Capítulo 3
☆Tristan☆
Tinha sido um inferno de difícil se esgueirar pela floresta sem serem vistos pelos lacaios de Dreicon. Aquele filho da puta havia espalhado muitos deles pelo território para tentar encontrar a localização dos rebeldes e refugiados que se escondiam em lugares secretos fugindo de seu domínio tirano após ele ter matado o metamorfo alpha e tentado usurpar o trono para si a dezessete anos atrás.
Muitos foram mortos lutando contra seus lacaios para tentar impedi-lo, mas não foram páreos para ele sem o alpha para os comandar. Os que não morreram lutando, ou fugiram para as montanhas formando pequenos grupos da resistência, ou foram presos nas masmorras espalhadas pelo clã.
- Ainda não acredito que estou fazendo isso. - Mailos resmungou.
- Não estou te obrigando a nada. Você pode voltar quando quiser. - Tristan rosnou.
- Até parece que vou deixar você sozinho. - bufou.
- Então pare de reclamar e ande - Revirou os olhos.
- Foda-se, eu estou no meu direito! - Mailos protestou.
- Verdade. - Sorriu divertido para o mau humor de seu irmão.
Alguns minutos depois, Tristan parou em frente a uma casa.
- Chegamos! - Anunciou satisfeito abrindo a porta da casa.
- Que lugar é esse? - Mailos perguntou.
- Minha casa no mundo humano. - Sorriu.
- E desde quando você tem uma? - arqueou uma sobrancelha curioso para ele.
- Desde sempre - deu de ombros.
- Você comprou quando Dreicon trouxe Jhuly para cá, não foi? - Mailos perguntou retórico porque já sabia a resposta, mas Tristan respondeu mesmo assim;
- Sim, eu queria ficar perto dela.
- Bom, mais alguma coisa que você não me contou e que eu precise saber?
Tristan êxitou, mas enfim falou; - Amanhã vou fazer nossa matrícula no colégio dela.
- O que? Não, nem pensar!
- Por favor Mailos, é o único jeito que consigo pensar de me aproximar dela. Você mesmo disse que provavelmente ela nem lembra de mim, então eu tenho que tentar uma abordagem mais suave em vez de apenas chegar nela e contar tudo.
Mailos amaldiçoou. - Está bem, mas você fica me devendo uma.
- Acho justo.
Os dois entraram, e Tristan fechou a porta atrás deles. Fazia muito tempo desde que esteve ali pela última vez. Jhuly tinha apenas sete anos quando Mirian á levou com ela para longe de Dreicon, e ninguém sabia para onde. Foi a última vez que a viu e a última vez que esteve na casa, que havia adquirido quando descobriu para onde ele tinha levado sua Jhuly depois de matar seu pai - o alpha - e sequestra-la.
Tristan planejava resgata-la dele, mas quando viu o amor com que Mirian cuidava dela, resolveu deixar que Jhuly conhecesse o amor de uma mãe, pois ele não poderia dar isso a ela. Mas ele permaneceu por perto, sempre cuidando e protegendo sua pequena de qualquer perigo, até o dia que Mirian fugiu a levando com ela, Tristan nunca mais a viu desde então. Ele procurou por ela, muito, mas não conseguiu as achar.
- Pensando nela? - Mailos interrompeu seus pensamentos.
- Sim. - admitiu.
- Pobre bastardo, ainda bem que eu não sou você. - riu.
- Foda-se Mailos. Eu vou ir ve-la. - foi o único aviso que deu antes de virar-se e sair.
Ouviu seu irmão praguejar enquanto se afastava pela rua até o fim do quarteirão onde ficava a casa de Jhuly.
Já era tarde da noite, não havia ninguém na rua aquela hora, então foi fácil pular o muro da casa dela sem ser visto.
Uma luz no segundo andar se ascendeu, Tristan olhou naquela direção e começou a andar até lá após notar que havia uma árvore logo abaixo da janela de onde a luz se irradiava. Poderia usar a árvore para descobrir se era o quarto de Jhuly ou não.
Ao olhar para cima novamente enquanto andava pisou em um galho seco que quebrou-se sob seus pés, amaldiçoou baixinho pelo vacilo, mas continuou a andar, dessa vez prestando mais atenção por onde pisava.
Estava quase chegando a árvore quando ouviu uma vóz masculina atrás dele chamar por um nome que ele conhecia muito bem...
