CAPÍTULO 12

— Tentei encontrar um momento oportuno para falar com a senhorita antes, mas só agora encontrei. Quero que entenda que o fato do seu chefe não estar aqui é uma ótima oportunidade para conversarmos e podermos chegar a um acordo que beneficiará ambos os lados. — o ouvir e tentei digerir suas palavras. — Com a sua licença…

Disse e sentou na cadeira à minha frente. Abriu a sua pasta de couro e retirou uma espécie de documento.

— Srta. Hernandez, creio que esteja ciente que a sua denúncia já circula pela mídia. Se fosse em outra circunstâncias isso não desencadearia em uma proporção bombástica. Mas como se trata de dois grandes nomes envolvidos, a mídia não deixa passar um detalhe. — ele estendeu os papéis para mim e continuou a falar depois que os peguei. — Estou aqui para tentar resolver essa questão. Oferecendo a Srta um acordo que irá te beneficiar muito bem. O Sr. Fontana está arrependido da sua conduta e como uma demonstração do seu arrependimento está descrito neste documento um alto valor para que a denúncia seja retirada. Basta assinar esse documento e a Srta estará concordando que o ocorrido foi resolvido por ambas as partes.

— Dois grandes nomes? — indaguei, ofendida. — Eu sou desrespeitada e o senhor acha que vai comprar o meu silêncio? A vítima desse caso sou eu e o senhor vem dizer que são dois empresários que estão sendo prejudicados pela mídia? Que a divulgação do caso trará prejuízo financeiro para a empresa?

Joguei cada palavra como se fosse ácido em cima do advogado à minha frente. Busquei o acordo e rasguei em vários pedaços mostrando a ele qual era a minha resposta.

— Srta, vamos tentar entrar em um acordo comum. Podemos abrir uma exceção para alterações.

— Diga ao Sr. Fontana que a minha resposta é não. Eu não serei comprada. — enfatizei bem as palavras. — Agora, se o senhor me der licença, preciso retornar ao meu trabalho.

— O acordo será válido até o anoitecer, Srta Hernandez. Pode ligar para esse número. — disse, retirou seu cartão deixando sobre a mesa e se levantou. — Pense bem, evitará dores de cabeça indesejadas.

Quando o advogado se afastou, fitei o céu através da parede de vidro. Indignada e ofendida com a situação. É tão lamentável que a medida que a humanidade parece evoluir parece regressar a três degraus. A luta é grande. Enfrentamos os rótulos, as tipificações da violência que vai da verbal, moral, sexual, patrimonial, obstétrica, psicológica, física, política e dentre outros tipos. Em cada área em que uma mulher se destaca ela encara uma extensa desigualdade que viola seus direitos humanos.

Mas apesar dos percalços que enfrentamos dia após dia, escolhemos continuar lutando. Por nós e por todas as mulheres.

Lutar por nossos direitos, respeito, dignidade, integridade e liberdade nos energiza para enfrentar essa batalha. Mesmo com as leis existentes o caminho é longo. Contudo não devemos esquecer que temos uma rede de proteção, medidas protetivas e processo judicial. O medo causa na vítima uma certa paralisação para tomar uma atitude que a fará se livrar das garras do malfeitor. A fazendo na maioria das vezes permanecer sob o domínio daquele que a faz mal ao invés de denunciá-lo.

Eu não escondo o receio que senti antes de tomar a decisão de denunciar o Alec Fontana. Mas meus receios foram embora ao receber o apoio de Helena, Dominic e Alicia. Cada um sem saber enviou-me ondas de coragem em suas palavras de incentivo para fazer a denúncia.

Batuco a ponta da caneta com uma certa pressão na mesa ainda com os pensamentos ligados ao episódio. Solto o ar pela boca e fito a hora no meu celular. Meio dia em ponto. Organizo as minhas coisas e mando uma mensagem para as meninas perguntando onde almoçariamos.


