Capítulo I - Pagina 1 -

Só sei que dia 18 de outubro 1896, foi um dia que ficou marcado na memoria das pessoas, o dia em que Eva uma jovem morena de cabelos lisos e escuros como a noite, mãos pequenas com alguns calos por causa dos trabalhos manuais, seu sorriso perfeitamente branco enquanto o sol batia em seu rosto, nunca esquecerei, Eva morreu naquele fatídico dia, morta em sua própria casa, seu lar deveria ser sua proteção contra as maldades do mundo, porem não foi o caso de Eva.

Lembro-me do enterro no dia seguinte, o qual foi muito chuvoso, onde mulheres que nunca vi na vida choravam rios de lagrimas por alguns trocados, e outras diziam sempre a mesma frase.

Ela era tão linda, tão jovem.

Sempre falavam de como Eva era por fora, bela e jovem, mas ninguém, nem mesmo seu pai, o que cheirava a cachaça usava um terno com um furo no ombro esquerdo, e tinha a barba mal feita, olhos avermelhados, estava triste, mas continuava o mesmo, sempre fedido, mal vestido, e bêbado, não falara do quanto Eva era esperta, eu conhecia Eva como a palma de minha mão esbranquiçada, sabia que ela odiava Curry, e que amava ensopados, principalmente os de legumes, os legumes que ela mesma plantará, colhera, cortara, assara, e devorava com gratidão. Sabia que ela estudava espanhol e português nos dias ensolarados em sua varanda branca, seu amor pela sua horta, seus medos, arrependimentos, segredos, cores favoritas as quais por acaso eram laranja e bege, entendia sua linguagem de sinais secretos, os quais eu ajudei a criar, e por ultimo, sabia que Eva me considerava sua melhor amiga, e eu a considerava minha única e melhor amiga que poderia ter em toda essa vida monótona.

Não posso deixar de dizer que nunca senti que Eva tinha morrido, para mim, ela apenas foi para um lugar muito longe junto com sua mãe, mesmo Eva não sendo da mesma religião que a minha, eu não ligava, eu acreditava fortemente que ela tinha ido para um lugar melhor junto com sua doce mãe.

Com carinho: Laura.B.Pinto

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