- Jhuly!?
Tristan virou-se para descobrir que Jhuly estava logo atrás dele. Apenas alguns passos separavam-os. Mas logo atrás dela vinha um macho desconhecido para Tristan.
Jhuly virou a cabeça para encarar o estranho. Foi a deixa que Tristan precisava para se mecher, ele tinha que sair dali. Se fosse apenas Jhuly ele teria ficado, mas ela não estava sozinha, eles poderiam pensar que ele estava ali para roubar.
Tristan começou a correr em direção ao muro tão silenciosamente quanto a noite.
- Droga! - ouviu Jhuly reclamar antes de pular o muro em um único salto.
Um sorriso curvou seus lábios pela habilidade de se esconder dela. Ela havia se aproximado dele tão silenciosamente que o teria pego de surpresa se não fosse o outro macho. Tristan aprendeu duas coisas naquela noite; que não devia subestimar sua Jhuly, eque sim, aquele era o quarto dela.
Não demorou dois minutos para chegar em sua própria casa, ele gostava do fato de estar próximo a Jhuly mesmo que separados.
Ele esteve tão próximo dela que queria toca-la, queria que ela falasse apenas para ouvir sua voz. Mas aquele macho estragou tudo aparecendo lá.
Frustração era um sentimento que Tristan conhecia bem.
Pensando melhor, de certa forma foi bom o garoto ter aparecido, Tristan duvidava que pudesse manter as mãos longe de Jhuly se a tivesse tão perto de si.
- E então, conseguiu o que queria? - Mailos o assustou com a pergunta quando entrou no quarto de hóspedes verifica-lo.
- Droga, Mailos! Não me assuste assim falando derrepente. Achei que você estivesse dormindo.
- Parece que conseguiu, já que está tão distraído. Se você estivesse concentrado teria ouvido minha respiração e saberia que eu só estava deitado.
Merda, seu irmão estava certo, ele estava distraído. Jhuly fazia coisas com ele mesmo sem o tocar. Tristan estava em um inferno de situação, admitiu mentalmente.
- Eu a vi, é tudo o que importa.
- Você falou com ela? - seu irmão parecia surpreso.
- Não. Mas eu a vi quando ela quase me pegou bisbilhotando seu quintal.
- Que diabos?
- É eu sei. - Ele sorriu. - Eu subestimei a minha pequena, isso só confirma filha de quem ela é.
- Droga, Tristan, isso não é engraçado. Você sabe em que inferno de situação estaria se ela tivesse chamado a polícia achando que você era um bandido?
- Mas ela não chamou, Mailos. Ela é corajosa e quase me pegou no flagra por sua habilidade em camuflagem. Droga, eu já vi um guardião treinado com menos talento de passar despercebido do que ela.
- A inferno, você está babando por ela.
- Foda-se, vá dormir Mailos. Seu mal humor está me irritando.
- Só estou tentando ser sensato. - bufou.
- Eu sei, mas isso não vai funcionar. Não vou me afastar dela. Boa noite, irmão. - saiu do quarto de hóspedes e se encaminhou direto para o chuveiro, ele precisava de uma ducha.
- As lembranças de Jhuly eram vividas em sua mente enquanto tomava banho e ainda persistiam após o final dele, quando se dirigiu para seu quarto para deitar-se na cama. Seus lindos cabelos ruivos haviam crescido mais desde que a vira pela última vez, ela também ganhou mais curvas... Só a lembrança fez seu pau pulsar em uma ereção sob os lençóis, mas Tristan ignorou o senhor alegrinho forçando-se a limpar a mente em uma tentativa falha de conseguir dormir um pouco. Mas seu pau recusava-se ser ignorado e o teto acima de sua cabeça não fazia muito para servir de distração.
- Vai ser uma longa noite. - suspirou.
***
Tristan acordou com o barulho de alguém xingando. Sol inundava todo o quarto vindo da janela ao lado da cama, fez uma nota mental de comprar cortinas para ela. Olhando para fora viu que o dia estava alto, devia ser por volta das 8:30 hrs. Em algum momento pegou deve ter pegado no sono durante a noite, e dormido além da conta vencido pelo cansaço.
- Merda! - ouviu alguém praguejou, provavelmente Mailos.
Tristan saiu do quarto e após usar o banheiro para sua higiene matinal seguiu os sons na casa até a cozinha, onde estava Mailos tentando fazer o café da manhã. A visão o divertiu, pois seu irmão nunca foi bom na cozinha.
