CAPÍTULO 13

     O alarme despertou às quatro da manhã. Dominic na noite anterior avisou-me sobre uma viagem a negócios que faríamos hoje no raiar do dia. Claro que haveria um diferencial no fuso horário, estávamos indo para Las Vegas, mas em todo caso  estaríamos de volta no dia seguinte. Assim eu esperava que fosse.

Com a mala pronta, busquei tomar meu banho e me vestir. Vestido tubinho verde musgo, manga bufante e decote coração. O sobretudo preto longo de bolsos, acinturado possuía um forro interno extra para aquecer do frio. Sandálias de salto finíssimo preto foram escolhidas, deixei os cabelos soltos com ondas leves, maquiagem sutil e nos lábios um batom cereja. Peguei a minha bolsa, a mala e desci para baixo. Apesar da viagem ser de última hora, o que dava um giro de 360 graus de mudança na programação da agenda, eu tinha metade das coisas sob controle. O dia nem havia amanhecido e já estava recheado de tarefas para serem administradas.

Um toque na porta me desperta dos conflitos da minha mente, sabendo que a única pessoa é meu chefe gato, sigo para porta. Dominic estava lindo de matar. Cabelos molhados penteados para o lado, terno Black sob medida e o sobretudo que chegava na altura da sua coxa, ajustado ao seu corpo, marcando muito bem a sua silhueta.

Seus olhos me fitaram e imediatamente um sorriso surgiu em seus lábios, suspirei derretida com a visão esplendorosa à minha frente. O sobretudo preto caía com tamanha elegância que deixava todo o traje sofisticado.

— Uau… — deixei escapar depois de o olhar de cima abaixo, sapatos sociais brilhavam de tão lustrosos que estavam. — Como pode uma coisinha tão bela não pertencer ao Museu do Louvre? — apertei suas bochechas levemente e arranquei uma risada gostosa.

— Talvez, seja porque o verdadeiro achado esteja bem na minha frente. — rebateu e aos poucos nossos rostos se aproximaram.

O beijo lento acariciava meu lábio inferior com doçura, um selinho é deixado no canto do meu lábio. Meu coração galopa no meu peito aceleradamente e sem pensar o abraço. Dominic entrou na minha vida igual uma chuva de verão que sem previsão chega em uma manhã ensolarada. É inacreditável pensar que em um passado distante achei que nunca sentiria algo tão abrasador que contagia cada partícula do meu corpo.

— Tudo pronto? — perguntou e olhou brevemente para a minha pequena mala.

— Sim.

Dominic pegou a minha mala e juntos seguimos para o seu carro.

— Sem motorista?

— Sim. Tenho planos para nós em Las Vegas. — disse enquanto colocava minha mala no porta malas. — Espero que curta programas de casal.

— E o que há nesse programa? — perguntei, Dominic colocou a mão nas minhas costas instigando-me a caminhar em direção a porta.

— Inclui momentos inesquecíveis. — respondeu sem dar brechas, abriu a porta do carro e esperou eu entrar.

Ao sentar coloco o cinto e espero Dominic entrar no carro. Saber que essa viagem seria mais uma oportunidade de nos conectar ainda mais, sem estar em um ambiente de trabalho, causa uma euforia dentro de mim. Suspiro, tentando aliviar o meu interior.

Enquanto o carro seguia o seu destino, que era o aeroporto, fitei as ruas de Nova York.


     A viagem foi tranquila. Apesar de sentar ao lado de Dominic, acabei adormecendo enquanto o mesmo estava concentrando no seu trabalho. Preferi deixá-lo focado.

Quando o jatinho particular pousou na pista, nem pude acreditar que estava pisando em Las Vegas. Ao descer do jatinho olhei à minha volta, admirando os detalhes. Uma limusine preta estava parada, e dois homens vestidos com ternos pretos nos aguardavam. Esperei Dominic terminar de falar com o piloto, um senhor simpático que antes de decolar foi pessoalmente até nós, nos cumprimentar e nos desejar uma boa viagem.

