Capítulo 1

Quando estamos no último ano do colegial, ficamos pensando o que vamos fazer depois que tudo isso terminar. O que será de nós daqui pra frente. O que é que nós vamos nos tornar. Ou até mesmo o que é que nos espera num futuro às vezes meio incerto. Mas agora não há mais o que se perguntar. Tudo isso já passou, e esse tempo já acabou, o que nos resta é seguir em frente e abraçar tudo aquilo que nos espera lá fora, bem longe dessas quatros paredes.

Mais ontem, em cima daquele palco do ginásio do Sky High School , segurando meu diploma de formanda nas mãos, enquanto os professores me cumprimentavam, ao lado dos meus colegas de classe, ouvindo os sons dos aplausos ecoando em meus ouvidos, e contemplar, mesmo a distância, o olhar de orgulho dos meus pais, foi simplesmente sem explicação. Me sinto a pessoa mais feliz do mundo pelo o que me tornei e estou me tornando. Esperando ansiosamente tudo o que está por vir nessa nova fase da minha vida, mesmo sem saber o que é. No entanto, estou preparada para receber tudo o que o universo quiser me mandar. Não só pra mim, mas para todos os meus colegas que esperaram ansiosamente chegar por esse dia.

Suspirei colocando de volta na cômoda a foto da minha formatura, que eu tirei ao lado de meus pais na hora da saída em frente ao ginásio. Agora que terminei os estudos não sei que faculdade quero fazer, há muitas opções recorrendo à minha cabeça. Por isso me darei um tempo para pensar enquanto estou de férias na casa da minha avó em Malibu. Acho que debaixo de um sol bem gostoso, com areias quentes entre os dedos dos meus pés e a brisa do mar batendo em minha face e fazendo meus cabelos voarem, é um ótimo jeito para se pensar no futuro e o que fazer daqui em diante.

- Pronto. A minha mala já tá pronta- minha mãe abre a porta do quarto assim que termino de fechá-la.

-Tem certeza que colocou tudo direitinho filha? Não esqueceu de nada não?- pergunta cautelosa se aproximando de mim.

- Não esqueci nada não- falo rindo- Está tudo certinho- gesticulo sorridente.

- Tinha que está né. Você revisou essa mala dez vezes já, ontem e hoje- papai revirou os olhos pegando as malas e levando-as pro carro dele- Então vamos?- perguntou assim que terminou de colocá-las no porta-malas.

- Eu já avisei a sua avó dizendo que você está indo para lá, ela tá ansiosa te esperando- diz mamãe passando a mão no meu rosto e jogando meu cabelo para trás.

-Também estou muito ansiosa para vê-la e morrendo de saudades também. Tchau mãe- dou um abraço apertado nela e a mesma beija o topo da minha cabeça.

- Tchau minha filha, faça uma boa viagem, e se comporte na casa da sua avó- apontou o dedo indicador pra mim toda mandona, me fazendo revirar os olhos, sorridente.

Entro no carro e papai dá a partida para irmos. Da janela do carro eu aceno para mamãe com a cabeça do lado de fora, e saímos em direção ao aeroporto para pegar o avião e ir para Califórnia. Eu amo passear na casa da minha avó, o lugar, as praias, as costas, a combinação das montanhas, o clima sempre temperado nesse ambiente que atrai todos os tipos de turistas e intercambistas. É tudo realmente uma maravilha.

Mas eu não piso lá a um bom tempo, nem me lembro ao certo qual foi a última vez que estive em Malibu e, nem sei mais como estão as coisas por lá e muito menos como está a minha avó depois do que aconteceu com meu avô. Meu avô faleceu ano passado vítima de uma doença cardíaca e infelizmente só mamãe pode ir ao velório dele.

Convidamos ela para vim morar em Nova York conosco onde nós moramos, mas ela não quis vir. Disse que jamais deixaria o lugar que ela e meu avô viveram e construíram juntos durante muito tempo. Pra ser sincera, eu não concordo muito com isso, porque sou um tipo de pessoa que não gosto de ficar apegada ao passado, pra mim o que passou já não volta mais. Mas eu respeito a minha avó e todos que tem o mesmo pensamento que o dela, pois não é nada fácil perder quem a gente tanto ama.

Chegamos ao aeroporto bem rápido. O caminho foi tranquilo, fiquei conversando com papai o tempo todo. Assim que terminou de estacionar o carro, desço e ele faz o mesmo pegando as malas para mim que estão lá trás. Ficamos esperando na sala de espera, encostando a cabeça em seu ombro enquanto ele segurava minha mão até eu passar pelo portão de embarque e entrar no avião. Papai é um homem muito bonito. Tem uns traços joviais com seu cabelo preto como o céu a noite, a pele branca bronzeada por causa da exposição ao sol. Ele é como eu, ama uma praia, e toda vez que não está em seu escritório de frente para o Central Park, trabalhando como advogado, escapamos para alguma praia por aí, para aproveitar as ondas do mar. Diferente de mamãe que odeia areia entrando em todas as partes de seu corpo. E olha que ela nasceu onde tem sol e mar.

