44. Forever
Any Gabrielly • POV
Chris foi cauteloso e analisou todo o lugar antes de deixar o objeto de madeira que o protegia, ele deu passos vagarosos para perto do homem que eu tinha acabado de atirar contra para checar. Me surpreendi quando Chris apontou sua arma para o corpo dele e atirou uma única vez, bem na sua testa, me provando que ele ainda estava vivo e eu só o machuquei.
E eu me senti aliviada por saber que eu não tinha o matado de verdade.
- Acabou. - Chris anunciou, de pé no centro do galpão, com vários corpos jogados no chão ao seu redor.
Chaz saiu de onde estava escondido para correr até Ryan e ajudá-lo com seu braço, já eu voltei para perto de Noah e senti meu coração errar as batidas ao notar que ele estava desacordado.
- ALGUÉM AJUDA AQUI. - eu gritei, chamando a atenção de todos para o Noah desacordado.
Chris correu até nós e se abaixou do outro lado dele, checando a sua pulsação. Só pela expressão que ele fez eu já sabia que a situação não era nada boa.
- Precisamos levá-lo até o hospital. Agora. - Chris falou.
- Como está a pulsação? - Ryan perguntou enquanto se levantava do chão segurando seu braço.
Ele me lançou um breve olhar antes de voltar a olhar o seu amigo.
- Fraca. - respondeu baixo.
- Eu vou te ajudar a colocar ele no carro, daí você leva Noah e Ryan para o hospital. - Chaz falou já ajudando Chris a levantar o meu namorado do chão. - Depois eu vou com a Any e nós nos encontramos lá.
Eu estava parada, era como se eu tivesse perdido os meus sentidos. Meu coração doía como se estivesse sendo esmagado e o medo de Noah não resistir me fazia tremer dos pés a cabeça.
Os meninos saíram para colocar Noah no carro e Ryan foi até o corpo de Victoria no chão, eu prestei atenção quando ele se abaixou para checar a sua pulsação.
- Ela...? - eu não consegui concluir a frase.
- Sim. - Ryan suspirou. - Não tem pulsação.
Não consegui conter as lágrimas por mais tempo, todos aqueles acontecimentos de uma vez só estavam sendo demais para mim.
Victoria tinha morrido por minha causa, ela tinha morrido para me salvar. E só de pensar que tudo aquilo poderia ter sido evitado se eu não tivesse inventado de seguir o meu irmão até aqui já me fazia sentir a culpa em meus ombros. Aquilo era tudo culpa minha. Noah ter sido baleado porque se distraiu comigo e Victoria ter morrido porque quis me salvar, tudo aquilo era culpa minha.
Quando Chaz entrou de volta no galpão Ryan saiu para ir ao hospital junto de Chris e Noah, eu não esperei mais tempo até correr para os braços do meu irmão enquanto chorava como um bebê desolado. Chaz me apertou em seus braços tentando me passar algum conforto, mas não adiantou. Nada tiraria aquela culpa de mim.
- Victoria morreu por minha causa. - falei entre meu choro, minha voz saindo embargada.
Eu estava molhando seu moletom na altura dos ombros de lágrimas mas ele não se importava, apenas me apertava com mais força contra seu corpo como soubesse que eu precisava disso.
- Você não teve culpa, ela escolheu proteger você e sabia as consequências que isso podia ter. - ele falou contra meus cabelos. - Ela fez o que achava certo. Victoria não era uma pessoa ruim, ela sempre teve esse jeito de querer proteger todos ao seu redor e daria a vida para proteger o Noah, e ela fez isso. - tentou me acalmar. - Ela sabia que se alguma coisa acontecesse com você Noah perderia a cabeça e ficaria enfraquecido, ela escolheu salvar você para que ele não tivesse que passar por isso.
Funguei tentando controlar o choro e desfiz o abraço com meu irmão.
- Como você veio parar aqui? - Chaz perguntou.
- Eu estava escondida no seu carro. - revelei e ele ergueu uma sobrancelha para mim. - Chaz, tem como a gente ir logo para o hospital? Eu realmente preciso vê-lo.
Chaz concordou com a cabeça e me guiou para fora do galpão, ter que desviar de todos aqueles cadáveres fez meu estômago revirar. Eu passei todo o caminho até o hospital tentando controlar o meu choro e pensar positivo enquanto meu irmão respeitava o meu momento de silêncio.
