9. One less time
Any Gabrielly • POV
Meu cabelo castanho balançava com o vento enquanto meus olhos fitavam a praia a minha frente. Depois de eu me acalmar com toda a história do pesadelo Noah sugeriu que fizéssemos um passeio na orla, dizendo que isso seria bom para que eu distraísse a mente.
Eu consegui ver toda a preocupação que ele estava sentindo em seus olhos quando eu procurei por ele após ter um pesadelo, sentir que ele realmente se importava comigo fez meu coração aquecer. Ele estava sendo bom para mim de uma forma que eu não esperava, ele estava me passando toda a segurança que eu estava precisando sentir naquele momento. Todas essas coisas estavam contribuindo para que meu sentimento por ele aumentasse, e àquela altura eu já não tinha tanta certeza de que tudo o que eu sentia por ele era só um interesse romântico... Talvez fosse algo a mais.
Noah é divertido quando quer. Nós conversamos muito nas últimas horas e ele conseguiu ficar o tempo todo sem fazer um comentário rude ou convencido, era como se ele estivesse se despindo de todas essas armaduras para mim e estivesse sendo apenas ele mesmo, me dando a chance de conhecê-lo melhor.
- Está com sede? - perguntou, chamando a minha atenção de volta.
- Definitivamente sim. - concordei. - Esse sol está me desidratando.
- Vou comprar uma água então. - ele avisou, colocando por reflexo uma mecha do meu cabelo que estava no meu rosto para trás da minha orelha. - Não saia daqui. E isso é sério, Any, não dê nem um passo para fora desse lugar.
- Noah, está tudo bem. - ri da sua preocupação, achando fofa de certa forma. - Estarei bem aqui o tempo todo.
Ele acenou com a cabeça e piscou o olho para mim antes de se afastar para comprar água. Minha atenção voltou para o mar, vendo a forma como as ondas se formavam e se desfaziam.
Vi pela minha visão periférica alguém parar ao meu lado, de primeira eu fiquei apreensiva, mas eu relaxei um pouco ao notar que se tratava de uma outra mulher, porém ainda assim estava atenta pronta para correr se fosse preciso.
- Paisagem bonita, não? - a garota ao meu lado disse querendo puxar assunto de alguma forma.
Ela tinha cabelo castanho liso que batia um pouco acima dos seus seios e grandes olhos claros. Me parecia inofensiva, mas se eu tinha essa imagem até do meu irmão era melhor continuar desconfiando.
- Você é daqui de Los Angeles? - ela tentou mais uma vez quando eu não respondi.
- Sim, eu sou. - tentei sorrir simpática quando ela sorriu pra mim mas tenho certeza que o sorriso se pareceu mais com receoso.
- Conhece o Noah há muito tempo? - questionou. Assim que o nome dele foi mencionado eu olhei para a garota, que mantinha seus olhos mirando o mar.
Ela conhecia o Noah? Mas como ela sequer sabia que eu o conhecia? Isso me deixou assustada. As chances de ela ter sido mandada por alguém aqui tinham acabado de aumentar. Olhei ao meu redor para ver se tinha algum sinal de Noah voltando mas não tinha. Talvez se eu corresse fosse pior: onde eu me esconderia? Como Noah saberia o que aconteceu?
- Você o conhece? - minha voz estava meio trêmula, o que me fez praguejar.
Ela olhou para mim com um sorriso nos lábios, mas ele não estava parecendo simpático como antes.
- Muito melhor do que você conhece, isso eu garanto. - disse firme, me deixando meio incrédula com como ela foi de simpática para rude em segundos.
- O que você está querendo? - questionei.
- Preciso que você dê um recado.
- Um recado? - franzi a testa. - Para quem? Que recado?
Ela ficou tensa quando viu alguma coisa e eu olhei para a mesma direção que ela, vendo Noah se aproximando de nós duas com uma garrafinha d'água na mão e exalando raiva. Cheguei a suspirar de alívio quando o vi. Noah parou ao meu lado com seus olhos estreitos encarando a garota, sua mandíbula estava contraída e sua respiração parecia pesada, era como se ele estivesse com ódio dela. Mas quem era ela afinal?
- Noah. - ela começou a falar mas ele interrompeu.
- Que porra você está fazendo aqui? - cuspiu as palavras com raiva, claramente irritado.
- Eu voltei para Los Angeles e eu precisava muito te ver. Eu preciso... - e ele a interrompeu mais uma vez.
- Não venha com essa merda de papinho furado, Victoria. - alterou um pouco o tom de voz.
Victoria. Então ela era a ex-namorada de Noah que Jess tinha me falado sobre. Isso me deixou mais curiosa sobre ela e eu só queria fazer várias perguntas sobre, mas com o estado atual de Noah tinha certeza que elas não seriam respondidas.