As ruguinhas envoltas dos seus olhos negros como jabuticabas, revelam sua quase meia idade, mais seu corpo atlético demonstra que ainda é um garotão em forma.

Antes de ir, dou um abraço bem apertado nele e me despeço com um monte de beijos. Procuro o número do meu acento e assim que o encontro me sento me ajeitando na poltrona. Solto um longo suspiro e me viro olhando pela janela o avião subir e encontrar as nuvens iguais a algodão doce daqui de perto. Califórnia aí vou eu. Fecho meus olhos já sentindo o cheiro da maresia e espremi meu dedos dentro do sapato como se a areia entrasse em meus pés.

Pego meus fones de ouvido e ponho pra tocar uma música aleatória no meu ipod com algum tema sobre o verão, me trazendo uma leve calmaria enquanto viajo, me preparando para entrar nesse clima de sol quente, praia e biquíni o dia todo. Sem perceber um garoto se senta ao meu lado me cumprimentando. O respondo e o mesmo começa a tagarelar parecendo estar um pouco aflito. O jovem me conta que essa é sua primeira vez voando. Fico conversando com ele tentando acalmar. O rapaz desperta uma risada sonora provocada pelas minhas maluquices e me diz que também está indo para Califórnia pela primeira vez de férias com os pais.

Analiso sua fisionomia enquanto vai me narrando sua história passando as mãos nos fios de cabelos castanho, com as pontas encaracoladas, e vejo seu sorriso enlarguecer em sua boca grande de lábios finos quando a aeromoça passar por nós oferecendo-nos algumas guloseimas para comer, expandindo ainda mais o formato do seu nariz barracudo. 

Depois que a aeromoça passou oferecendo algumas guloseimas para comer, comi e acabei pegando no sono. Cerca de umas cinco horas depois o avião finalmente pousou em solo Californiano, ou melhor dizendo, em Los Angeles. Acordo me espreguiçando, ouvindo a aeromoça falar alguma coisa que não prestei atenção por esta sonolenta ainda, e me levanto e desço as escadas saindo do avião. A viagem só não foi chata e cansativa pois tive a presença de Doug pra me fazer companhia. Nos despedimos e ele segue seu caminho após me oferecer carona, e eu recusar. Caminho até a sala de desembarque, procurando por vovó por todo canto mas não a encontro. Olhando subitamente vejo um homem segurando uma placa com o meu nome e sobrenome. Acho isso um pouco estranho, mas decidi me aproximar dele.

- Com licença senhor- digo educadamente assim que chego mais perto- Porque está segurando essa placa?- indaguei curiosa.

- Bom, é que uma senhora me pediu que eu viesse buscar a neta dela que está pra chegar de viagem- levantou os ombros- Mais como eu não a conheço e nem ela me conhece, ela sugeriu então que eu segurasse essa placa pra ambos saber quem são.

- Assim entendi. E por acaso o nome dessa senhora é Anastásia Peterson?- espremi os olhos e ele fica um pouco surpreso.

- Sim, como sabe?- franzi o cenho.

- Porque o meu nome está escrito nessa placa e eu que sou a neta dela- afirmo com um sorriso.

- Você é Sasha Peterson?- pergunta olhando alternativamente pra mim e para a placa em sua mão sem parar, e assenti maneando a cabeça- Puxa... achei que fosse mais bonita- coçou os cabelos esboçando uma careta.

- O que?- coloquei a mão na cintura indignada e ele comprimiu os lábios segurando uma risada- Quem você pensa que é pra falar assim comigo hein?- fecho a cara extremamente aborrecida.

- Qual é, maninho, não perturbe a garota desse jeito, ela acabou de chegar- uma menina de cabelos lisos castanho-loiro, surge de repente de trás do rapaz - Dá uma trégua pra ela- pisca pra mim- E a propósito eu sou Nicole- estende a mão para mim.

- Sasha, muito prazer- seguro em sua mão a cumprimentando.

- É brincadeira- o garoto do cartaz se pronuncia outra vez revirando os olhos- Eu tava só brincando com você- riu.

- Não estou achando a menor graça- cruzo os braços e fico o encarando séria e então ele para de rir.

- Perdão, eu não quis magoar você- pediu desculpas forçadamente.

"Fala sério. Da onde é que minha avó arrumou esse cara? Ela não tinha ninguém melhor pra me buscar não? Ou poderia ter vindo ela mesma. Garoto idiota". Revirei os olhos enquanto pensava.