Quando nós chegamos no hospital Chris estava na sala de espera e nos informou que os dois estavam em cirurgia, mas que o caso de Noah era mais delicado. Nós ficamos na sala de espera e cerca de uma hora depois Ryan apareceu, ele tinha o braço enfaixado após ter tirado a bala de dentro do seu braço e a gente sabia que ele tinha fugido do seu quarto de hospital mas ninguém tava em clima de fazer piadinhas sobre isso.
Depois de horas na sala de espera o médico responsável por Noah finalmente se aproximou, todos nós levantamos imediatamente para receber as notícias.
- Familiares de Noah Urrea? - o médico questionou e todos nós concordamos. - Ele precisou passar por uma cirurgia bem delicada para a retirada da bala, a mesma se alojou a milímetros do coração e ele teve muita sorte por essa pequena distância. Nós conseguimos remover a bala e foi por pouco que não atingiu nenhum órgão importante, mas ainda assim ela fez seu estrago. Ele perdeu bastante sangue até ser socorrido e isso também contribuiu para agravar o seu estado de saúde. Nesse momento ele já saiu da sala de cirurgia e está na UTI, não tem mais nada que a gente possa fazer então as próximas horas são cruciais para sabermos o futuro da saúde dele... - funguei quando ele terminou de falar, com Chaz me abraçando de lado enquanto as lágrimas desciam de novo pelas minha bochechas.
- Eu posso vê-lo? - pedi.
- Bom, ele ainda está desacordado mas pode receber uma visita por vez. - o médico respondeu. - Ele está no quarto U8.
Todos os garotos me incentivaram a ir até lá, eu sequei minhas lágrimas durante o caminho enquanto tentava respirar fundo para recuperar a minha calma. Parei na frente da porta com U8 marcado e precisei sugar um pouco de ar com a boca antes de tocar a maçaneta, sentindo meu coração disparar.
Entrei no quarto devagar, encontrando Noah desacordado na cama. Ele tinha muitos fios ligados à ele e também tinha um aparelho respiratório para o auxiliar na respiração, fora o curativo em seu peito por causa do tiro. Tapei a boca com a mão tentando engolir o nó na garganta que se formou quando eu entrei no quarto, vê-lo daquela forma fazia meu coração doer. O barulho do monitor cardíaco provando que seu coração ainda batia parecia música para os meus ouvidos.
Me aproximei devagar da sua cama, mordendo o lábio inferior antes de erguer minha mão para segurar a sua. Era estranho sentir como se ele estivesse completamente distante mesmo que seu corpo estivesse bem aqui na minha frente.
- Ei, sou eu. Eu estou aqui. - minha voz saiu trêmula e era nítido que eu estava me esforçando para não cair no choro de novo. - Noah, eu queria que você soubesse que você é a pessoa mais forte que eu já conheci na vida. Eu tenho a total certeza de que você consegue sair dessa, de que você é forte o suficiente para ganhar mais essa batalha. - entrelacei meus dedos nos seus. - E eu também queria que você soubesse que eu amo você com todo o meu coração. Mesmo quando você é estúpido nas palavras, ou quando é cabeça dura e tenta me afastar por achar que é melhor assim, ou quando você faz suas gracinhas e eu acabo levando a sério... Eu amo você o tempo todo. E é extremamente assustador para mim a ideia de não ter mais você aqui, de não ter mais as suas gracinhas, de não ter mais você me chamando de bebê, de não ter mais qualquer coisa que envolva você. E... Eu sinto como se eu fosse amar você para sempre, e eu acho que realmente vou. - senti meu lábio inferior tremer. - Então eu preciso que você continue aqui comigo, por favor, não me deixa agora. Se você estiver conseguindo me ouvir, me dá um sinal. Por favor, me dá um sinal, qualquer sinal que seja.
Olhei para as nossas mãos entrelaçadas e apertei a dele com mais firmeza enquanto esperava esperançosa que ela se mexesse como eu já vi acontecendo em filmes que a pessoa está em coma mas consegue ouvir e dar sinais para a outra, mas isso não aconteceu. Ele continuou lá, imóvel.
E naquele momento eu desabei, sentindo o peso de tudo nas minhas costas.
Eu chorava como uma criança quando inclinei meu corpo para frente e apoiei minha cabeça em sua barriga, com minha mão ainda junto da sua.
O medo de que Noah não abrisse mais os olhos fazia meu coração apertar e um frio subir pela minha espinha.