- Eu preciso te explicar o que aconteceu nesses últimos tempos. - ela não parecia se intimidar com a forma como ele falava com ela mas ainda assim parecia sentida. - Tem algumas coisas que você precisa saber! Por favor, me ouve.
- Eu não quero suas explicações. - ele rosnou. - E também não quero que você se aproxime de mim ou dela de novo, sacou? Volte para a merda do lugar onde você se enfiou durante todo esse tempo. - intimidou.
Noah não esperou que ela falasse mais nada, agarrou o meu pulso e me puxou para longe dela. Eu não sabia se era seguro fazer perguntas ou falar qualquer coisa, não queria que ele descontasse sua raiva em mim, então apenas fiz o caminho até o lugar onde ele tinha estacionado o carro em silêncio.
O que tinha acabado de acontecer? A ex-namorada de Noah tinha reaparecido. O que isso significava? Qual seria toda a explicação que ela tinha e Noah não quis ouvir? Qual seria a história deles?
Quando entramos no carro ele deixou a garrafa d'água no meu colo mas depois desse episódio eu tinha até perdido a sede, então apenas larguei ela lá. Nós passamos metade da viagem de volta em silêncio, não queria deixar Noah mais irritado do que ele já estava então fiquei mordendo meu lábio para evitar perguntar qualquer coisa que fosse.
- Quem é ela? - minha curiosidade falou mais alto e eu acabei fazendo a pergunta, receosa com a sua reação.
- Victoria Jogia. - ele respondeu o óbvio mas ainda assim eu fiquei surpresa, não esperava que ele fosse me responder nem isso, não com toda essa calma.
- O que houve entre vocês? - perguntei, com Noah não desviando o olhar do trânsito por nenhum minuto sequer. - Quero dizer, pareceu ter muita mágoa envolvida.
- Não é o momento para falar em vadias. - Noah disse em um tom baixo e eu notei a forma como ele apertava o volante com mais força do que o normal.
Eu respeitei o seu momento e resolvi ficar mesmo em silêncio, pelo menos até o resto da viagem de carro até o apartamento. Quando nós chegamos, Noah se jogou sentado no sofá suspirando cansado e eu me sentei ao seu lado, em silêncio.
Virei a cabeça para olhá-lo quando ele respirou fundo, vendo que ele tinha seus olhos em mim.
- Ela é minha ex-namorada. - ele quebrou o silêncio entre nós, me surpreendendo.
Não esperava que ele fosse falar nada sobre esse assunto, principalmente para me contar alguma coisa sobre.
- Vocês terminaram há muito tempo? - perguntei com cautela, não querendo abusar.
- Há quase um ano. - deu de ombros e desviou seu olhar do meu, como se ficasse sentido com esse assunto. - Ou talvez um pouco mais? Não lembro ao certo. - tentou se fingir indiferente mas eu podia ver que ele não estava.
- Ainda gosta dela?
- Claro que não, ela é uma vadia. - ele riu pelo nariz e eu suspirei um pouco aliviada com a resposta.
- Por que vo... - fui interrompida.
- Any, chega. - resmungou. - Isso aqui não é a merda de um interrogatório.
- Certo, tudo bem.
Relaxei no sofá e em um impulso eu levei minha mão até o final de seu cabelo para lhe dar algum carinho. Eu não sabia como ele receberia isso, mas de forma surpreendente ele recebeu da melhor forma, relaxando com o meu toque.
- Ela disse que tinha algo para falar. - disse quase em um sussurro. - Você não acha que deveria pelo menos ouvi-la?
- Já cometi o erro de perder tempo ouvindo ela outras vezes. - deu de ombros. - Agora chega de falar dela, esse não é nem de longe um assunto que eu curta.
Concordei com a cabeça e aproximei mais meu corpo do dele, escondendo meu rosto na curvatura do seu pescoço. Noah de primeira ficou meio tenso por essa demonstração de carinho mas logo relaxou, fazendo um carinho meio desajeitado no meu cabelo.
- Sabe, - sua voz saiu baixinha, era quase como se ele estivesse prestes a me contar um segredo de Estado. - Eu gosto de como sou quando você está por perto.
Levantei a cabeça para olhá-lo, podia jurar que meus olhos estavam brilhando naquele momento. Pela primeira vez eu o vi sem graça, fugindo seu olhar do meu.
- Não me olhe desse jeito. - resmungou.
- Eu não posso evitar. - disse risonha. - Acho que é o jeito que olhamos para alguém que a gente goste.
