1• REINO EM CHAMAS
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"Steve caminha cautelosamente descendo a rua
Com seu brim caido de lado
Não há barulho, apenas o barulho de seus passos
As metralhadoras estão prontas para atirar
Você está pronto, hei está pronto para isso?
Você está bem preso no seu assento?
Do outro lado da porta as balas rasgam
O som da pulsação"
-Another one bites the dust, Queen
Abro meus olhos com um pouco de dificuldade, minha visão está embaçada. Olho para o céu enquanto ainda estou deitada. Não sei onde estou nem o que estou fazendo, vejo linhas vermelhas passando por todos os lados, isso com certeza não são estrelas cadentes e também muita fumaça. Não ouço nada além de um zumbido extremamente irritante no meu ouvido esquerdo. Tento me sentar para ver onde estou e sinto uma dor profunda na cabeça que me deixa tonta por uns minutos, esfrego a têmpora com as mãos para aliviar a dor. Mas céus, o que estou fazendo aqui? O que aconteceu comigo, por que estou caída no meio da rua?
Apenas o fato de tentar pensar faz com que minha cabeça doía ainda mais. Tento focar no que estou vendo ainda com um pouco de dificuldade, vejo pessoas correndo pelas ruas, levando seus filhos e tudo o que conseguem carregar. Parece que estão fugindo de algo, mas o que?
Sinto alguma coisa quente escorrendo pelo meu pescoço, passo a mão na cabeça e vejo que está sangrando, e não é pouco, bom agora pelo menos sei de onde vem essa dor terrível. Me levanto com um pouco de dificuldade, sinto dor por todo meu corpo parece que fui atropelada por um trem.
Olho para o outro lado da rua e vejo duas crianças sentadas no chão na beira da calçada chorando, uma delas segura um urso de pelúcia, a outra está tentando acalmar o que parece ser sua irmã. De repente tudo vem à tona na minha cabeça, as lembranças, flashes dos recentes acontecimentos. Me lembro de estar sentada a mesa de jantar com nossos convidados, com a família Leastein que seria nossa aliada, com meu futuro marido. E então tudo isso aconteceu, uma explosão e do nada alguns dos guardas entram na sala de jantar atirando contra nós sem piedade alguma. Cuspo no chão ao pensar neles.
- TRAIDORES! MEU PAI CONFIOU EM VOCÊS! TODOS NÓS CONFIAMOS!
Falo para ninguém em específico, todos estão ocupados demais assassinando os moradores do reino, do meu reino. Estão matando pessoas inocentes, a troco de que? Mil besantes e um novo rei réprobo.
Lágrimas começam a escorrer ao me lembrar da matança que vi bem na minha frente, das pessoas que eu amava. Meus pais, minha irmã, meus dois irmãos, eles eram tão novos, tinham acabado de completar 5 anos. Todos eles mortos na minha frente e eu não pude fazer nada para defendê-los, ou me defender. A família real que seria nossa aliada, eu não os conhecia muito bem, mas ainda sim sinto por eles, o que era para ser uma noite de festa e alegria se tornou uma noite de dor e sofrimento.
Tive sorte de conseguir escapar, como eles entraram atirando, levei um na perna e caí no chão, não foram conferir se estavam todos realmente mortos. Se é que posso chamar isso de sorte. Assim que foram embora pulei a janela, daí a sensação de ter sido atropelada por um trem, e corri até chegar aqui quando houve outra explosão e algo me acertou.
#
Antes
16 de dezembro de 2100
- Dizem que essa vai ser a noite mais fria do ano! Mal posso esperar pela neve. Nossa querida filha vai nascer na melhor época do ano, o Natal, a neve, chocolate quente, presentes, amo amo amo!
- Nossa querida! Você está mesmo animada esse ano.
Will fala enquanto se enfia debaixo de várias camadas de coberta, nem parece que morou aqui no palácio a vida inteira, a essa altura já devia ter se acostumado com o frio que faz nesse lugar.
- E por que não estaria? Faltam apenas alguns dias para a nossa primeira filha nascer.