Eu levei um susto quando o monitor cardíaco começou a apitar e consequentemente senti meu coração disparar. Olhei confusa e com os olhos arregalados para o aparelho e logo depois olhei para Noah, que permanecia do mesmo jeito de antes mas meu desespero aumentou quando a porta foi aberta abruptamente e um médico junto de dois enfermeiros entraram correndo no quarto. Eu me senti completamente perdida e desesperada quando eles se aproximaram do meu namorado falando coisas um para o outro sobre o estado de saúde de Noah, e eles não pareciam felizes com isso. Meus olhos arregalaram e minha boca abriu em choque quando o enfermeiro pegou o desfibrilador após de o médico falar alguma coisa sobre parada cardíaca.
Uma enfermeira correu até mim e me segurou pelos ombros, ela precisou me puxar já que eu estava paralisada com tudo o que estava acontecendo.
- Senhorita, você precisa esperar do lado de fora. - ela pediu tentando ser gentil mas meus olhos não conseguiam desgrudar do meu namorado, minhas bochechas cada vez mais molhadas com as lágrimas.
- Não... O que está acontecendo? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - e eu saí do choque, me desesperando.
A enfermeira precisou me segurar para que eu não conseguisse correr de volta para perto de Noah, eu não queria deixá-lo sozinho.
- A senhorita não pode ficar dentro do quarto nesse momento. - ela me puxou até o lado de fora enquanto eu soluçava de tanto chorar e tremia de medo do que podia acontecer. - A senhorita vai precisar aguardar. - e foi a última coisa que ela disse antes de fechar a porta, me deixando para o lado de fora, bem no corredor.
Me encostei na porta do quarto U8 e deslizei até cair sentada no chão, escondendo meu rosto nos meus joelhos enquanto colocava todas aquelas lágrimas para fora.
E só a ideia de não vê-lo mais já fazia com que eu me sentisse sufocada, completamente sem ar.
Noah Urrea • POV
O frio atingia meu corpo e eu esfregava as mãos uma na outra na tentativa de deixá-las mais quentes, de tentar amenizar o frio que eu sentia.
Franzi o cenho enquanto tentava puxar na minha memória em que diabos de lugar eu estava naquele momento. Já estava tudo branco por causa da neve e continuava nevando, fazia muito tempo que eu não presenciava uma nevasca. O lugar parecia ser uma praça, os brinquedos cobertos com a neve e tudo completamente vazio, como se fosse uma cidade fantasma.
E então eu me lembrei daquele lugar, era uma praça que eu costumava brincar quando eu era moleque. Eu estava em Toronto.
Olhei ao meu redor para procurar por alguém quando eu vi uma mulher de cabelos loiros virada de costas para mim há apenas alguns passos de distância, eu fui cauteloso quando comecei a dar passos em sua direção. Toquei em seu ombro ao chegar perto dela e quando ela se virou de frente para mim eu soube de quem se tratava, unindo as sobrancelhas em confusão.
- O que você faz aqui? - perguntei confuso.
- Eu estava esperando por você. - Victoria disse, ela estava tão calma que nem mesmo parecia que era ela.
- Esperando por mim? - ri sem humor. - Para onde você acha que eu iria com você?
- Iria embora. - ela abriu um sorriso tranquilo. - É inútil você continuar lutando para sobreviver, as chances são tão pequenas... Isso só te causaria mais sofrimento e angústia.
E quando ela falou aquilo tudo o que tinha acontecido veio na minha mente como um relâmpago de memórias. Minha mente repassou como as coisas aconteceram: eu vi a Any no galpão e eu levei a porra de um tiro, Andrew me deu a porra de um tiro.
Engoli em seco ao ligar todas as coisas.
Afinal, eu estava morrendo.
- Não vale mais a pena, Noah. - ela continuou. - Os seus caminhos te trouxeram até aqui, isso é resultado das suas escolhas. Você escolheu participar do confronto direto, não foi? Você sabia as consequências que poderia ter.
- Eu não vou. - rosnei.
- Eu sei muito bem o que está te prendendo lá ainda. É ela, não é? - Victoria falou como se pudesse ler a minha mente. - O único jeito de você garantir a segurança dela é indo embora. Se isso acontecer você sabe que Chaz não conseguirá levar o crime sem ter você, e então a Any não vai ter mais com o que se preocupar, não vai ter mais o que temer. Não é isso o que você quer? Que ela fique segura? Que ela fique feliz? Então você precisa deixá-la ir.
E talvez ela estivesse certa.