   Ao entrar no carro, recebi uma notícia maravilhosa. Mel havia ganhado um bônus mensal pela sua investigação em um caso. Ela estava radiante com a notícia. Uma conquista diante do detalhe de ser iniciante dando-lhe destaque dentro do seu local de trabalho.

— Eu estava acompanhando o caso. Estava esperançosa para que a pequena Nicole Scherman fosse encontrada com vida. — Alicia comenta.

— Eu também. No início achei que se tratava de um sequestro. Mas no decorrer do caso o rumo foi mudando.

— Quem imaginaria que o padrasto teria organizado o assassinato da Nicole? — comentei. — Segundo os relatos ninguém nunca o viu tratar a garotinha mal.

— Ele premeditou para ser um sequestro. — Mel falou enquanto fazia uma curva. Estávamos indo para o restaurante dos tios de Alicia. Fazia um bom tempo que não os via. — Só não contava que o cúmplice que o ajudou fosse visto entrando em uma loja de materiais.

— Eu ainda não entendi uma coisa, ele contratou alguém para sequestrar a garotinha, mas porque voltou com ela para dentro da própria casa?

— Bom, ele confessou que a ideia de levar o corpo da menina para ser enterrado na garagem, o fazia ter um certo alívio em saber que o corpo estando perto da sua vista ninguém desconfiaria.

— Sinto um misto de tristeza e revolta ao ouvir. Onde esse mundo irá acabar com tamanha maldade reinando? — Alicia se expressou.

— Todos sentimos, Alicia. O mal destrói tudo de bom à sua volta. A sua existência está presente em cada ato de terror cometido pelo ser humano. Lamentamos a partida dos inocentes, mas não podemos deixar de olhar as maravilhas que há na vida. O bem também existe. Precisamos focar em cada ato que o bem deixa por onde passa, por mais pequeno que seja, é isso que torna a vida bela. — Mel disse — Escolhi jornalismo investigativo com o propósito de resgatar a inocência de quem não tem culpa alguma, e de descobrir o que está oculto aos olhos da sociedade.

"Uma vez meu pai me disse o seguinte: Um gesto de amor pode salvar o dia de alguém." Sempre guardei os seus conselhos. — crispei meus lábios sentindo a saudade apertar o peito. — Hoje entendo perfeitamente o que ele quis dizer. Independente da tempestade que esteja o mundo ou a nossa vida, faça o bem. Apenas faça.

— Exatamente, independente da situação. — Mel diz e Alicia permanece em silêncio. — Kris, você tem algum advogado? Tenho uma amiga que pode lhe ajudar.

— Tenho sim. Dominic me apresentou ao seu advogado e estou por dentro do processo. — respondi. — Sabe quem foi ao escritório conversar comigo, para oferecer um acordo?

— Posso imaginar. Que decisão errada esse advogado tomou. — respondeu. — Como sucedeu essa conversa?

— Ele trouxe um acordo que oferecia uma alta quantia para que a acusação fosse retirada. Além de falar que o caso está sendo repercutido porque os nomes presentes são da alta sociedade.

— Inacreditável. — ouço Alicia falar. — Até parece que aquele cretino é uma vítima.

— Segundo o advogado, o dinheiro é a solução. — balancei a cabeça em negação.

— Não tenho autocontrole para lidar com essa situação. O faria repensar nas palavras quando o mesmo engolisse cada pedaço de papel do acordo. — Mel disse.

— Eu também. — Alicia levantou a mão e Mel bateu na sua. Ambas selando a ideia.

O carro para em frente ao restaurante dos tios de Alicia. Saímos do carro e Mel entrega a chaves ao manobrista. O restaurante possuía um design arquitetônico que nos envolvia com uma parte da natureza. A proposta do ambiente proporciona uma conexão com a comida do local e a desconexão com o mundo lá fora. O restaurante divide-se em três espaços: Varanda externa, térreo, pavimento superior. Cada área possuía sua singularidade.

