21 - As três Marias

Às vezes eu me sentava lá fora à noite

pra olhar as estrelas e tentar saber

qual era qual, que já tinham me contado

Mas às vezes tinha outra Cruzeiro do sul

do lado da Cruzeiro do Sul

E eu nunca achava quais eram mesmo

as Três Marias

Danadas estrelas

Danadas constelações

Danado o que elas me diziam

Felícia



Quarta-feira, 15 de abril

Luiza mandou uma mensagem para ver se Julieta podia encontrá-la mais cedo naquela quarta-feira, antes do clube. Tinham conversado um pouco no domingo, mas nada muito longo, nenhuma pergunta específica. Elas não tinham lembranças completas do que aconteceu depois que saíram de dentro da casa, só flashes e sensações. Então ficaram com medo de perguntar e reviver essas sensações da outra, porque ainda estavam frescas demais.

Luiza fugiu das perguntas da mãe sobre porque estava tão estranha. Ignorou o sermão sobre conhecer pessoas estranhas e ficar estranha e sobre beber e usar drogas, como indireta. O domingo foi um inferno mesmo sem se lembrar exatamente do inferno que foi a madrugada anterior. Pensou muito também em porque Fernanda a tratou daquele jeito, porque ainda acreditava que era ela.

Julieta tentou fugir dos próprios questionamentos, porque geralmente ficava trancada no quarto mesmo, convivendo pouco com os pais. Se já não sabia quem era Capuleto, agora tinha dúvidas se ela só queria mesmo impedi-la de dormir bem. Não sabia também o que realmente tinha ouvido de pessoas, de si mesma, dos pais, ou o que foi a casa que lhe disse. Não sabia se passou a noite acordada ouvindo ou se dormindo sonhando com os flashes de memória.

As duas se encontraram nas mesinhas de estudo fora da biblioteca. Estavam previamente tensas de se encontrar e falar sobre sábado, tudo mais alimentado por um copo de café. Esse foi o quebra-gelo da conversa: as duas chegaram com um copo de café na mesinha. Conversaram sobre o segundo café que bebiam ao chegar na faculdade, depois de já beber em casa, e os efeitos que tinha, algumas coisas mais aleatórias, tipo como ia a leitura de Julieta do livro do clube e as atividades de Luiza no clube de escrita — sempre dando rodeios sobre o assunto "casa velha", ainda que esse fosse o tema de Luiza para o último clube.

Mas não fugiriam dele para sempre.

— Você lembra de alguma coisa... concreta? — Perguntou Luiza quando tomou coragem, batucando os dedos na perna.

Julieta pensou mais um pouco no que estava pensando desde aquele dia: que antes de tudo começar, elas viram Capuleto juntas e a viram sumir do nada juntas. Elas sabiam o que ela era. Então contou que ouviu vozes lhe dizendo coisas que a machucavam e só ela sabia que sentia, porque eram coisas que não contava para ninguém, e Luiza confirmou que com ela foi o mesmo. Depois, descobriram que estavam na sala ao mesmo tempo durante o resto da noite, mas não viam nem ouviam uma à outra.

Julieta até se sentiu um pouco mais aliviada por não estar sozinha nessa e contou que surtou ao ver Luiza e Fernanda muito próximas, como se estivessem a deixando de lado, por ciúmes, mas claro, multiplicado pela influência do que quer que as estivesse influenciando. Então Luiza contou como Fernanda mudou e foi grossa com ela, tudo bem diferente do que Julieta viu. Por mais que Julieta estivesse apoiando Luiza nesse momento, era só o que Luiza via, porque a Julieta de verdade não estava ali.

Elas chegaram à conclusão de que viram coisas que não aconteceram, que sentiram coisas que não deveriam, que foram influenciadas sentimentalmente pela casa ou por Capuleto, que deveria ser um espírito que influencia, mas não possui o corpo de ninguém.