Chaz começou nessa junto comigo, não sei se ele continuaria se eu morresse, acho que ele não conseguiria seguir com o luto dessa forma e abriria mão de tudo, e então a Any estaria segura por não ter nada que a ligasse com o crime. E esse era o momento perfeito já que os nossos inimigos mais diretos estavam mortos, Any ficaria completamente segura.
Victoria estendeu sua mão para mim e eu bufei antes de segurá-la, eu acho que estava pronto para aquilo. Talvez minha melhor opção fosse mesmo ir embora.
Mas eu paralisei quando senti alguém segurar firme a minha outra mão, mas não tinha mais ninguém ali. Eu levantei minha mão na altura do meu rosto para analisá-la, eu sentia alguém segurá-la mas ela estava vazia.
"Eu sinto como se eu fosse amar você para sempre, e eu acho que realmente vou. Então eu preciso que você continue aqui comigo, por favor, não me deixa agora.", essas palavras entraram pelos meus ouvidos como sussurros e eu tinha certeza que conhecia muito bem aquela voz.
Victoria me olhou sem entender nada quando eu soltei a sua mão.
- Você falou certo, eu realmente quero que ela seja feliz. - falei e ela concordou com a cabeça. - Mas eu sei que para ela ficar mesmo feliz ela precisa de mim lá.
Ela balançou a cabeça em negativo mas no final abriu um sorriso sem mostrar os dentes.
- Você não vem, não é?
- Não. - neguei. - E você? Você está indo embora? - Victoria abriu um sorriso maior e se virou para mim novamente, sem me dar mais respostas.
Abri meus olhos de forma repentina ao mesmo tempo que puxei uma lufada de ar pela boca, foi como se eu estivesse sem respirar por mais tempo do que o possível e o meu pulmão estivesse desesperado por um pouco de oxigênio.
O som do monitor cardíaco que ecoava pelo cômodo era completamente irritante. Eu olhei ao meu redor e vi um médico e dois enfermeiros suspirarem aliviados, o médico tinha um desfibrilador em mãos.
- Ele acordou mesmo. - um dos enfermeiros afirma enquanto todos eles me olhavam como se eu fosse a porra de um animal em um zoológico.
O médico checou os meus sinais vitais, o enfermeiro ficou encarregado de trocar o medicamento que eu estava recebendo na veia e a enfermeira checou os fios ligados à mim para garantir que estava tudo certo.
- Você foi muito forte. - a enfermeira falou com um sorriso. - Não são todos que conseguem sobreviver a uma parada cardíaca, ainda mais na situação em que você se encontrava. - ignorei tudo o que ela tinha falado.
- Tinha uma garota aqui com você quando tudo aconteceu, ela ficou realmente assustada e tenho certeza que vai ficar muito feliz quando souber como você está agora. - o médico falou, ganhando minha atenção por eu saber que a garota era a Any. - Eu vou agora avisar à ela e aos seus irmãos que você está melhor e fora de perigo, e você vai descansar agora.
- Chama ela aqui. - senti minha garganta seca quando falei, o que me fez tossir.
- Vocês terão todo o tempo do mundo depois, mas agora você realmente precisa de um descanso.
- Porra, apenas a deixe entrar. - fui rude.
Eu já conhecia aquele médico assim como conhecia metade da equipe médica daquele hospital, eles sabiam bem do que eu era capaz e sempre acabavam respeitando o que eu falava.
- Eu vou chamá-la. - ele disse por fim.
Ele se retirou do quarto junto com seus enfermeiros. Eu estava me sentindo bem fraco mas era claro que eu não diria isso à eles, queria ficar o menos tempo possível naquela droga de hospital.
Poucos minutos depois a porta foi aberta, Any suspirou aliviada quando olhou para mim e viu que eu estava mesmo acordado. Ela se apressou para vir até mim e eu aproveitei para observá-la melhor, ela tinha uma expressão cansada e seu rosto estava muito inchado, o que denunciava que ela havia chorado muito e também o fato de que suas bochechas ainda estavam úmidas.
Bati no espaço ao meu lado indicando que era para ela se sentar e ela assim o fez, me forcei a levantar a mão para secar suas bochechas e ela fechou os olhos ao sentir meu toque.
- Bebê. - eu chamei quando ela abaixou a cabeça e eu sabia bem que ela estava prestes a chorar de novo. - Bebê, olhe para mim agora. - ela levantou a cabeça devagar, provando o meu ponto quando eu vi seus olhos brilharem por conta das lágrimas contidas.
- Eu senti tanto medo de perder você. - e então ela estava chorando de novo.