Na varanda possuía um painel verde que tomava conta de toda uma parede, no térreo além da instalação de mesas cumpridas destinadas a família possuía um paisagismo suspenso que circulava a fonte de luz que vinha do teto de vidro. Ramos de cerejeira desenhavam ao redor do vidro em forma de guirlanda. As flores apesar de serem artificiais possuíam um toque naturalista e delicado. Pavimento superior além de ser revestido em madeira tinha um bar de espera e a iluminação era dada através dos cordões de luz.

Tanto eu quanto as meninas tínhamos um canto preferido e ele é o térreo. Achegante, íntimo e totalmente único. Sentamos na mesa ao canto e não demora para sermos atendidos.

Optei por uma salada de frango grelhada com molho e ervas, e o suco de laranja. As meninas fizeram o seu pedido e enquanto esperávamos conversamos sobre outras coisas. Decido olhar à minha volta apenas para me entreter. Uma figura masculina chama a minha atenção.

Ele estava do outro lado, reconheci a sua mãe e também a loira azeda ao seu lado. Observei, em silêncio. Havia também duas meninas gêmeas idênticas perto de Célia, lindas. Os cabelos cacheados moldurava os rostinhos negro. Os olhares doces e sorrisos radiantes roubavam toda a atenção para si. Na mesa também tinha um homem e outra mulher.
Minha atenção volta para a loira que conversa algo baixo para Dominic, e o mesmo depois de assenti aceita o celular que ela oferece. Jade olha ao redor e seus olhos pairam em mim, vi novamente aquela sombra de susto transpassar o seu rosto até ela se voltar para frente e aproximar seu corpo do Dominic.

— Ali é o Dominic? — Alicia pergunta.

— Em carne e osso. — respondo.

— O clima na mesa parece tão melancólico. — Mel comentou.

— Está, de fato. — respondi.

Nossos pedidos chegam e entre conversas terminamos o nosso almoço.

— Meninas, eu vou ao banheiro. Retorno em breve. — Avisei e ambas assentiram.

O caminho para o banheiro era quase perto da sua mesa. Por sorte ele estava de costa e as atenções das pessoas da sua mesa estavam entre si. O piso escuro e brilhante refletia a luz do dia. O corredor detalhado por colunas guiava diretamente até os banheiros, entrei e fechei a porta. Lavei as minhas mãos e molhei a minha nuca a fim de poder respirar e relaxar a mente.

Quem eu queria enganar? Senti um grande desconforto em ver aquela loira se aproximar de forma tão íntima dele. Não sei entender muito bem a intenção dela. Olhar para mim e se aproximar pareceu uma certa provocação descarada. Verifiquei minha maquiagem no espelho e depois de enxugar as minhas mãos, descartei o papel toalha no lixo e saí do banheiro. Ao me virar me deparo com Dominic encostado na coluna com os braços cruzados e um lindo sorriso surgir em seus lábios.

—  Desculpa não atender a sua ligação. Estava em um momento delicado com a minha família. — foi a primeira coisa que falou, tentando se explicar. —  O delegado Velasco tentou manter o caso fora da mídia para lhe dar privacidade, mas a informação acabou saindo de todo jeito.

— Tudo bem. — dei alguns passos ficando um pouco mais próximo.

— Sei que o Advogado Anderson Pascal foi conversar com você. — o olhei surpresa. — Paula me avisou e depois eu vi pela câmera de segurança.

— Ele foi. — respondi e cruzei os braços. — Tentou me fazer mudar de ideia.

Dominic se aproximou, colocou as mãos no bolso da sua calça social preta e a sua expressão se tornou séria.

— A justiça vai ser feita, Kristal. Ninguém irá desrespeitá-la e permanecer sem pagar. O que ele plantou vai colher.

— Eu sei que vai. Estou confiante.

— A propósito, você está Belíssima. — mudou o assunto e conseguiu arrancar um sorriso meu.

— Obrigada, aprecio o seu elogio. — seu sorriso de lado consegue roubar meus suspiros de forma furtiva. — Bom, estou indo. Até mais, Dominic Ford.

— Até, Kristal Hernandez.