— Acho assim menos ruim. Se ela foi grossa comigo influenciada, imagina possuída... — Luiza comentou olhando o nada, com o pensamento querendo ficar distante, se lembrando, sentindo. Chateada. No fundo aquilo a magoou mais que ouvir a noite toda as pessoas burlando do seu nome. De certa forma, foi tudo o que ouviu a vida inteira. Já Fernanda ela não conhecia a vida inteira.

Julieta a observou.

— Se você a viu sendo grossa com você sobre ser grudenta... então... — concluiu — Você... gosta dela?

Luiza encarou Julieta por um momento. Ainda não queria admitir totalmente para si mesma, principalmente porque, a princípio, gostava de alguém que não gostava dela. Mas no fim respondeu, já que estavam sendo sinceras e ela queria conversar sobre aquilo. Era tudo o que ela queria falar, mais do que uma casa assombrada: Fernanda.

— Acho... que sim.

— Acha?

— Eu to confusa. Nunca gostei de garotas.

— Ah. Entendi. Mas se tá sentindo, então deve ser real. Isso não faz menos real. A maior probabilidade é de você só gostar de homem porque a sociedade diz que você tem que gostar só de homem. Heterossexualidade compulsória.

— Mas se eu sempre me apaixonei por garotos e podia gostar de garotas, porque isso só veio acontecer agora, essa altura de idade?

— É difícil explicar. É como... sei lá. Olha, não sou de botânica pra dizer que a comparação é exata, mas às vezes eu penso em solo fértil. Existe um solo fértil onde é mais fácil de certa planta crescer. A sociedade é fértil sobre mulher gostar de homem e homem gostar de mulher. Mas isso não quer dizer que outra planta não pode crescer nesse solo, sabe? Ela só vai demorar mais, precisar de algo mais. Esse algo mais pra você foi encontrar uma garota que mexeu tanto com você que nenhuma barreira compulsória conseguiu barrar.

— Acho que entendi.

— Os românticos podem dizer que ela era seu destino, seu amor, por quem você tava esperando. E ela podia ser um homem, ou você podia gostar de garotas antes, mas nada tão forte quanto gosta dela, sabe?

— Sei.

— Você gosta dela pra caramba?

— Acho que meu coração nunca doeu tanto por ninguém quanto doeu ser magoada naquele dia. E olha que uns caras já foram bem babacas comigo.

— Você gosta dela pra caramba — Julieta afirmou veementemente e Luiza até riu, sem graça.

Já fazia algum tempo desde a última vez e era estranho estar apaixonada outra vez.

— Como você soube? Digo, a primeira vez?

— Eu tinha quinze anos, tinha acabado de começar o segundo ano numa escola nova, mas nessa eu conhecia mais gente do que a anterior, por isso mudei pra lá, e era um pouco mais perto de casa também. Aí no meio dessa gente conhecida toda, tinha uma menina com quem estudei na segunda série, quando a gente tinha oito anos. E nessa época eu participava do bullying contra ela.

— Fala sério.

Julieta deu uma risada divertida pelo que estava por vir na sua história.

— A gente zoava ela — continuou — porque ela não era menininha que nem a gente.

— Não brinca...

— A gente vivia dançando nas aulas de educação física, e ela não dançava menininha que nem a gente. Era fortinha, cabelo Chanel. Mesmo que algumas de nós tivéssemos cabelo curto também, sabe? De alguma forma a gente pensava que éramos mais meninas que ela. E ela foi quem pegamos pra cristo. Com oito anos.

— E aí no segundo ano...

— Bati o olho nela no primeiro dia e ela continuava a mesminha de antes, só que crescida. E não pensei as mesmas coisas que pensava, que era machinho, parecia homem, nada, só reconheci ela de anos atrás. Aí com o passar dos dias na escola cada vez que eu via ela no intervalo, no corredor, eu sentia uma coisa. Essa coisa foi crescendo, virou frio na barriga. Virou suspiro. Virou "eu acho que beijaria ela" e depois "com certeza eu beijaria ela". E eu não era muito de pensar isso sobre meninos. Todo mundo é que ficava no meu pé que fulano gostava de mim, não sei quem queria me beijar, uns anos atrás me encheram demais pra eu perder o BV. Sempre sobre meninos. Aí foi meio que fácil saber o que era porque eu pensei algo sobre ela que não pensava sobre meninos. Eles podiam ser bonitos, mas eu não queria beijar nenhum deles. Ela, eu queria.