Não sabia ao certo o por quê disso ter saído da minha boca, foi de forma espontânea. Eu tinha acabado de admitir, não só para o Noah mas para mim mesma também, que eu gostava dele?
Seus olhos que antes tinham fugido dos meus agora os procuraram, ele parecia tão surpreso com as minhas palavras como eu estava. O silêncio já me incomodava e eu tinha receio de como ele reagiria, e se ele fosse rude comigo?
Relaxei ao ver sua boca se curvar em um sorriso e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele juntou nossos lábios juntos em um beijo.
Sua mão segura minha nuca mantendo nossos rostos o mais perto possível enquanto nossos lábios se movem juntos. Me arrepiei a sentir sua língua em contato com a minha, podendo sentir aquela sensação de formigamento dentro de mim e aquele friozinho no pé do estômago.
Nosso beijo ficou mais intenso. Uma de suas mãos apertava minha nuca enquanto a outra subia pela minha coxa, me causando sensações que eu nunca tinha sentido antes. Ele parou com a mão no início do meu short jeans e apertou minha pele, me fazendo arfar. Eu sabia onde isso poderia nos levar mas naquela altura eu não me importava até onde iríamos.
Nós ouvimos o barulho da porta e nos separamos rapidamente, me ajeitei e sentei direito no sofá tentando me recompor. Rosie, Chris e Ryan estavam ali agora.
- Isso só pode ser brincadeira com a minha cara. - Rosie resmungou após praticamente me fuzilar com os olhos, andando em passos fortes para a cozinha.
- Acho que ela não gosta muito de mim. - disse.
- Ela só sente ciúmes de você, relaxa. - Ryan disse ao se jogar na poltrona.
Chris se aproximou também, encostando na pilastra.
- Estamos esperando Chaz e Henry chegar para começar a reunião. - Chris falou calmo. - Temos muitas coisas para tratar, precisamos parar de adiar tudo.
- E onde eles estão? - Noah perguntou.
- Chaz está com a Jess e Henry está resolvendo algumas coisas pessoais. - Chris olhou seu relógio rolex de pulso antes de voltar a falar. - Eles já devem estar chegando.
- Vamos para o escritório de uma vez então. - Noah falou com seu tom de ordem. - Alguém chama a Rosie porque eu não estou afim de lidar com os dramas dela agora.
Ryan se levantou para ir até a cozinha chamar Rosie como Noah havia dito e Chris seguiu para o escritório. Noah voltou sua atenção para mim e beijou o canto da minha boca.
- O trabalho me chama, bebê.
- Posso ficar no escritório com vocês? - tentei fazer minha melhor expressão meiga e ele riu pelo nariz.
- É melhor não. - negou. - Temos muita coisa para tratar e não vai ser bom ter você envolvida nisso.
- Bom, tecnicamente eu já estou envolvida nisso.
- Any, você entendeu. - ele revirou os olhos.
Ryan e Rosie tiveram que passar pela sala para seguirem o caminho até o escritório, Noah e Ryan trocaram um breve olhar como se estivessem se comunicando antes de Ryan seguir.
- Acho que vamos demorar um pouco mas se precisar de alguma coisa manda uma mensagem para o meu celular. - disse ao se levantar.
Noah Urrea • POV
Toda a equipe se encontrava no escritório, dessa vez sem exceções. Estávamos fechando nossos planos para enfraquecer os negócios de Josh.
- Josh está muito quieto nos últimos dias. - Ryan disse. - Ele com certeza está armando alguma coisa, precisamos ficar espertos.
- Seria bom se conseguíssemos alguma coisa sobre suas atividades recentes para saber o que ele tem feito. - falei, coçando o queixo enquanto pensava.
- Posso entrar em contato com nossas gangues aliadas para saber se eles sabem sobre alguma coisa. - Chris se dispôs e eu concordei com a cabeça.
- Não acho que nós deveríamos focar tanto no que ele está fazendo agora que está quieto. - Henry opinou, dando de ombros. - É um bom momento para a gente se fortalecer, a gente precisa disso se a gente quer declarar guerra.
- Mas não custa nada a gente ter alguma novidade, só pra ficar esperto. - Ryan disse.
- É bom nos fortalecermos, fecharmos alguns carregamentos de armas e consolidarmos alianças que vão nos favorecer nessa, temos realmente que focar nisso. - Chaz resolveu opinar também. - Mas ao mesmo tempo concordo com Ryan, não custa nada procurarmos saber mais sobre as atividades recentes dele só para ficarmos espertos caso ele esteja se preparando para atacar.
- Então fechamos assim: Chris, você vai ficar encarregado de procurar saber sobre isso. - comecei a dar as ordens. - Chaz e Henry, vocês vão fechar carregamentos de armas e munições para essa semana ainda. Enquanto isso eu e Ryan continuaremos trabalhando para concluir o plano.
