o dinheiro para a causa e estavam pouco se importando se vinha de um comprador anônimo ou visível na plateia.

Infelizmente acabei descobrindo que a garota estava acompanhada, e pelo comportamento de ambos não era tão difícil de saber que eram um casal. Eu estava do outro lado do balcão observando os pombinhos conversarem com tamanha cumplicidade e só havia uma chance para conseguir o que queria. Procurei por Bill Hunter.

- Senhor Zorkin, que bom vê-lo por aqui. - disse ao me avistar.

- Senhor Hunter. - nos cumprimentamos com um aperto de mão. - Preciso da sua ajuda.

- Pois não?

- Preciso que interta aquele homem por um tempo. A garota entrou na lista.

- Você tem certeza? - perguntou surpreso. - Estamos falando do CEO mundialmente conhecido. E pelo que percebi eles são um casal.

Ergui minha sobrancelha diante do seu atrevimento.

- Digo isso porque pode atrair atenção indesejada para nós.

- Já está tudo pronto. Ninguém a verá sair. -- sorri friamente.

- Eu conheço Dominic. Isso lhe dará uma chance de se aproximar dela. Seja rápido. - avisa.

Observo a cena decorrer e quando vejo ambos sumirem, aproximo-me da bela mulher. Iniciei o diálogo com um elogio voltado a sua apresentação, errar seu nome foi proposital. Percebi que por educação ela respondia mas não sentia-se à vontade para conversar. Só me restava contar com a sorte para poder colocar o meu plano em ação. Ela se despediu e assim que se afastou em direção ao banheiro enviei uma mensagem aos meus homens para executar o plano.

Xeque-mate!

Pensei quando recebi a mensagem do Bernardo, avisando que eles haviam apegado.

Depositei o copo de whisky vazio no balcão e o acompanhante da moça chega, olha a sua volta procurando até voltar-se para mim.

- Boa noite, você por acaso não viu para onde a mulher que estava aqui foi?

- Ela acabou de sair.

- Obrigado. - apenas assenti em resposta.

Me afastei do balcão e enquanto seguia para a saída, meu olhar cruzou com Bill Hunter, assenti para ele confirmando que tudo havia dado certo.

4913 palavras...

Eiiii meninaaas...
Tudo bom por ai?

Por aqui sim... O único problema é quando o bloqueio pega e parece que não quer ir embora. Ai nesse caso tento descansar/relaxar a mente. Fora isso que causa a demora das postagens, tá tudo ok. ❤️❤️❤️🙏🏻

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