20.1
Uberlândia, 4 de maio de 2003.
Para minha querida filha Felícia,
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
— Cecília Meireles
Escrevo-te para transmitir partes de uma história que talvez eu nunca tenha te contado ou, se contei, você era pequena demais e não se importava com de onde eu vim ou para onde nós duas íamos. Sinto que vou partir em breve, mas não chores por mim. Chorar às vezes pode doer bastante, pode tornar o resto mais doloroso também. Chorar pode deixar o futuro feio, e tudo o que quero é que seu futuro seja melhor e mais feliz do que meu passado foi. Essa é minha história.
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