- Fico feliz em não encontrar minha cozinha em chamas. - Sorriu divertido.
Mailos rosnou. - Pare com suas gracinhas e venha me ajudar aqui, ou vamos ter carvão de ovos no café da manhã ao invés de ovos mexidos. Já queimei todos os meus dedos nesse monstro que você chama de fogão. Eu curo rápido, mas isso não significa que isso não dói pra caralho.
- De o fora daí, eu assumo daqui. Vou tentar salvar nosso café da manhã. - diversão ainda crescia dentro dele.
- Não enche. Mas então, ainda está com a ideia maluca de nos matricular?
- Sim, eu preciso me aproximar dela.
- Não gosto da ideia de estudar novamente, mas posso ter algumas vantagens nisso. - Sorriu.
- Estou curioso para saber quais.
- Mulheres irmão, há muitas no colégio. - piscou.
- Eu só quero Jhuly. - Tristan falou sincero desligando o fogo.
- Eu sei, e issosignifica que haverá mais para mim. - Sorriu de canto.
- Você não presta. - Tristan devolveu o sorriso.
- Nunca disse que prestava. - piscou novamente enquanto se levantava para pegar os pratos e talheres no armário lateral.
Não demorou muito para tomarem café e vestirem-se para sair, eles precisavam fazer a matrícula no colégio de Jhuly, seria a porra de um tédio estudar, mas pelo menos ele estaria perto dela.
Já era por volta das 10: 30 hrs quando chegaram ao colégio.
Demorou mais do que ele planejava fazer a matrícula desde que a diretora estava desconfiada e fazendo muitas perguntas, mas Tristan era bom na mentira e a mulher comprou sua história no final. Ele havia dito que seus pais morreram antes de ele e Mailos terminarem o último ano, é por causa disso passaram a morar com seus tios em uma outra cidade, tendo que trabalhar para ajudar a pagar as despesas extras, não podendo assim concluir os estudos. Então após ele completar a maioridade eles mudaram- se para lá com Mailos sobre sua guarda. Ao se estabilizarem na cidade resolveram completar o último ano .
- Eu compraria essa história se não soubesse a verdade. - Mailos riu quando saíram da sala.
- Eu também. - riu junto com seu irmão.
- Eu sempre me surpreendo com suas histórias malucas, não sei de onde você as tira.
- Talento, Mailos, puro talento. - riu.
Mailos bufou. - Talento para Pinóquio? Dispenso.
- É melhor do que eu ter usado o controle mental nela, e se ela tivesse uma mente forte? Não podíamos correr o risco de sermos descobertos. - deu de ombros.
- Olhando por esse lado, você tem razão.
- Eu sempre tenho. - piscou.
- Não tem não, eu sou o racional aqui, lembra? Você é o impulsivo e agressivo.
Antes que Tristan pudesse responder a seu irmão o sinal tocou. Virando a cabeça viu os alunos de todos os tamanhos e idades começarem a sair para a rua, mas sua atenção fixou-se na garota de incríveis cabelos de fogo que acabara de passar pela porta. Seu corpo recusou-se a continuar andando a menos que fosse para ir na direção dela.
- Oh merda. É ela, não é? - Mailos falou a seu lado, mas Tristan não encontrou sua voz para responder então apenas assentiu para ele.
Sentimentos conflitantes tomavam conta de Tristan, seus instintos diziam para ir até ela e reclama-la para si, contar toda a verdade a ela e depois fode-la até que ela não duvidasse que pertencia a ele, assim como ele pertencia a ela.
Mas ao mesmo tempo a razão dizia para ir com calma, que toda a verdade dita a ela de uma só vez poderia traumatiza-la, ou fazer com que ela achasse que ele era louco. E o pior é que ele não poderia culpa-la se isso acontecesse, ela não tinha culpa de ser criada entre humanos e desprovida da verdade de sua natureza metamorfa.
- Maldito, Dreicon! - Silvou entre dentes.
- Calma, Tristan! Escute a razão cara, você não pode perder a cabeça, lembra da abordagem suave?
Tristan rosnou. - Eu sei, Mailos, mas nesse momento eu estou em um inferno aqui. Um lado diz que eu devo ir com calma, porque vai ser o melhor a se fazer por ela. Mas o outro quer correr até ela, joga-la sobre os ombros, leva-la para minha casa e reclama-la como minha. Está levando cada maldita gota do meu alto controle ficar aqui parado.