Eu estava no final da escada o esperando, observando sua comunicação com o piloto e o copiloto. Até que o mesmo se despede e olha para mim, olhos brilhantes, cheios de vida, sentimento e prazer. Sou presenteada com seu sorriso de lado, os dentes branquinhos e alinhados tornava o sorriso ainda mais perfeito. Ao chegar no final da escada, sua mão procura pela minha e juntos seguimos em direção à limusine.

— Vamos primeiro tomar café da manhã, depois iremos para a reunião. — avisa. — Tem algum lugar em mente?

Um dos homens de preto abre a porta para que entrássemos. Dominic só entra depois que me acomodo no meu lugar.

— Mon Ami Gabi.

— Excelente escolha. — elogiou. Segundos depois continuou:

— Voltaremos amanhã no final da tarde e se não for nenhum problema, iremos direto para o meu apartamento e de lá vamos para a exposição de Adolpho Brassard. Ok?

—Tudo bem. Só preciso passar em casa e pegar algumas coisas para estar apresentável na exposição.

— Não vai ser preciso. Já tenho tudo pronto.

— Dominic. — o chamei, com um tom sério. — Eu não posso aceitar.

— Porque? — indagou, com uma certa inocência, sem entender a minha recusa.

— Não é certo. Você…

Sou interrompida rapidamente:

— Kristal, não há nenhum mal em te presentear ou mimar. Meu sentimento é sincero por você, e quando decido lhe presentear é porque, pode acreditar, a intenção colocada é de um sentimento imenso. Eu...— deixou a frase inacabada e buscou a minha mão.

Seu polegar deixa um suave carinho na pele da minha mão, volto a fitar o seu rosto e vejo o exato momento que ele solta um suspiro.

— Eu não me sinto bem, Dominic. Receber presentes tão caros, me deixa um pouco desconfortável. — revelei.

— Kristal, o simbolismo do presente não está no valor. — seus olhos me fitaram com tanto significado, que pareciam querer dizer algo. — o mais importante é o que representa.

Assenti.

— Tudo bem. — cedi, conformada.

Dominic estava em seu modo decidido e relutar por um detalhe que para ele era tão banal, não me levaria a lugar algum. Voltei a minha atenção para as ruas de Las Vegas. Tudo era de fato deslumbrante demais.  O carro para em frente ao restaurante e ao sairmos, me deparo com um típico bistrô francês e o incrível, ficava de frente para o Bellagio.

Escolhemos uma mesa externa para aproveitar o show das fontes do Bellagio, mesmo que de longe. As ondas dançavam no ritmo da música em uma interpretação única da música smooth criminal do Michael Jackson. O show fisgava as atenções de forma mágica. Nosso café da manhã chegou, com direito a bacon, bife com fritas, crepes, omeletes. Eu escolhi um capuccino e Dominic um suco de laranja. A mesa estava farta e bem ornamentada.

Olhei para Dominic que estava concentrando em sua refeição. Apesar da sua feição relaxada, sua postura possuía aquele ar intimidador, chamando atenção para si mesmo sem desejar.

Quando seu olhar me flagrou o espiando descaradamente, sorri e voltei a comer.


    A reunião se estendeu por uma hora e meia. Cada um recebeu a pasta que continha o documento. A empresa worldwide evolution tech não trabalhava apenas com a criação como também com vendas de projetos exclusivos, Dominic sabia muito bem como administrar a sua empresa. Sempre fazendo questão de atender todos os lados.

Apresentei o projeto que passou no telão em 3D. Depois de finalizar a apresentação, Dominic esclareceu as dúvidas do cliente, Raul Kaan, se mostrou interessado e não mediu elogio antes de comprar o projeto.

Depois de organizar os meus pertences, me aproximei de Dominic que conversava com o senhor Kaan.

— Senhorita Hernandez, sua apresentação foi excelente. Parabéns.

— Obrigado, senhor Kaan.

— Hoje a noite acontecerá um evento realizado pela minha esposa, gostaria de contar com a presença de vocês. — convida.