Sai da sua presença sentindo ainda seu olhar sobre mim. Meu coração parecia um tambor de tanto que batia tão ritmado. À medida que me afastava sentia uma sensação que despertava um sentir profundo.

Dominic Ford estava me enfeitiçando com seus encantos misteriosos. Ele não fazia ideia do quanto sou rendida a ele.

    Ao voltar da reunião, reparei  nas dezenas de ligações da minha gerente de relações públicas e por último na mensagem deixada. Diante do seu aviso, acessei a internet. Supus que kristal ainda não sabia da divulgação. Ela estava trabalhando e parecia totalmente alheia ao que de fato estava circulando na mídia.

Antes de sair da empresa enviei uma mensagem para o meu advogado, e pedi para que o mesmo entrasse em contato com Maria Kristal. Quanto à minha gerente, estava apenas procurando uma afirmação para entrar em ação e poder resolver a questão com a mídia. Sem a minha autorização, nada foi feito. Eu precisava conversar com Kristal e saber qual a sua opinião sobre o assunto. Nossa manhã por ser corrida acabei esquecendo de chamá-la para conversar, saí antes do horário de almoço, sabendo o que iria acontecer ao encontrar a minha família.

Mantemos uma tradição. Em respeito e homenagem a Amélia. Em seu aniversário vínhamos até a sua lápide e diante da declamação de um poema escrito que fazia parte da coleção dos seus livros favoritos, ouvíamos mamãe recitar walt Whitman.

(...) Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procure vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...


Sua voz serena transpassava para dentro de nós a intensidade e a beleza, o coração se embebedava filtrando a mensagem. Ame, sonhe, e viva o momento com intensidade. Porque o importante é o agora, o presente é tudo que temos.

No final da sua declamação é feito um coro de aplausos e antes de sair um por um, um minuto de silêncio é feito. Fomos almoçar, o clima ainda apático é como uma neblina em uma manhã cinzenta. Desaparecendo aos poucos do nosso exterior e sendo mantido em nossos corações. No decorrer do almoço minhas irmãs com toda doçura traziam o belo sorriso de mamãe a tona, não era preciso uma palavra para saber como ela e papai estavam.

— Dominic, qual dessas opções é mais viável para ser solucionada? — Jade se aproxima de mim e mostra-me o seu celular.

— Acredito que se expandir a divulgação nas redes sociais o crescimento será ainda maior. Se buscar as ferramentas certas terá o resultado que almeja. — respondi depois de analisar. — Mas seria mais lógico contratar um profissional.

— Meu assistente está resolvendo essa questão. Enquanto isso estou buscando as opções viáveis. A estreia dos lançamentos estão chegando e é preciso urgentemente adiantar essa parte, que é essencial.

— Huh-hu, claro. Sem dúvidas. — respondo.

— Você estará lá, né? — perguntou.

O evento da sua marca de roupas estava próximo. E por ser da família estaria presente como toda a família.

— Claro. Claro. — afirmo.

Ao olhar exatamente na mesma hora que minha feiticeira cruza em  direção ao banheiro, peço licença e sai em sua direção.

Esperei encostado à coluna. Ao vê-la sair me segurei para não trazê-la para perto, tocar seu rosto ou até mesmo arriscar beijar seus lábios. Apenas a admirei de longe. Sedento de uma inexplicável saudade que rasgava o peito para tê-la por perto.

Conversamos, e depois observei a mesma se afastar.

Meu celular tocou e pelo identificador vejo quem é.

— Alô, Dominic Ford? Tudo bem?

— Olá, Raul Kaan. Sim e contigo? Em que posso ajudar?

— Bem. Estou ligando para informar que por motivos urgentes precisei voltar para Las Vegas. E como precisarei ficar por um tempo aqui, gostaria de saber se há algum problema de você vir aqui, trazer o documento para que eu possa assinar.

— Claro. Sem problemas. Assim que eu chegar em Las Vegas o aviso.

— Certo. Muito obrigado pela compreensão.

Depois que a ligação é encerrada, volto para a mesa e inicio uma conversa com o meu pai.