— E beijou? — Luiza perguntou e Julieta só riu, saudosa. Luiza riu. — E durou?

Julieta negou com a cabeça.

— Parece que eu não sou muito romântica e parece que é chato namorar alguém assim. Não entendia muito bem até recentemente.

Luiza queria perguntar mais, principalmente sobre esse jeito de Julieta ser, porque seu coração estava um pouco mais calmo sobre estar gostando de uma garota pela primeira vez. Agora ela pensava um pouco menos que estava confundindo a amizade das duas e mais que estava realmente gostando dela. Porém, antes que pudesse perguntar, Fernanda apareceu e se sentou junto delas.

Eram três corações nervosos naquela mesa por motivos diferentes. Era um pouco de receio do que estava por vir sobre a relação das três, um pouco de medo de a relação das três estar abalada e um pouco de medo de uma relação das duas não dar certo, por existir sentimento de um lado só.

— Que bom que encontrei vocês antes do clube começar — disse Fernanda, parecendo quase perder o ar de nervoso. — Tenho um monte de coisa pra falar. Primeiro eu quero saber o que aconteceu no sábado. A casa fez alguma coisa com vocês?

Luiza e Julieta se olharam. Fernanda parecia não se lembrar de tudo também. Elas assentiram.

— Ouvimos coisas, apagamos, saímos correndo de medo no domingo assim que amanheceu — respondeu Julieta.

— Foi bem estranho — disse Luiza e explicou o que aconteceu com ela e Julieta, e que nenhuma das duas encontrou as duas quando acordou.

Então Fernanda explicou que ficou trancada no banheiro, que não chegou a descer para a sala até amanhecer. Ficou trancada na primeira vez que subiu, depois do susto com Capuleto.

— Parece que as três viram coisas que não aconteceram, então, não só eu e Luiza — concluiu Julieta.

— Então você não estava na sala quando voltamos a dançar e você mostrou o álbum da sua avó? — Perguntou Luiza.

— Não.

— Só pra confirmar que entendi.

— O que você viu acontecendo?

— Ah... Nada, só... Você foi meio grossa comigo.

— Nossa. Sobre o que?

Julieta percebeu como Luiza queria derreter para não continuar se sentindo confessando tudo o que ainda não queria dizer.

— Sobre ela ser meio grudenta com você — respondeu por ela.

— Não! — Fernanda disse, sentida, colocando a mão no braço de Luiza. — Nunca achei isso ruim. Jamais reclamaria disso, muito menos seria grossa com você de propósito. Se já fiz alguma coisa, agora a gente sabe por quê.

Luiza tremia um pouco e só conseguiu fazer uma expressão de que entendeu o que aconteceu.

— Acho que agora tá tudo bem — confirmou Julieta.

— Sobre essa noite sim — disse Fernanda. — Mas isso não pode continuar acontecendo. Encontrei coisas que eu fiz na casa durante essas semanas e não lembrava, como se não fosse eu.

— Tipo o que?

— Tipo umas mensagens doidas num certo grupo... — As outras duas se olharam mas não disseram nada. — No domingo foi como se a casa me jogasse isso na cara e umas coisas estranhas que escrevi no meu diário antes. Então... não foi só sábado aquela confusão toda.

— Acho que não volto naquela casa mais — disse Julieta.

— Eu entendo. Tô na casa do meu pai de novo desde domingo. Mas vou voltar na casa pra fazer uma coisa ainda.

— O que?

— Acabar com o que quer que tenha lá que fica fazendo isso comigo e com a gente.

— Mas tem como acabar com isso?