- Qual é, você não vai me perder tão fácil assim. Acho que já disse isso. - consegui arrancar um pequeno sorriso dela enquanto suas mãos se apressavam em secar as novas lágrimas das suas bochechas. - Eu te amo, bebê.
Ela foi rápida em se inclinar para pressionar os lábios nos meus, fazendo aquele selinho durar mais tempo do que o habitual. Any se afastou quando eu quis aprofundar aquele beijo.
- Eu também amo você. - segurei a sua mão apoiada em seu colo e ela mesma entrelaçou nossos dedos.
- Sabe, bebê, você já pensou em morar comigo em Nova York? - abri um sorriso sacana e ela ergueu a sobrancelha para mim.
- Por que Nova York?
- Você sabe, eu tenho os meus negócios para administrar melhor agora e tenho minhas alianças para manter, eu tenho que ir para uma cidade que me ajude a crescer no meio e não uma que me leve a falência. - fiz uma careta e ela riu nasalado.
- Então você não vai tentar me afastar de você mais? - ela tinha um sorriso brincando nos lábios.
- Bom, nós temos que resolver algumas coisas envolvendo o seu pai. - falei vago. - Mas meu plano é não te deixar nunca mais.
- Mas o que meu pai tem a ver com isso? - me olhou confusa.
- Esse assunto é meio delicado, nós podemos falar sobre ele em outro momento. - dei de ombros.
Any estava pronta para rebater e perguntar mais sobre aquele assunto mas nos fomos interrompidos pela porta se abrindo, e então os caras entraram no quarto também.
- O médico falou que podia apenas um visitante por vez. - Any resmungou.
- Qual é, até parece que a gente ia conseguir ficar lá fora agoniados sem ver com nossos próprios olhos como esse moleque está. - Ryan falou divertido quando viu que eu estava acordado.
- Você nos deu um baita de um susto. - Chaz comentou.
- O importante é que essa porra acabou. - abri um sorriso vitorioso. - O resto da corja de Josh está morta.
Todos eles pareceram trocar olhares suspeitos enquanto Any e eu não entendemos qual foi.
- Sobre isso... - Chris pigarreou. - Temos um pequeno probleminha.
- Qual foi? - perguntei sério.
- Eu vi quando Henry fugiu do galpão, assim que Andrew foi baleado. - ele revelou, me fazendo bufar. - Eu tentei atirar nele mas ele foi mais rápido.
- Eu não acredito que aquele filho da puta escapou. - esfreguei o rosto com a mão, completamente frustrado.
- E... Victoria acabou morrendo no lugar. - e eu olhei com os olhos ligeiramente arregalados para Chaz. - Ela morreu para salvar a vida da Any.
Engoli em seco com as novas informações.
Henry havia fugido e Victoria estava morta.
Victoria era a porra de uma vadia algumas vezes mas eu não conseguia ficar contente com a sua morte, pelo contrário. Por mais que ela tivesse todos os defeitos dela nós tivemos uma história que nunca poderia ser apagada, isso já era motivo o suficiente para eu ficar mexido em saber que ela já não está mais entre nós.
E Henry... Eu ainda teria que esquentar mais a cabeça para que aquele filho da puta me pagasse com todas as moedas pelo que tinha me feito, pela sua traição. Eu não descansaria até acertar minhas contas com ele.
Fui tirado dos meus pensamentos quando senti a Any apertar minha mão, ela parecia serena apesar de tudo o que nós ouvimos e eu sabia que ela estava tentando manter a calma por nós dois.
- Vocês vão conseguir dar um jeito nisso. - ela falou baixo, muito mais para mim do que para os caras. - A batalha ainda não acabou, não tem como dizer quem venceu ainda.
Olhando para a minha garota agora eu só via que tinha mais um incentivo para ganhar essa batalha, eu precisava mantê-la segura acima de tudo e sabia que isso só seria feito depois que meus principais inimigos estivessem à sete palmos da terra.
Eu podia estar tendo os pensamentos mais maricas do mundo após admitir para cada porra de célula no meu corpo que eu era apaixonado por aquela garota mas eu não dava a mínima. Ela me fazia o mais forte ao mesmo tempo que ela era a minha maior fraqueza, e essa foi a parte mais complicada de entender como esse lance de amor funcionava.
O meu amor iria correr mais perigo agora, eu já imaginava o que teria que enfrentar pela frente. Mas não fazia mal, eu poderia morrer mas eu morreria amando.
E ela estava certa.
A batalha ainda não tinha acabado.
F. I. M
LEIAM Possession e lost soul
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