- Ei vamos pra casa da sua avó ou você pretende ficar aqui parada feito uma estátua?- me chama me tirando dos meus pensamentos.

- Sim vamos, acho que não tenho outra escolha mesmo- dou de ombros e ele faz uma careta pra mim.

- Você acha que eu também gostaria de estar aqui?- reclama pegando minhas malas e levando para sua caminhonete- Eu tinha mais o que fazer do que vir buscar a netinha mimada da dona Anastácia- joga minhas malas contudo em cima dela e a menina salta na traseira do carro.

- E porque você veio então? Desde quando conhece a minha avó? E eu não sou mimada coisa nenhuma, tá bom- encho-o de perguntas deixando ele um pouco irritado.

- Eu conheço a sua avó há um tempo e como não tinha ninguém pra vim buscá-la ela me pediu que viesse, mas eu já me arrependi- vociferou abrindo a porta para entrar.

- Porque se arrependeu? Eu não entendi- ele entra mais sai de novo bufando pra fora e eu continuo parada ali com os braços cruzados com uma cara de desentendida.

- Porque a senhorita é chata demais e vive fazendo perguntas inadequadas- se aproxima de mim e fixo meus olhos em seus olhos verdes e brilhantes que não desgrudaram do meu nenhum segundo.

- Acho melhor a gente ir, vocês não acham?- Nicole intervém quebrando o silêncio pesado e incômodo que tinha se espalhado entre nós.

- Claro, tem razão- ele concorda sem desviar seus olhos de mim, me encarando como se eu fosse um daqueles quadro de museu que todo mundo admira, mas ninguém sabe ao certo o que o pintor quis retratar ali.

Meu corpo inteiro congelou com sua forma brusca de me olhar, e o sangue só voltou a percorrer em minhas veias e tive alguma reação depois que seus olhos saíram de cima de mim. Passei a mão na nuca esfregando o suor frio que escorreu até minha espinha.

- Minhas perguntas não são inadequadas- fecho a cara irritada de repente, demonstrando não estar afetada com seu olhar- Além do mais preciso saber quem é você. Não posso sair por aí andando com um... bando de estranho- sacudi os ombros escabreada, com Nicole me olhando desconfiada em cima da traseira da caminhonete.

- Para sua avó, eu não sou um estranho- provoca-me analisando de cima abaixo. Confesso que eu me arrepiei um pouco com seu olhar mordaz sobre mim novamente- Vamos indo, sua avó vai pensar que aconteceu alguma coisa com essa demora- confessa sem paciência.

- Eu conheço essa caminhonete- reconheço o veículo enquanto entro nele.

- É eu sei, era do seu avô- da partida para irmos- A sua avó me emprestou pra vim, já que o meu carro esta na oficina.

- Pelo visto minha avó conhece você muito bem, hein- murmuro baixinho, mas parece que ele consegue escutar.

- Ai garota, mais como você é chata hein- bufou revirando os olhos- Por acaso está com ciúmes da sua avozinha é?- debocha erguendo uma sobrancelha olhando de relance pra mim.

- Eu com ciúmes de você?- solto uma risada sarcástica- Nunca- gesticulo indignada- É que eu fiquei curiosa em saber quem é você já que minha avó nunca me falou nada sobre você- dei de ombros.

- Gente vamos parar de briga por favor?- interpelou Nicole batendo no teto, com sua voz alta o bastante para escutarmos.

- É mesmo é?- sorri de lado curioso, ignorando sua irmã ou seja lá o que ela fosse- Bom, de você ela me falou muito- olhou rapidamente para mim e depois voltou seus olhos para a estrada.

- E o que ela falou de mim?- viro o pescoço na direção dele bastante interessada no que ele poderia me dizer.

- Nada demais- dá de ombros- Só que você é muito mimadinha- começa a rir debochadamente e eu me viro para o lado da minha janela com a cara emburrada.

Argh, que garoto insuportável. Quem ele tá pensando que é pra me chamar de mimada, mimado é ele esse imbecil. Eu não sei da onde minha avó arruma esse tipo de gente. Tanta gente nesse mundo pra mandar e ela tinha que escolher logo esse garoto? De onde foi que ele saiu, afinal? Fala sério. Reviro os olhos mentalmente suspirando bem profundo o fazendo sorrir de canto sem tirar os olhos da estrada.

***

Oi minhas batatinhas. Tudo Com Vocês?

Quero dizer primeiramente que é um prazer receber vocês aqui. Estou muito emocionada com a presença de todos por aqui.

O que acharam desse primeiro encontro deles? Espero que tenham gostado do primeiro capítulo e que tenham agradado vocês.

Se agradou não se esqueçam de deixar muitas estrelinhas e comentar também.

Obrigada pelo carinho.

Amo cada um de vocês e um beijão no cori.

E que Deus os abençoe. 

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