Antes que uma palavra saia da minha boca, uma mulher esbelta adentra a sala de reuniões. Sua postura imponente e expressão séria revelava uma personalidade dominante. Mas o seu olhar mostrava uma certa irritação que tentava esconder ao nos ver. Irritação essa dirigida para o senhor kaan.

— Querida, que prazer tê-la por aqui. — Raul Kaan se dirige a ela de forma carinhosa.

— Eu vim te arrastar até o ateliê. — disse diretamente. — Você está atrasado a dez minutos, Raul.

Sorrindo francamente, o Sr. Kaan esfrega a testa com o dorso da mão.

— Eu sei. Me perdoe pelo atraso. — beijou a bochecha dela afetuosamente. Ela respirou e compreendendo a situação abaixou a guarda. — Esses são Dominic Ford e Kristal Hernandez.

Somos apresentados a ela, e a mesma se apresenta.

O olhar da mulher paralisa em mim, olho para Dominic tentando entender o que está acontecendo mas seu olhar também está confuso. A mulher se aproxima de mim, as mãos acariciando a lateral do meu rosto como se estivesse analisando-me.

— É perfeita. — sussurra. — Querida, já foi modelo alguma vez?

— Não. — sorri de forma forçada.

— Aceitaria ser a minha musa hoje a noite? A modelo que faria o desfile acabou adoecendo e não poderá comparecer, e para completar ainda não encontrei nenhuma que se encaixe no perfil que procuro.

Olhei para Dominic buscando uma ajuda mas o mesmo além de dar de ombros, estava achando a situação engraçada. Voltei a olhar para Julia kaan e diante do olhar âmbar que me encarava a espera de uma resposta, soltei:

— Será um prazer lhe ajudar.

O sorriso grande formaseou o seu rosto.

— Vamos manter o contato, enviarei para você a peça que será usada hoje a noite. Se precisar de qualquer coisa pode entrar em contato comigo.

— Claro. Obrigada.

— Eu que sou grata. — sorriu gentilmente.

Nos despedimos, enquanto caminhava em direção ao carro ouvi Dominic rir.

— Muito engraçado não é, Dominic? — parei abruptamente e me virei para encará-lo.

— Não fica brava minha vida. — tentou mudar o quadro com seu jeitinho de bom moço. — Vai ser a modelo mais linda da passarela e os meus olhos estarão presos a você.

— Eu vou passar vergonha. — expresso o detalhe mais importante. — Eu não sei desfilar, Dominic.

— Tem certeza? Eu sempre vi o contrário!

O fuzilei com um olhar afiado. Mas acabei suavizado ao ser contagiada pela sua gostosa risada. Lancei meus braços no seu pescoço e fiz a melhor carinha de criança sem seu doce favorito, ao dizer:

— Me sequestra? — ele me olhou surpreso. — Assim não poderei comparecer. Por favorzinho.

— Por mais tentador que seja tê-la só para mim, seu pedido está sendo negado, meu amor. — suas mãos puxa meu rosto amorosamente para perto e beija carinhosamente os meus lábios.

Pude ouvir meu coração bater aceleradamente ao ouvi-lo me chamar de meu amor.

— Mas prometo que depois do evento será totalmente minha.

— Promete? — bati meus cílios de forma teatral ao falar de forma manhosa.

— Prometo. — diz, com um lindo sorriso estampado no rosto. — Que tal agora aproveitamos nossa estadia em Las Vegas?

Assenti, rendida.

De mãos dadas andamos em direção ao carro que nos esperava. Estava ansiosa para aproveitar cada momento do passeio ao seu lado.


     Suspiro profundamente ao contemplar a primeira surpresa. Uma gôndola, champanhes e com direito a canções italianas feitas por gondoleiros funcionários do hotel onde estávamos hospedados. A gôndola possuía o assento revestido de couro escuro e detalhes em dourado. Parecia que estávamos dentro de um quadro pintando por um artista de talento único quando olhávamos ao redor. A água de azul límpido e de grande destaque, contribui para o clima romântico instalado no passeio. Deitei minha cabeça no peito de Dominic apreciando o seu calor, companhia e sendo amparada pela segurança dos seus braços.