— Parece que sim — Fernanda disse, ainda com a mão no braço de Luiza desde aquele momento. — No domingo eu fui correndo até em casa perguntar meu pai se ele sabia alguma história assim daquela casa. Então...

Os celulares das três vibraram. Era uma mensagem de Romeu encaminhada no particular das três:


Prof. Romeu

Eu vi vocês aí fora. 

O grupo já vai começar


— Melhor a gente subir — disse Julieta. — Não quero repetir outra vez e não formar agora.

Elas concordaram e subiram para a sala onde acontecia o clube do livro. No caminho, Fernanda — que subiu abraçada ao braço de Luiza, com medo de ela ainda estar triste pelo que viu acontecer — contou tudo rapidamente e chegou à parte da história em que Augusta tentou colocar fogo nas coisas dela na sala da casa.

Não fosse pelo sábado, teria sido a hora mais longa da vida delas. Saíram quase correndo quando acabou, deixando Romeu um pouco frustrado por não conseguir falar em particular com as três sobre o atraso para o encontro e com a leitura.

Já nas escadas Julieta pediu para Fernanda continuar o que estava contando.

— Meu pai tinha uma chave que não sabia do que era e levou pra gente ver. Era mesmo daquela caixa. Aí junto com umas outras coisas, tipo uns livrinhos de poemas da minha mãe, umas fotos, cartões, desenhos, estava outro diário dela. Nesse ela começou a contar histórias também, e algumas delas são da casa e ela sinalizava quais eram as histórias fictícias e o que era história da vida dela. E essas histórias de fantasmas na casa estavam marcadas como verdadeiras.

Fernanda pegou a mão de Luiza e ela estava muda.

— Mas o que o diário conta? — Julieta perguntou.

— Ah... Vocês tão com tempo? Com fome?

As duas assentiram e elas compraram lanches e foram se sentar na lanchonete do centro de convivência, que era maior e elas poderiam conversar em uma mesa mais distante sem serem ouvidas.

— Ela fala da Capuleto? — Julieta perguntou logo.

Estava aliviada pelos dois dias de folga da garota depois de tanto tempo sem dormir, mas tinha certeza de que ela voltaria.

— Pior que não — respondeu Fernanda. — Ela começa contando que o pai dela contava sempre, porque tinha orgulho, que recebeu a casa como pagamento de um negócio, a preço da banana, porque o cara simplesmente não queria mais a casa. E como a casa era grande e boa, as histórias não importavam pra ele, só que ele não contava essa parte pra minha mãe quando ela era criança. E sempre aconteciam coisas estranhas que ela lembrava, tipo mesmo sendo filha única, ela nunca achava que estava sozinha, mas não era a presença da mãe que cuidava dela e da casa que ela sentia. E ela lembrava de ter amigos na infância que sempre sumiam, paravam de aparecer lá, e minha vó nunca sabia quem eram, como se nem os visse chegando, passando o dia, brincando ali.

— Amigos, no plural? Se fossem só um, até que seria normal — comentou Julieta.

— Pois é, foram vários. Mas a minha vó via algumas coisas acontecendo também e sabia que a casa tinha história. Aí depois que meu vô morreu, minha vó tinha mais liberdade, então conseguiu perguntar aqui e ali e chamar pessoas que talvez pudessem ajudar. Quem morava lá por perto há mais tempo contou que antes morava uma família boa, mas antes dessa morou um cara não tão bom assim. A família foi embora dizendo que era assombrada por esse cara. Aí um homem comprou a casa e acabou repassando pro meu vô pelo mesmo motivo. Já era a terceira família que contava essas histórias e só então esses vizinhos estavam começando a ficar com medo. Mas só mandaram minha vó dar um jeito de se mudar, voltar a morar com a mãe, porque viúva com uma filha não consegue se virar sozinha não. Mas minha mãe acha que eles também não gostavam da minha vó porque ela voltou pro trabalho de carpideira pra sustentar as duas e, ainda por cima, era negra. Nunca disseram nada porque meu avô era branco, mas depois que ele morreu... Minha vó não ligou, levou uns conhecidos, eles disseram que sentiram sim presenças na casa e deram conselhos de como prendê-las, mas não sabiam como se livrar.