    A noite chegou com seu toque frio e com algumas estrelas espalhadas pelo vasto manto do céu. Depois de deixar minha mesa organizada, liguei para kristal e pedi que viesse até a minha sala com seus pertences. Assim que ela entra levanto-me e vou  ao encontro da minha feiticeira.

— Pode deixar sua bolsa. Ian virá buscar e levar até a sua casa.

Ela assente.

— Estou curiosa para saber onde iremos. — diz e deixa sua bolsa no sofá de estofado de couro escuro. — Nem uma dica? — faz biquinho.

— Sem pista, hoje. — sorrio e passeio meu olhar pelo seu rosto. — Se vier comigo verá que o céu é o limite.

— Um convite tentador. —mordeu os lábios de forma sapeca. — Eu aceito ir a qualquer lugar que seja ao seu lado.

— Que bom, porque eu também tenho escolhido caminhar ao seu lado, kristal. —  acaricio sua bochecha e deixo um beijo recheado de ternura em sua testa. — Vamos?

— Vamos. — seu sorriso iluminou-se e saímos em direção ao elevador presidencial que nos levou ao terraço da empresa, onde ficava localizado o heliporto.

Seus olhos ao contemplar o helicóptero, preto, brilhante e de última geração, brilham de emoção como duas esferas mágicas.

— Dominic, eu não sei expressar o que sinto. — solta vidrada no helicóptero. — o céu é o limite, heim?

Dei de ombros.

— Eu tentei. — sorri. — Vem, essa noite será especial. — a guiei em direção a aeronave.

— Você vai pilotar? — indagou surpresa.

— Irei. E você será minha copiloto. — seus lindos olhos se arregalaram e solto um riso com a sua reação.

— Não acho que isso é uma boa ideia. — disse olhando para todo o painel.

Os acessórios contidos na aeronave são de luxo, pode transportar sete pessoas e os bancos revestidos de couro escuro.

— Pois eu estou ansioso para vê-la em ação. — falei e a auxiliei a colocar o cinto de segurança e todo o equipamento necessário.

Depois de seguir também toda a instrução de segurança e o painel para alçar o voo, também dou algumas instruções a kristal que atentamente segue minha orientação. Seu entusiasmo é presente, o sorriso, os olhos brilhantes são evidentes. O helicóptero aos poucos vai deixando o heliporto e posso ver animação da minha feiticeira ao olhar pela janela de vidro ao seu lado e olhar à sua volta.

— A quanto tempo sabe pilotar um helicóptero?

— Desde os meus 24 anos.

— Hobbie? — indagou curiosa.

— Digamos que sim. — menti, a finalidade estava relacionada à organização.

— Seus pais devem se orgulhar. Ter um filho multifunção é um privilégio. — comenta, mas termina usando o humor.

— Super, disso não tenho dúvida. — respondi, meus pais realmente tem orgulho de mim. — Apesar de não terem conhecimento sobre esse meu Hobbie. Você é a primeira a ter conhecimento.

Sou sincero.

— Vou guardá-lo também. Será nosso segredo. — estende o dedo mindinho e sem hesitar selo nosso juramento.

A instruo, um tempinho depois chegamos perto da Estátua da liberdade. Contornando-a, por não ser tão longe da empresa, não demoramos a chegar. As luzes deixavam tudo mágico, principalmente quando avistamos de perto o Empire State.

— Dominic, isso é perfeito! — exclamou. — Nunca, nunca, imaginei que teria um momento assim tão especial na minha vida.

— Eu pretendo fazer essas coleções especiais de momentos na sua vida. Eles são tudo o que temos. — respondi.

Fitei seu sorriso que rasgava seus lábios de forma tão linda, e suspirei perdidamente enfeitiçado. One World Trade Center e por último a Ponte de Brooklyn, cada detalhe do passeio foi aproveitado de forma singular. As sensações causadas, a fascinação no olhar, a conversa e os risos tirados marcaram nossa memória. Pousei o helicóptero no heliporto do meu condomínio e depois de desligá-lo, retirar os equipamentos e ajudar kristal também, abri a porta e estendi a minha mão ajudando-a a descer.