- Falando nisso, já escolheu o nome dela? Até semana passada tínhamos uma lista enorme.
- Sim! Já ia te contar. Vai ser Audrey. Significa força nobre, e é o que a nossa menininha vai ser, forte, aquela que vai um dia liderar esse reino, vai ser uma rainha e tanto. - Digo olhando para minha barriga.
- Eu gostei! Audrey. Futura rainha de Tetundhra! Mas agora vamos dormir está tarde e muito frio.
Ele diz levantando as várias cobertas para que eu fique ao seu lado.
Deito ao lado de William, me acomodo para dormir, o que é um tanto difícil com essa barriga enorme. Assim que fecho os olhos sinto uma pontada. Deixo para lá não deve ser nada. Alguns instantes depois sinto outra mais forte que a primeira. Certo 2 vezes já não é coincidência. Sinto mais pontadas.
- Will! Acho que Audrey já quer nascer!
- Agora? - Ele diz levantando tão rápido que tropeça e cai no chão.
- Agora! - Digo rindo entre as dores.
26 de maio de 2105
- Filha vem conhecer sua irmãzinha. - Digo para a pequena Audrey que está um pouco quieta demais.
- Qual o nome dela?
Audrey chega mais perto.
- Grace.
- Que lindo mamãe! Ela é muito fofa, vou cuidar dela pra sempre.
- Vocês serão ótimas amigas. - Will diz dando um sorriso a Audrey.
15 de julho de 2113
- Mamãe viemos ver nossos irmãos. - Audrey chega de mãos dadas com Grace.
- Apresento a vocês, Charles e Louis.
- Olha Grace como eles são fofos, tem cara de que vão ser uns pestinhas. - Ela solta uma risada espontânea.
- Ah como se vocês duas não fossem! - Will fala em tom de brincadeira.
- Mas mamãe, esses são os últimos não é? Se não vão ser muitos irmãos para eu proteger!
- AUDREY! - Não me contenho e caio na risada. - Só você mesmo para dizer uma coisa dessas.
27 de agosto de 2118
Então hoje é o grande dia. O dia em que vou conhecer meu futuro marido. Não que eu precise dele ou algo assim, será apenas uma aliança para fortalecer nosso reino. Não é com ele que estou animada, mas com o fato de que vou me tornar Rainha daqui a alguns meses, assim que fizer 18 anos. Sinto que estou realmente pronta, porque eu literalmente nasci pra isso e depois de tantos anos tendo aulas sobre como liderar e sobre estratégias de combate mesmo nunca tendo usado, acho que a única coisa que me falta é estar sentada no trono com uma linda coroa e um kirtle perfeito. Só acho estranho o fato de não terem me ensinado a lutar, já que aprendi as táticas achei que também precisaria da prática física, para ter o pacote completo, afinal tenho que ser uma rainha perfeita assim como todos os meus antepassados, está no meu sangue, mas mesmo eu tendo pedido muitas vezes meu pai sempre dizia a mesma coisa " Pra que aprender a lutar, nosso reino é uma paz, e você é uma dama". Uma Dama nem tanto Pai.
Vou buscar minha Dama de Companhia para ajudar a me arrumar para o jantar. Já que é especial tenho que fazer direito.
- Camilla! Que bom te encontrar aqui, preciso da sua ajuda. - Pego ela pela mão e a arrastei até meu quarto.
- Do que você precisa Addy?
- Quero estar deslumbrante! Nada menos que isso.
- Claro vossa majestade! - Ela diz fazendo uma reverência e nós duas rimos.
- Que bom que não precisamos mais desse diálogo formal de antigamente, sério, brega.
- Então o que vai ser para hoje? Um lindo kirtle rosa envolto com tule, marcado na cintura com o comprimento até os pés? - Ela diz vasculhando meu armário.
- Hum... Acho que não, parece menininha demais, quero algo mais elegante e que me faça parecer intelectual para esta noite.
- Que tal esse conjunto? Uma calça de linho preta com detalhes de brilho dourado nas costuras, e uma blusa social branca com decote em V toda rendada nas costas?