— Então tem um jeitinho?

— Tem. Elas fizeram, durou bastante tempo. O espírito do homem ficou tipo fraco, então fraco demais. As duas ficaram só com a presença banal da Cecília, a bailarina. Eu acho que ele reapareceu porque, sei lá, o que elas fizeram foi perdendo a força. E nós entramos na casa, mexemos nas coisas. Principalmente depois que eu e a Luiza abrimos aquelas três caixas.

— Por quê? — Luiza perguntou quase em um tom de culpa.

Fernanda pegou sua mão como se fosse algo comum e normal.

— Aquelas miniaturas que encontramos eram desse... ritual que as duas fizeram. Elas reproduziram cada objeto antigo que encontraram dessas pessoas, guardaram na caixa e alteraram os objetos originais, que deveriam estar guardados também. Não sei por que Julieta os encontrou nos quartos. Deveriam estar guardados também em algum lugar.

— Então era o desenho da bailarina, o livro rasgado, o quadro e a boneca? — Perguntou Julieta.

— Mas tinha um lenço branco pequeno também — disse Luiza, tentando fingir calma.

— Minha vó pediu pra minha mãe colocar quando morreu, pra não ficar assombrando a casa.

— E o livro não era da sua mãe?

— Não, era da Cecília. Minha mãe pegou pra ela por um tempo pra tentar fazer enigmas porque a presença da Cecília não era uma ameaça. Depois acabou guardando também, quando casou e se mudou.

— Então a gente precisa guardar as coisas de volta e mexer nos originais?

— Sim. Minha vó e minha mãe fizeram pétalas no quadro, alguns riscos diferentes no desenho de Cecília, rasgaram o livro, remendaram a boneca e era pra minha mãe ter feito algo no lenço, mas não fez. Disse que não ia conseguir, que no fundo queria que a mãe continuasse ali na casa que ela tanto gostava. Que se ninguém fosse morar lá, ela não seria uma assombração pra ninguém.

— E se queimar que nem na ficção? — Julieta perguntou.

— Elas tentaram. É como se os objetos fossem amaldiçoados pela eternidade, por ser um elo de ligação entre aqui e o lado de lá. Foi o que minha mãe escreveu.

— E aquela boneca é da sua mãe?

— Não. Eu lembrava de já ter visto ou de ela ter me contado dessa boneca, então achei mesmo que era dela. Mas parece que é uma memória falsa, não sei.

— Só pra saber, qual é de quem?

— A pintura é do primeiro, o pior. O desenho é da Cecília, a boneca é de uma criança da segunda família, a mesma de Cecília, e o livro é de alguém da família do homem que entregou a casa para o meu avô, da terceira.

— A Capuleto, será?

— Provavelmente. Minha avó não conseguiu descobrir o nome deles porque as pessoas só contavam histórias, não davam nomes. Cecília é Cecília porque tá assinado no desenho.

— Entendi. A gente pode, então... pintar mais o quadro, fazer mais detalhes.

— Cada uma pode fazer — disse Luiza. — Seriam três alterações de uma vez.

— Vocês querem mesmo ir comigo? Não precisam se não quiserem mesmo voltar lá até as coisas... pararem.

Julieta e Luiza assentiram.

— E mais detalhes no desenho, retalhos na boneca e arrancar mais páginas do livro. E o lenço da sua avó... — Julieta continuou e parou de falar querendo dizer que elas podiam guardá-lo se ela quisesse.

Fernanda negou.

— Acho que é hora de ela descansar.

Marcaram de fazer já no sábado seguinte.

Conversaram um pouco mais e depois foram embora.

Fernanda não soltou a mão de Luiza enquanto não se despediram no terminal de ônibus.

Luiza pensaria nisso sem parar nos próximos dias. Mais até do que voltar na casa assombrada e brigar com um fantasma. 

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top