Os caras concordaram com isso e então eu notei a garota isolada no escritório. Rosie estava ausente nos últimos dias e estava quieta demais agora, tinha até me esquecido da sua presença aqui. Ela encarava o chão parecendo entregue aos seus pensamentos.
- Rosie - chamei. A loira levantou a cabeça para me olhar, parecendo de volta à realidade. - O que rolou para você ficar tão quieta? Isso não acontece nunca.
- Isso é verdade, você está sempre falando. - Ryan balançou ela, a mesma revirou os olhos.
- Eu preciso falar uma coisa para vocês. - ela disse após suspirar.
- Então diga. - Chris incentivou.
- Eu não posso mais continuar aqui. - Rosie soltou sem enrrolações. - Eu não posso continuar fazendo parte dessa equipe.
Eu e os caras nos entreolhamos surpresos, ninguém estava esperando por isso vindo dela.
Era notório o seu afastamento desde que a Any veio para cá, mas eu nunca pensei que ela iria querer deixar a equipe por causa do seu ciúmes e da sua paixãozinha frustrada.
- Que papo é esse, Rosie? - Chaz questionou.
- É isso aí. - ela deu de ombros. - Entrei em contato com alguns parceiros meus de uma gangue da Itália e eles toparam me incluir na equipe. Eu saio do país essa semana ainda.
- Você já viu toda essa merda e só agora abriu o jogo com a gente? - retruquei.
- Tomei essa decisão essa manhã. - ela garantiu. - É uma decisão que cabe somente a mim, vocês não podem me impedir. A não ser que resolvam me matar por estar partindo.
Nós sabíamos como isso funcionava. Eu só iria querer matá-la se ela estivesse nos trocando por alguma gangue do país, mas como se tratava de uma gangue em até mesmo outro continente eu não via motivos para impedi-la de seguir com sua ideia. Qual é, eu nem mesmo fazia questão de manter Rosie aqui.
- Você vai fazer falta, garota. - Ryan bagunçou seu cabelo dessa vez e ela empurrou seu braço por isso.
- Eu sei que vou. - Rosie deu de ombros, ajeitando os fios loiros que Ryan bagunçou. - Não vamos partir para um drama emocional. A reunião já encerrou? - concordamos todos. - Ótimo! Queria que vocês dessem um fora para que eu pudesse conversar a sós com o Urrea. - revirei os olhos.
Os caras começaram a fazer o que Rosie tinha dito seguindo para fora do escritório. Henry apertou meu ombro e me desejou boa sorte antes de deixar o cômodo por último, fechando a porta ao sair e nos deixando sozinhos.
Me encostei na mesa de madeira e cruzei os braços observando a loira na minha frente.
- Qual foi? - disse quando ela continuou em silêncio. - Se você espera que eu vá te implorar para que fique está perdendo tempo.
- Com certeza eu não espero isso de você. - garantiu. - Espero que você saiba que eu não estou indo embora porque estou insatisfeita com a equipe ou alguma coisa do tipo e sim porque eu não posso mais lidar com você grudado naquela garota.
- Pensei que você fosse mais profissional que isso.
Rosie se aproximou mais de mim e eu me mantive no mesmo lugar, apenas observando seus atos.
- Não posso ficar me torturando vendo você dando à ela tudo o que nunca foi capaz de me dar. - seu tom de voz abaixou. - Não faço ideia do que ela tenha que eu não tenho, mas eu não posso suportar lidar com isso mais. Eu prefiro estar longe. - seus olhos claros estavam brilhando por estarem marejados.
- Achei que você não quisesse transformar isso em um drama sentimental. - rebati.
- Eu vou fazer falta para você, Urrea. - e ela terminou de se aproximar, deixando nossos rostos tão perto que até abaixou o tom de voz para um sussurro. - Você pode não achar isso agora, mas em breve você estará querendo me ter por perto novamente.
E sem esperar qualquer reação da minha parte ela me beijou.
Com Rosie eu não sentia a necessidade de ter o mínimo de delicadeza como eu sentia com a Any. Nosso lance não envolvia sentimento nenhum, pelo menos não da minha parte. Era apenas um desejo carnal, mas àquela altura nem mesmo isso eu sentia mais. Ela estando por aqui ou estando em outro país não faria a mínima diferença na minha vida, eu de fato não me importava.
Eu a beijei de volta com força, pegando-a no colo e rodando com ela para colocá-la em cima da mesa de madeira, derrubando algumas coisas que tinham em cima dela.
Se era uma última vez que ela estava procurando, eu daria a ela isso.
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