   A música O Sole Mío era interpretada apenas por um rapaz que tocava o violoncelo e um homem de estatura baixa, cabelos grisalhos, e de barriga um pouco avantajada. Sua voz lírica trazia vida a canção e tornava tudo ainda mais sublime. Levei a taça de champanhe à boca ingerindo o líquido que desce refrescando a minha garganta.

— Dominic, está tudo perfeito.

— Você torna tudo perfeito, kristal. Apenas você. —  Soltou de forma direta. — Você tem meu coração e tudo o que sinto por você e desejo, vai além da fantasia.

—  Então você precisa enxergar por trás dos meus olhos para saber que você é meu universo particular, Dominic.

Sua boca macia tomou conta da minha. Dominando e reivindicando para si toda a minha entrega, ali em seu domínio não tinha controle sobre os meus pensamentos. Um arrepio percorre a minha pele. O beijo definitivamente era de tirar o fôlego, havia uma mescla de doçura, paixão, uma intensidade que se equilibrava com a delicadeza. Um conjunto de sensações que me arrebatou por inteira. Fazendo que meu desejo por ele aumentasse cada vez mais.

Dominic encerra o beijo com pequenos selinhos, suas esferas penetrantes me encararam e mais uma vez havia algo neles que ansiavam compartilhar algo. Mas que por algum motivo se mantinha oculto, nas sombras, esperando a oportunidade certa para se revelar.

Um beijo é deixado em minha testa no momento que a música chega ao fim. Os trinta minutos do passeio chegam ao fim e o gondoleiro que guiava nos deixa no ponto inicial, onde embarcamos que foi no colossal canal do hotel The Venetian Las Vegas.

O hotel em que estávamos hospedados se encontrava na avenida principal, The Strip. Designers inspirados em Veneza, cada centímetro do mais finíssimo luxo. A estrutura arquitetônica encanta os olhos, eu estava deslumbrada com a estruturação do hotel. O hotel cinco estrelas não deixava nada a desejar, uma verdadeira obra de arte. Desde o lobby até os corredores do hotel possui uma riquíssima decoração belíssima e luxuosa.

Dominic havia reservado duas suítes e ambas ficavam na cobertura, lado a lado. Ao entrar no meu quarto fico bestificada com o tamanho, luxo e conforto. O quarto possuía uma enorme cama que se encontrava bem ornamentada em lençóis italianos com bordas douradas, o banheiro ficava ligado ao quarto. A hidromassagem separada do chuveiro com vidro box. A frente uma pia de balcão de mármore e um amplo espelho.

Uma sala de estar com um sofá de couro branco, e almofadas brancas com bordados lilás que combinavam com o quadro da parede. Cada tapeçaria, decoração, estofados ornamentavam a suíte de forma moderna e imponente.

Tirei meu sobretudo e joguei sobre o sofá, estava cansada, a viagem, a reunião e o passeio haviam literalmente me esgotado. Descartei meus saltos no canto e peguei minha mala, levando até o closet a fim de organizar cada item. Dando uma facilidade para mim, para procurar cada acessório.

Sentindo-me vencida pelo cansaço, decido deitar na cama, e meu Deus! Pude sentir o conforto do colchão me embalar e sem resistência fecho meus olhos, aceitando o doce convite para descansar.

2395 palavras...

E ai, minha gente? Tudo bem?

Espero que simm!!

Já vi alguns votos de leitoras antigas e também fico muito feliz por tê-las novamente aqui lendo, assim como também tenho ganhado novas leitoras. Gente, vocês são tudooooo! Espero que estejam curtindo a leitura!

Tá calmaria por enquanto mas lá na frente a tempestade tá armada. rsrs

Mundo obscuro é uma duologia que contém tanto romance quanto ação e drama. 🥰

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