- Eu vejo, parece que você está pronto para voar no pescoço de alguém de tão tenso que está.
Nesse momento o macho da noite anterior antecipou Jhuly parando em sua frente começando a conversarcom ela. Ciúmes queimou imediatamente dentro de Tristan, quem era aquele macho que ousava se aproximar de sua Jhuly? Um rosnado baixo escapou de sua boca entre aberta.
- Talvez eu esteja. - Falou começando a andar na direção deles que ainda continuavam a conversar. Uma mão forte o segurou pelo braço, Tristan grunhiu sua raiva pela intromissão de seu irmão.
- Solte-me, Mailos. - ordenou.
- Para você fazer a besteira de ir até lá e bater no humano? Não mesmo! Você já parou para pensar nas consequências? Você poderia mata-lo com um único golpe. E se não for como você está pensando? E se ele for um amigo dela, ou um parente de Mirian? Ela te odiaria por você mata-lo. - Mailos rosnou as palavras, baixo o suficiente para apenas ele ouvir enquanto estudantes começaram a passar por eles.
- Se ele tocar nela de forma errada, eu vou mata-lo. - jurou.
- Eu não dúvido. - Mailos confessou.
Tristan viu quando o macho começou a andar e Jhuly o seguiu. Eles estavam indo na direção contrária à casa de Jhuly. Suspeita bateu rápido. Onde ele à estaria levando? E para fazer o que? Isso ele iria descobrir. Se suas suspeitas estivessem certas, apenas Jhuly voltaria daquele passeio. Ele mataria o humano se tocasse no que era seu. Ouviu Mailos praguejar enquanto o seguia, seu irmão não entendia que seus instintos com relação a Jhuly não podiam ser controlados, ele só entenderia quando encontrasse sua verdadeira companheira também.
Tristan seguiu-os de uma distancia segura, para que não fosse descoberto, Mailos estava bem ao seu lado, tão silencioso quanto ele próprio.
Após um tempo viu-os parar em uma clareira gramada na floresta, e também parou, observando-os a uma certa distância.
Jhuly aproximou-se de um riacho que corria límpido e entrou nele molhando os pés e o humano a seguiu, Tristan viu ele dizer alguma coisa para Jhuly enquanto ela adentrava ainda mais no rio, e no mesmo instante seus pés vacilaram, provavelmente por escorregar em alguma pedra lisa ou por dar um passo em falso, estava para cair de costas na água, Tristan tentou correr até ela mas Mailos o segurou pelo braço, sacudindo a cabeça em negação quando olhou para ele.
Voltando sua atenção para Jhuly, viu que o humano a segurava nos braços e que a havia virado para encara-lo. Eles começaram a conversar novamente, mas o barulho da água impedia que Tristan pudesse ouvir o que era dito e isso o irritou. O humano então teve a ousadia de aproximar-se ainda mais de sua Jhuly. Mailos o segurou com mais força, provavelmente porque sabia que ele estava prestes a perder o controle, pular sobre o humano e o jogar para longe de sua mulher.
Mailos virou Tristan para o encara-lo já imaginando o que ia acontecer a seguir.
- Você precisa manter a maldita calma. - rosnou Mailos sussurrante.
- A calma que vá para o inferno, assim como o humano depois que eu acabar com ele. - rosnou baixo de volta virando-se novamente para ver Jhuly.
A cena que viu a sua frente o chocou e o enfureceu ao extremo ao mesmo tempo. O humano não era humano, era um de seu povo, um metamorfo; e estava se alimentando da energia de Jhuly enquanto a beijava.
Tristan não conteve o rosnado feroz que escapou de sua boca, humano ou metamorfo não ia fazer diferença nenhuma para um cadáver.
Estava indo para estraçalhar o macho que havia posto as mãos sujas sobre Jhuly quando algo bateu forte e rápido em sua nuca, e a escuridão o tomou por completo o envolvendo em suas garras aprisionadoras.
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Oii amores 😘❤
Então, o que estão achando do livro até aqui? Gostando? Não? Me contem! Estou curiosa hehe
Não se esqueçam de deixar sua estrelinha para enfeitar meu céu se gostou do capítulo 😉❤
Amo vocês, até o próximo capítulo 😍👏❤
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