Antes que me virasse para fechar a porta do helicóptero, ela entrelaça seus braços no meu pescoço e diz:

— Obrigado. Sem dúvidas essa noite foi especial. — sorrio docemente.

— Não há o que agradecer, Maria. — respondi. — Você não faz ideia do que aconteceu quando você tocou o meu coração. Você me resgatou das minhas sombras, sou eternamente grato a você por ter entrado na minha vida.

Seus lábios tocaram o meu, sugando, queimando e explorando apaixonadamente os meus. Totalmente à mercê do meu contato, tomei a iniciativa que ela dava através das suas investidas sensuais. O encaixe do beijo era faminto, sedento e delicioso. Nossas línguas se encontravam e provocavam ondas de desejos em todo o meu corpo, sua mão na pele da minha nuca fazia um trabalho infernal no meu juízo enquanto sua língua dominava a minha.

Acalmei o vulcão que queimava dentro de mim e obriguei o meu controle voltar ao lugar, a intensidade do beijo havia deixado seus lábios avermelhados e inchados.

— Aceita jantar comigo?

— hmm porque não? — colocou as mãos na lateral do meu rosto e deixou um beijo na lateral da minha bochecha. — Sei perfeitamente que você é um ótimo cozinheiro.

— Acho que você esqueceu de uma coisa.

— E o que seria? — indagou com uma expressão divertida.

— Meu outro beijo.

— Aqui. — beijou o outro lado da minha bochecha. — ou por aqui… — arrastou os lábios levemente por cima dos meus e depois me olhou com aquele sorriso atrevido nos lábios.

Sem ela esperar, roubei um selinho.

— Eu sou viciado nos seus lábios. — Segurei a ponta do seu queixo e a olhei profundamente. — Não tenha medo, Maria. Pode acreditar quando digo que estou perdidamente apaixonado por você.

Deixei um beijo nos seus lábios e juntos fomos para o meu apartamento. Senti todo o meu interior vibrar de felicidade. Essa noite de fato foi especial. Lembrei-me do final do poema carpe diem do walt whitman:

"Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…"

   Na cozinha tive sua companhia enquanto preparava nosso jantar. Seus olhos atentos aos meus movimentos não deixava nada escapar, levei a colher de pau a boca para provar o molho vermelho.

— Um cristal pelo seu pensamento. — falei, quebrando o silêncio.

Sua risada alta e divertida tomou conta do ambiente, e para abafar o som levou suas mãos à boca.

— Tá bom. Esse trocadilho merece uma resposta— disse me fazendo sorrir. — Eu tenho uma curiosidade.

— Diga.

— Sou acostumada a ser chamada por kristal. Mas você é a primeira pessoa a fazer uso dos dois nomes. Fiquei curiosa para saber se há algum significado por trás.

—  hmn…. — O sabor agridoce tomou conta do meu paladar, estava no ponto certo. Desliguei o fogo, coloquei a colher sobre a pia e depois me virei para ela e apoiei as palmas da minha mão na pedra de granito da ilha da cozinha. — É automático quando falo. Ligado ao sentimento do momento. Maria, algo íntimo. Kristal, algo mais sério, direto… entende?

Ela balança a cabeça afirmativamente.

— E a propósito, eu amo o som da sua risada. — Dei a volta e aproximei-me dela.

— É mesmo? — abriu um sorriso magnífico que condizia com a felicidade estampada no seu olhar.

— É. Eu amo tudo que você é. — suas mãos pousaram no meu peito e sua boca deixou um beijo casto nos meus lábios, cheio de sentimentos.

Inspirei seu perfume, memorizando o aroma.

— Vamos jantar? — falei.

— Vamos.

       Céus, essa mulher vai me virar do avesso.

Pensei, ao ser afetado pelo seu doce sorriso.

3826 palavras...

Até o próximo capítulo...⏰❤️

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