- Perfeito. - Digo levantando num pulo e indo me vestir.
- Sabe Audrey, sentirei falta de ser sua Dama de Companhia. Sei que você terá de escolher outras mais experientes.
- Cami, vou ser a Rainha. Sou eu quem vai mandar em tudo isso. É claro que você vai continuar comigo. - Digo terminando de me vestir.
Saio e dou uma voltinha para ela admirar seu trabalho.
- Ficou linda! Com um ar mais maduro. Agora vamos para o cabelo e maquiagem. - Cami gesticula para que eu me sente em frente ao espelho.
- Certo. Quero que deixe ele solto e enrole as pontas e depois prenda apenas uma parte com aquele grampo de borboleta que ganhei da minha mãe.
- Ok. Vai ficar ótimo.
- A maquiagem você pode deixar bem simples, apenas uma base para deixar a pele mais bonita e um pouco de blush para eu não ficar parecendo um fantasma.
- Terminei! E você não está nada menos que deslumbrante.
- Cami, eu já disse que te amo? Porque não sei o que faria sem você. Obrigada! Bom agora tenho que ir pois já devo estar atrasada.
- Na verdade não está. A família Leastein ainda não chegou, eles avisaram que iriam se atrasar.
- Sério? - Pego meu celular para olhar as mensagens. - Não recebi nada.
- Que estranho! Mas pode ir, assim aproveita para escolher o melhor lugar na mesa. Indico o lado direito na ponta, perto da cozinha, a comida chega primeiro.
- Gostei da ideia! Então vou indo.
Saio do quarto e virei no corredor a direita, vou em direção ao elevador mas vejo que está quebrado, então mudo o caminho para a escada.
Começo a descer e céus quantos malditos degraus tem essa escada? É difícil descer com esses saltos finos. Olho pelas grandes janelas em frente a escadaria e vejo o entardecer, o sol se pondo no horizonte atingir um tom de laranja avermelhado e as nuvens ficam rosa claro parecendo algodão doce, nunca me canso dessa vista maravilhosa do meu reino, sempre que a vejo paro para ficar admirando sua beleza, uma das minhas coisas favoritas é olhar para o pôr do sol, cada dia em uma cor diferente, quando o sinto sobre minha pele parece recarregar minhas energias levando embora tudo que havia de ruim.
Assim que chego ao salão principal percebo uma movimentação constante e estranha entre os guardas.
- Ei Soldado Duncan! O que está acontecendo por aqui? Por que essa movimentação toda?
- Não é nada, senhorita. Não se preocupe. - Ele oferece um sorriso forçado.
- Tudo bem, então vou para a sala de jantar, sabe se meus pais já estão lá?
- Estão sim, foram os primeiros a chegar. Seus irmãos também estão lá.
- Certo, obrigada. - Saio rapidamente e vou para a sala de jantar.
Vejo que já estão todos lá acomodados, com exceção da família Leastein. Vou me sentar no local indicado pela Camilla, Grace teve a mesma ideia pois está lá perto.
- Oi. Você está linda! - Grace diz me olhando de cima a baixo.
- Obrigada. Você também está linda.
Assim que me sento alguém vem anunciar que a Família Real tinha chegado.
Cada um toma seu lugar. Meu pai nos apresenta a eles e diz para servirem o jantar. Ótimo, só agora percebi o quanto estou morrendo de fome. Sinto um aroma maravilhoso vindo das bandejas que começam a trazer e colocar sobre a mesa. Coloco um pouco de cada coisa no meu prato e devoro tudo tão rápido que mal presto atenção na conversa. Estou tão absorta com essas delícias que mal ouço meu nome.
- ... não é mesmo Audrey? - Papai fala olhando para mim.
- Descu...
Não consigo terminar de falar, pois acontece uma explosão, e no momento seguinte os guardas entram correndo pela porta e começam a atirar contra nós, não entendo, esses são nossos soldados, porque estão fazendo isso?
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(Imagem feita por mim)
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