3.1

Diário de escrita

20/03

Comecei a escrever algumas ideias na casa e depois que as meninas foram embora, mas esse última simplesmente sumiu da minha cabeça quando minha mãe me chamou na cozinha.

No geral, tenho mais coisas que tinha antes, porque antes só tinha ideias bastante genéricas e confusas. Agora sim elas parecem histórias.

Ainda não tenho nada concreto porque são ideias demais e preciso escolher, organizar, criar. Amanhã vou pensar mais assim que terminar as coisas das aulas.

21/03

As ideias que anotei estão ali, mas não estão me dizendo mais nada. Não consigo desenvolver nenhuma delas. São plots sem personagens e personagens sem plots.

Essa noite sonhei com a casa de Fernanda. Não sei se isso tem a ver com meu processo de escrita, mas achei que devia colocar aqui porque algumas dessas ideias estavam no sonho. Parece que tentei trabalhar nelas enquanto dormia, mas nada aconteceu também. Eu as via ali, como se fossem matéria, como se fossem alguém, daquele jeito subjetivo dos sonhos, mas elas não se moviam, não tinham história, não tinham futuro. Me olhavam e só. Eu estava na sala, elas me olhando. Éramos a casa e eu, as ideias como enfeites.

Tive uma leve paralisia do sono no meio da noite, demorei a voltar a dormir depois que conseguir acordar de fato, dormi o resto da noite mal. Estou cansada, então demorei a fazer as coisas do trabalho, gastei o restante da minha energia pensando nas ideias e nada veio.

22/03

Elas continuam me olhando e não dizendo nada. Outra vez sonhei com a casa. Dessa vez andei por ela, explorei. E as ideias ali, paradas, me olhando, caladas. Ainda pareceu como se internamente elas rissem de mim, da minha busca boba e sem saber exatamente como procurar. Dessa vez senti coisas físicas no sonho também. Senti frio, arrepios. A paralisia no meio da noite foi mais longa, demorei a acordar. Acordei mais cansada que ontem, ou seja, não escrevi nada. As ideias continuam ali no caderno, me olhando e não dizendo nada. 

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